Uma Louca Festa de Chá |
Sábado, Setembro 20, 2003
Sexta-feira, Setembro 19, 2003
ESPAÇO INTERMÉDIO
Já estou no espaço intermédio... O corpo baloiça-se... A mente anda por aí... Não se fixa em nada em particular... ![]()
Alguns cheiros inspiradores...
DIA APÓS DIA Dia após dia, a glória da primavera rivaliza com a glória do sol. As estradas que serpenteiam até à cidade na colina cheiram as flores de amendoeira. Quanto tempo até os fios do coração, livres de cuidados, Flutuem, como a alfazema, por longa distância. (Li Shang-Ying) ![]()
SUGAR!
Usando as palavras de Rangel no documentário sobre a SIC (1994), no qual ele exige que as suas telenovelas estejam em cima das da RTP1 para roubar audiências: algumas pessoas empurram a sua existência para cima da existência das outras e fazem peso morto. São o tipo "Vampiros", mesmo que não pareça de todo. O Vampirismo assume formas diversas, sempre com o mesmo objectivo: SUGAR!
encontro-me na lentidão da profundidade
em ritmos desequilibrados, dormentes erupções em lugares recônditos teimam em acordar-me sons metálicos em alarido uma sonoridade quase som pontos na escuridão agora são um surto descarregam chuva quente chuva? uma garrafa de água em efervescência cores salientes libertas em jacto grasnam venho à toa ![]() Quinta-feira, Setembro 18, 2003
Estava aqui a ver umas coisas e encontrei um poemita
antigo sobre pássaros e temas afins... [SEM TÍTULO] arde o sal num pássaro morto morto mas irrequieto porque às vezes a morte não mata apenas atordoa o sal não a deixa actuar conserva e permite o fluir dos pensamentos até as asas caírem ![]()
REALMENTE!
O que me chateia é já não ser a primeira vez. Foda-se, para dizer a verdade chateia-me porque não tenho paciência. Não é igual mas nalgumas coisas é bastante semelhante: os mesmos tiques... E pronto, é normal! É normal e então: tem de se aturar!? Última consideração: REALMENTE! ![]()
Há pássaros a debicar as sementeiras...
Sou eu quem lhes dá asas... Portanto, terei de ser eu a cortá-las... ![]()
NAS ONDAS
Poucas ondas... Poucas ondas... Às vezes as ondas são demasiado altas e o pessoal rebenta-se!
AGRESSIVIDADE
Hoje estou irritada e mal disposta! Estou a ver se não desatino muito... Até ao fim do dia vai-me apetecer "matar" cerca de 3 pessoas (média). Pode ser que, entretanto, com o passar do dia, o meu humor mude substancialmente, o que acontece em 50% das vezes (média). Na verdade, até já me estou a sentir ligeiramente melhor, mas nunca se sabe... Nota: este "matar" é uma forma de expressão... ![]() Quarta-feira, Setembro 17, 2003
SUGESTÃO
Ainda sobre a resiliência... "Que tal transformar um limão numa deliciosa limonada?" Ver aqui
MENINA A FELICIDADE...
Menina, amanhã de manhã Quando a gente acordar Quero te dizer que a felicidade vai Desabar sobre os homens vai Desabar sobre os homens vai Desabar sobre os homens... Na hora ninguém escapa Debaixo da cama ninguém se esconde A felicidade vai desabar sobre os homens vai Desabar sobre os homens vai Desabar sobre os homens... Menina ela mete medo Menina ela fecha a roda Menina não tem saída De cima, de bando ou de lado Menina olhe prá frente Menina todo o cuidado Não queira dormir no ponto Segure o jogo, atenção... Menina a felicidade... É cheia de graça É cheia de lata É cheia de praça É cheia de traça Menina a felicidade... É cheia de pano É cheia de pena É cheia de sino É cheia de sono Menina a felicidade... É cheia de ano É cheia de eno É cheia de ino É cheia de ono Menina a felicidade... É cheia de an É cheia de en É cheia de in É cheia de on Menina a felicidade... É cheia de a É cheia de e É cheia de i É cheia de o (Tom Zé) Terça-feira, Setembro 16, 2003
CARA
Menina Adorável: Boa noite e Bom Descanso! Sim, leva também um pouco dessa Luz. Aproveita-se tudo... ![]()
CARA
Mesmo que não te sintas de acordo com... Nunca é demais... Só para...enviar um pouco de... Chegam sempre umas migalhas... Ou mais, ou mais... ![]()
TALVEZ
Ele respondeu "Talvez..." Já não é mau um "Talvez..." Houve alturas em que a resposta aparecia "Sempre pior", com ponto final no fim. ![]() Segunda-feira, Setembro 15, 2003
Pois é preciso uma arte - não fluida, antes pelo contrário,
muito dura - dotada do estranho poder de penetrar os domínios da morte, capaz de se infiltrar pelas paredes porosas do reino das sombras. (Jean Genet) ![]() Domingo, Setembro 14, 2003
ATLAS DE BOTÂNICA
Gosto da nervação Peninérveas quando as Brácteas rebentam. E também das raízes fasciculadas que alimentam os frutos carnosos hesperídios. ![]()
Tive em miúdo uma doença
E fome e medo. Grossas escamas soltando-se Dos lábios, que eu humedecia. Nunca esqueci Esse sabor, salgado e frio. Mas não parava de andar, andar, andar. Sentava-me nos degraus do alpendre ao sol, Caminhava no meu modo leve como se dançasse A melodia do caçador de ratos, no rio. Sentava-me Ao sol nos degraus, a tiritar. E a mãe vinha ali, acenando, parecia Tão perto, e eu sem poder tocar-lhe: Movo-me para ela, que sete ddgraus acima Acena; movo-me para ela, que acena Sete degraus acima. (Tarkovskii) ![]()
Trocas difíceis
meias águas e suores frios. Escombros de paredes onde se escreveram, de forma inconsequente, percursos... Na terra adversa é precioso recordar: da terra estéril nada cresce! Agora tudo se desfoca e resta pouco trânsito na rua que já foi avenida... ![]()
O POEMA ENSINA A CAIR
O poema ensina a cair sobre os vários solos desde perder o chão repentino sob os pés como se perde os sentidos numa queda de amor, ao encontro do cabo onde a terra abate e a fecunda existência excede até à queda vinda da lenta volúpia de cair, quando a face atinge o solo numa curva delgada subtil uma vénia a ninguém de especial ou especialmente a nós uma homenagem póstuma. (Luiza Neto Jorge) ![]()
Quero que o tempo se cale para eu poder provar e
respirar os aromas das constelações que preparei... ![]()
Oiço os ruídos fortes do coração
e sigo-os para recolher os alimentos que constroem os alicerces das árvores que crescem mornas.. ![]()
CARA
Tens respostas vindas de algumas embarcações e assim será mais fácil trocar a roupa encharcada que petrifica os movimentos... ![]()
Os cordéis desataram-se
em convulsões: procurei-vos nas montanhas e só ouvi ecos, depois naufraguei e perderam-se... ![]()
O corpo deseja ser habitado
pelo sumo das amoras que recolhi nas paisagens cheias dos sons das cores... ![]()
Não se apagam as penas antigas
que apenas se ergueram para cair. Nas travessias continua a deslizar a pergunta: Como partilhar os fragmentos das rosas debicadas por pássaros esfomeados...? ![]()
A extinção adormecia o lume e a terra
Surgia uma primeira visão do espaço exíguo No jardim espalhei sementes inúteis Apenas irrompiam gritos Nesses pátios de muros demasiado longos ![]()
A todos...
MAGICAN - INTERNALY Magician, Magician take me upon your wings, and gently roll the clouds away I'm sorry, so sorry I have no incantations only words to help sweep me away I want some magic to sweep me away I want some magic to sweep me away I want to count to five turn around and find myself gone Fly through the storm and wake up in the calm Release me from this body from this bulk that moves beside me Let me leave this body far away I'm sick of looking at me I hate this painful body that disease has slowly worm away Magician take my spirit inside I'm young and vital Inside I'm alive, please take me away So many things to do, it's too early for my life to be ending For this body, to simply rot away I want some magic to keep me alive I want a miracle, I don't want to die I'm afraid that if I go to sleep I'll never wake I'll no longer exist I'll close my eyes and disappear and float into the mist Somebody, please hear me my hand can't hold a cup of coffee My fingers are weak, things just fall away Inside I'm young and pretty too many things unfinished My very breath taken away Doctor you're no magician and I am no believer I need more than faith can give me now I want to believe in miracles not just belief in numbers I need some magic to take me away I want some magic to sweep me away I want some magic to sweep me away Visit on this starlit night replace the stars the moon the light, the sun's gone Fly me through this storm and wake up in the calm I fly right through this storm and I wake, up, in, the, calm (Lou Reed) ![]()
MORTE
Novamente Novalis... "Outrora, quando vertia amargas lágrimas, quando, diluída na dor, a minha esperança se desfez e eu me encontrava sozinho sobre o estéril montículo que encerra em negro e estreito espaço a imagem da minha vida - só, como jamais alguém esteve, impelido por um medo indizível - inerme, tão somente com um único pensamento ainda, o da carência." - Este medo indizível era o medo da morte misturado com o desejo da morte. Tão contraditório... E ambos pareciam ter forças idênticas... ![]() Sábado, Setembro 13, 2003
Sexta-feira, Setembro 12, 2003
Está combinado
Caras malucas e malucos, Como podem constatar o ambiente desta nossa Louca Festa de Chá enlouquece alegre e brutalmente a cada dia que passa. E muito pouco por razões minhas. No entanto, dêem-me mais duas semanas e umas colherzinhas de chá e preparem-se para uma revolução! Garanto-vos, nada será como dantes. Entretanto a Concha e as suas amigas e amigos, manterão a vida a correr pelas horas da Nossa Festa. Eu aparecerei quando puder, comme d'habitude. Há vida em cada um de nós para criar e recriar galáxias. Ou um momento, simplesmente. ![]()
PRAZERES VÁRIOS
Não há praia (o pessoal já está um bocado cansado de praia), mas há coisas muito melhores (o pessoal não anda a dormir)... ![]() Quinta-feira, Setembro 11, 2003
Está um calorzinho tão agradável...
Não me apetece nada ir deitar-me... É de aproveitar... Esta temperatura melosa não irá durar muito... De acordo com o meu "patrone" é uma semana e acabou... Depois ele fez a piada: "Têm de aproveitar estes últimos dias de praia." Pois... Digamos...praia "amostral"... Enfim, mas sabe bem... Especialmente tendo em conta que depois finito! E depois vem o horror! O Outono...a mortandade! Odeio o Outono! É igual a sinusite, rinite, FRIO, muita roupa, chuva, vento... E claro: DOENÇAS! Tudo coisas que deviam ser abolidas... Juntamente com o Outono e o Inverno. Báááááá!!! Dêem-me SOL e CALOR!!! Eu sou de SOL! Rebento CALOR! ![]()
Pequena Novidade...
Estou deliciada com o meu novo gel de banho!!! Só tenho uma palavra para isto: Foda-se!!! O Mel e o Leite escorrem sensualmente pelo corpo acima e abaixo... (etc.) É verdadeiramente ORGÁSMICO! (Gel de banho: Palmolive Naturals com Leite & Mel) ![]()
MOTIVAÇÃO
É verdadeiramente incrível a motivação brutal que certas energias interiores dão. Ainda estou abismada! Foda-se! (Nada como uma pequena oportunidade para usar uma palavrinha tão amorosa) ![]()
COMUNHÃO (interno-energético-positiva-clash-vlash-splash)
Isto vem de volta, não é? Sabe bem... Podia habituar-me... ![]()
RELATIVIZAÇÃO
Quando a pessoa tem a vida por inteiro (e já levou q.b. nas trombas) desenvolve uma excelente capacidade: relativizar. No entanto, nalguns dias essa jovem bloqueia totalmente e o mundo cai em cima da nossa cabeça. Mas, rápido, rápido a vida volta à normalidade porque a relativização é de novo activada. Isto torna a vida mais interessante (Eh, eh, eh!), especialmente para quem tem algumas tendências bipolares (e tem de aprender a relativizá-las - Eh, eh, eh!). ![]()
I am the Cheshire Cat
and i desire to say something meaningful: I dreamt and dreaming I am still that love, although fragile in the face of passion, endures all. So it will prevail in the end. ![]() Quarta-feira, Setembro 10, 2003
Podemos considerar a natureza como um corpo fechado,
como uma árvore de que somos os botões em flor. (Novalis) ![]() Terça-feira, Setembro 09, 2003
CARA
Glad your back. You're my... baby, i've been lost without you since i don't have a place to call my home oh, my sweet baby, must i empty my heart? must i take what i can get and make it my home? as long as i love my baby... (Lloyd Cole, "Baby") ![]()
SEMENTES DE VONTADE
É ouro a transparência do linho que vestes São rosas que se abrem nos teus joelhos A voz majestosa ainda um pouco rouca quer ser coro junto das sementes Vem, bebe da minha água e eu serei os riachos que alimentam a tua vontade ![]() Segunda-feira, Setembro 08, 2003
Somos das horas
Somos das horas e das horas nada sabemos A indistinção da ria, do sol, da lua cheia É uma moldura de prata aos nossos corpos Um copo de vinho, um abraçar do tempo Ondulado Somos das horas e das horas nada sabemos Pois o tempo é uma forma que queremos amordaçar Sem nunca nos saciar a profundidade da carne Em que se descobre um sangue perfumado de visões Ou fantasias de palavras trocadas Sobre um beijo Somos das horas e das horas nada sabemos As paixões conhecem o corpo e a sede toma um passo A paisagem torna-se um relato do dia. A sua música. E as horas aneladas nela são risos e perdição Dos pesares. Somos das horas e das horas nada sabemos Como se pode saber da matéria da vida? Enquanto o corpo se bate a tecê-la e entretecê-la? E o espírito-sorriso se desenha sobre um céu figurado? Enquanto, assim, os gestos revelam algo vário As formas volúveis e luminosas da existência
Última, última coisa...
Aqui vai um pouco de beleza, isto é para aproveitar que o pessoal hoje está bem disposto! ![]()
Sem título
Sentimos sempre pela carne, pelo olhos Como fúrias candentes pelos outros Como sinceras exaltações da alma escura Alma? Que palavra é essa que pretende humanidade? Eu sou um pouco mais que uma vontade Sou um riso inconsciente, despertando Caminho pelos dias, devir sozinho - preferia-te E considero boas as horas sem dor Vamos, vamos daí ao futuro Querendo a pele salgada de sonhos que se possam lamber Sâo sempre águas provisórias o horizonte O sonho é uma virtude que nos é possível, Matemos a ilusão e sejamos uma vontade de... Esquece, sentimos sempre demais E tudo é perdição, assim.
Esperemos, ao menos, encontrarmo-nos amor nos outros ...e encarnarmo-nos de cor, volúpia e movimento.
QUE PRAZER!
Não há nada como os pequenos prazeres da vida! Um belo banho de água quentinha... Ah, que bom! Que prazer! ![]()
FONTE ABERTA
Tanta energia germinante... Tantas inquietações em preparação... Tanta força que chega interior... Algumas angústias em soneto... ![]()
Aqui vai mais um pouco de Rainer Maria Rilke...
Não quero deixar de o saudar nesta quadra do Natal em que, em plena festa, a sua solidão lhe deve parecer mais dura do que em qualquer outro momento. Se assim for, regozije-se. Ora pense: que seria uma solidão que não fosse uma grande solidão? A solidão é uma e, por essência, grande, pesada e difícil de suportar. ![]()
SUL
não sei onde é o norte nunca procurei essa geografia apenas afundo os pés na terra basta-me para saborear a matéria e saber-me nas marcas que os meus pés deixam vou a museus de percursos ausentes de mapas sentir as luzes e as trevas nem sempre procuro a luz e mesmo contra a minha vontade é por vezes um escuro desmedido que vem à minha beira também exponho as minhas viagens sem rumo quadros desconexos, por vezes em decomposição de palavras que espirram cores e lençóis amarfanhados levanto-me deixando no meu caminhar algum do pó dos dias atravessados e sabes iria para o sul de qualquer maneira ![]() Domingo, Setembro 07, 2003
Um toque
Em dado momento basta um toque Um entrecruzar de dedos para tudo fazer sentido As mãos e os braços Os olhos abraçados A existência em frente E os restantes desejos Porque tudo é gesto e vontade... intuição Sobre o preto e branco do mundo Eis a sua cor. ![]()
Para a duende
Caríssima amiga não encontrei outros pensadores lá dentro. Fiz, no entanto, uma selecção das minhas peças preferidas. Espero receber a sua ditosa opinião. E minha cara duende, já sei que é obcecada com sexo mas por favor: é só um leão a caçar...
CARA
Cantiga do Riso Quando as matas verdes riem de alegria, E as ribeiras fazendo covinhas passam a rir; Quando todo o ar se ri com o nosso riso alegre, E os montes verdes se riem com esse rir; Quando os campos se riem de verde vivo, E o gafanhoto se ri na cena alegre; Quando a Maria, a Susana e a Emília Com doces bocas redondas cantam "Ah, Ah, Ah, Ih!"; Quando as aves de cores se riem à sombra, Onde está a nossa mesa, cheia de nozes e cerejas, Anima-te & sê feliz, vem e canta comigo O doce refrão "Ah, Ah, Ah, Ih!" (William Blake) ![]()
nos portos cheios de vida
há sempre partidas e chegadas há princípios de tarde com música alta vinda das janelas dos barcos levantados pelas cidades que caminham nos teus ramos ![]()
De Rui Pires Cabral...
CHARLECOTE GARDENS Entregas as rédeas da vida ao teu gémeo, um monstro de maneiras impecáveis. Viver é ser cúmplice da estupidez do mundo, decerto as tuas próprias ilusões to dirão. Já deste de comer ao escuro no teu quarto e sabes que foste precedido em todos os teus pensamentos. Mas descansa. Tem fé. Não foste o primeiro nem serás o último a deixar morrer a alma antes do corpo. Ela ressuscita. ![]()
ORFANDADE
Hoje sonhei que tinha caído de uma varanda que existia no interior de uma casa. Depois da queda, enquanto esperava pela ambulância, transformei-me em dois cães feridos, deitados no chão. Ambos ganiam de dor e os seus corpos estavam repletos de feridas abertas. Quando a ambulância finalmente chegou, apenas o cão que estava mais ferido foi levado para o hospital. O outro, em sofrimento devido à ausência do primeiro, fugiu para a rua. Passei o dia atrás dele e ele fugia sempre, em pânico, perdido... Não consegui trazê-lo de volta. Quando o outro chegou do hospital caiu numa terrível tristeza, por causa da ausência do outro. Entretanto acordei bastante angustiada e sonhei, já acordada, com o reencontro dos dois... Acho que este sonho traduz um certo sentimento de orfandade... ![]()
CONTORCER-SE
Este contorcionismo permanente feito de cores reinventadas e muitas aspirinas... A vida que salta repentina dos trampolins-dedos e volta para se deitar numa cama macia... ![]()
IO DESIDERO
Tenho imensas coisas para escrever. Recuso-me a ficar encaixotada na mesma história. Vou a medo, mas vou... ![]() Sábado, Setembro 06, 2003
Loucura negra
Abandonei por uns momentos a Louca Festa de Chá e fui lá dentro à ala africana contemplar a minha colecção. Acho que a última vez que vim aqui foi quando um velho amigo me ofereceu uma chave em pedra-sabão e uma serigrafia da Maluda (ela mesma, uma soberba maluca). Tudo porque lhe tinha eu oferecido um chapéu de veludo roxo com filigranas douradas. Lá encontrei os pensadores e outras peças que muito estimo. Assim já me posso juntar aos meus amigos. Se pedirem muito eu mostro mais...
À janela Desse Lado do Espelho - Socalcos
Por uns tempos atravessei até Esse Lado. O meu deslumbre pelos passos onde me leva a viagem da loucura é infinito - há tanta beleza nos contornos do mundo... tanta inspiração à espera de um peito amplo e de um espírito claro e sonhador.
Vamos alterar "A Oitava Elegia" de Rainer Maria Rilke...
Versão original: Nós nunca temos, nem num só dia, o puro espaço diante de nós, para onde se abrem infinitamente as flores. Versão alterada: Nós temos, nem que seja apenas por um dia, o puro espaço diante de nós, para onde se abrem infinitamente as flores. ![]() Sexta-feira, Setembro 05, 2003
OBJECTIVO
O objectivo não é sentirmo-nos satisfeitos. É não nos sentirmos desesperadamente insatisfeitos. ![]() Quinta-feira, Setembro 04, 2003
Em permanente agitação.
Conduzindo o caminho das veias nos caminhos oscilantes. Em permanente fermentação. ![]()
VIVA A ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA AMIGOS DA SESTA
Dormir a sesta pode ser fundamental para a preservação da nossa saúde mental e física. É bastante retemperador fazer uma pausa para descanso a seguir ao almoço ainda que sejam uns breves instantes. Inclusivamente está provado que a produtividade poderá aumentar bem como se pode evitar a sonolência da parte da tarde ou a sonolência fatigante ao fim do dia. ![]() Quarta-feira, Setembro 03, 2003
Porque é que as portas estão quase sempre trancadas?
É tão mais difícil assim... Ou sou eu que perco as chaves...? ![]()
DESEJO PODER
Será tudo mentira? Desde quando? Encurraladas as verdades de outrora que eram apenas desejos... E os desejos crescem como as plantas seguindo as estações. Depois deixou de haver estações... E o desejo tornou-se uma voz desolada. Também te dói dizes. Bem sei. Se posso...? Três dias sim, três dias não... Os dias também perderam as estações. Desejo poder. ![]() Terça-feira, Setembro 02, 2003
Esta é a hora em que as gentes se matam
O local onde apetece terminar tudo. Com uma vontade compulsiva, incontrolável! Um ponto total de solidão, uma sala imensa, silenciosa Abafada dos sons do mundo e dos outros. Apartada. Este é o tempo e o espaço do fim. Apetece gritar e depois descarnar a existência Em sangue. Matar a vida em nós com fúrias e raivas em festas e exuberâncias Acabar logo com esta solidão escura e ao mesmo tempo luminosa Como se o negro reflectisse uma falsidade brilhante. E o nosso corpo estivesse farto das contrariedades dos outros. Das faltas dos outros. Este é o momento de acabar a vida, as sensações, os suspiros Os sonhos, os desejos, os toques, as palavras, os enroscares As vontades de dormirmos juntos mais uma noite. Tudo isso há-de acabar aqui. Aqui onde tudo é silencioso e artificial, onde a vida não mora. Só a morte, encapuzada De uma imensidão intransponível. Inalcansável o carinho do outro. O outro qual? Aqui estás tu e a morte.
Esta é a hora das gentes que se matam Mas eu não me quero matar! Esta imensidão artificial e sanguinária Que deseja e clama a minha vida não me faz medo. Nem me seduz! Eu estou olhando uma outra visão e esta sala é um sonho. Rio-me dela. É uma nova realidade: um sonho existente Dói-me mas não existe, pois eu moro na casa serena do Amor E esse habita aqui, como ali, do Outro Lado do Espelho Que teima em ser escuridão, onde fica aqui esta solidão. Ululante. Esta divisão aberta, sem vida, artifical de ar e pensamentos, não me corrói. Eu moro noutro local. A minha visão habita outro corpo. Outros corpos. E já me deitei com ele noutros dias que hão-de ser dias mais amanhã Eu tenho a força e o desígnio. E o sonho. E a fé. E o que se vê nunca é o que se vê. Pois onde está agora a noite há-de ser dia espantoso. Ou eu despontaria em dia abraçando a noite para dentro de mim. Tantas vezes me deitei nela... Tenho vida borbulhante. E este é o local onde as gentes se matam. Matam de sangue e de dor Pois este é um local solitário, inumano, onde falta o calor do outro e amor. Mas eu não moro aqui. Nem, na verdade, aqui estou. Mas sempre no coração de quem amo. E de quem me ama. ![]()
O que é recuperável
do chão que percorremos depois de nos deitarmos no perfil dos movimentos despedaçados? Depois vieram as mãos, os frutos e os carris grossos dos eléctricos... E os rios desbravados onde ainda circulam pássaros-sombra? Os pássaros ressuscitam? Às vezes temo as mãos e os frutos... Falo-lhes baixinho... Sei que não me ouvem mas oiço-me a circular entre os mastros dos barcos que caminham próximo de mim... E os pássaros? Ressuscitam? ![]()
Il mio cuore è divenuto capace di accogliere ogni forma
è un pascolo per le gazzelle, un convento per i monaci cristiani è un tempio per gli idoli, è la Ka'ba del pellegrino è le tavole della Torah, è il libro del Sacro Corano. Io seguo la Religione dell'amore, quale mai sia la strada che prende la sua carovana: questo è mio credo e mia fede. ![]() Segunda-feira, Setembro 01, 2003
Maltratam uma pessoa
e depois estranham que ela se passe... Fodem-lhe a cabeça e depois queixam-se das consequências... ![]()
DEIXOU...
Você deixa tudo. Deixou... Você deixa mágoa. Deixou... Você deixa frio. Deixou... E me deixa na rua. Deixou... Você jura, jura. Jurou... Você me despreza. Prezou... Você vira a esquina. Esquinou... E me deixa à toa. Tou, tou, tou... (Tom Zé, "Happy End") ![]()
A Arte em todo o lado!
Após ter mencionado en passant o Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque (e do Gato de Cheshire tão amavelmente nos ter brindado com uma selecção sua) eis que uma amiga me relembra algo aqui bem mais perto do meu Espelho, a Tate. Assim sendo, para lhe agradecer a lembrança, deixo uma escolha própria e uma sugestão da minha consultora de escultura. Divirtam-se!
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