Uma Louca Festa de Chá |
Sábado, Janeiro 31, 2004
E assim para mim és assim. Ah ah ah. Plim. Puf. Prrrrrr....
Desse Lado do Espelho, S.Mamede, Lisboa, Portugal
Eu não sei nada. Perguntas logo a mim, Chesh? Logo eu que ainda busco saber a diferença entre uma escrivaninha e um corvo.
Nessa demanda comprei hoje mais uma lata de Jacksons of Picadilly Earl Grey. Sabes o que isso significa, não sabes? Hum...? Claro que sabes. A mesa está posta de novo. É assim mesmo. Por vezes só precisamos de recomeçar o mesmo. Outra forma, outra perfume, outra hora. Outra para não ser a mesma. Assim, olhando nos parece outro. Sabes que é o mesmo, não sabes Chesh? A luz é outra, clara. Intensa. Mas é a vontade que é outra. Tudo o resto é sempre o mesmo. Estou a ser idealistas sorris. Pois estou. Sou um ideal. Só assim se fazem bons chapéus. Para preservar ideais. E então, começa-se de novo. Serve-se o chá, o mesmo, a lata, a mesma, as cores azuis, as mesmas. E tudo diferente. A vontade, disse-te Chesh. Mas tu sabes. Esse teu sorriso é sempre isso não é? Pois bem, não perguntes. Sabe. Engraçado a força que nos desenha. Que nos recorta e senta aqui. Juntos. Nesta Louca Festa de Chá, começamos, recomeçamos. Estamos. Aqui somos todos loucos. Tu o disseste, Chesh. Tu o disseste. Deste Lado do Espelho, À Mesa da Louca Festa de Chá - Dentro Quarta-feira, Janeiro 28, 2004
Terça-feira, Janeiro 20, 2004
Domingo, Janeiro 18, 2004
Para a Maria,
porque tu não me compreendes - nem pretendes... ...e ainda assim, aqui estamos. Como sempre estivémos. Driven like Snow Still night, nothing for miles, White curtain come down, Kill the lights in the middle of the road And take a look around..... It don't help to be one of the chosen One of the few, to be sure When the wheels are spinning around And the ground is frozen through, and you're Driven, like the snow Pure in heart Driven together And given Away to the west A white dress Til the river don't run A black dress Looking like mine Til the sun don't shine no more Where the sky meet the ground Where the street fold round Where the voice you hold don't make no sound, look Snow on the river and two by two Took a lot to live a lot like you, I don't Go there now, but I hear they sung Their "Fuck Me And Marry Me Young" Some wild idea and a big white bed, now You know better than that, I said, Like a voice in the wind blow little crystals down Like brittle things will break before they turn Like lipstick on my cigarette And the ice get harder overhead Like think it twice but never never learn... And the mist will wrap around us And the crystal, if you touch it... And the cars Lost in the drift Are there And the people that drive Lost in the drift Are there And the cares I've Lost in the drift Are there Theirs, ours, Lost in the drift Are.. Driven Driven together And driven Apart The Sisters of Mercy
I am the Cheshire Cat
and now playing at this Mad Tea Party It was her house that killed Nessarose - Hannah Fury
I am the Cheshire Cat
and hello, hello, hello, Maria..... I might change tunes for you... and let us celebrate your mood. Everything is a changing mood (grin) ![]() Sábado, Janeiro 17, 2004
Vim só dizer-vos que estou apaixonada.
É só isto o que mais importa dizer. Magnífica Aquática Há momentos em que olhar-te é o princípio de um mergulho Uma perdição aquática. Percebo, nesses momentos, oceanos inteiros nos teus olhos Conténs no teu corpo, que deixa de ser corpo, todos os segredos do mar Revelados apenas em azul, translúcidos em íris Dois globos de magia, oníricos, densos, líquidos. Aí, nesses momentos, creio que posso respirar o teu oxigénio Que posso ser marinho no teu meio, que posso ser uma paixão tua. Fascina-me esse teu olhar magnífico, aparentando tristeza. Só vejo mar Fascina-me sentir imensidão marulhando-te por dentro Só ouço mar Fascina-me, nesse momento, o teu silêncio feito olhar Sinto-me mar. É um olhar mar profundo de profunda tristeza. Algo em ti chora infinitamente És uma fonte eterna de ti mesma. A sua origem se revela nesse tempo. Assemelhas-te, nesse momento, a um choro mudo e velado Mas eu percebo: és torrente funda, regato original És as profundezas da dor, do prazer e do oculto. Pois não vês, nem precisas, o caminho. Mas o seu sentido fere-te E o seu sentimento és tu. Um oceano inteiro. E esse oceano condensado em azul perturba-me Pois apetece-me abraça-lo, iludida pelo seu encanto sereno Mas como se há-de abraçar o mar? Com força e para sempre. (sabes, todo o sempre é um desejo) Pois todo o amor contém oceanos inteiros. E tudo os oceanos contêm... Maria do Mar
fotografia gentilmente oferecida pelo Chapeleiro Desse Lado do Espelho, Praia da Adraga, Portugal Quarta-feira, Janeiro 14, 2004
Sábado, Janeiro 10, 2004
Visita à Casa do Telhal
Estava cheio de saudades. Daquelas saudades de ficar em casa a roer um trapo. A comer bolor do pão velho. Não, vocês não saberiam. Com chá é bom. Depois, abrir a janela ao ar da manhã, percorrer os espaços do dia que ainda restam. Subir até à velha Quinta, à velha casa. Hoje vou conversar com um dos meus mestres. Também ele atravazou a porta invisível da loucura. Está Num Outro Lado. Como te amo, mestre. E a esses teus olhos azuis. O Herberto também manda um abraço. Só quando fala de ti vejo o homem. De resto o Herberto é sempre poeta. Acho que vós sois os verdadeiros Senhores da Loucura Poética. Gosto de me embrenhar de vós. De saber que o meu chá e as minhas cores podem ser acompanhados pelas vossas palavras. Hoje vou falar com António, um homem que se perdeu de Si para se encontrar de Mundo. undo....undo.... fundo. Arco-Íris A luz arco-irizante dos céus numa noite de trovoada estabelece-se depois de dia num mistério o arco-íris Tem sete cores o arco-íris ou o arco-íris compõe-se de sete cores vermelho, violeta, anil, roxo, lilás, castanho e amarelo. Depois destas sete cores acabada a trovoada a gente pode parar, tirar o chapéu, etc., etc. Ou aussitôt que l'idée du déluge se fût rassise un lièvre s'arrêta dans les sainsfoins et les clouchettes mouvantes et dit sa prière à l'arc-en ciel à tranvers la toile de l'araignée E depois é assim. Oh les pierres précieuses qui se chachaient no fim do mundo onde fica o arco-íris les fleurs qui regardaient dejà Nos entrementes Madame établit un piano dans les Alpes. Pois ou aussitôt que l'idée du déluge acabou ou assim mal acabou a ideia que não havia de haver dilúvio é que então uma lebre parou de repente entre as papoilas no feno e entre as papoilas ou as campainhas de feno e disse a sua prece ao arco-íris e apareceu o arco-íris ao qual então a lebre disse uma prece fez uma prece. E chovia muito nesse dia. [...] [...] Suponho que de tudo o que escrevi só o amor só o amor louco me disse o que era a poesia só o amor e os teus lábios o teu sexo a tua púbis incandescente só isso canto e cantei e cantarei. o amor louco que nos rege aos dois ou Deus ou o Demónio o amor é nosso matamo-lo os dois com a língua e a linfa matamos o amor só com a nossa morte. António Gancho Obrigado Sexta-feira, Janeiro 09, 2004
I am the Cheshire Cat
and this is for you. Yes. It is for you.
For the womb and thighs are all that matters... Quarta-feira, Janeiro 07, 2004
Duende, A.
Acordei hoje com uma súbita vontade de escrever para a Duende. A razão é simples é a presença que controla os meus sentimentos mais estáveis. A inconsciência faz o resto. Alguém vai aparecendo, alguém se vai aninhando, aos caminhos que fazemos e um dia, ao preparar o chá da manhã - ZÁS! - atinge-nos como uma saca de açucar (eu bebo simples, claro). A duende é uma presença nesta louca festa de chá desde o seu início. Isso para mim conta para alguma coisa. Sempre preferi as presenças serenas e longas do que as fulminantes e espampanantes. Há algo de profundamente louco, daquela loucura em brasa que nem precisa de chama para se manter acesa, na continuidade oculta mas sentida. A duende sente-se. Anda por aí, comenta por vezes, mas nem precisava. A aura pressente-se. A duende impressiona. A impressão como todos sabem é familiar da sugestão. Impressionamos e sugerimos. Ora a Duende sugere-me, com a impressão deixada isto:
Quando a tirei há alguns meses chamei-lhe: "Alguém morreu aqui" Mas agora, neste exacto momento, dei-lhe novo nome: "Alguém sente por ti" Vou beber o meu Príncipe de Gales, com um pouco de leite. Marvellous, marvellous. Terça-feira, Janeiro 06, 2004
Vamos descomeçar de velho
Todos os motivos são bons. Os motivos, aliás, são ficções. Não há motivos para nada. Há. Acabou-se. Desaniversários, claro. Mas também fins de ano. Fins de ano?...pasme-se! Deixem-me dizer-vos uma coisa, caríssimos malucos... Que fim de ano? É mais um motivo. Uma invenção. Não tenho nada contra elas, não se iludam - Eu passo a vida a inventar. A loucura é, como sabem, uma ars inveniendi. Uma arte de percorrer caminhos diferentes. De ilustrar. Aqui no País das Maravilhas, bastaria a Esta Louca Festa de Chá para se perceber isso, eu até saio pouco no chás que correm, visito a Catrapila e pouco mais, não há anos. Aliás, temos tempo como quem tem frio. Ou calor. De vez em quando lembramo-nos deles. Mas quando estive Aí Desse Lado do Espelho, pela dentuça da Rainha de Copas, que palhaçada essa do anos. E das décadas e lustres e séculos. Já para não falar dos milénios. Tudo mal. O ano zero nem vou comentar. Mas o que me fascinou foi a loucura sábia, essa forma de estar contra o óbvio que descobri Aí Desse Lado do Espelho. É evidente que o ano começa com o equinócio da Primavera. Se querem ter um ano qualquer, uma forma mais ou menos racional (blargh..) de se orientarem então abram os olhos: as florzinhas estão a florir, os animaizinhos andam loucos de lust (como diz o Gato). Bah! A natureza inteira a recomeçar e vocês nada. Dizem que é Primavera. Tudo bem. Quem sou eu para criticar. Por aqui tudo continua na mesma. Como não há tempo não há falta dele. Eu e o Gato fomos ao planetário para ver se ele me convencia a estudar astrologia. Perguntei-lhe há alguma constelação como nome de chá? Respondeu que não. Estou contra. Nem sequer uma com nome de chapéu. Seria muito mais interessante. Constelação de Darjeeling, Constelação de Chapéu de Coco. Agora Cassiopeia, francamente. Para mais era muito sóbria. Gostava mais da Andrómeda. Oh Lebre! Havemos de ir visitar a Andrómeda. Depois desse passeio refugiei-me algum tempo no meu quarto.
Já há muito tempo que não ia ao meu quarto. Normalmente estou à mesa, como deve ser, como acontece com chapeleiros e lebres civilizadas, such as ourselves. Mas aproveitei a ausência de visitas - isto é sempre um corropio de clientes a quererem chapéus, apanharem bonés, andar à boina, enfim - para deitar-me um pouco. Bilú. Bilú. Acordei. E tenho tanto para vos mostrar. Não conseguirei fazê-lo. Mas, pela barriga do Humpty Dumpty, havemos de beber bom chá. E pode até ser que o Gato melhore de gosto musical e nos entretenha. Com as suas divagações astrológicas. Não percebo nada disso mas se ser Peixes é ser assim... valha-me Jabberwocky, um Gato de Cheshire Peixes, é magnífico. Simplesmente delirante. Ah...Lebre, que saudades. Dormouse, pour away... |