Uma Louca Festa de Chá


Quinta-feira, Dezembro 30, 2004
Chega até à mesa um meu amigo Desse Lado do Espelho e brada vociferando, eu quero que os existencialistas se fodam! Enquanto o Ratinho acorda, dentro do chá e a Lebre boceja, de tão distante que há de estar, sorrio sobre o assunto e explico, se lhes desejas assim tão mal, diz em vez, eu quero que os existencialistas sejam felizes.


Quarta-feira, Dezembro 29, 2004
I am the Cheshire Cat

and, Hatter, I have found a chart even more renaissance than yours.

Such serving and suffering in the land of the other.



The Festival upon the Opening of the Vintage at Macon - Joseph Mallord William Turner at Tate


Segunda-feira, Dezembro 27, 2004
Todos os místicos são meus amigos. A minha mesa - minha, da Lebre, do Ratinho - está sempre posta para eles. Não sei mesmo, se o mais famoso episódio da minha vida, não foi, afinal, um episódio místico. A Alice, que buscava ela?

Dos sufis aos brâmanes, dos ascetas cristãos aos xamãs todos são bem recebidos à minha mesa. Ao meu chá. Ao meu tabaco, se o quiserem.


Das Endes Gottes

Das Gott kein Ende hat, gesteh ich dir nich zu
Denn schau, Er sucht ja mich, dass Er in mir beruh

Estas frases singelas são de um daqueles que já aqui tardou, Angelo Silesius. Para o Puto e a Yurei. Cada qual com sua dedicatória, que saberão. Espero.



Desse Lado do Espelho, Portugal, Açores, Ilha de Jesus Cristo


Façamos um acordo - eu e tu, incauto habitante Desse Lado do Espelho -

digamos apenas a verdade, a todo o tempo. Toda. A sonhada, antes de mais, que para mim é toda, pois todo o meu mundo é um sonho. Mas também, a pensada, a intuída, a partilhada. Toda.

Sejamos, como se gosta de dizer, honestos. Mas brutalmente honestos, cruelmente honestos, vilmente honestos. Aliás, não nos preocupemos sequer com o juízo da verdade, com a natureza da honestidade. Tratemo-las como coisas idênticas, que não são. Oh! por todos os muros do País das Maravilhas, que bom que não são!

Presumo, incauto habitante Desse Lado do Espelho que confundes as duas. Quando pedes honestidade pedes verdade. És dos que dizes que prefere a verdade a não saber. E chamas a isso, a esse dizer sempre, a honestidade. Não será honrado saber calar? Não haverá coisas mais importantes que a verdade? Se é que à verdade alguma vez chegamos? Não importa.

Façamos um acordo, eu e tu, e digamos sempre a verdade. Digamos sempre que somos honestos por fazê-lo. Não pensemos um pelo outro - que terrível arrogância! - a dor que podemos causar. Falemos apenas a verdade. Murmuremo-la quando nos faltarem as forças. Mas façamo-lo, por todas as Lagartas do Mundo! Do teu e do meu.

Porque é isso que estás a dizer, não é? Quando sugeriste este acordo, querias a verdade, doa a quem doer. Sabes porque se diz isso? Porque a verdade dói tantas vezes. Acabemos com suposições, com as assunções. Não ajuizemos mais, eu por ti, tu por mim, o que nos deve ou não deve ser dito. Tenhamos apenas tento na verdade. Seja essa apenas a nossa decisão.

Mas o que é a verdade? incontrolavelmente pensas, insidiosamente to insinuo. Não sei. Esqueçamos por isso a verdade. Partilhemos tudo. Os sonhos, os pensamentos, as intuições, as partilhas mesmas digamo-las altas, por mais óbvias que sejam. Digamos tudo.

Mas isso já não é o nosso acordo? É melhor esperarmos, então. Esperemos até sabermos o que é a verdade. A vida inteira se tiver de ser. E não digamos nada.

Arranjemos um meio termo. Digamos aquilo que não sabemos se é a verdade mas que pensamos ser de dizer um ao outro. O que é isso? Não sabemos. Temos nova dificuldade. Para fugirmos à verdade, para fugirmos a tudo ou a nada, caímos naquilo que quisemos evitar: a arrogância de pensar pelo outro.

Mas se estou contigo e tu comigo, não é porque gostamos um do outro? Não é porque nos queremos bem? Não hei-de eu pensar no melhor para ti e tu no melhor para mim? Não hei-de confiar que me dirás, não a verdade, não tudo nem nada, mas o que for melhor para mim?

Mas, e se me quiseres enganar? Assim, com este novo acordo, poderás. Além disso, como saberei o que é para ti importante para mim? Como saberei que me conheces bem, que me queres e saberás o que dizer-me.

Poderei confiar assim tanto em ti? Tanto que serás tanto de mim quanto eu?

Não.

Façamos um acordo, eu e tu, incauto habitante Desse Lado do Espelho, diz-me tudo. Diz-me tudo mesmo que o que disseres agora seja uma mera emoção e nada mais daqui a uns momentos. Mesmo que o que me dizes agora contradiga o que me disseste ontem e me quererás dizer amanhã. Diz-me tudo mesmo que não saibas tu próprio o que isso quer dizer. Diz-me tudo como se tudo fosse fácil e eu fosse Deus que saberei interpretar as tuas palavras. A tua verdade.

Antes isso que confiar em ti. Seres tu o Deus.

Prefiro sofrer e torturar-me. Viver ao sabor dos teus sonhos e dos teus pensamentos. Aferir os teus medos, emoções e fraquezas.

Façamos um acordo, eu e tu, deixa-me ser Deus, mesmo que sofra, mesmo que não o suporte, mesmo que te reveles um ser humano contraditório e confuso. Mesmo que não sejas aquele que sempre me fará feliz. Deixa-me ser eu a aferir a minha felicidade, a ter a crua certeza dela a cada minuto. Deixa-me que saiba tudo de ti, nada do que pensas e sonhas me escape.

Deixa-me que te abandone se não o suportar mais, que te dilacere se não o suportar mais, que te ame se não o suportar mais.

Deixa-me que me sinta a mais feliz das pessoas se em todos os teus sonhos e pensamentos, em toda a tua verdade, nem por um momento - ou deixa-me que avalie esse momento - me fizeres infeliz.

Façamos um acordo, eu e tu - incauto habitante Desse Lado do Espelho - conta-me o que quiseres.

Confio em ti. Não vejo razões para que me queiras mal ou comigo fiques mais um minuto para além daquele que desejares. Eu também assim sou e também assim farei.

Estimo que me contarás o que quiseres, o que me fizer falta saber. Estimo que como me amas, comigo queres partilhar o caminho, tentarás perceber o que devo saber. Essa linha ténue, que tanto te obrigará a percorrrer o teu caminho interior entre o Engano e a Verdade, como a conheceres o que em mim é Felicidade e Desejo. Estimo que não me enganarás, confio em ti. Ou não gostarei de ti o suficiente para desconfiar de ti? Para acreditar que me poderás enganar? Será que a minha felicidade não depende de ti e por isso não importa que a construa sobre a verdade que não me contas, os enganos de tudo ou de nada?

Façamos um acordo, eu e tu, não façamos acordo nenhum.



Desse Lado do Espelho, Portugal, Lisboa


Sexta-feira, Dezembro 24, 2004
I am the Cheshire Cat

and today the Sun entered Capricorn




Quinta-feira, Dezembro 23, 2004
Cá vai uma amostra do Gustave Moreau...




Quarta-feira, Dezembro 22, 2004
I am the Cheshire Cat

and now playing at This Mad Tea Party

Air - Kelly watch the stars


Sábado, Dezembro 18, 2004
Chesh, vejo que fizeste uma nova amiga. Gostei muito do blog dela.

Quiet the strong woman this Miss Leigh and all watery inside, wouldn't you say Chesh?

Entretanto

As palavras tornam-se gumes do passado
Não afiadas mas perpassantes
Na carne, à altura da pele,
Como renques rasteiros de árvores
Morrendo ao sol
Moribundas na noite
E de novo, continuamente se sangrando
Em promessas em desejos
De beijar furiosamente a nuca
Daqueles que queremos nos nossos ombros



Do Outro Lado do Espelho, Portugal, Porto

Se pudesse devorar todas as cores da noite
Todas as texturas entretecidas nos poros
Haveria de deitar-me ao pé de ti
Para te comer lentamente
E te misturar em mim no mundo.


Sexta-feira, Dezembro 17, 2004



I am the Cheshire Cat

and answering the kind invitation of the Water Violet I shall now write on Trines and Squares.

When one starts to understand the misteries of the Universe as presented in the Charts, one discovers that everything, at all times, relates to something else in special angles. Those are called the aspects. The Ancients divised (and divided) a certain number of important aspects that every planet could make to another, as any point in the sky to any other.They were considered more or less important according to the effect produced by the planets in aspect. That is what shall matter for me today.

Two of the most importat aspects in astrology are the trines and the squares. They are, we could say, the kings of the major aspects, these being the conjunction, the trine and the sextile, the square and the opposition. And for some, the inconjunction, one of my favourite aspects.

My idea is that one can not square the circle but one can trine the square. What I mean is that the square is not a bad aspect and its alleged disharmony is in fact a challenge worth taking.

What most people don't know is that those 90º angles are in fact pushing the person to unlock or even create a new balance between the squared planets. One that would be controlled and valued by the person.

Contrary to the trine, that is highly uncounscious it is operation the squared prones us to act, it makes us thrive. The ancients believed that there were misteries to be discovered in the disharmonious aspects, that the true challenges of the Chart were in the opposition, the square and, of course, the karmic aspect: the quinqunx.

A good example is presented by someone with sun square moon which would mean the two basic vital forces of the Chat at odds with each other. Although this square can (and most certainly will) bring great suffering, contradiction and pain it was beliveed as I believe that it presents a challenge to subject of the Chart. Leonardo Da Vinci is thought to have Sun Inconjunct Moon and look what he did.

The Trine is a helper. It combines creatively several energies but it also tends to makes us neglect the energies that it combines for all seems easy and simple. The soul is not challenged. The square blocks the energies as if a riddle that we must guess.

And if we do.... (grin)



The Hero of a Hundred Fights - Joseph Mallord William Turner at Tate


Quinta-feira, Dezembro 16, 2004
Vermelho como o coração é o lugar comum que me ocorre à mente. Se a mente não fosse um jogo, um devaneiro.

É tarde no cansaço, oblíquo, em ângulo lento, desta biblioteca a uma outra, com um quarto pelo meio. Assim. As cores são subterfúgios ou verdades? Nunca soube. De resto talvez subterfúgios e verdades se confundam, se misturem indistintamente. Mas mantém-se tarde e os meus olhos pesam-me, pesa-me o chapéu. Pesa-me já amanhã. E o vermelho conforta-me.



Desse Lado do Espelho, Portugal, Lisboa


Terça-feira, Dezembro 14, 2004
I am the Cheshire Cat

and while the Hatter does not return to comment Abajour em tons de Luz's posts

I leave a gift to NS from Gato das Botas, for his kind mail.



Study of a Nude Recumbent Woman - James Barry at Tate


Sexta-feira, Dezembro 03, 2004
Mais um mimo para o Chapeleiro, do seu amigo Domínguez Álvarez...




Uma prenda para o Chapeleiro...