Uma Louca Festa de Chá |
Quinta-feira, Agosto 12, 2004
COBERTO POR RECOMEÇOS
Entra pela janela a envolvência do horizonte coberto por recomeços: tocar a terra húmida faz nascer a lembrança das coisas simples, traz o germinar das casas nas pontas dos dedos ![]()
O CAMINHO AVANÇOU...
O caminho avançou em lentas quedas nas sombras rompidas pelo olhar Desvenda-se agora na chuva que vem da sede - fez da terra seca barro por trabalhar ![]() Terça-feira, Agosto 10, 2004
O que quero é possuir-te como se fosses eu
Levar-te para todo o lado no meu sangue O meu pensamento ser o teu E ao sentires sentir contigo O meu passo ser um vento indistinto de corpo E as frutas, maçãs, uvas, pêssegos As ervas, louro, bergamota, madressilva, rosmaninho Não nos poderem definir por sermos natureza toda A estrada não nos poder dividir pois a escolha É de um sonho que não tem vestes nem o perfume Se mostra de carne ou suor reconhecidos. O sol - sabe - e banha-nos quer sejamos Um pássaro de cinzas, uma quimera, um cavalo vivo Um gato egípcio e antigo ou uma falésia rasgada. Se nos possuirmos até à omnipresença Até à multiplicidade ubíqua Ainda a lua nos saberá E as marés - como nós - continuarão sob a sua influência líquida. Ah! Como há tantos caminhos para nos penetrarmos De pele e de tremores De cegueira de mata e de praia De sonhos safíricos e empedrados de mosaico Como nos podemos revestir de nuvem E ser sempre o topo do mundo Sem termos de nos distinguir e afastar Ah! Como podemos ser sem ser podermos Só posso em singular porque seríamos já unos. Uma violeta anterior de violência interior No jardim fechado das estações E do mundo navegado em volta. As chuvas viriam e as nortadas Os elísios quentes e os entardeceres de música E tisanas e vinhos frescos bebidos E rostos sorrindo testemunhos todos da nossa união Do ser velho-novo que éramos, somos. Um animal rugindo em voo de fumo Uma onda de sangue que se banha numa praia de espuma Verdejante até aos topos nevados de um castelo de mar Onde cavalos-marinhos se entorpecem de sexo Onde mulheres e homens se consomem em danças e doces Onde tudo ao crepúsculo se desfaz e escorre Fluvial caminho à foz de uma rosa qualquer Que é fronteira do fim e por isso do sonho. Não tenho não tens nome Possuímo-nos enfim de nós E matámos as definições que tínhamos Somos, sou, és, um animal pulsante Que freme, que teme, que fere Que se concorda de prazer por se amar a si próprio Que chora sempre ao adormecer pelo sublime do dia Pelo anseio do próximo Um realejo, um anel de prata, uma febre imortal Não há metáforas para nós nem alegorias ao nosso mundo Possuímo-nos da transcendência que habita o outro amado E assim o que nos tornámos Terá sempre pétalas sangrando de universo Por ser sempre uma canção florindo de magma e cristal. in Vertigem Desse Lado de Espelho - Jardim do Príncipe Real, Lisboa, Portugal Domingo, Agosto 08, 2004
I am the Cheshire Cat
And I thank you Hatter. Tomorrow Mercury will turn retrograde. Good time to go on vacations Hattie. I've been studying some fascinating aspects. The Sun-Moon combination is marvellous!
Untitled - David Annesley at Tate |