Uma Louca Festa de Chá


Domingo, Novembro 30, 2003
Não entrarei em Dezembro contigo nas minhas palavras.

Regresso ao Outro Lado do Espelho.



Não compreendes
Um sentimento assim não se amansa
Não se convence, não se embala.
Um sentimento assim, inebriante
Fazendo perder o sentido do mundo
Não se apaga esquece ou abandona
Não compreendes.
Um sentimento assim não se deixa para trás
Ele habita os locais obscuros de mim
- tantos -
Compreendes?
Não compreendes
Um sentimento assim toma-nos
Contra nós, apesar de nós, malgré nous. Apesar de tudo.
Lourd. Pesado. Pois só tu o tornas leve
Só juntos podemos levantar, arremessar
Olhá-lo então envolver-nos
Não compreendes
Um amor assim vive-se até à morte

Ou mata-se




Deste Lado do Espelho


Uma grande dúvida

O que procuras? Palavras ou perguntas?
Sempre perguntas
Sempre os teus dias se enchem de perguntas
De vozes
Algo em ti fala conversa, declama
A ti resta-te a estranheza
As perguntas
Pois toda a existência é um grande questionário
Uma grande dúvida
Tudo o que existe esconde-se
Nas aparências multiformes da ilusão
Pois tudo o que sentes não existe
Embora tudo o que sintas seja eterno



We have our hands

Temos as nossas mãos
A minha por cima da tua
Os nossos lábios ainda não se tocaram
As mãos assim, são o nosso abraço
O nosso segredo
Nada em nós nos revela
O desejo de nos agarrarmos pelos braços
De encontrarmos os nossos peitos
Está todo nas nossas mãos, tocadas
Mas isto foi ontem. Tenho saudades tuas
Lembro as tuas mãos, apertando as minhas
Parece-me, nesse momento, que te tinha toda
Pelos dedos
Serpenteando por mim electricidade fugidia
O teu rosto
Era ele que descia por mim
Era ele que me afagava o peito
Era ele que eu sonhava adormecer
Adormecido também.
Os nossos corpos emoldurados pela cama
Indistintos
Pois os membros confundiam-se de formas
Depois, de cheiros
A tua nuca perfumava o meu rosto
Eu respirava os teus cabelos negros
Sentias as tuas costas no meu peito
Sempre o peito, à frente do mundo
À boca de nós
Mas isto é amanhã, se for. Tenho vontades tuas.
Hoje és o meu poema, hoje escrevo-te
Desenho-te
Amo-te pelo que foste, pelo que serás
Assim és



Nós somos momentos animados
Vontade de não deixar o dia acabar igual
Vencer não sabemos o quê
Querer ultrapassar o já conhecido
Gritar alto e para dentro
Que queremos?




[...]

Um sorriso, uma revelação ao modo
Do medo que se esconde, interior
Nas galáxias do peito, nos sistemas dos ombros, musculares

Como queria desfazer-me em terra e ar, na paisagem!
E indistinguir-me de mundo no mundo
Seria assim tanto mais!
Tanto menos eu ¿ aniquilado!
E tanto mais ¿ liberdade!
Podes ajudar-me?
A matar-me dando-me vida?
A fazer esquecer-me de mim para que possa ser em ti?
E no mundo?
Ajuda-me a fazer uma Trindade Nova
Eu, tu e o Mundo, indistintos



Desse Lado do Espelho, Portugal, Lisboa


Na verdade toda a poesia
É uma encarnação num espírito sonhado
Delineamos o horizonte
E esperamos que nasça



O machado da dor que tomba

O sangue derrama-se por dentro
Enfurecendo os espaços enjaulados
De dor
Os corpos desfazem-se em gestos chorosos
De raiva à boca cheia de bichos
Negros de sangue velho e borbulhante
Derramando-a por dentro
Em fúrias escanchadas no corpo
Desfechos da alma, revisitada
Pelo machado da dor que tomba



[...]

É tarde na noite silenciosa
Os olhos cansaram-se sobre o corpo
Dois globos inertes, pesados.
Obrigado à solidão e ao sono
A Lua está cheia e as minhas mãos estão velhas
Solitárias
Tenho saudades do abraço que te contenha
Pois na verdade não existes
Aconteceste, em tempos, nos meus braços
Mas como tudo o que morre, deixaste
O espaço vazio de ti, entre o meu peito
E as minhas mãos, gastas
A Lua está cheia, é tarde na noite
Não te tenho mas nunca te tive.



Quinta-feira, Novembro 27, 2003
[...]

Não há poesia como a forma da noite
Ao encontro do amor
Não há forma outra de o dizer
Nem devemos ter medo
De desenhar o gesto ou a palavra
Que explica o desejo de cruzar
Os dedos das mãos ¿ nossas ¿
E fazer assim um símbolo de união
Não há poesia como a do deslumbre
Da meia percepção do amanhã
Entre a doce ilusão e a insana
Verdade




Desse Lado do Espelho, Portugal, Lisboa


Precisamos

O nome da criação esconde-se
Atrás das ruas e dos postes
De luz
A sua língua dorme na boca do mundo
Invisível
Aos olhares iludidos de eu,
Revolvido em prazer e desprazer
Pelo corpo
Precisamos abandonar a visão dominante
Do mundo
E contemplar os pontos de luz
Revelados em cada sorriso
Descoberto na transcendência




Deste Lado do Espelho


Clamar prazer

Na verdade nunca me encontrei sabendo o seu nome
Pois que o nome é criação dos homens e a verdade do universo
Assim pressinto a verdade em mim antes do que sinto no corpo
À chegada das sensações
A verdade habita por dentro das coisas com um brilho das coisas
Que não se vê mas se sabe pelo espírito que guarda.
Espírito que olha

Os momentos de êxtase são aqueles em que despidos do mundo
Nos despimos de nós, confundindo as sensações com as sensações alheias
Em que o corpo se esvai e vem à boca da existência
Clamar prazer
Aí habitamos na verdade por um momento e percebemos o caminho
Perpetuamente estaremos buscando o esvaimento do corpo
Regressando a nós no mesmo instante como outra face da verdade
E o seu nome, criação das horas, é Amor
Mesmo antes de ser verbo
Habitou sempre o Universo




Desse Lado do Espelho, Portugal, Évora


Há noites em que o pássaro da raiva
Se inquieta no meu peito
Então canto-lhe uma canção inaudível
E ele serena nos meus sonhos



[...]

Entre mim e ti
Um calvário, uma montanha, uma planície
O que vier à cabeça do mundo
Entre mim e ti
Nada
Quando nos abraçamos como cães esfomeados
Ou cometas famintos de fogo carnívoro
Entre mim e ti
O vagar dos dias e a velocidade dos dias
Os mesmo dias, assim, diferentes, as contradições
Dos nossos gestos e das mesmas palavras
Persiste
Entre mim e ti
Uma marcha de proximidade, imparável
Um caudal num sonho violento
Que se torna indistinto
Entre mim e ti




Deste Lado do Espelho


Terça-feira, Novembro 25, 2003
I am the Cheshire Cat

and now playing at this Mad Tea Party

Saint Thomas - Strangers out of Blue

(turn your speakers on, click nothing and wait)


I am the Cheshire Cat

And want to recommend you an album

Trembling Blue Stars, Her Handwrinting


v.g. Do people ever?

I want to say "Do you know what I went through?"
But of course you do
For the way you broke me all up inside
Just mirrors what I did to you
I never thought you'd do what you did to me
I was always so sure
About how you felt towards me
But I know that it's not as simple as that
No it didn't just come
Out of the blue
But through all I did to you
I'm not the only one to have cried and cried
You went through that hell too
I'm just the only one
Who must shoulder the
Blame for breaking us in two
The only one
Who must shoulder the
Blame for breaking us in two

And I never thought that we'd end up
Fighting one another
But then again
Do people ever?

No, I never saw us winding up
Fighting one another
But then again
Do people ever?




Something like that...is it not, Hatter? I see a lot from my tree, you see...


I am the Cheshire Cat

and I am back with my astrological reports.

Continuing on the analysis of the twelfth house I would like to recommend this article. The very best I have found concerning the rather unknown and misinterpreted 12th House.

I will be back soon with more.

Any astrological questions or doubts feel free to write me.

Cheers from the Chesh!



By the way Hatty, I do agree with you! I find Patruska very patusca! (double grin)


Entre mim e ti

Entre mim e ti
As palavras tornam-se lenços
Amordaçando o desejo

Entre mim e ti
As palavras tornam-se pombas
Correios da nossa cegueira

Entre mim e ti
As palavras mordem à desgarrada
Os sonhos adormecidos que temos

Entre mim e ti
As palavras são mãos
Para os abraços distantes




Desse Lado do Espelho, Suécia, Estocolmo


De silêncio em silêncio
Me fiz voz por dentro
Que cante o sorriso do rosto



[...]

Longa a vida, luz a selva
As veredas, as tropicais baianas
As sereias mulatas
E os meios de saciar os ímpetos carnais
Com frutas em polpa à boca da boca
Iogurte, natas, as notas níveas do sonho
E do alimento tranquilo do dia
Combinado de carne e branco
Sobre a fosforescência dormente e verde da angra
Uma combinação tropical evanescente
Em repastos agitados
Das corridas de logo vida
Sabida, vivida e assim
Aventurada




Desse Lado do Espelho, Brasil, Rio Grande do Norte, Genipabu


O Cosmos tardio

Uma combinação volátil de energia
A humanidade em condensação visível
Desenhar um caminho e uma construção
Habitando os contornos indistintos da realidade
Que à beira do esquema é sonho
Mas se mostra indeciso no balançar

O desenho é assim de uma realidade que não sabe
Nem deve saber, nem quer saber, onde mora
A humanidade condensa-se em qualquer paralelo
Ou meridiano
Até no Cosmos tardio

Nasce-se de sol, basta-se de sol
O sol é uma corrida elementar
Um passo lógico de fumo e serenidade
No paradoxo da vida
A combustão contínua do ar
É o desenho do presente a ganhar ao futuro
Em criação




Desse Lado do Espelho, Portugal, Lisboa


O sangue fez-se mundo

As auroras desenham-se infinitas no horizonte imaginado
Só as tenho de guardar, uma a uma, as nascer do dia
Com a cadência do tempo e da morte adormecida
As vestes do dia ¿ sei-as bem ¿ são de tecido leve
Que deixam conhecer o corpo às horas da vontade
Crescer, sonhar, beber, cantar, correr, dançar
Então, a poesia como uma canção leve e sincera
Na simplicidade dos rostos encontrados e sorridos
Arautos das existências iridescentes de luz
E regatos de sol em vez de veias
Pois o sangue fez-se mundo e mora no olhar
Todo

Os músculos combinam-se com as lembranças
As lembranças com o futuro, princípio e movimento
Por isso, um dia morremos




Desse Lado do Espelho, Portugal, Lisboa


Segunda-feira, Novembro 24, 2003
Sem dúvida

Tendo reflectido e ponderado demoradamente ocorreu-me que se apenas pudesse convidar uma pessoa, Desse Lado da Rede, para tomar chá, seria esta menina.

O que achas Chesh?

Lembra-me uma Alice que por aqui passou.


Carpir

Caríssimo Puto Paradoxo, a sua preocupação alegra-me mais do que me consterna. Ei-lo preocupado comigo e eu sem razões para lhe dar. Já as dei: escrevo do meio de Setembro e em breve espero terminar a penitência ou a vivência, como preferir. As palavras, essas carpideiras, hão-de calar-se. Deixe-me chegar ao fim de Outubro.

Isto do sentimento, já dizia o louco do Sterne, é uma viagem. Inspire-se na nossa amiga Maria que regressou agora de uma. E enquanto não parte para outra.

Entretanto, como sei que partilha comigo o gosto pelo Vento nos Salgueiros, deixo-lhe uma passagem que intuo muito ter que ver consigo. E muito espero que lhe diga. Renovadamente.

"The weary Mole also was glad to turn in without delay, and soon had his head on his pillow, in great joy and contentment. But ere he closed his eyes he let them wander round his old room, mellow in the glow of the firelight that played or rested on familiar and friendly things which had long been unconsciously a part of him, and now smilingly received him back, without rancour. He was now in just the frame of mind that the tactful Rat had quietly worked to bring about in him. He saw clearly how plain and simple - how narrow, even - it all was; but clearly, too, how much it all meant to him, and the special value of some such anchorage in one's existence. He did not at all want to abandon the new life and its splendid spaces, to turn his back on sun and air and all they offered him and creep home and stay there; the upper world was all too strong, it called to him still, even down there, and he knew he must return to the larger stage. But it was good to think he had this to come back to; this place which was all his own, these things which were so glad to see him again and could always be counted upon for the same simple welcome"

Kenneth Grahame, The Window in the Willows, final do capítulo Dolce Domum.



Desse Lado do Espelho, Suécia, Estocolmo


Domingo, Novembro 23, 2003
Por cada caminho soturno

Por cada caminho soturno trilhado
Havemos de percorrer a viagem do encontro
Das horas sentadas à mesa
À gargalhada farta e pão bastante
De queijos e azeitonas ou vinhos

Havemos de trazer luz aos caminhos velhos
De fazer cores das formas que tem a luz

Por cada caminho soturno apontado
Havemos de rir muito e mostrar
O passo certo ao encontro das vertigens
Habitantes do encontro das palavras e do sentido
Que cresce nos sentidos pulsantes

Havemos de emocionar os corpos da alma
E alegrar de emoções os corpos

Por cada caminho soturno trilhado
Havemos de perguntar porquê
Acaso se sentiu o corpo sem a alma
Ela que mora atrás da íris sonhante

Havemos de ser sonhados como triunfantes
E triunfar de sonhos retumbantes

Por cada caminho soturno
Mil sorrisos a enterrá-los
Um funeral alegremente, cantante
Para a tristeza que não quero sentir

Havemos de despir a tristeza e ser nus
Só vestidos de beleza




Desse Lado do Espelho, Suécia, Estocolmo


Os objectos

Estou fechado sobre mim
A minha cabeça tomou rumo próprio
Os sentidos estão em desvario
Sentindo sozinhos, sem voz, sem pensamento
Caminho bifurcante de mim
De sangue os sentidos se fizeram
De linfa se fez o raciocínio
E ando para aqui por mim, desavindo
Ele
A discutir como se hão-de vestir os objectos
Um diz que de metáfora outra de metafísica
Estou à espera de compromisso para haver poesia



[...]

Enfim, as colinas se desmoronaram
E caem as antigas pedras da virtude
Ou do sonho, não sei

O tempo parou, o céu parou
Tudo parou, de cor e razão

As forças sucumbem à tentação
As iras e as raivas se conluiam de medo
Se vestem de violência

Vou esperá-las à porta
Dar-lhes o meu corpo por retábulo
E dizer-lhes

Enfim, as colinas se demoram
Mas as pedras do sonho fazem-se virtudes
E o tempo passa e a ira e a raiva morrem aqui




Desse Lado do Espelho, Portugal, Lisboa


Sábado, Novembro 22, 2003
Chesh! Chesh!!....

...

Enquanto o Gato não aparece, deixem-me recomendar-vos que passeiem aqui por Este Lado do Espelho na companhia da música escolhida pelo Gato. Não cliquem nos comentários, liguem as colunas e aguardem um pouco.....

.....se é para enlouquecer, façamo-lo com classe e profundidade.

Classe e profundidade acima de tudo!


As lágrimas que passam...

A visão é de chuva, ao fundo
Como de um cavalo negro, relampejante
Como lago turvo e disforme
Que não se divisa ou vislumbra

As correrias passaram
E passaram as canções tristes
Passaram também algumas imagens, ilusórias
Passou o medo e passaram as lágrimas
Ainda restam

Sobre nós
Pesos que não suportamos
Mas não sabemos não suportar

E assim sorrimos
Para nos sabermos sorridos
E, assim, floridos




Desse Lado do Espelho, Suécia, Estocolmo


[...]

Estamos furiosos de vida
Não sabemos que nome dar ao abandono

A energia farta que possuímos
Era uma dádiva moldada aquela existência
Que pensávamos ocupar o futuro do nosso horizonte

Era simples a vida assim e a energia transbordante
A coragem
Era tudo para ela, para nós

E depois, à partida, ao abandono
Parece que ficamos com vida a mais
Para a vida que há

Como se há-de matar parte de nós?




Desse Lado do Espelho, Suécia, Estocolmo


[...]

Chego e abraço-te
Tenho caminhado muito sozinho
Mas guardei o que pude ao teu colo
Havemos de sentar-nos num sítio bom
E havemos de trocar palavras em companhia
De corpos bebidos em presenças sentidas
No manto líquido e invisível da envolvência
Habitada nos recantos dos amigos antes

Deixa-me abraçar-te
Estou perto de ti, eu de tudo
Hei-de mergulhar noutro canto do mundo
Para te dizer como sabe o universo noutro ponto

E onde quer que esteja sinto
Uma vontade imensa de fundir-me de vida




Desse Lado do Espelho, Suécia, Estocolmo


Quinta-feira, Novembro 20, 2003
O ano da alma

Um sorriso à popa da visão
Um sorriso nos lábios da paixão
Eis o mote do ano da alma



[...]

Como explicar-vos?
Cada existência é a vontade de uma conversa
Ao despertar de sussurros, segui-las
Olhar e ver além dos contornos do corpo
Cada palavra escutada uma veia percebida
Gostava de poder explicar-vos...




Desse Lado do Espelho, Portugal, Moura


Quarta-feira, Novembro 19, 2003
[...]

Às voltas com o cá dentro e o lá fora
Por entre as visões fragmentadas do tempo e do espaço
De uma ordem ou de um caos
De um princípio ou substância
Entre a razão e o sentimento.
Sempre entre a razão e o sentimento
Como matérias inconciliáveis
Que se fundem e confundem, enganadas




Desse Lado do Espelho, Suécia, Estocolmo


Terça-feira, Novembro 18, 2003
Sem a Serpente não há tentação.


Segunda-feira, Novembro 17, 2003
I am the Cheshire Cat

and now playing at the Mad Tea Party

Chris de Burgh - Lady in Red

turn on your speakers (grin)


Sábado, Novembro 15, 2003
Rendilhado

A noite fragmenta-se de luz
Em rendilhado fino, a madrepérolas
Caindo em rede, esvoaçante, sobre um bosque solitário
Resta a escuridão.

Tudo isto é a alegria de um sonho
A vontade poética de um desespero
Armando as horas em existência
De razões e motivos de fé e entretantos
À boçalidade vulgar do sentimento

Que dizer? A perda. Falo da perda.




Desse Lado do Espelho, Portugal, Lisboa


Quinta-feira, Novembro 13, 2003
[...]

Fecho-me em casa durante as horas do dias
A luz recorda-me a felicidade
E as pessoas a sua alegria

Só a noite me dá o espaço de um passeio




Desse Lado do Espelho, Portugal, Lisboa


Como um respirar

Preciso de matar todos os amanhãs
Para voltar a ter-me presente
Conseguir manobrar a brandura do gesto
A sua certeza
Esquecer a dor agrilhoada aos meus pés
E as evocações distantes dos dias

Esquecer tudo e ser futuro
Condensando presente
Permitir, então, um passo
Definir, de novo, um espaço
Alinhar serenamente uma vontade
E sentir de fora para dentro
E de dentro para fora
Como um respirar




Quarta-feira, Novembro 12, 2003
Ladainha

Esquece as ladainhas das madrugadas
Esquece o choro nas ombreiras da noite
Afugenta os maus pensamentos a gritos e urros
Deixa-te pensar nos sorrisos e nas gargalhadas
Lembra-te do teu ombro tomado de cabelos de ouro
Serenando sobre ti a energia de um corpo

Esquece, esquece, afugenta
Deixa-te, lembra-te serenamente
Dos dias maiores de maior sentir
Outro ainda não sentiste assim
E assim se mata a tristeza
Serenando-a




Desse Lado do Espelho, Suécia, Estocolmo


I am the Cheshire Cat

I'm starting my astrology lectures on the 12th House.

This one is for you my friend.

The following are introdutory quotations on the Sun in 12th house from several sites. I will be presenting my own vision of the Sun in the twelfth house shortly.



A shy person, you prefer to stay in the background if possible; in fact, you like to hide.

You have more compassion for others than most young people do. You love mysteries and secrets, imagination and fantasy.

You may have had an extremely painful experience when you were very young. If so, you may think it was a punishment for something that you did, and you may be afraid that it will happen again. In fact, whatever happened was an accident for which nobody is to blame. You are not a bad person, and there is no reason why it should happen again.

When you grow up, you will probably have an unusual understanding of the supernatural.

Getting up in front of an audience will probably never be easy, although you can learn to do it if you really want to.


The Sun was in your twelfth house at the time of birth. This may indicate a life full of limitations, obstacles, and human opposition, but at the same time a lot of inner strength and energy.

You are urged to pause and reflect upon your own accumulated history. Take some time for introspection. It may result in a purification process accompanied by some remorse of conscience.

Internally, you are quite different from the way you present yourself externally. You possess a vast reservoir of energy that may be partially hidden even from your own awareness.

Your internal disposition is strong, commanding, open, and of a rare generosity. More and more you should try to bring these characteristics into the open so that they can overcome some of the less desirable aspects of your personality.


This placement denotes a private drive for self-perfection. You are one who will seldom receive full recognition for your efforts and accomplishments, but you easily accept roles of relative obscurity. You are somewhat introverted and love the peace and solitude such a situation often affords. If you were left to your own devices and permitted to, you could live a contemplative life. If you display leadership, it will likely be a "behind the scenes" role. Service to others provides you with recognition and fulfillment. Psychology and psychic research may be of considerable interest for you. While there may be indications in other parts of your chart that you need people, you are likely to feel somewhat estranged from others even when in the middle of a group. You need to spend a good deal of time by yourself. You should not be too concerned by feelings of not-belonging, and by failures to mix well with others. Your role may be that of investigation and obtaining understanding, rather than socializing and the attainment of status.

Piscean overtones color this placement that indicates what you have brought over from a past life to work out in this life. You must choose between serving and suffering. Any limitations you face are directly related to the past misuse of power. Your early conditioning may be affected by your father, for good or bad. You can be lonely, even in a crowd, or avoid close relationships. You may lack self-confidence. You can do well in the fields of medicine, psychology, research (especially psychic research), or someone who works with those who are limited or afflicted in some way. Most of your work will be done behind the scenes. You may have powerful yet unknown secret enemies. You've allowed your ego and destructive tendencies to have control in past lives and now you must pay your karmic debt either through service or suffering-- the choice is yours




Terça-feira, Novembro 11, 2003
O Mausoléu do Amor Doidibundo...

Diz-me o Gato que Isto, aqui Deste Lado do Espelho se começa a parecer com um Mausoléu...

Digo-lhe que até o Chapeleiro Maluco têm histórias d'amor e de mágoa para contar...

Digo-lhe...suporta-me mais um pouco...já vamos em Julho...



Desse Lado do Espelho, Portugal, Lisboa


I am the Cheshire Cat

and now playing at the Mad Tea Party...

Roxy Music - Avalon


[...]

As I seat in front of the paper
All the ideas I had brought from walking
Vanish.

What to do?
To sleep and dream some new ideas
Never remembered.

To stand silent in the night
Thinking, doing nothing
Quietly.

Why is it, why is it I can not free myself from english?
To embrace to embrace

Abraçar o português, assim,
Devagarinho, sem cesuras
Como um lento passeio de carro, solitário
Da Zambujeira a Odemira
Da lá a ......, pela noite.
Pela noite ao nascer do dia

Nesses tempos ela ainda me amava nos gestos.
Ainda havia ¿ sentia ¿ a paixão que arremessa os corpos
mesmo serenos
Contra a proximidade do Outro. Eu.
Nesses tempos ainda a sentia querer-me
Querer-me demais
Como se quer água, sedento
E se quer umas mamas, virgens
E se quer a prenda, com o papel por rasgar
E todos os exemplos-metáforas
Que explicam a pressa por saciar, algo

Muda a página. Agora estou sozinho. Penso em sexo
Penso muito, muito rápido e vário
Alterno entre o desejo de sexo imediato
- não importa quase com quem ¿
alguém seguro e que gema e silencie ¿ a um dado olhar
Sexo que matasse este quarto enquanto símbolo
Matasse até o som grave da pena sofrendo o papel
Sexo que me drogasse um pouco de prazer
Depois, penso nela. Como me amaldiçoou o sexo, sem o saber
Alterno, de novo, entre as lembranças de vezes com ela
- a naturalidade, a humanidade do seu sexo ¿ por vezes
E força, o músculo, a carne, estas palavras e outras
Que restaram para descrever o sexo com as outras mulheres
Bom e físico. Um maldição. Uma merda.

Nada disto serve nada, penso
Um instante após rever-me no reflexo da janela
Apenas um arroio de pensamento escorre neste papel
Eu precisava de ser cataratas
Para libertar-me do peso, da visão, das sensações
O que eu precisava era de deixar de ser-me
Precisava muito, de já amanhecer mas ser nada
Nem sequer outra coisa qualquer. Nada.
Mais ainda.
Nada com a bela consciência de ser nada
E a possibilidade ¿ possibilidade apenas ¿ de ficar feliz por isso

Penso nela, outra, penso numa praia
E em pureza, na sua pureza, do seu sentimento
Que maculei, destruí. Foda-se
Às vezes, praguejar é um émulo perfeito da satisfação

Um émulo lembra-me um anjo
E penso que nenhum existe




Desse Lado do Espelho, Portugal, Lisboa

Suspiro.
Já basta.

Não, não basta.

Talvez devesse ou deva.
Mas não basta.

Ouço vozes.
Talvez possa meter-me pela noite dentro. Se não pensar nisso.

Talvez, repito, Agapito.Talvez. Talvez. Talvez. Talvez.
Não sei se escrevo pelo sentido se pela forma estética.
Agrada-me a palavra talvez, interlúdio da coragem que reúno:

Que fará ela? Estará dormindo? Dormirá?
E com quem?

Será isto ciúme ou um pensamento analítico?
Despojado
Despojado de
Despojado de sentimento?
Sei lá eu! Como hei-de saber?...
Dormirá, pretendo. Mas pode não dormir.
Pode foder furiosamente com aquele seu corpo magnífico
Magnífico, que vejo magnífico, magnífico
E gordo, dirão. Eu mesmo o poderia dizer. Mas só me ocorre
- e sou genuíno ¿
Magnífico.

É o meu corpo. Gosto dele. É o corpo da minha mulher
A forma importa pouco. Ou quase nada.
Olho-o e vejo as veias por baixo. E sei de onde vem o sangue
E sei o que alimenta o sangue
E lembro-me do corpo dela num dado momento
Sim! A foder-me mas não só:
A correr
A rir
A pensar em algo de pouca monta
De noite, de dia
Vestida, despida
De frente, de costas, de perfil

O corpo dela é uma história, que importa a forma?
Importa apenas a superfície, a textura, a cor, o cheiro
Os movimentos e as lembranças

As potencialidades

Lembro-me que lhe gostaria de ter dito isto
¿Preciso de alguém que não desista de mim¿
E acreditar desesperadamente ¿ mas de um modo invisível ¿
Que compreenderia
E seria ela
E o faria

Quero esquecer-me dela! Agora. Aqui. Para poder dormir. Para poder
Viver.
Como hei-de viver sem ela? Há-de ser fácil.
Mas enquanto não é, sofro. E já nem sofro muito
Estou cansado de sofrer e da mágoa do mundo sobre mim
E do peso.




Desse Lado do Espelho, Suécia, Estocolmo


I am the Cheshire Cat

And I would like to announce that, with the Hatter's permission, I'm going to start my astrological and DJaying activity at this Mad Tea Party.

Here I go...




Segunda-feira, Novembro 10, 2003
Ensina-me

Como te hei-de deixar? ensina-me
Como hei-de fazer-te dos dias ausência
Quando és a matéria total das minhas horas?

Habitas no percurso do meu tempo
Desde o tempo mais antigo
As minhas mais velhas memórias
Escrevem-se com o teu nome, contêm o teu riso
Como hei-de viver com o teu eco? ensina-me.

Alimentas os lagos mais fundos de mim
Desde os anos agitados da alma principiando
Tornaste-te a minha nascente antiga
Como hei-de viver sem o teu despontar? ensina-me

Estás na minha existência, indefinida
Como outra ordem, teia onde me defino
És a informal sensação desvelada
Estás no meu horizonte como um ser infinito
Onde o meu fogo se ateia
És o corpo do meu grito livre
Como hei-de correr sem ti? ensina-me

Se sonho, não lembro
Os guaches da minha mente
Quero-te por eles
Quando sinto não me lembro
Pois vives em mim no mundo oculto
Da pureza
Como hei-de manter-me puro? ensina-me

Como hei-de viver com a tua partida
Sempre és vertigem feita horizonte
Cada movimento que não é de volta ao teu abraço
É escuridão.

Estás em mim com sangue, linfa e massa
A substância dos sonhos e da vontade
És indistinta de mim
Como hei-de viver incompleto? ensina-me




Desse Lado do Espelho, Suécia, Estocolmo


Quinta-feira, Novembro 06, 2003
Saudades

Ainda mais um mês até recuperar a minha Olympus OM-2 e finalmente poder voltar à fotografia desejada. Até lá continuem a acompanhar-me na possibilidade digital.
Não é haute couture mas também há alguma beleza no prêt-à-porter.

A loucura vê-se por muitas formas...


Angústia e Desejo

Não há modo nem formas perfeitas
Permitindo exprimir os engenhos imaginados do sonho
Não é possível transpor a aura do corpo
Mesmo sentindo a explosão da criação
Estamos presos à inegável mecânica do humano
Apenas um fio, uma frase arrumada, por vezes
Um fogo fátuo, aurora boreal de mim
Apenas um sinal em símbolo
A existência do Outro conhece apenas um fruto apurado de mim
Os infinitos caleidoscópios de poemas e securas da visão e vontade
- Universo Infinito ¿
Não encontro a límpida medida da passagem
Ao momento do ser partilhado
Sou tanto! Em tormentas mirabolantes
Tanto por uma só boca, por um só frenesim
Dos dedos, do pulso, do ombro
Das areias marcando os parcos dias

Não há tempo, nem espera, nem horas
Para os momentos dançantes que contenho em mim!
A infinitude por dentro chora à boca da pequenez do mundo...




Desse Lado do Espelho, Portugal, Figueira da Foz

Para o Puto Paradoxo, pelo seu post Sem título


Palpável

Ao infinito calor das vestes do corpo
O corpo empresta a chama
Assim se queimando, por fim, de nudez
E, por fim, sendo só labareda
Ritmo, dançante, imaterial
O corpo, por fim, é a verdade
Algo que sente mas não existe
Existência sonhada, palpável
Sem permanência possível além
O calor leva a existência
À profusão insustentável da carne, em vontade
Desenhando-se o corpo, por fim, em incêndio
Abrançando, em todo o espaço, o desejado




Deste Lado do Espelho


Quarta-feira, Novembro 05, 2003
I am the Cheshire Cat

and I would like to remind you that we are under the sign of Scorpio.

Plus, this month we will have to eclipses. A full moon eclipse on November 8th, falling in the 2nd house of Taurus. And a new moon eclipse on November 23rd, falling on the 9th house of Sagittarius.

Lot's of intense and surprising changes. This month is out of control (grin).




[...]

Enfim,
Não sei a cor do amor que dói
Sabes,
Não sei onde pô-lo, onde fechá-lo
É imortal, ele,
Este amor por ti, interminável
Vou fechá-lo na noite de mim
Onde luz não brilha só esquecimento
E sonhar contigo sem recordar
Só permitir o teu pensamento mutante
Como uma maré antiga, a custo
Sabes,
Não posso matar o meu amor por ti
É imortal
Hei-de fechá-lo na noite de mim...





[...]

É urgente tornar líquido o momento
Mergulhar nele sem gravidade, só envolvência
Serenar a pele na película morna
De um mar qualquer

É urgente o momento estarrecido
O tempo tombado trôpego
E o espaço, feminino, uma mulher de braços abertos
Impossível, desejada, indefinida.

É urgente nada ser já isto
Para isto ser tudo, contrariamente
A vontade num futuro áspero
Incerto à boca do sonho
Murmúrios de deuses, dizemos
Promessas de deusas, penso

O momento basta-se de palavras e olhares
Um corpo ou outros, corpos
Baralhados pela direcção das horas
Contrários ao sonho e à vontade
Devolvemos o tempo ao nosso grito?
É urgente.

Na madrugada quente a cidade
Divide-se em corpos acontecendo
Permanências do toque, um sereno olhar, dói sentir
Uma mão nos meus cabelos
Dói que tudo passe e morra
É urgente tornar líquido o momento
Das mãos amantes no coração revolto
E sermos para sempre algas possuídas de gestos aquáticos
Interiores vagas profundas em serenares de sol
Eis o sonho, urgente o mundo neste momento





Terça-feira, Novembro 04, 2003
A barriga gorda da noite

Dentro da barriga grande da noite
Iluminada de breu e de luz muito pouca
Estiramos o corpo à energia das horas
Reclamando descanso à escuridão
E deslumbre das sombras de todas as figuras
Revelando sortilégios


Mãos invisíveis do demiurgo
Sempre em nós, de sentimento, assim
Na barriga gorda da noite




Desse Lado do Espelho, Portugal, Lisboa


Domingo, Novembro 02, 2003
[...]

Nada pode destruir o sorriso do peito seguro
Das vontades possuídas de luz
É indestrutível o sentimento de aurora
Quando o sol nasce no nosso olhar




Deste Lado do Espelho


É a vontade

Se há perdição num caminho deserto, não sabemos
O sonho, por vezes, leva-nos à beira da verdade
Mas duvidamos sempre das vozes que nos prendem à noite
Pois o sonho pode chamar-se pesadelo
E o caminho ser deserto por ser vida
Por ser morte sendo urze que ladeia a estrada
E o tombar da noite na floresta além
A praia mesma, ao fundo, secou
E sonhamos assim a perdição?
Não sabemos
A perdição não é o caminho, mesmo que mal sonhado
É a vontade.




Desse Lado do Espelho, Portugal, Lisboa


A humidade peganhenta

E se sofremos, sentimos
É assim com as coisas da carne
A humidade peganhenta
Esquece
Veste o casaco e sorri
As aparências hão-de render-te um beijo
E sabe o quanto um beijo é uma promessa misteriosa
E primeira de tudo
Sofremos, sentimos
Ao fim do dia estamos sós
Mas um dia tivemos alguém à nossa espera na cama
E isso não nos tornou o dia seguinte mais belo