Uma Louca Festa de Chá |
Domingo, Novembro 30, 2003
Não compreendes
Um sentimento assim não se amansa Não se convence, não se embala. Um sentimento assim, inebriante Fazendo perder o sentido do mundo Não se apaga esquece ou abandona Não compreendes. Um sentimento assim não se deixa para trás Ele habita os locais obscuros de mim - tantos - Compreendes? Não compreendes Um sentimento assim toma-nos Contra nós, apesar de nós, malgré nous. Apesar de tudo. Lourd. Pesado. Pois só tu o tornas leve Só juntos podemos levantar, arremessar Olhá-lo então envolver-nos Não compreendes Um amor assim vive-se até à morte Ou mata-se Deste Lado do Espelho
Uma grande dúvida
O que procuras? Palavras ou perguntas? Sempre perguntas Sempre os teus dias se enchem de perguntas De vozes Algo em ti fala conversa, declama A ti resta-te a estranheza As perguntas Pois toda a existência é um grande questionário Uma grande dúvida Tudo o que existe esconde-se Nas aparências multiformes da ilusão Pois tudo o que sentes não existe Embora tudo o que sintas seja eterno
We have our hands
Temos as nossas mãos A minha por cima da tua Os nossos lábios ainda não se tocaram As mãos assim, são o nosso abraço O nosso segredo Nada em nós nos revela O desejo de nos agarrarmos pelos braços De encontrarmos os nossos peitos Está todo nas nossas mãos, tocadas Mas isto foi ontem. Tenho saudades tuas Lembro as tuas mãos, apertando as minhas Parece-me, nesse momento, que te tinha toda Pelos dedos Serpenteando por mim electricidade fugidia O teu rosto Era ele que descia por mim Era ele que me afagava o peito Era ele que eu sonhava adormecer Adormecido também. Os nossos corpos emoldurados pela cama Indistintos Pois os membros confundiam-se de formas Depois, de cheiros A tua nuca perfumava o meu rosto Eu respirava os teus cabelos negros Sentias as tuas costas no meu peito Sempre o peito, à frente do mundo À boca de nós Mas isto é amanhã, se for. Tenho vontades tuas. Hoje és o meu poema, hoje escrevo-te Desenho-te Amo-te pelo que foste, pelo que serás Assim és
Nós somos momentos animados
Vontade de não deixar o dia acabar igual Vencer não sabemos o quê Querer ultrapassar o já conhecido Gritar alto e para dentro Que queremos?
[...]
Um sorriso, uma revelação ao modo Do medo que se esconde, interior Nas galáxias do peito, nos sistemas dos ombros, musculares Como queria desfazer-me em terra e ar, na paisagem! E indistinguir-me de mundo no mundo Seria assim tanto mais! Tanto menos eu ¿ aniquilado! E tanto mais ¿ liberdade! Podes ajudar-me? A matar-me dando-me vida? A fazer esquecer-me de mim para que possa ser em ti? E no mundo? Ajuda-me a fazer uma Trindade Nova Eu, tu e o Mundo, indistintos Desse Lado do Espelho, Portugal, Lisboa
Na verdade toda a poesia
É uma encarnação num espírito sonhado Delineamos o horizonte E esperamos que nasça
O machado da dor que tomba
O sangue derrama-se por dentro Enfurecendo os espaços enjaulados De dor Os corpos desfazem-se em gestos chorosos De raiva à boca cheia de bichos Negros de sangue velho e borbulhante Derramando-a por dentro Em fúrias escanchadas no corpo Desfechos da alma, revisitada Pelo machado da dor que tomba
[...]
É tarde na noite silenciosa Os olhos cansaram-se sobre o corpo Dois globos inertes, pesados. Obrigado à solidão e ao sono A Lua está cheia e as minhas mãos estão velhas Solitárias Tenho saudades do abraço que te contenha Pois na verdade não existes Aconteceste, em tempos, nos meus braços Mas como tudo o que morre, deixaste O espaço vazio de ti, entre o meu peito E as minhas mãos, gastas A Lua está cheia, é tarde na noite Não te tenho mas nunca te tive. Quinta-feira, Novembro 27, 2003
[...]
Não há poesia como a forma da noite Ao encontro do amor Não há forma outra de o dizer Nem devemos ter medo De desenhar o gesto ou a palavra Que explica o desejo de cruzar Os dedos das mãos ¿ nossas ¿ E fazer assim um símbolo de união Não há poesia como a do deslumbre Da meia percepção do amanhã Entre a doce ilusão e a insana Verdade Desse Lado do Espelho, Portugal, Lisboa
Precisamos
O nome da criação esconde-se Atrás das ruas e dos postes De luz A sua língua dorme na boca do mundo Invisível Aos olhares iludidos de eu, Revolvido em prazer e desprazer Pelo corpo Precisamos abandonar a visão dominante Do mundo E contemplar os pontos de luz Revelados em cada sorriso Descoberto na transcendência Deste Lado do Espelho
Clamar prazer
Na verdade nunca me encontrei sabendo o seu nome Pois que o nome é criação dos homens e a verdade do universo Assim pressinto a verdade em mim antes do que sinto no corpo À chegada das sensações A verdade habita por dentro das coisas com um brilho das coisas Que não se vê mas se sabe pelo espírito que guarda. Espírito que olha Os momentos de êxtase são aqueles em que despidos do mundo Nos despimos de nós, confundindo as sensações com as sensações alheias Em que o corpo se esvai e vem à boca da existência Clamar prazer Aí habitamos na verdade por um momento e percebemos o caminho Perpetuamente estaremos buscando o esvaimento do corpo Regressando a nós no mesmo instante como outra face da verdade E o seu nome, criação das horas, é Amor Mesmo antes de ser verbo Habitou sempre o Universo
Desse Lado do Espelho, Portugal, Évora
Há noites em que o pássaro da raiva
Se inquieta no meu peito Então canto-lhe uma canção inaudível E ele serena nos meus sonhos
[...]
Entre mim e ti Um calvário, uma montanha, uma planície O que vier à cabeça do mundo Entre mim e ti Nada Quando nos abraçamos como cães esfomeados Ou cometas famintos de fogo carnívoro Entre mim e ti O vagar dos dias e a velocidade dos dias Os mesmo dias, assim, diferentes, as contradições Dos nossos gestos e das mesmas palavras Persiste Entre mim e ti Uma marcha de proximidade, imparável Um caudal num sonho violento Que se torna indistinto Entre mim e ti
Deste Lado do Espelho Terça-feira, Novembro 25, 2003
I am the Cheshire Cat
and now playing at this Mad Tea Party Saint Thomas - Strangers out of Blue (turn your speakers on, click nothing and wait)
I am the Cheshire Cat
And want to recommend you an album Trembling Blue Stars, Her Handwrinting v.g. Do people ever? I want to say "Do you know what I went through?" But of course you do For the way you broke me all up inside Just mirrors what I did to you I never thought you'd do what you did to me I was always so sure About how you felt towards me But I know that it's not as simple as that No it didn't just come Out of the blue But through all I did to you I'm not the only one to have cried and cried You went through that hell too I'm just the only one Who must shoulder the Blame for breaking us in two The only one Who must shoulder the Blame for breaking us in two And I never thought that we'd end up Fighting one another But then again Do people ever? No, I never saw us winding up Fighting one another But then again Do people ever?
Something like that...is it not, Hatter? I see a lot from my tree, you see...
I am the Cheshire Cat
and I am back with my astrological reports. Continuing on the analysis of the twelfth house I would like to recommend this article. The very best I have found concerning the rather unknown and misinterpreted 12th House. I will be back soon with more. Any astrological questions or doubts feel free to write me. Cheers from the Chesh!
By the way Hatty, I do agree with you! I find Patruska very patusca! (double grin)
Entre mim e ti
Entre mim e ti As palavras tornam-se lenços Amordaçando o desejo Entre mim e ti As palavras tornam-se pombas Correios da nossa cegueira Entre mim e ti As palavras mordem à desgarrada Os sonhos adormecidos que temos Entre mim e ti As palavras são mãos Para os abraços distantes Desse Lado do Espelho, Suécia, Estocolmo
[...]
Longa a vida, luz a selva As veredas, as tropicais baianas As sereias mulatas E os meios de saciar os ímpetos carnais Com frutas em polpa à boca da boca Iogurte, natas, as notas níveas do sonho E do alimento tranquilo do dia Combinado de carne e branco Sobre a fosforescência dormente e verde da angra Uma combinação tropical evanescente Em repastos agitados Das corridas de logo vida Sabida, vivida e assim Aventurada
Desse Lado do Espelho, Brasil, Rio Grande do Norte, Genipabu
O Cosmos tardio
Uma combinação volátil de energia A humanidade em condensação visível Desenhar um caminho e uma construção Habitando os contornos indistintos da realidade Que à beira do esquema é sonho Mas se mostra indeciso no balançar O desenho é assim de uma realidade que não sabe Nem deve saber, nem quer saber, onde mora A humanidade condensa-se em qualquer paralelo Ou meridiano Até no Cosmos tardio Nasce-se de sol, basta-se de sol O sol é uma corrida elementar Um passo lógico de fumo e serenidade No paradoxo da vida A combustão contínua do ar É o desenho do presente a ganhar ao futuro Em criação Desse Lado do Espelho, Portugal, Lisboa
O sangue fez-se mundo
As auroras desenham-se infinitas no horizonte imaginado Só as tenho de guardar, uma a uma, as nascer do dia Com a cadência do tempo e da morte adormecida As vestes do dia ¿ sei-as bem ¿ são de tecido leve Que deixam conhecer o corpo às horas da vontade Crescer, sonhar, beber, cantar, correr, dançar Então, a poesia como uma canção leve e sincera Na simplicidade dos rostos encontrados e sorridos Arautos das existências iridescentes de luz E regatos de sol em vez de veias Pois o sangue fez-se mundo e mora no olhar Todo Os músculos combinam-se com as lembranças As lembranças com o futuro, princípio e movimento Por isso, um dia morremos Desse Lado do Espelho, Portugal, Lisboa Segunda-feira, Novembro 24, 2003
Sem dúvida
Tendo reflectido e ponderado demoradamente ocorreu-me que se apenas pudesse convidar uma pessoa, Desse Lado da Rede, para tomar chá, seria esta menina. O que achas Chesh? Lembra-me uma Alice que por aqui passou.
Carpir
Caríssimo Puto Paradoxo, a sua preocupação alegra-me mais do que me consterna. Ei-lo preocupado comigo e eu sem razões para lhe dar. Já as dei: escrevo do meio de Setembro e em breve espero terminar a penitência ou a vivência, como preferir. As palavras, essas carpideiras, hão-de calar-se. Deixe-me chegar ao fim de Outubro. Isto do sentimento, já dizia o louco do Sterne, é uma viagem. Inspire-se na nossa amiga Maria que regressou agora de uma. E enquanto não parte para outra. Entretanto, como sei que partilha comigo o gosto pelo Vento nos Salgueiros, deixo-lhe uma passagem que intuo muito ter que ver consigo. E muito espero que lhe diga. Renovadamente. "The weary Mole also was glad to turn in without delay, and soon had his head on his pillow, in great joy and contentment. But ere he closed his eyes he let them wander round his old room, mellow in the glow of the firelight that played or rested on familiar and friendly things which had long been unconsciously a part of him, and now smilingly received him back, without rancour. He was now in just the frame of mind that the tactful Rat had quietly worked to bring about in him. He saw clearly how plain and simple - how narrow, even - it all was; but clearly, too, how much it all meant to him, and the special value of some such anchorage in one's existence. He did not at all want to abandon the new life and its splendid spaces, to turn his back on sun and air and all they offered him and creep home and stay there; the upper world was all too strong, it called to him still, even down there, and he knew he must return to the larger stage. But it was good to think he had this to come back to; this place which was all his own, these things which were so glad to see him again and could always be counted upon for the same simple welcome" Kenneth Grahame, The Window in the Willows, final do capítulo Dolce Domum. Desse Lado do Espelho, Suécia, Estocolmo Domingo, Novembro 23, 2003
Por cada caminho soturno
Por cada caminho soturno trilhado Havemos de percorrer a viagem do encontro Das horas sentadas à mesa À gargalhada farta e pão bastante De queijos e azeitonas ou vinhos Havemos de trazer luz aos caminhos velhos De fazer cores das formas que tem a luz Por cada caminho soturno apontado Havemos de rir muito e mostrar O passo certo ao encontro das vertigens Habitantes do encontro das palavras e do sentido Que cresce nos sentidos pulsantes Havemos de emocionar os corpos da alma E alegrar de emoções os corpos Por cada caminho soturno trilhado Havemos de perguntar porquê Acaso se sentiu o corpo sem a alma Ela que mora atrás da íris sonhante Havemos de ser sonhados como triunfantes E triunfar de sonhos retumbantes Por cada caminho soturno Mil sorrisos a enterrá-los Um funeral alegremente, cantante Para a tristeza que não quero sentir Havemos de despir a tristeza e ser nus Só vestidos de beleza Desse Lado do Espelho, Suécia, Estocolmo
Os objectos
Estou fechado sobre mim A minha cabeça tomou rumo próprio Os sentidos estão em desvario Sentindo sozinhos, sem voz, sem pensamento Caminho bifurcante de mim De sangue os sentidos se fizeram De linfa se fez o raciocínio E ando para aqui por mim, desavindo Ele A discutir como se hão-de vestir os objectos Um diz que de metáfora outra de metafísica Estou à espera de compromisso para haver poesia
[...]
Enfim, as colinas se desmoronaram E caem as antigas pedras da virtude Ou do sonho, não sei O tempo parou, o céu parou Tudo parou, de cor e razão As forças sucumbem à tentação As iras e as raivas se conluiam de medo Se vestem de violência Vou esperá-las à porta Dar-lhes o meu corpo por retábulo E dizer-lhes Enfim, as colinas se demoram Mas as pedras do sonho fazem-se virtudes E o tempo passa e a ira e a raiva morrem aqui Desse Lado do Espelho, Portugal, Lisboa Sábado, Novembro 22, 2003
Chesh! Chesh!!....
... Enquanto o Gato não aparece, deixem-me recomendar-vos que passeiem aqui por Este Lado do Espelho na companhia da música escolhida pelo Gato. Não cliquem nos comentários, liguem as colunas e aguardem um pouco..... .....se é para enlouquecer, façamo-lo com classe e profundidade. Classe e profundidade acima de tudo!
As lágrimas que passam...
A visão é de chuva, ao fundo Como de um cavalo negro, relampejante Como lago turvo e disforme Que não se divisa ou vislumbra As correrias passaram E passaram as canções tristes Passaram também algumas imagens, ilusórias Passou o medo e passaram as lágrimas Ainda restam Sobre nós Pesos que não suportamos Mas não sabemos não suportar E assim sorrimos Para nos sabermos sorridos E, assim, floridos Desse Lado do Espelho, Suécia, Estocolmo
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Estamos furiosos de vida Não sabemos que nome dar ao abandono A energia farta que possuímos Era uma dádiva moldada aquela existência Que pensávamos ocupar o futuro do nosso horizonte Era simples a vida assim e a energia transbordante A coragem Era tudo para ela, para nós E depois, à partida, ao abandono Parece que ficamos com vida a mais Para a vida que há Como se há-de matar parte de nós? Desse Lado do Espelho, Suécia, Estocolmo
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Chego e abraço-te Tenho caminhado muito sozinho Mas guardei o que pude ao teu colo Havemos de sentar-nos num sítio bom E havemos de trocar palavras em companhia De corpos bebidos em presenças sentidas No manto líquido e invisível da envolvência Habitada nos recantos dos amigos antes Deixa-me abraçar-te Estou perto de ti, eu de tudo Hei-de mergulhar noutro canto do mundo Para te dizer como sabe o universo noutro ponto E onde quer que esteja sinto Uma vontade imensa de fundir-me de vida Desse Lado do Espelho, Suécia, Estocolmo Quinta-feira, Novembro 20, 2003
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Como explicar-vos? Cada existência é a vontade de uma conversa Ao despertar de sussurros, segui-las Olhar e ver além dos contornos do corpo Cada palavra escutada uma veia percebida Gostava de poder explicar-vos... Desse Lado do Espelho, Portugal, Moura Quarta-feira, Novembro 19, 2003
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Às voltas com o cá dentro e o lá fora Por entre as visões fragmentadas do tempo e do espaço De uma ordem ou de um caos De um princípio ou substância Entre a razão e o sentimento. Sempre entre a razão e o sentimento Como matérias inconciliáveis Que se fundem e confundem, enganadas Desse Lado do Espelho, Suécia, Estocolmo Terça-feira, Novembro 18, 2003
Segunda-feira, Novembro 17, 2003
I am the Cheshire Cat
and now playing at the Mad Tea Party Chris de Burgh - Lady in Red turn on your speakers (grin) Sábado, Novembro 15, 2003
Rendilhado
A noite fragmenta-se de luz Em rendilhado fino, a madrepérolas Caindo em rede, esvoaçante, sobre um bosque solitário Resta a escuridão. Tudo isto é a alegria de um sonho A vontade poética de um desespero Armando as horas em existência De razões e motivos de fé e entretantos À boçalidade vulgar do sentimento Que dizer? A perda. Falo da perda. Desse Lado do Espelho, Portugal, Lisboa Quinta-feira, Novembro 13, 2003
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Fecho-me em casa durante as horas do dias A luz recorda-me a felicidade E as pessoas a sua alegria Só a noite me dá o espaço de um passeio Desse Lado do Espelho, Portugal, Lisboa
Como um respirar
Preciso de matar todos os amanhãs Para voltar a ter-me presente Conseguir manobrar a brandura do gesto A sua certeza Esquecer a dor agrilhoada aos meus pés E as evocações distantes dos dias Esquecer tudo e ser futuro Condensando presente Permitir, então, um passo Definir, de novo, um espaço Alinhar serenamente uma vontade E sentir de fora para dentro E de dentro para fora Como um respirar Quarta-feira, Novembro 12, 2003
Ladainha
Esquece as ladainhas das madrugadas Esquece o choro nas ombreiras da noite Afugenta os maus pensamentos a gritos e urros Deixa-te pensar nos sorrisos e nas gargalhadas Lembra-te do teu ombro tomado de cabelos de ouro Serenando sobre ti a energia de um corpo Esquece, esquece, afugenta Deixa-te, lembra-te serenamente Dos dias maiores de maior sentir Outro ainda não sentiste assim E assim se mata a tristeza Serenando-a Desse Lado do Espelho, Suécia, Estocolmo
I am the Cheshire Cat
I'm starting my astrology lectures on the 12th House. This one is for you my friend. The following are introdutory quotations on the Sun in 12th house from several sites. I will be presenting my own vision of the Sun in the twelfth house shortly. A shy person, you prefer to stay in the background if possible; in fact, you like to hide. You have more compassion for others than most young people do. You love mysteries and secrets, imagination and fantasy. You may have had an extremely painful experience when you were very young. If so, you may think it was a punishment for something that you did, and you may be afraid that it will happen again. In fact, whatever happened was an accident for which nobody is to blame. You are not a bad person, and there is no reason why it should happen again. When you grow up, you will probably have an unusual understanding of the supernatural. Getting up in front of an audience will probably never be easy, although you can learn to do it if you really want to. The Sun was in your twelfth house at the time of birth. This may indicate a life full of limitations, obstacles, and human opposition, but at the same time a lot of inner strength and energy. You are urged to pause and reflect upon your own accumulated history. Take some time for introspection. It may result in a purification process accompanied by some remorse of conscience. Internally, you are quite different from the way you present yourself externally. You possess a vast reservoir of energy that may be partially hidden even from your own awareness. Your internal disposition is strong, commanding, open, and of a rare generosity. More and more you should try to bring these characteristics into the open so that they can overcome some of the less desirable aspects of your personality. This placement denotes a private drive for self-perfection. You are one who will seldom receive full recognition for your efforts and accomplishments, but you easily accept roles of relative obscurity. You are somewhat introverted and love the peace and solitude such a situation often affords. If you were left to your own devices and permitted to, you could live a contemplative life. If you display leadership, it will likely be a "behind the scenes" role. Service to others provides you with recognition and fulfillment. Psychology and psychic research may be of considerable interest for you. While there may be indications in other parts of your chart that you need people, you are likely to feel somewhat estranged from others even when in the middle of a group. You need to spend a good deal of time by yourself. You should not be too concerned by feelings of not-belonging, and by failures to mix well with others. Your role may be that of investigation and obtaining understanding, rather than socializing and the attainment of status. Piscean overtones color this placement that indicates what you have brought over from a past life to work out in this life. You must choose between serving and suffering. Any limitations you face are directly related to the past misuse of power. Your early conditioning may be affected by your father, for good or bad. You can be lonely, even in a crowd, or avoid close relationships. You may lack self-confidence. You can do well in the fields of medicine, psychology, research (especially psychic research), or someone who works with those who are limited or afflicted in some way. Most of your work will be done behind the scenes. You may have powerful yet unknown secret enemies. You've allowed your ego and destructive tendencies to have control in past lives and now you must pay your karmic debt either through service or suffering-- the choice is yours ![]() Terça-feira, Novembro 11, 2003
O Mausoléu do Amor Doidibundo...
Diz-me o Gato que Isto, aqui Deste Lado do Espelho se começa a parecer com um Mausoléu... Digo-lhe que até o Chapeleiro Maluco têm histórias d'amor e de mágoa para contar... Digo-lhe...suporta-me mais um pouco...já vamos em Julho... Desse Lado do Espelho, Portugal, Lisboa
[...]
As I seat in front of the paper All the ideas I had brought from walking Vanish. What to do? To sleep and dream some new ideas Never remembered. To stand silent in the night Thinking, doing nothing Quietly. Why is it, why is it I can not free myself from english? To embrace to embrace Abraçar o português, assim, Devagarinho, sem cesuras Como um lento passeio de carro, solitário Da Zambujeira a Odemira Da lá a ......, pela noite. Pela noite ao nascer do dia Nesses tempos ela ainda me amava nos gestos. Ainda havia ¿ sentia ¿ a paixão que arremessa os corpos mesmo serenos Contra a proximidade do Outro. Eu. Nesses tempos ainda a sentia querer-me Querer-me demais Como se quer água, sedento E se quer umas mamas, virgens E se quer a prenda, com o papel por rasgar E todos os exemplos-metáforas Que explicam a pressa por saciar, algo Muda a página. Agora estou sozinho. Penso em sexo Penso muito, muito rápido e vário Alterno entre o desejo de sexo imediato - não importa quase com quem ¿ alguém seguro e que gema e silencie ¿ a um dado olhar Sexo que matasse este quarto enquanto símbolo Matasse até o som grave da pena sofrendo o papel Sexo que me drogasse um pouco de prazer Depois, penso nela. Como me amaldiçoou o sexo, sem o saber Alterno, de novo, entre as lembranças de vezes com ela - a naturalidade, a humanidade do seu sexo ¿ por vezes E força, o músculo, a carne, estas palavras e outras Que restaram para descrever o sexo com as outras mulheres Bom e físico. Um maldição. Uma merda. Nada disto serve nada, penso Um instante após rever-me no reflexo da janela Apenas um arroio de pensamento escorre neste papel Eu precisava de ser cataratas Para libertar-me do peso, da visão, das sensações O que eu precisava era de deixar de ser-me Precisava muito, de já amanhecer mas ser nada Nem sequer outra coisa qualquer. Nada. Mais ainda. Nada com a bela consciência de ser nada E a possibilidade ¿ possibilidade apenas ¿ de ficar feliz por isso Penso nela, outra, penso numa praia E em pureza, na sua pureza, do seu sentimento Que maculei, destruí. Foda-se Às vezes, praguejar é um émulo perfeito da satisfação Um émulo lembra-me um anjo E penso que nenhum existe Desse Lado do Espelho, Portugal, Lisboa Suspiro. Já basta. Não, não basta. Talvez devesse ou deva. Mas não basta. Ouço vozes. Talvez possa meter-me pela noite dentro. Se não pensar nisso. Talvez, repito, Agapito.Talvez. Talvez. Talvez. Talvez. Não sei se escrevo pelo sentido se pela forma estética. Agrada-me a palavra talvez, interlúdio da coragem que reúno: Que fará ela? Estará dormindo? Dormirá? E com quem? Será isto ciúme ou um pensamento analítico? Despojado Despojado de Despojado de sentimento? Sei lá eu! Como hei-de saber?... Dormirá, pretendo. Mas pode não dormir. Pode foder furiosamente com aquele seu corpo magnífico Magnífico, que vejo magnífico, magnífico E gordo, dirão. Eu mesmo o poderia dizer. Mas só me ocorre - e sou genuíno ¿ Magnífico. É o meu corpo. Gosto dele. É o corpo da minha mulher A forma importa pouco. Ou quase nada. Olho-o e vejo as veias por baixo. E sei de onde vem o sangue E sei o que alimenta o sangue E lembro-me do corpo dela num dado momento Sim! A foder-me mas não só: A correr A rir A pensar em algo de pouca monta De noite, de dia Vestida, despida De frente, de costas, de perfil O corpo dela é uma história, que importa a forma? Importa apenas a superfície, a textura, a cor, o cheiro Os movimentos e as lembranças As potencialidades Lembro-me que lhe gostaria de ter dito isto ¿Preciso de alguém que não desista de mim¿ E acreditar desesperadamente ¿ mas de um modo invisível ¿ Que compreenderia E seria ela E o faria Quero esquecer-me dela! Agora. Aqui. Para poder dormir. Para poder Viver. Como hei-de viver sem ela? Há-de ser fácil. Mas enquanto não é, sofro. E já nem sofro muito Estou cansado de sofrer e da mágoa do mundo sobre mim E do peso. Desse Lado do Espelho, Suécia, Estocolmo
I am the Cheshire Cat
And I would like to announce that, with the Hatter's permission, I'm going to start my astrological and DJaying activity at this Mad Tea Party. Here I go... ![]() Segunda-feira, Novembro 10, 2003
Ensina-me
Como te hei-de deixar? ensina-me Como hei-de fazer-te dos dias ausência Quando és a matéria total das minhas horas? Habitas no percurso do meu tempo Desde o tempo mais antigo As minhas mais velhas memórias Escrevem-se com o teu nome, contêm o teu riso Como hei-de viver com o teu eco? ensina-me. Alimentas os lagos mais fundos de mim Desde os anos agitados da alma principiando Tornaste-te a minha nascente antiga Como hei-de viver sem o teu despontar? ensina-me Estás na minha existência, indefinida Como outra ordem, teia onde me defino És a informal sensação desvelada Estás no meu horizonte como um ser infinito Onde o meu fogo se ateia És o corpo do meu grito livre Como hei-de correr sem ti? ensina-me Se sonho, não lembro Os guaches da minha mente Quero-te por eles Quando sinto não me lembro Pois vives em mim no mundo oculto Da pureza Como hei-de manter-me puro? ensina-me Como hei-de viver com a tua partida Sempre és vertigem feita horizonte Cada movimento que não é de volta ao teu abraço É escuridão. Estás em mim com sangue, linfa e massa A substância dos sonhos e da vontade És indistinta de mim Como hei-de viver incompleto? ensina-me Desse Lado do Espelho, Suécia, Estocolmo Quinta-feira, Novembro 06, 2003
Saudades
Ainda mais um mês até recuperar a minha Olympus OM-2 e finalmente poder voltar à fotografia desejada. Até lá continuem a acompanhar-me na possibilidade digital. Não é haute couture mas também há alguma beleza no prêt-à-porter. A loucura vê-se por muitas formas...
Angústia e Desejo
Não há modo nem formas perfeitas Permitindo exprimir os engenhos imaginados do sonho Não é possível transpor a aura do corpo Mesmo sentindo a explosão da criação Estamos presos à inegável mecânica do humano Apenas um fio, uma frase arrumada, por vezes Um fogo fátuo, aurora boreal de mim Apenas um sinal em símbolo A existência do Outro conhece apenas um fruto apurado de mim Os infinitos caleidoscópios de poemas e securas da visão e vontade - Universo Infinito ¿ Não encontro a límpida medida da passagem Ao momento do ser partilhado Sou tanto! Em tormentas mirabolantes Tanto por uma só boca, por um só frenesim Dos dedos, do pulso, do ombro Das areias marcando os parcos dias Não há tempo, nem espera, nem horas Para os momentos dançantes que contenho em mim! A infinitude por dentro chora à boca da pequenez do mundo... Desse Lado do Espelho, Portugal, Figueira da Foz Para o Puto Paradoxo, pelo seu post Sem título
Palpável
Ao infinito calor das vestes do corpo O corpo empresta a chama Assim se queimando, por fim, de nudez E, por fim, sendo só labareda Ritmo, dançante, imaterial O corpo, por fim, é a verdade Algo que sente mas não existe Existência sonhada, palpável Sem permanência possível além O calor leva a existência À profusão insustentável da carne, em vontade Desenhando-se o corpo, por fim, em incêndio Abrançando, em todo o espaço, o desejado Deste Lado do Espelho Quarta-feira, Novembro 05, 2003
I am the Cheshire Cat
and I would like to remind you that we are under the sign of Scorpio. Plus, this month we will have to eclipses. A full moon eclipse on November 8th, falling in the 2nd house of Taurus. And a new moon eclipse on November 23rd, falling on the 9th house of Sagittarius. Lot's of intense and surprising changes. This month is out of control (grin). ![]()
[...]
Enfim, Não sei a cor do amor que dói Sabes, Não sei onde pô-lo, onde fechá-lo É imortal, ele, Este amor por ti, interminável Vou fechá-lo na noite de mim Onde luz não brilha só esquecimento E sonhar contigo sem recordar Só permitir o teu pensamento mutante Como uma maré antiga, a custo Sabes, Não posso matar o meu amor por ti É imortal Hei-de fechá-lo na noite de mim...
[...]
É urgente tornar líquido o momento Mergulhar nele sem gravidade, só envolvência Serenar a pele na película morna De um mar qualquer É urgente o momento estarrecido O tempo tombado trôpego E o espaço, feminino, uma mulher de braços abertos Impossível, desejada, indefinida. É urgente nada ser já isto Para isto ser tudo, contrariamente A vontade num futuro áspero Incerto à boca do sonho Murmúrios de deuses, dizemos Promessas de deusas, penso O momento basta-se de palavras e olhares Um corpo ou outros, corpos Baralhados pela direcção das horas Contrários ao sonho e à vontade Devolvemos o tempo ao nosso grito? É urgente. Na madrugada quente a cidade Divide-se em corpos acontecendo Permanências do toque, um sereno olhar, dói sentir Uma mão nos meus cabelos Dói que tudo passe e morra É urgente tornar líquido o momento Das mãos amantes no coração revolto E sermos para sempre algas possuídas de gestos aquáticos Interiores vagas profundas em serenares de sol Eis o sonho, urgente o mundo neste momento Terça-feira, Novembro 04, 2003
A barriga gorda da noite
Dentro da barriga grande da noite Iluminada de breu e de luz muito pouca Estiramos o corpo à energia das horas Reclamando descanso à escuridão E deslumbre das sombras de todas as figuras Revelando sortilégios Há Mãos invisíveis do demiurgo Sempre em nós, de sentimento, assim Na barriga gorda da noite Desse Lado do Espelho, Portugal, Lisboa Domingo, Novembro 02, 2003
[...]
Nada pode destruir o sorriso do peito seguro Das vontades possuídas de luz É indestrutível o sentimento de aurora Quando o sol nasce no nosso olhar Deste Lado do Espelho
É a vontade
Se há perdição num caminho deserto, não sabemos O sonho, por vezes, leva-nos à beira da verdade Mas duvidamos sempre das vozes que nos prendem à noite Pois o sonho pode chamar-se pesadelo E o caminho ser deserto por ser vida Por ser morte sendo urze que ladeia a estrada E o tombar da noite na floresta além A praia mesma, ao fundo, secou E sonhamos assim a perdição? Não sabemos A perdição não é o caminho, mesmo que mal sonhado É a vontade. Desse Lado do Espelho, Portugal, Lisboa
A humidade peganhenta
E se sofremos, sentimos É assim com as coisas da carne A humidade peganhenta Esquece Veste o casaco e sorri As aparências hão-de render-te um beijo E sabe o quanto um beijo é uma promessa misteriosa E primeira de tudo Sofremos, sentimos Ao fim do dia estamos sós Mas um dia tivemos alguém à nossa espera na cama E isso não nos tornou o dia seguinte mais belo |