Uma Louca Festa de Chá |
Domingo, Agosto 31, 2003
DESABAFO ZANGADO
Estou fodida com a chateação provocada por uma pessoa mesquinha! Mas acho que finalmente atingiu o seu objectivo! PARABÉNS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! ![]() Sábado, Agosto 30, 2003
Inspirado
Estou feliz e quero partilhar convosco a minha felicidade em forma de assim:
Amores-perfeitos, por Fantin-Latour
ESPÍRITO DE SERRALHARIA
Houve um dia em que me perdi nos limites da perda. Deslizei pela violência das lixas e perdi a sensibilidade da palma das mãos. As serras recomeçaram repentinamente. ![]()
Os Sufis, esses místicos loucos
Imbuído do espírito hodierno desta Louquenda Festa de Chá e estando a ler uma prenda oferecida pela Catrapila "Contos do País dos Sufis" de Mojdeh Bayat e Mohammad Ali Jamnia apetece-me partilhar convosco esta parábola: "Uma vez aconteceu que Abu Sa'id aceitou um discípulo recentemente iniciado, chamado Sankani, oriundo de uma família abastada. Era jovem e gostava de vestir trajos ricos e apresentar-se bem ataviado. Um dia Abu Sa'id recebeu um convite para um passeio e alguns discípulos, entre eles Sankani, acompanharam-no. Durante o passeio, Abu Sa'id, que caminhava na cauda do grupo, reparou que Sankani parecia preocupado com o seu trajo e boa apresentação. O xeque disse a Sankani para não caminhar à sua frente. Sankani passou para trás do xeque. Passados alguns minutos, Abu Sa'id disse-lhe: «Não te ponhas atrás de mim». O discípulo deslocou-se para a direita do xeque. Não tardou muito tempo para que se ouvisse de novo a sua voz: «Não andes à minha direita». Sankani mudou-se para a esquerda, apenas para saber que também não era aí o seu lugar. Perplexo e muito perturbado, perguntou ao xeque qual o lugar em que se deveria colocar. Abu Sa'id respondeu-lhe que ele tinha de esquecer o seu eu e caminhar em frente. Depois recitou este poema: Enquanto o teu eu te acompanhar, nada saberás de Deus; Pois o eu de cada um não é amigo do homem universal" Eis o caminho para ser insan-kamil. ![]()
Gato Louco
Se não é a Maria a mandar o Coelho Branco avisar-me...ainda para aqui estavas a despejar o Met.... Tu és mesmo louco Gato! Da astrologia para o Met, do Met sabe-se lá para onde....andas sempre com esse sorriso largo no focinho e ora apareces ora desapareces...enfim, a Maria que te conhece bem é que sabe: O Chesh é mais que maluco, é adorável. Obrigado pelo David Friedrich...não confirmo nem desminto. Lembras-te que a primeira imagem desta Louca Festa de Chá foi ele que pintou?... Para te agradecer deixo-te um presente, que vai também em homenagem ao Piper e ao grande Diónisos, seu deus amigo.
Bacchante by the Sea, Jean-Baptiste-Camille Corot
I am the Cheshire Cat
and this is a Nymph and a Satyr carousing by Clodion I so very much love you... ![]()
Sobre a longuidão espacial...
O espaço ainda se lembra do cheiro a quase morte. O movimento foi a enterrar mas o cheiro a quase lírios ainda por lá paira. ![]()
I am the Cheshire Cat
and this is for my friend the Hatter: Two Men Contemplating the Moon by Caspar David Friedrich ...some say that's Caspar and the Hatter. They are very good friends you know? The Hatter absolutely loves Mr. Friedrich. ![]()
Por António Maria Leal
SABEDORIA O Amor é uma saudade escondida nos degraus da Felicidade e mais que o Amor temos a Amada como se fosse trágico existir recordando sempre e exclusivamente o Ideal. Ser Sábio é saber ser Nobre de Espírito. Inventar em cada Madrugada a cor do crepúsculo vindouro é alcançar a pureza das emoções e semelhante estado de Alma só se encontra na simplicidade do Eterno Contemplar o Retorno do Permanente. A única Sabedoria que se consegue alcançar é apenas a da abdicação pura de todo e qualquer objectivo. A Virtude Suprema reside no vazio da sensação em movimento. O caminho que se percorreu avançando foi o mesmo que se imaginou nunca trilhar? ![]()
I am the Cheshire Cat
and following an idea from the Hatter i took a trip to the Met. Let us begin with Charity, by Guido Reni ![]()
Amizade
Eu sou do fim do dia Das horas dormentes da areia Das viagem pelo agir candente Amamo-nos pelos abraços sonhados Somos livres e ousados Somos filhos da Lua Somos crédulos mas sábios Esquece, atiça o saber Gera nas ondas do amanhã Bebe-se como se quiser Com o álcool que se puder Ao contrário do universo O peito aberto Ao contrário do certo A voz do futuro Esquece o sofrimento Esquece o esquecimento O que estou eu a fazer aqui? Aqui entre corpos conhecidos? Entre vontades sonhadas altas? Entre dores escondidas? Entre objectos não necessários? Porque estamos aqui? Porque amamos neste momento.
BLOOD
Was there once something so pure That left me whole and precious? But now, broken, wondering Why this new ingredient? Everything i crave i become Everything i left forgotten Everything i love i become Cos that's what happens when you reach the bottom Where does the blood go? It runs away from broken lives Where does the blood go? It runs away from broken lives There's an ugly crowd here beside me They specialise in violations Once they numbered only a handful Grew out the ashes of what we had good There'll be another awkward scene tonight Quickly averting our eyes When we see what there is left of Where does the blood go? It runs away from broken lives Where does the blood go? It runs away from broken lives Our love hangs here beside us From its feet, twitching, desperate The juice that splash our white boots Now they're matted and confused There'll be another ugly scene tonight As we refuse to accept the obvious We panic and jump up and down Trying to suck those last breaths Where does the blood go? It runs away from broken lives Where does the blood go? It runs away from broken lives (Tindersticks; "Blood") ![]()
CARÊNCIA
Outrora, quando vertia amargas lágrimas, quando, diluída na dor, a minha esperança se desfez e eu me encontrava sozinho sobre o estéril montículo que encerra em negro e estreito espaço a imagem da minha vida - só, como jamais alguém esteve, impelido por um medo indizível - inerme, tão somente com um único pensamento ainda, o da carência. (Novalis) ![]()
FENDAS DA FRAGILIDADE
Estou de silêncio Fala-me um vespeiro Poderias seguir-me no caminho espesso que enrola a língua Sentir na pele inacabada dos braços os ferrões solitários que lentamente me ferem em fragmentos Como é fácil tropeçar nas fendas da fragilidade Despidas de carícias no limiar dos países ![]()
MEU IRMÃO, TU NADA SABES DA NOITE
Meu irmão, tu nada sabes da noite, nada sabes deste tormento que inteiramente me prostou, do mesmo modo que a poesia, que transportou a minha alma, nada sabes destes mil crepúsculos, mil espelhos, que me hão-de precipitar no abismo. Meu irmão, tu nada sabes da noite, que eu tive de vadear como um rio, cujas almas foram há muito estranguladas pelos mares, e nada sabes da fórmula de esconjuro que a nossa Lua me abriu entre entre os ramos secos como um fruto da Primavera. Meu irmão, tu nada sabes da noite, que me impeliu através das sepulturas do meu pai, que me impeliu através das florestas maiores do que a Terra, que me ensinou a ver nascer e pôr o Sol nas trevas doentes do meu trabalho diário. Meu irmão, tu nada sabes da noite, do desassossego que atormentou a argamassa, nada sabes de Shakespeare nem da caveira brilhante que carregou, como pedra, cinza por milhões multiplicada, que rolou para as costas brancas, sobre a guerra e podridão em risada contínua. Meu irmão, tu nada sabes da noite, porque o teu sono passou por entre os troncos fatigados deste Outono, através do vento, que lavou os teus pés como neve. (Thomas Bernhard) ![]()
SOU VENENO!
Tenho dois tipos de veneno no sangue. Aquele que eu produzo e aquele que tu para aqui enfiaste. Como eles são incompatíveis, deram origem a um terceiro tipo de veneno, daqueles que rebenta o corpo, reduzindo-o a podridão. Sou veneno! Sou veneno! Sou veneno! ![]()
MUDANÇA DE DISCO
Vamos entrar numa fase menos lá-lá-lá, mudar o disco e tocar outra coisa. Viva a alternância! ![]() Sexta-feira, Agosto 29, 2003
Por António Maria Leal
MEMÓRIA Sinto talvez a solidão de me saber Inverno ou a saudade de ter sido criança num Domingo de Janeiro quando a brincadeira estava esgotada e o silêncio se insinuava no frio húmido de me sentir triste como o cinzento das nuvens caindo docemente embalando-me de melancolia nas horas apenas minhas e no entanto nem a vida acabou nem esta sensação de desconforto é apenas do Inverno nem este Inverno é o fim da vida nem o desconforto desta vida é a essência do Inverno nem... nem... nem... nem... apenas só... no Inverno da vida exactamente como um lobo numa noite de luar nas montanhas onde neva o despertar da sensibilidade para o rigor do desespero enjoado de perfume ... e a evocação do bronze num entardecer de melodias num qualquer hemisfério de jóias e púrpura talvez no Oriente do salmodiar profundo daquela prática que me propõe um "Basta" para o entardecer da rosa e da pedra onde inscrevi o sentido exacto brotando límpido como a nascente em que mergulho os olhos claros como o luar do teu rosto apenas teu e idealizado meu à procura do Amor Total como se a noite trouxesse o fim do poema ou o início dos ciclos de eternidade imediata. ![]()
BATE BATE BATE
As lágrimas de sal brasa não formam rios mas incêndios que se prolongam até à floresta que bate bate bate bate dor na mágoa do coração. ![]()
ALGUMAS EXPLICAÇÕES
Eu tou-te explicando para te confundir Eu tou-te confundindo para te esclarecer Eu tou iluminado para poder cegar Tou ficando cego para poder guiar (Tom Zé) ![]()
DEIXEI SANGRAR O PEITO
Deixei de seguir as ruas Que se abriam nos meus quintais Porque quis acompanhar as tuas Mas esse caminho Golpeia-me as mãos E na tela branca as sombras Movem-se de culpa e medo Não sei falar o teu sangue Mal atravesso as minhas pontes velhas Não sei viver todos os dias de noite Acordo em estilhaços No meu sangue Só conheço o escuro e o doce Não sei afagar as tuas mãos Sinto-me demasiado só Nas distâncias amargas Nas despedidas constantes Não sei quem sou E quem tu és Deixei sangrar o peito... ![]()
Estamos todos aqui,
uns mais ali e outros mais acolá... Quando se sonha as fronteiras esbatem-se e nadamos todos juntos... No mergulho das cores solares unem-se os desejos em mãos dadas... Acredito que as conchas escondem estes segredos e nas manhãs cor-de-rosa abrem-se... ![]()
Ao fim da noite
Ao fim da noite o dia revela-se Por entre ondas de alfazema Em corpos de desvelo e primor Como águas e cavalos alados Em bátegas de olhares candentes Assim, oleados, surgidos, reciclados Tudo se torna novo Tudo se torna vivo As cores redescobrem-se, As magias apuram-se Multiplicadas Assim, de novo É a forma de estranhar a palavra Como um corvo deslumbrante Ou uma princesa perdida Eu Tu As vontades de amanhã Amamo-nos pelos abraços apertados Descobrimo-nos numa escuridão porosa Onde a luz nasce como um sonho Somos livres e sábios de sorrisos Adeus, Vivemos na proa do universo! Vivemos na popa do universo E ele navega-se à nossa frente...
TREPANDO ESTANTES
O regresso ergue-se inclinando-se no alto mais alto da rosa dos ventos no lugar onde tudo está à vista. ![]()
ACERCA DOS "MUSOS"
A.R.M. (a pedido da mesma) questiona-nos: Mas os homens inspiram alguma coisa? Entretanto... T.C. é apelidada de "Mulher dos Vermes" S.L. questiona: Achas que chamar verme a uma pessoa é um elogio? S.S. diz exaltada: Vocês querem levar-me à loucura! M.A. finaliza: Isto não me sai assim! ![]()
Pintar os fios que tecem os dias...
TÉCNICA MISTA componho e a matéria circula em meu redor, inundando o ar de criações deambulantes os meus dedos fazem emergir cores salientes e disformes: o papel sujo de laranjas que caem dos montes de tarde o amarelo puro que irradia das planícies feito da rara luz de éter e a tinta porosa dos morangos que me adoça os lábios... combino encontros em dias incertos para não saber se irão cobrir-se de magenta ou cobre amadurecido: são várias as crostas que se desprendem e flutuam até se desfazerem na água tornando-a menos líquida e transparente são labirínticos, os sulcos por onde a pele se alimenta, onde se ferve lava de todas as cores enquanto linhas irregulares serpenteiam-se na desordem e estranhos sinais evaporam-se do molhado pinceladas de fogo em escada para subir alto "onde vais?" pergunta a tela "até ao fim" ![]()
Celebração!
A Louca Festa de Chá, como se pode depreender por estes dias, está cheia de alegria e felicidade. É tempo de celebrarmos as coisas boas da vida! Aqui, como aí Desse Lado do Espelho. ![]() Quinta-feira, Agosto 28, 2003
I WANT TO BE YOUR CHRISTMAS TREE
You are the star tonight. Your sun electric, outasight. Your light eclipsed the moon tonight. Electrolite. You're outasight. (R.E.M.; "Electrolite") ![]()
Mensagem de S.L. para a Madame Auto Estima:
"Ainda bem que voltaste aos níveis normais. Aprochega-te, aprochega-te... Vais ter tratamento de Rainha." ![]()
VOZ SOM LÍMPIDO
A tua voz de barcos longos viajando entre as montanhas em codornizes de destino canto rompendo as cidades de som límpido de retorno constante. ![]()
ESSA FACE
Essa face de folhas abertas recebendo a água de bocas movidas a rios de clarões. A terra rasga-se para deixar passar as fontes. ![]() Quarta-feira, Agosto 27, 2003
ÉS-ME
Tu és a suave meditação cheia de promessas de pássaros viajantes. És canção de fôlego que encanta as fendas dos dias. És-me! ![]()
I CAN HEAR MUSIC
I can hear music I can hear music The sound of the city baby seems to disappear I can hear music Sweet sweet music (Beach Boys, "I Can Hear Music") ![]()
Recorrendo a uma memória
de umas férias há 5 anos atrás: Há pessoas que são vespas cheiram aqui, cheiram ali. Roubam a carne dos hambúrgueres e ainda dizem que a merecem. ![]()
ESTRANHEZA
Como é que as bocas se partem e ficam mudas de crenças? Como é possível tantas legiões de espuma de cristais apodrecidas na pele fragmentada? ![]()
PICCOLI AEROPLANI
Por Bertolucci PER B... I piccoli aeroplani di carta che tu fai volano nel crepuscolo, si perdono come farfalle notturne nell'aria che s'oscura, non torneranno più. Così i nostri giorni, ma un abisso meno dolce li accoglie di questa valle silente di foglie morte e d'acque autunnali dove posano le loro stanche ali i tuoi fragili alianti. ![]()
EQUILÍBRIO YING-YANG
Fui ao tró-ló-ló. Buscar água e não achei. Achei uma piscina e por lá fiquei. Fui buscar o meu colchão de água. E toda a tarde aproveitei. A comer algodão doce e pipocas salgadas. O ying-yang agradeceu. ![]()
Os moradores têm vozes
que dão piruetas no ar... Alimentam-se de musgo e do pó no canto da sala... São férteis em letras enfiadas em gavetas... Saem a meio da tarde por debaixo das unhas... ![]()
A MENINA QUE DESEJAVA UM ALGODÃO DOCE
No Bairro Amarelo entrou de unhas aguçadas Rapidamente deu com os torrões de açucar A princípio pensou que fosse veneno para ratos Mas os ratos morreram esturricados pelo sol Foi de sombra em sombra com os bolsos cheios de açucar Até chegar ao Bairro do Algodão ![]()
Marte
Porque hoje o senhor da energia e da determinação vem acariciar estes nossos mundos... ...deixo-vos com ele e a sua amada, na visão desse alucinado Veronese. ![]()
CARA
Who's gonna ride your wild horses Who's gonna drown in your blue sea Who's gonna ride your wild horses Who's gonna fall at the foot of thee Oh, the deeper I spin Oh, the hunter will sin for your ivory skin Took a drive in the dirty rain To a place where the wind calls your name Under the trees the river laughing at you and me Hallelujah, heavens white rose The doors you open I just can't close Don't turn around, don't turn around again Don't turn around, your gypsy heart Don't turn around, don't turn around again Don't turn around, and don't look back Come on now love, don't you look back Who's gonna ride your wild horses Who's gonna drown in your blue sea Who's gonna taste your salt water kisses Who's gonna take the place of me Who's gonna ride your wild horses Who's gonna tame the heart of thee (U2, "Who's Gonna Ride Your Wild Horses") ![]()
Beleza do Outro Lado do Espelho
Inspirado pelas notícias que tive acerca do estado do tempo Desse Lado do Espelho decidi ir dar um passeio. Calcei as minhas botas de sete léguas, pedidas emprestadas ao Gato ele mesmo e, com o meu melhor chapéu, decidi ir rever velhos amigos. Como grande parte deles está aqui, foi para lá que me dirigi. ~ É tão bom reecontrar velhos amigos... ...como este Mulher com papagaio do meu amigo Gustave Coubert.
Sabiam que eu estava por trás dele, a beber um Porto?...
Olha, calhou-me uma estrela Surpresa Longa (SL). Ouvi dizer que o seu brilho encadeia os olhos menos profundos...
Uma escada em caracol...
Inserir: rapidez como a luz confusa em rebentação (entre 4 a 6 metros). Resultado: CAOS! ![]()
EM CIMA DA ALTER-NÂNCIA
Os altos e baixos diários/semanais, a alternância continuada e diabrete, são frequentes em vários seres humanos. Não estou a falar de tretazinhas softs. Mas sim de: uma escada em caracol rápida como a luz confusa em rebentação! Tenho vários testemunhos. Sinto-me mais aconchegada. ![]()
Sobre o Infinito...
É verdade que o Infinito é possível. É tudo uma questão de vontade ou obsessão doentia (doentia?). Mas vai mudando as suas características. ![]()
NAS TROMBAS
A Lavagem Cerebral é uma técnica vilã. Especialmente quando realizada de forma subtil. Estou farta de subtilezas! Isto tem de ser tudo nas TROMBAS! Para uma pessoa decidir se cospe a matéria ou se a chupa até ao tutano. (Já Lavagem de Cabelos...isso já eu precisava hoje...) ![]()
COMPROVAÇÃO
É necessária uma comprovação das nossas teorias sobre o mundo. Caramba, eu até levo isto a sério! Portanto, um conselho: experimentem e fodam lá essas merdas das auto-ilusões. Sentimo-nos mais inteligentes e tudo! (Já vos agrada a crueza da linguagem, mais próxima da minha oralidade?) ![]() Terça-feira, Agosto 26, 2003
Mais um grande maluco
Estes putos, no meio da loucura que por lá reina, tiveram hoje a bondade de me fazer recordar um velho amigo, que bebeu da loucura q.b. (a loucura nunca se pode beber q.b.) e se determinou a partir para outras paragens. Pum! Bum! Resolvi, por isso, surripiar-lhes a ideia, recuperar as palavras e o homem e trazê-lo aqui, de novo, à Louca Festa de Chá. O bom Antero, lá da sua ilha há de querer um cházinho, ele que os tem lá tão bons.... Evolução "Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo tronco ou ramo na incógnita floresta... Onda, espumei, quebrando-me na aresta Do granito, antiquíssimo inimigo... Rugi, fera talvez, buscando abrigo Na caverna que ensombra urze e giesta; O, monstro primitivo, ergui a testa No limoso paul, glauco pascigo... Hoje sou homem, e na sombra enorme Vejo, a meus pés, a escada multiforme, Que desce, em espirais, da imensidade... Interrogo o infinito e às vezes choro... Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro E aspiro unicamente à liberdade." Antero de Quental ![]()
PROVOCADORA OU EM ABUNDÂNCIA
Anda por aqui uma gaja a excitar-me pa' caramba! Ainda por cima tem os bolsos da saia abertos. E ainda tem a lata de me dizer que anda com os bolsos abertos de propósito: "a ver se entra qualquer coisa" Foda-se! ![]()
Ao adormecer e ao acordar...
No cimo da montanha dos mistérios do mundo habita sozinha uma criança Quando lá chegar hei-de olhá-la e rir-me muito com ela. E morar aí para sempre.
MANUEL ANTÓNIO TAVARES
"Não entro lá [na Bela Vista]. Aquilo é uma desgraça, devia ir tudo abaixo. Ultimamente até está melhor. Desde que a polícia matou aquele preto, eles amocharam. Devia era acontecer mais vezes." - Paulo, taxista em Setúbal (Notícias Magazine, 10 Nov. 2002) Preto morto pela polícia: Manuel António Tavares, 24 anos, foi morto por um agente da PSP com balas de borracha no bairro da Bela Vista, onde residia. O jovem foi alvejado apenas porque pôs em causa a actuação da polícia, que estava a intervir numA rixa entre moradores. Os agentes tinham desarmado um indivíduo que estava estendido no chão e a vítima mortal meteu-se entre ambos para acabar com a violência policial. A curta distância dos disparos levou à sua morte. Manuel António Tavares era muito querido no bairro e frequentava o Centro Cultural Africano pois tinha interesse pela música e dança africanas. A responsável do Centro considera que era "um jovem válido à sociedade e não um delinquente".
Porque é que as pessoas (algumas)
andam tão previsíveis? Está a começar a dar-me enjoos... E tão limitadas. Não se fartam? (Peço desculpa pelo tom, mas francamente, esforcem-se um bocadinho mais...) ![]()
PERVERSIS VERITAS
Pensei que a perversidade fosse coisa outra Mas eis que a descobri na minha corte Uma perversidade mascarada de benignidade celestial E eis que se revela matadouro Nadei de costas e segurei a bagagem com os dentes A metade que levei chegou inteira A restante irei cantá-la ![]()
VENHA CRU
E agora... Tcham, tcham... Em reposta a um pedido muito especial... Um pouco de CRU! (A imagem é pequenina para não ferir susceptibilidades) ![]()
CARA
Que contentamento! Isto é exaltação demais para mim. Estou numa de pasto. Quando precisares de repousar vai lá ter... ![]()
MANHÃ ABERTA
a manhã vem acordar-me com a sua luz indefinida escova-me os emaranhados da noite vem suave, traz a claridade molhada estou inteira, rosto fechado ao vento asas de um mineral puro o sol a mordiscar-me a face abre-se em mim, com o seu sabor dormente o corpo está amansado as palavras que bailam, leva-as o pólen nos meus ouvidos entram flores em rebentação estou imersa no odor forte da terra enleada na calmia das fontes límpidas posso falar-te da água que desliza por mim, percorre os poros, se afunda nos vales, escorre das montanhas, semeia a humidade desce lentamente e o céu observa sereno aberto sob a plenitude adocicada ![]()
PIRILAMPO CORRE 100 METROS NAS VEIAS
Não consigo dormir mais. Desde as 8 da manhã que ando a rebolar na cama feita parva. E porquê? Porque estou exaltadíssima! Tenho o sangue aos saltos! Para baixo e para cima, em grande correria! Sinto-me um pirilampo a tempo inteiro! (Isto é tudo muito bonito, mas lá para as 16:00 devo estar a dormir em cima do computador...) ![]() Segunda-feira, Agosto 25, 2003
NOITE
A noite sempre teve este efeito sobre mim, a mente deambula pelas sombras e a escrita vem pesada como as cortinas do céu-carvão. ![]()
EM ISOLAMENTO
Be clear every day, every evening It calls here aloud from above Carefully watched for a reason Mistaking devotion and love Surrendered to self-preservation From others who care for themselves But life as it touches perfection Appears just like anything else Isolation, isolation, isolation. Mother, I tried, please believe me I'm doing the best that I can I'm ashamed of the things I've been put through I'm ashamed of the person I am Isolation, isolation, isolation. But if you could just see the beauty These things I could never describe Pleasures and wayward distraction Is this my wonderful prize? Isolation, isolation, isolation, isolation, isolation. (Joy Division, "Isolation") ![]()
UMA LIÇÃO DE PÓS-MODERNISMO
Para a T.C. "Não estão frescas" é a versão pós-moderna da expressão "Estão verdes". ![]()
Nado na estrada interminável para algures
perseguida pela vontade de libertar-me das crostas e ser uma corrente transatlântica veloz nas planícies de lábios carnudos... ![]()
PUDESSE EU
Pudesse eu saber onde habitas nas tuas horas mortas e passaria a minha mão quente nessa face que ainda treme os sobressaltos de outrora Pudesse eu saber os teus lugares de encantamento e levar-te-ia de mãos dadas até eles ![]()
Neste exacto momento centenas/milhares de pessoas
pelo mundo inteiro estão a ser torturadas e/ou executadas... Ainda bem que não és uma delas. Enjoy life! ![]()
TERCEIRA MEIA-NOITE
Por António Maria Lisboa: Ontem à meia-noite três relógios distintos bateram: primeiro um, depois outro e outro: o eco do primeiro, o eco do segundo, eu sou o eco do terceiro Eu sou a terceira meia-noite dos dias que começam ![]()
EM L
Somente lagartas que enxotam as pedras atiradas de torres mais altas que as mãos que as construíram. Mãos que desconhecem os abraços véus. Sento-me entre elas e os movimentos baralham-se devagar: O corpo estica-se em lagarta dobradiça gesticula os olhos grandes de torrentes saltos estratosfera. Nascem sardas verdes no pescoço respiração veloz. Fiz-me lagarta e aqui de cima não vejo torres apenas florestação. ![]()
Para a S.L. da A.S.
A tua loucura chega à ponta dos teus dedos e a partir daí faz o percurso inverso. Por isso, ela nunca chega a sair! ![]()
CORPOS E MENTES EM AQUECIMENTO DISRUPTIVO
- S.S. afirmou: A exaltação dos corpos não aquece as mentes. - A.S. respondeu-lhe: Aquece o suficiente para dar cabo delas! ![]()
SOBRE A VIDA
Por João de Deus: A vida é o dia de hoje, a vida é ai que mal soa, a vida é sombra que foge, a vida é nuvem que voa; a vida é sonho tão leve que se desfaz como a neve e como o fumo se esvai: A vida dura um momento, mais leve que o pensamento, a vida leva-a o vento, a vida é folha que cai! A vida é flor na corrente, a vida é sopro suave, a vida é estrela cadente, voa mais leve que a ave: Nuvem que o vento nos ares, onda que o vento nos mares uma após outra lançou, a vida - pena caída da asa de ave ferida - de vale em vale impelida, a vida o vento a levou! (Para pessoas com pouca visão: é óbvio que isto é gozo!) ![]()
CARA
Há uma série de passos que temos de dar para atingirmos o objectivo "LUNE". No entanto, não somos nós que definimos os "tempos" dos passos. Temos de ter paciência e passar por todos eles e não desesperar. Mas tudo isto já é do teu conhecimento.. Porém, nunca é demais repeti-lo. Boa sorte. Contigo sempre. Nos passos mais complicados, eu dou um empurrãozinho... ![]() Domingo, Agosto 24, 2003
O Vazio da Ausência...
E quando o corpo está moribundo, o amor está moribundo, a alma está moribunda? Alma adornada de trevas sem força para levantar a mão caída engole a noite por inteiro Oh, como são pálidas as luzes que iluminam a rua abandonada Respiração congelada Palavras sem fôlego O som desfalece e morre sem retorno ![]()
A Ausência...
O MEU MUNDO O meu mundo são cinzas cinzas de fogos grandes e ardentes cinzas ainda quentes do tempo em que acreditei na infinitude O meu mundo são sóis nascentes que não chegam ao entardecer pérolas incandescentes que queimam as mãos ervas dançando nas rajadas de vento descontentes Perco-me nos seus jardins de areia e a noite vem de longe recolher-me O meu mundo é a nudez de um verão adormecido O meu mundo são ausências ![]()
PASSOS ANTIGOS
passos sulcados golpeiam em corpo frágil de mãos os temores secretos acendem-se pedras ferozes caem e sem abrigo apanho-as no corpo as mãos apertam-me desmedidas ![]()
SIT ON MY SOUL
This secret desire wasn't meant to be told Please sit on my soul I don't want to be vulgar just want to be warmer Please sit on my soul I'm sure you won't mind my heart feels so cold Please sit on my soul You're making me blue i want to be red Please sit on my soul Your hands on your waist please look at my face and sit on my soul I know it sounds weird but be a dear and sit on my soul I'm sure you won't mind my heart feels so cold Please sit on my soul I'm sure you won't mind i'll never grow old if you sit on my soul (Letra e música: António Olaio; João Taborda Vídeo na exposição "Arte dos Artistas" na Culturgest - A não perder!) ![]()
REACORDAR
Transborda ainda das chaminés os restos do que ardeu no desassossego Nem toda a gente se pode reclinar nos poços fundos onde as enxurradas têm lugar A pressão evapora-se, afunda-se na memória da lama Escreve fertilidade na madeira nova Noutro lugar, rente à minha cave, um outro motor faz tremer outro corpo Demasiados movimentos, repletos de transparência, puros descem e sobem os lances de escada Colecciono as suas imagens desenho-as na areia que o mar de seguida desgasta Transborda ainda das chaminés o alimento do amanhã o acordar de regiões envoltas em lençóis empoeirados Há quanto tempo, e agora o tempo do mundo Nas suas mãos me deleito... ![]()
Para a A.S.
PARTE TUDO! DESTRÓI A ORDEM! (O excesso de ordem das ditas cujas é para dar mais pica!!! Percebes gaja!?!?) ![]()
FORA DE SERVIÇO
Encontrei uma área "Fora de serviço". Lá dentro trabalha-se muito. Chegou o novo material. A abertura está para breve... ![]()
UMA CHAVE
"Tem a solidão isto de comum com o silêncio e a escuridade: espanta; e aturde quem nela cai; mas, logo que o ouvido, desadormentado dos sons fortes, aprende a conversar com a mudez; tanto que os olhos, desofuscados dos luzeiros intensos, se exercitam em caçar espectros de raios, fosforescências indecisas, que são como que os infusórios das trevas, descerrou-se o negrume em brilhantismo, a calada aviventou-se de diálogos, a solidão, que parecia o nada, é o teatro com o seu drama, é um mundo novo com um sistema completo de existências imprevistas e apropriadas." (António Feliciano de Castilho, "A Chave do Enigma") ![]()
CORPOS VAZIOS E CHEIOS
Porque é que há momentos tão vazios e outros tão cheios? Quando estão cheios o corpo enche-se de mundos coloridos, mas, por causa dos primeiros, há sempre o receio que eles terminem (bruscamente...). Sim, porque isso acontece, mais facilmente do que se imagina: o esvaziamento quase total. ![]()
Marte
para a duende Tenho ouvido dizer que Marte se aproxima... Ares, chamei-lhe um dia. Perguntei-lhe se era sereno o Plutão. O Rico, cujo nome não podíamos pronunciar. Respondeu-me que Hades e Pérséfone recebiam bem. Podia era não voltar. Disse-lhe que tinha muitos chapéus e muitos mistérios. Em mim mora um árvore imortal cujo nome é também indizível... Bem sei, Chapeleiro, bem sei, respondeu-me. Marte é o que se vê ao contrário do Senhor do Hades, do mesmo nome Cujo mister é profundidade e cujo olhar é intensidade. Esquece tudo isso, disse-me Marte Os mistérios da vida tanto surgem na morte do dia Como na criação da noite. A regeneração é uma morte fugidia, uma morte moribunda Havemos de matá-la juntos para vivermos então. Nunca matei a morte, como dizia Marte. Sou um Chapeleiro pacífico Mas percebi depois que o toque de Marte não é de morte E a única violência a temer dele é a do sentimento. Que ele desconhece mas nós sentimos. Em ímpetos pelo corpo e desejos pela vontade. Como um duende que nos habita por dentro Aproxima-te pois Marte, exuberante. ![]()
Faróis
para o melro cantante Aqui no País das Maravilhas que se saiba não há faróis (o mais certo é haver) porque não há mar, mesmo havendo muita escuridão. Mas aí fora, Desse lado do Espelho, os faróis são um dos mais belos mundos que o Vosso Mundo me pode desvelar. Não sei se pelos braços de luz estendendo-se por mar e terra, se pela sua solidão recolhida, promissora de histórias. Não sei se pela sua coragem em frente ao colosso oceano. Se por ser um local de amar. A razão é esta: um dia, aí desse lado vi um rapaz uma noite inteira apaixonar-se por uma mulher que se perdeu na noite. Quando lhe gritou quem era, respondeu-lhe: sou a sobrinha do faroleiro. Desde esse dia ele sabe que encontrou o amor da sua vida e tem corrido todos os faróis do mundo em busca da sua....sobrinha do faroleiro.
O Farol de Alexandria, a mãe de todos os faróis
Bálsamo
para a Lebre dos Arrozáis As palavras podem ser sangue novo Sussuradas ao ouvido em amor Transfusão serena de vida A um corpo pedindo carinho À porta da sensação Um copo de caminho vário De sentar a alma entretecida de desejo Junto à existência desejada do outro União sangrenta de vida e poesia Um cosmos corpóreo, rosado, vivo Inundando a visão do horizonte De palavras, bálsamos em verbo Uma cascata corrida de sonho À foz do quotidiano suave Rico das riquezas do mundo E das multidões cá dentro De músicas e sons conhecidos Como nomes chamando E vozes, imagens em filmes As palavras revelam amor Nas veias possuídas de textos Ilusões lavadas de fresco Só restam como futuro bom À impressão verdadeira das palavras Quero dizer-te que há um outro caminho Ao abraço do outro, um Outro. Um caminho dos corações palpitantes E dos idealismos inconfessáveis Onde facas e alguidares Se choram lamechas de toadas antigas De frescos amores Quero dizer-te - é isto que te quero dizer! Que às palavras do mundo Podes ver o mundo de outra forma E uns olhos despertarão sobre as tuas palavras Como as tuas palavras te despertam viva E te fazem viva tão bem Quero dizer-te - escuta, vou terminar baixinho Que as palavras te guardam as veias e o olhar Para que sintas e vejas um novo amor No horizonte sereno do mundo habitado Morando onde morou sempre No sabor das palavras que deixas ser teu alimento
Pela madrugada
Metido à noite, com o corpo quente e suado Os músculos cansados de gestos Muito chá bebido, muito mundo pensado Muito caminho corrido. Apetece-me apenas descansar um pouco. Para começar tudo de novo. Em liberdade, os meus passos e os meus devaneios Eu e todos comigo, companheiros. Cansados que estejamos ao fim da noite, Ébrios de vida e de sonho Viajamos pelo sono até à estação do novo dia Para renascermos assim em passos libertos E sorridentes. Carregando a vida no colo. Leve. E tão ternurenta... Sábado, Agosto 23, 2003
Sexta-feira, Agosto 22, 2003
Lembranças loucas
São as memórias que matam o medo da morte Só para isso elas servem. E nada mais Queria retomar a pureza do encontro e do toque Da inocência infante das primeiras estações Vou para o próximo dia de peito aberto E não temo a cor do futuro por me lembrar Do cheiro das noites passadas e das tardes vividas Às vezes há um odor que convoca adolescência Que retoma imagens quentes e cândidas Onde o tempo parecia mais simples E o espaço contido num passo As memórias são o pulmão da vida Inpiramos e relembramos, há uma inocência que é sempre quente, chamada nostalgia Expiramos e libertamos, há uma certeza sempre presente: vamos ao outro dia ![]()
Para um fim de tarde maluco...
Está errado? Então vamos! Vamos correr o nosso passo Pelos caminhos maus Vamos fazer esgares E votos de raiva Atentar contra a moral E descarregar a fúria Como uma onda imensa Sobre uma praia tranquila Como um choque brutal Entre o camião e a menina ![]()
Não é que eu goste de ter razão.
Mas, de facto... Enfim, depois as pessoas engolem as palavras que disseram... Ou (no caso das mais teimosas) restam palavras perdidas, que o vento, habituado já a estas coisas, leva... ![]()
FORMIGUEIRO
Senti um formigueiro na pele... Rios de formigas responderam ao meu pedido. Vieram assaltar os restos de angústia. Obrigada amiguinhas. Apareçam sempre... ![]()
DE PAU FEITO NO 50
Contexto: Autocarro nº 50 rumo "Oriente", completamente cheio. "Uma gaja enfia as nádegas proeminentes no 'enchumaço'. Assenta a parte curva das nádegas no 'coiso'. O autocarro anda para a frente e para trás. Entre o empurra e o aperta uma pessoa fica de 'pau feito' no autocarro. Depois disse-lhe 'Com licença'." por L.N. ![]()
XIXI
Hoje sonhei que fazia parte do concurso: "Quem faz o xixi maior e com mais acrobacias" O outro concorrente era um rapazinho de 7 anos. Adorei! Lembro-me que estive a fazer xixi acrobático, de voos muiiiito altos, durante uma hora! E não fiz xixi na cama!!! ![]()
MILHARES DE BORBOLETAS!
Há borboletas por todo o lado!!! Dentro de mim, à minha volta, em todas as partículas das aragens frescas deste dia radioso!!! ![]()
[...]
De luz é o dia se o vivermos além À frente da translucidez da íris Afastados, pois, dos contornos certos das formas Corpos, objectos, até ideias Desvanecidos em miopia onírica E erguidos, todos, em uma só luz Pois só da luz se parte à escuridão E só na escuridão serve a luz A existência Assim é certo o caminho Da escuridão invisível do mundo atrás da nuca À muita lucidez da visão sublime Que olha já o futuro condensado Mesmo na multiplicidade presente Morando vária Quinta-feira, Agosto 21, 2003
AQUECIMENTO FOLHAL
Ontem dormi mesmo na Floresta e ela foi muito simpática, arranjou-me um lençol de folhas com aquecimento. É que eu sou muito friorenta... ![]()
COMPANHEIROS DE BLOG
Vou contar-vos um pequeno segredo: nem sempre escrevo sozinha aqui no blog, às vezes estou muito bem acompanhada... ![]()
I am the Cheshire Cat
and these are The Words of the Reconstruction Be joyful! Let your breath take your breast and inspire the new days! Look at the world without time or space, just will Search and grab the little things that live in the shores of the hours That make you question the future and hasten the present! Build and dream, as brothers they are And go through your thoughts like through a stream Of clear water, a path of unknown yet certain happiness Embrace your loved ones with words and wisdom And with the touch of a hand, let your soul drive your body And find the soul within the voices and the visions of the waking life That that lies, horizon, as promisse that you have to fullfil And always remember yourself like the one feeling and building Like the one within the embrace of the others and the world Peaceful reconstruction will come. As energy, deepness and infinity And Serendipity. Live it! To you...all
À mesa...aqui como Aí, Desse Lado
Deuses à volta da mesa do café, metido em conversas de adolescentes. Aí Eles são mais Verdade do que num templo qualquer. Deus aí é uma passagem, uma recolha e um esquecimento e as conversas são belas por isso, e eu amo-as. Sei-me perdido nisto e por isto. Contente por me poder esquecer de mim no caos criador das vozes que ouço, em significados que uno tão cabalisticamente que sou eu um profeta de um novo Mistério, sorrindo ao timbre de novas profecias reveladas. No lugar de culto escondido em café, venero as missas das dez e tal e idolatro eucaristias da mesa-altar que me ladeia, recebendo angústias, incertezas, banalidades como dogmas desta religião. Pentagrama afixado na discussão para alvo das ideias que passam: pederastas, magia em túnicas brancas, druidas na mata fingindo dança. Cai este ídolo ao fim do ritual como simples dia que cessa. Pentagrama que cai, rave que surge, sons e trips à mistura. O duro da vida aí se cura, corpos vibrando em loucura, misticismo delirante em lugar santo, onde expressão de fé é viagem e não o pranto. Estou exaurido por esta devoção, encanto espiritual que me esgotou, um religar novo em dispersão que não sabe se algum deus criou. Está nisso o sublime de não importar, aqui fé é só estar. Sem consciência disso, sem ser nem pensar.
SENTIMENTO-BOMBA
Deve-se ter muito cuidado com o sentimento-bomba. A maior parte das vezes explode-nos na cara, provocando estragos consideráveis. Os seus estilhaços penetram por todo o corpo... ![]()
RESQUÍCIOS
Não sinto verdadeiramente dor. Sinto resquícios da dor passada. O que provoca, de tempos a tempos, alguma angústia latejante. ![]()
Acreditar
Há um caminho da terra e da luz, vago, abrindo os contornos do ombro a um olhar de pássaro. Estrada imensa, enevoada de fogo soturno, raivoso de sangue e de seara como uma criança chorando. No passo desse caminho começam a surgir as perguntas líquidas à língua seca de vertigens e fúrias. À míngua de paz, pergunta-se de fome e de frio o gume da saudade, o fio da vontade, a espora do sonho. Todas as perguntas da estrada que pulsa são eivadas de substância, de matéria. Apenas se buscam as vestes inumanas da mais perene alegria que como algas de pó se fixam aos poros e como estrelas nascendo sejam sempre tudo aquilo que nos acompanha e protege como enormes veias de linfa, sangue e vinho onde possa correr a existência sem derrames nem perdição. Mas nada disto o caminho nos diz ou mostra. O seu brilho fúlgido cega o futuro longínquo e só resta dele o sonho que em cliché se alimenta a custo, apascentado ao longo dos dias e das canções. Não há vozes aqui neste caminho de nudez, só um princípio de corpo que aprende, escuta e treme, flébil. Febril, no entanto, por dentro, como castelos a ruir de fogo, de deslumbre e de fome. A fome está sempre presente. Desde o vislumbre do ombro no princípio, ao fim que só os corais sabem e deixam brilhar. Baixemos ao peito, no percurso do caminho, vindos do ponto anterior do ombro, deserto terminal. Antecipemos rumores urbanos, de sol e de fadiga, ao chegar ao sopé dos seios, essa margem do desejo, essa fronteira do visível e do erótico. A ave que se transforma de adolescência e maternidade em pureza ardente e felina ¿ todos os seios são Fénix ¿ ou em insídia-serpente com alma de elfa dos rios. Há mais luz neste lugar supremo e a mão sente-se cometa. Apetece perguntar o que é o instinto senão o impulso do tacto. Agarro por trás o caminho e fecho as minhas mãos sobre os seios surpresos dos ombros. Há uma lembrança latejante do lugar onde começou a viagem e a minha face abre-se ao abocanhante desconhecido. Uma romã desenha-se na minha boca e todo vermelho me torno, de sumo e de sangue, de violência e de sexo. Esquece-se o caminho de mim e eu dele pois estamos um no outro e não há como esquecer o que mora em nós, por muito tempo. Não há como viajar no caminho carmim do líquido criador, pousado num relógio de cristal e assim se banhando a lua, em tempo, em compassos de tempo e minutos. Voo do peito e retorno ao passo do caminho escuro. A minha mão ficou na vulva observante e escanchada. Danço por ela. E no meu passo haverá sempre essa dança. Já o disse e repito: beijem-se muito! Quarta-feira, Agosto 20, 2003
CALDO
O caldo às vezes parece que vai entornar. Houve alturas em que entornou "forte e feio". Não foi bonito de se ver. Não foi não. Então de limpar... Cheira-me que ainda vai voltar a entornar. O meu faro engana-se poucas vezes... ![]()
Este quadro chama-se Eternal Game...
"There is a voice inside of us that always knows what is right and what is wrong. Sometimes we call it 'the voice of doubt', or 'the gut feeling', or our will... I see it as a mythical bird Sirin - beautiful, wise and sad. Throughout our life we try to fight it, ignore it, explain to ourselves rationally that it just cannot be right. And we are playing this eternal game inside our minds till the end without victory."
PALAVRAS
canto as palavras dos campos: zumbidos de navios que atracam para repousar em areais entornados nas águas e logo partem sedentos de espaços de luz palavras feitas de prados em crescimento, de força madeira e textura solar acompanhadas por um vento leve que sopra os quadrantes das viagens palavras com cheiro a especiarias exóticas que apalpam a pele em gestação ah, diz-me mais: narra-me os sons, a cor, os segredos da terra em convulsão palavras que são flores dançarinas abrindo-se para o mundo em carícias de preciosos néctares palavras de risos que os campos cantam comigo ![]()
CARA
Tenho uma coisa para te recordar... Cinco anos e a bela expressão "Realmente!" Era só isso. Cumprimentos. ![]()
"Poucos foram aqueles que souberam
conviver com o seu próprio inferno" (Al Berto) Aqui vai um belo quadro de Hieronymus Bosch ligado à temática infernal: ![]()
RECEITA POSSÍVEL
Gostava que este mau-estar específico passasse mas concluo que não há muito a fazer. É daquelas coisas que "faz parte". Já sei como são estas coisas, não é... Dar-lhes alguma liberdade, apenas alguma, e não deixá-las tomarem o controlo. É a receita possível! ![]()
QUARTA FEIRA
Manhã: o tempo está ensonado mas tem de acordar porque há coisas a realizar... Tarde: e não é que acordou muito bem disposto! ![]()
A FERIDA
"Na origem da beleza está unicamente a ferida, singular, diferente para cada qual, escondida ou visível, que todos os homens guardam dentro de si..." (Jean Genet) ![]()
BRILHO FERIDO
Tantas mudanças nas veias Vêem-se à flor da pele A pele tem uma cor estranha Está prensada com demasiadas perguntas Que assombram o espírito Tenta-se uma reordenação das prioridades... Vou olhando os outros Numa busca sedenta Conseguirei de volta A partilha de ruas cheias? Porque o corpo continua vazio E apenas rondam rumores Apenas rumores... Como explicar-vos a tipografia da dor Os seus escritos continuados: As estações abandonadas As esperas molhadas A vida nas fronteiras... Eu lembro-me e pouco me tranquiliza Serem já apenas ruídos Há zonas inacessíveis E não consigo ter paz Porque é necessária A iluminação dos murais? Aqui dentro o brilho continua ferido ![]() Terça-feira, Agosto 19, 2003
CARA
Isto de ser tua co-pilota tem muito que se lhe diga. Demasiados altos e baixos, cara! Turbulência a dar com um pau! Mas aguenta-se, que remédio... Enfim, muita animação, muita animação!!! ![]()
ROMÃ
Romã doirada pelo sol alto Amadurecida pelo curso do tempo Guardava segredos nos seus caroços em hibernação Abre-se em pétalas rasgando o tecido Sente-se o palpitar já fora dela Transborda em feixes desenhados na terra ![]()
CHEIRO A LIBERDADE
Yes I am mother nature's son and I'm the only one I do what I want and I want what I see huh, could only happen to me I'm so free I'm so free Oh, please, Saint Germaine I have come this way Do you remember the shape I was in I had horns that bent I'm so free I'm so free Do you remember the silver walks you used to shiver and I used to talk Then we went down to Times Square and ever since I've been hanging around there I'm so free I'm so free Yes I am mother nature's son and I'm the only one I do what I want and I want what I see could only happen to me I'm so free I'm so free Oh, oh, oh, I'm so free oh, oh, oh, I'm so free Oh, oh, oh, I'm so free early in the morning, I'm so free Late in the evening, I'm so free yeah, yeah, yeah, I'm so free When I feel good, I'm so free when it's in the morning, I'm so free When it's in the evening, I'm so free I'm so free, I'm so free I'm so free, I'm so free feel so good, now, I'm so free Oh, oh, oh, I'm so free yeah, yeah, yeah, I'm so free Oh, oh, oh, I'm so free feel so good, now, I'm so free Feel little nice, I'm so free feel little down, now, I'm so free You're so free, I'm so free I'm so free, I'm so free I'm so free, I'm so free I'm so free, I'm so free (Lou Reed, "I'm so free") ![]()
Ditado: "O Lago das Gaivotas"
Sentada na gaivota nº 17 dou aos pedais enquanto observo os patos e os seus rituais de acasalamento e alimentação. São simpáticos estes patos, bem alimentados e sorridentes! A gaivota voa depressa sobre a água, seguindo os movimentos encantados dos meus pés. À minha frente montanhas vestidas de verde iluminam centenas de penas que bóiam na água esverdeada do Lago das Gaivotas. Fim
Vem cá ter...
Olha Sérgio, tás connosco tás com.... connosco. E nós vamos cuidar de ti. Quanto ao resto, deixa, eu já contei tudo à Rainha de Copas e ela fará justiça. Vá, vem cá ter e bebemos um chá para sempre Abraço
In memoriam
TERÇA FEIRA
O tempo estará esplendoroso até ao final do dia! Amanhã não faço a mínima ideia... A tipa que costuma fazer umas previsões mais acertadas está de férias... ![]()
Um projecto experimental
Hoje estou para confissões...deve ser da teína concentrada neste chá mate gelado. Ó Ratinho Campestre pisga-te a ir buscar mais água para embebedarmos este chá de temperança que se não ficamos com as barrigas às voltas....dizia eu, hoje estou para confissões...eis o que vos quero dizer: O País das Maravilhas é um projecto experimental. Aqui quer transcender-se a pessoalidade, que é como quem diz a personalidade, que é como quem diz a mascaralidade. Máscara do quê, perguntarão. Eu, respondo, muito obrigado: da alma. A alma é chata para Duquesa mas depois de conhecida é um portento. Nem a Lagarta Catrapila nem Gaiteiros às Portas da Aurora se lhe comparam. A alma é uma espécie de vento, que é uma espécie de farol, que é uma espécie de voz de luz, que é uma espécie de plim. Isso mesmo, plim. Quando penso na alma vem-me muitas vezes o plim à cabeça. Melhor diria que quando a alma pensa em mim eu lembro-me de plimbar. A alma é um grande plim, um plim dirigido, um plim sereno. Para falar a verdade a alma é uma plim. A alma é femino. O eros veio depois. E ele, mesmo assim não é coisa nenhuma. De homens e mulheres, se é que me entendem. Sei que tu entendes Eros. Por aqui estamos constantemente a tentar fugir à chatice da alma: ter corpo. Eu, por exemplo sou Chapeleiro há não sei quanto tempo que nem o tempo ideia faz e antes disso, sei-o de fontes seguras (Ah...um seio de frontes maduras...mas divago) sei de fontes seguras que antes era Papão, ou João Pestana, ou lá o que era. Sei que era de noite e agora sou de dia, para expiar a encarnação mal encarnada (e dormida). Aqui, por isso, andamos sempre de corpos às mãos da alma, dessa plim invisível mas tudo vendo - muito mais que o corpo - e que se vai esgueirando do seu corpo a outros corpos e encontrando-se, pois a plim é muitas e uma só. É uma confusão de plim que nunca percebi. Voltemos a chamar-lhe alma, que eu não quero cá confianças. A alma foi a única que até hoje disse saber a diferença entre um corvo e uma escrivaninha. E isso não é de somenos Aqui no País das Maravilhas damos por isso um corpo mais livre à alma. Não temos cá regras senão as regras por quebrar e as regras de como chegar às regras por arranjar. Às vezes temos tantas regras sem querermos ter regras algumas que damos cabo das regras todas. E é por isso que por aqui há nenhumas regras. Por isso e porque a alma sabe de si. A alma é na verdade a única regra sendo que como não gosta de regras se esqueceu de si mesma. Pelo menos dessa parte. Por isso dizemos que aqui somos todos loucos. Pois claro! Não há cá manias de sermos assim ou assados, de fazermos isto por aquilo ou aqueloutro. Aqui guia-nos a alma. Vemos mais longe, é verdade, mas não dizemos a ninguém. Perguntamos, só que perguntamos de outra forma. Mas entendemo-nos. Ainda me lembro que ontem, mesmo antes de lavar os dentes me virei para a Lebre e lhe perguntei: viste por aí o relógio de dar corda aos sapatos? amanhã tenho de ir a horas a rainha de copas... Ao que a Lebre me respondeu: no outro dia ocorreu-me que é infinitamente mais pequena a maior das verdades do que um sorriso a meio. Exacto!
Plim!
Mas na verdade...
Não se chega ao País das Maravilhas. Ou se vive nele ou não. Ver as coisas de uma certa forma é sinal de estarem ou não no País das Maravilhas. Ver as coisas assim, por exemplo: ![]()
Como chegar até nós...
Muitas vezes, quando andei aí por Esse Lado do Espelho, ouvi perguntar como poderiam chegar ao nosso País. Pedi sempre que falassem com esta menina: ![]()
O NASCER DA SEXUALIDADE
"Espero que estejas viva com este calor quase insuportável ou que por entre as grutas esteja mais agradável." por ... ![]()
UMA IDA AO OTORRINOetc.
"A minha vida não está desestruturada. Está é estruturada de outra manera. Está menos composta. Agora já respiro. Respiro pelo nariz e pela boca. Antes era só pela boca." por A.S. ![]()
PARANOIA
"Paranoia... Going to collapse into a black hole Please don't do that Paranoia Paranoia da de da da da" (Bauhaus, "Paranoia") ![]() Segunda-feira, Agosto 18, 2003
Cheira-me que isto não vai correr nada bem!
Mas tem de correr. Porque as horas fazem dias e o tempo avança. Já conheço o guião. Há-de acontecer como previ. Até a minha explosão! ![]()
Saudade de tamanho ardente
de mãos e sóis Um passo para onde? Os restos das feridas consumidas pela passagem lenta do tempo Um passo para onde? Há algo que não vejo debaixo do manto que se constrói sólido Um passo para onde? Há passos que se fecham... A meio das escadas abre-se um mundo de degraus Vou buscar a luz no fundo escuro das pupilas Frente a mim degraus e degraus e colinas no esquecimento ![]()
SOMBRAS E CORVOS
Isto é ridículo. Mas tenho de te dar os parabéns. Não percebo é qual é a utilidade disto. Menos 5 de utilidade = Aborrecimento corrosivo. ![]()
FURADORAS
É incrível o que umas palavrinhas, que actuam como o ditado "água mole em pedra dura...", podem fazer. São as palavrinhas que furam ou é a pedra que afinal é mole? Estas questões e outras de igual importância serão debatidas no décimo quarto minuto do terceiro sonho de hoje à noite, entre as 5 e as 6 da manhã. Estejam atentos... ![]()
SEGUNDA FEIRA
Já no fim de semana se fazia sentir esta frente obsessiva por todo o continente. Neste dia gelatinoso a frente continua activa e não é possível prever quando irá para outras bandas. ![]()
Dánae...
...um dia ainda hei-de ser a tua chuva de ouro...quando me transmutar, por um espelho outro, em deus dos teus poros.
por agora, dorme, enquanto embalo os teus sonhos...em elipses serenas de loucura morna
EM TONS LARANJA
"Burning my bridges And smashing my mirrors Turning to see if you're cowardly Burning the witches with mother religious You'll strike the matches and shower me In water games Washing the rocks below Taught and tamed In time with tear flow" (Echo & the Bunnymen, "Seven Seas") ![]()
CABEÇA DE VENTO
Hoje queria ser uma coisa destas. Acho que ia bem com o meu estado de espírito. Estou para aqui a ouvir o novo albúm de Tindersticks e a fingir que trabalho. Até estou a trabalhar um bocadinho... ![]() Domingo, Agosto 17, 2003
Acho que preciso mesmo de ir dormir.
Aqui vai uma imagem simpática para animar um pouco o ambiente... O gato voador ![]()
A CAIXA
Há uma caixa. Estou dentro dela. É uma espécie de castigo. Porquê? Vai-se lá saber. Interessa? Alguma vez vai existir uma resposta coerente? Dá um certo jeito haver alguma coerêcia. Digo eu... Acabaram de me informar que há uma janela algures. Já me tinha esquecido dessas coisas chamadas janelas... Mas tenho uma questão: "Não dará a janela para outra caixa?" ![]()
Tenho "isto" à minha frente e não faço a mínima ideia onde vai dar...
Eu sei que não somos supostos fazer, mas umas "luzinhas" davam um certo jeito... Para iluminar um pouco "a coisa"... Também estou cheia de sono e com dores de cabeça, portanto é normal que me apeteça começar a atrofiar com este tipo de "atrofios"... Faz parte... (Enfim, pelo menos a fotografia é muito bonita...) ![]()
Tenho uma certa tendência para me perder...
Não no espaço mas na geografia emocionalomental . Mapas? Parecem-me desactualizados. Será verdade? E o faro? Lá vai dizendo umas coisas... Sabe-se lá! ![]()
Venham daí
Hoje prepararei um maravilhoso chá mate gelado. Está óptimo e estão todos convidados. Atravessem o espelho e venham cá ter...
...é pena não se ver o chapéu todo, é bonito.
SONHOS DE LUZ
"I met myself in a dream And I just wanna tell you - everything was alright I'm beginning to see the light" (Velvet Underground, "Beginning to See the Light") ![]()
Aos companheiros de viagem,
Cantem comigo uma bela canção: Atirei o pau ao pato-to-to e o pato-to-to voou bem alto-to-to! (foi obviamente sem querer, era para acertar um pouco atrás, mas foi um belo voo, lá isso foi!!!) ![]()
FOGUEIRAS HUMANAS
Há pessoas, ainda bem que são poucas, que têm uma capacidade ilimitada de me irritarem, sou capaz de jurar que o sangue ferve! São fogueiras acesas nas noites mais quentes de Verão. Ainda tenho algumas queimaduras, umas antigas e outras mais recentes! Porque é que não vão para o Pólo Norte e arredores, lá serão decerto mais úteis... ![]() Sábado, Agosto 16, 2003
AMORAR
Quase nada se compara a encharcarmo-nos de amoras silvestres apanhadas por nós próprios. Vale cada arranhão e cada gota de sangue derramada... ![]()
REGRESSAR
Quis-me de volta Não podia perder-me a meio do voo Ver as asas encerrarem-se lentamente na escuridão Saí à rua à procura da flor da quietude Saí à rua e pronunciei esse acto em voz clamorosa Já não tinha os músculos incrustados Desse tempo encardido Que só fazia rombos na pele alva Primeiro veio a perplexidade De seguida os aguaceiros constantes Que sufocaram a terra onde nasci Os dias eram navalhas clandestinas Que sangravam o corpo a noite inteira Ó flor preciosa, vales mil dias de revolta insane! Avançar, dizias... Para caminho nenhum Porque a pele estava cheia de infiltrações E não se movia Como acender as asas do vento e regressar até mim? Tudo era inverso ao que sou Não queria usar mais o vestido de noite interior Queria ser torrada pelo sol E levantar-me do tumulto do ser apenas só No conteúdo dos dias Quando o sonoro é oco E só se comunica nas distantes linha telefónicas A caligrafia retraí-se e vem desmaiada O levantar...nunca foi fácil... O recolher da revolta As mãos que tomei de alguém que não tornei a ver E avancei, um avançar incendiário... Saí à rua em chamas E quis encher-me de mundo! ![]()
HISTÓRIAS HOSPITALARES
Um tipo bêbado aparece com a mão cortada nas urgências, tinha partido um copo na própria mão. Era um jovem emigrante francês de 2ª geração. Vinha acompanhado por outro, igualmente bêbado, que estava a ser extremamente malcriado com as enfermeiras e não estava a ajudar em nada no tratamento do primeiro. Ia dizendo em francês "merda de país". Talvez tivesse razão, num hospital de Paris, já teria levado um murro do segurança do hospital... (sem direito a tratamento) ![]()
UM DESABAFO
As Gastrenterites não são nossas amigas, especialmente quando nos lixam as míseras mini-férias que temos!!! ![]() Sexta-feira, Agosto 15, 2003
O Azul e o Amor
Uma cor para o amor? A do mar. E qual é a cor do mar? É a cor d'amar. Assim se resolvem quaisquer dúvidas que pudessem ter sido levantadas entre mim e o meu estimado duende. Bem diz o Louco do Franco Alexandre que estamos sempre em luta com o duende.... uma luta inspiradora e bondosa, por sinal... Quarta-feira, Agosto 13, 2003
THE SOFT PARADE
"the soft parade has now begun listen to the engines hum people out to have some fun a cobra on my left leopard on my right, yeah" ![]()
Louco, mas com classe!
Devo dizer-vos minhas loucas amigas e meus loucos amigos que há mais maluquices que malucos. Mas a maluquice tem vários matizes ao contrário da normalidade que tende para a homogeneidade que tende para....bem, basicamente não tende para nada! AHHAHAHAAH. Como dizia a loucura, a irracionalidade, a insanidade, a maluquice, a demência são tudo vestes várias desse Outro caminho que trilhamos, umas vezes mais mapeados outras mais desabrigados. Um dia hei-de falar-vos destas mesclas de alteridade arrojada. Por agora, acreditem em mim, aquele de que vos vou falar é louco. O louco é um ser superior dentro do universo da irracionalidade. É verdade que é um pouco sério mas contém em si um humor negro que por muitos é apreciado. Enfim, não é definitivamente uma loucura leve. O louco é pesado e, por isso mesmo, tem de encontrar formas extensas para se explanar. Tudo isto porque Mr. Alfred Hitchcock (nada de piadas ordinárias) faz hoje 104 anos. Parabéns para ti, parabéns para ti, parabéns para ti, parabéns para ti...lá...lá...lá. Este louco, aparentemente contido, raiou por vezes a insanidade (mas aí há alguma perda de inteligência) mas nunca foi só um maluco, como eu. Grande Senhor, sim senhor... ![]()
Ah....os Stranglers
Foi a Lebre que me trouxe a música...lembro-me de colocar o vynil na velha grafonola e perceber logo que só podia ser sobre mim...."he's mad he's mad" Ahahahah... O mais interessante é que só nos vimos uma vez, aliás como eles mesmo explicam na canção com o meu nome, The Mad Hatter. Eu tinha ido entregar um chapéu à Duquesa, lembras-te Chesh? e quando regressei eles estavam cá todos. Muito negros e punks, mas uns rapazes simpáticos. Eu, claro, entrei comigo mesmo e comecei a animar Esta Louca Festa de Chá. Parece que os rapazes gostaram e quando saiu o álbum Aural Sculpture, lá estava a nossa tarde retratada com o meu nome por título! Curiosamente eles já antes tinham conhecido a Duquesa...o que explica algum mau génio dos meninos...a qual também lhes inspirou uma música homónima. Fiquei com saudades de ouvir os Stranglers....venham daí à Louca Festa de Chá, vou por Stranglers na grafonola! ![]()
O deserto somos nós...
Cada grão de areia reles, cada brisa infernal, cada oásis fechado para obras... (Lá passa um camelo de vez em quando...) ![]()
I am the Cheshire Cat
and do you remember this Hatter? "He's mad he's mad He's mad he's mad You may have read the book You might have seen the film But I've seen it with my eyes Was it tweedle-dum? Was it tweedle-dee? But Isaw through his disguise There was a Cheshire cat next to a water rat And a JuJu awful wise We were sat to eat now was it trick or treat? We were in for a surprise Here comes the Mad Hatter Here comes the Mad Hatter Here comes the Mad Hatter He doesn't need a hat He's not crazy eves And he rolls them round the group He's got stories tall and a winning smile As he then surveys his troups Then he'll about a lot of things In a song you've never heard But it sounds so sweet He gets up on his feet And he's looking for the word Here comes the Mad Hatter Here comes the Mad Hatter Here comes the Mad Hatter Mad as the Mad Hatter Mad as the Mad Hatter Mad as the Mad Hatter It went on oh quite late as I went through the gate And I began my journey back I was glad to know that I'd seen the show That I'd found a happy jack Because they're getting rare, we never get our share Seem to be a dying breed But they're so much fun Laughter's on the run As the Hatter plants the seed Here comes the Mad Hatter Here comes the Mad Hatter Here comes the Mad Hatter Mad as the Mad Hatter Mad as the Mad Hatter Mad as the Mad Hatter"
MONTANHAS DE COISAS
montanhas de coisas em rodopio ando em círculos, quadrados em qualquer formato em estradas sem alcatrão deixo os meus passos flutuantes subo cercas e arrombo celeiros trigo, centeio, devoro alimentos semeio mais passos pelos quintais do mundo sentes trepidar? montanhas de coisas em carrossel puxam-me cospem-me em voos contínuos ![]()
UMA HISTÓRIA DE BEJECAS
O dia não estava a correr bem, estava muito calor, de maneira que resolvi entrar num café de esquina e pedir algo ao tipo que estava a servir: "Dê-me uma bejeca, por favor!"
Ao fim de umas quantas bejecas já não tinha muita vontade de me levantar da confortável cadeira da esplanada. Mas faltava qualquer coisa...
Comecei a olhar em redor e vi um daqueles homens que não passam despercebidos... Dei-lhe um bocado de conversa e lá se sentou a beber uma bejeca comigo. Agora sim, o dia estava a correr bem! ![]()
PEGADAS NAS RUAS
Informa-se que na zona Sul do Bairro das Pegadas as ruas que há alguns meses atrás se encontravam bloqueadas estão novamente livres para a circulação de bens e pessoas... ![]()
Há pessoas que passam pela nossa vida e dizem:
- "Estou só de passagem" Há umas a quem pedimos: - "Fica mais um pouco..." E outras a quem dizemos: - "Despacha-te!" É importante identificá-las com rapidez para, no caso das últimas, não puderem fazer muitos estragos... ![]()
União
E eu confio no Escher, pois era um grande maluco. Chamou-lhe "Bond of Union...ainda vos falarei do Escher um dia...
Desaparecido em combate (outro tipo de combate)
O que é que falta aqui para eu vos poder contar uma história? Temos um castelo, uma princesa, um dragão...
O que vocês não sabem é que a princesa sabe desenvencilhar-se muito bem sozinha e o cavaleiro andante está em casa a preparar um bacalhau que é um primor (modéstia à parte, fui eu que lhe ensinei - uma receita de verão: bacalhau com natas frescas e morangos...) De qualquer modo se houver problemas o unicórnio resolve...
A nossa canção
"Twinkle, twinkle, little bat! How I wonder what you're at!" "Up above the world you fly, Like a tea-tray in the sky. Twinkle, twinkle--"' ![]()
Dormouse
Hoje decidi trazer à mesa, mas com voz, o nosso amigo Ratinho sempre tão gozado pela Lebre (claro que a Lebre dirá que sou eu que me estou sempre a meter com ele mas a Lebre é completamente louca, por isso...). O Ratinho, coitado, está connosco há tanto tempo e eu raramente falo dele. Na verdade é bastante simpático e não fosse ser completamente teinómano seria um companheiro simpático. Foi o vício que deu cabo dele... tentámos ajudá-lo mas não há esperança: à vista de um cházinho lá vai ele. Aliás, a Louca Festa de Chá ainda hoje se mantém como forma de darmos algum conforto ao pobre do Ratinho, que sem as nossas chazadas não teria ninguém que o ajudasse. Ainda me lembro de um dia....lembras-te desta Lebre? em que o tivemos de salvar de se afogar no bule...acho que tenho para aqui a velha fotografia... Parece mesmo que o estamos a empurrar lá para dentro mas na verdade estávamos a tirá-lo! Ah...o bom do Ratinho....só neste País...
Ó Ratinho...canta aí a nossa canção... "Here the Dormouse shook itself, and began singing in its sleep `Twinkle, twinkle, twinkle, twinkle--' and went on so long that they had to pinch it to make it stop" deixa estar eu canto...
NO REINO DAS INUNDAÇÕES
Queres mesmo abrir a torneira? Vê lá não te afogues! Até eu tenho medo de a abrir e ela está no meu lavatório... É melhor chamar um especialista, sei que há muito poucos mas ninguém quer inundações impossíveis de controlar, não é?!? ![]()
Estações
as minhas preferidas são o Outono e a Primavera, depois o Inverno. Resta o Verão que cá vamos bebendo a chávenas de chá e muita bonomia! ![]()
Aurora
É para esta menina que o meu amigo Gaiteiro toca.... Na verdade, para esta e para todas...o meu amigo Gaiteiro, suspeito, sabe a diferença entre uma escrivaninha e um corvo... ![]()
Novo serviço de chá
Resolvi fazer uma surpresa aos meus convivas aqui Deste Lado do Espelho e remodelei esta Louca Festa de Chá... Desejo-a ainda mais refrescante! Apareçam... ![]()
Na mão tinhas uma maçã, Ariadne...
Já saberias o que esperavas? Foi Teseu que te deixou em Naxos Mas não chores por ele, Ariadne Foi o Deus que lhe pediu, Outros são os teus fados. Com essa maçã na mão, Ariadne Só podes esperar o Deus Cheio de púrpuras e perfumes Cheio de uma vontade louca de ti Trinca essa maçã, Ariadne Perceberás E eis que chega Diónisos Aí estão suas panteras Eis que chega o Deus louco Para te enlaçar eternamente E de heras e vinhas se habitarem Em amor inebriante, Ariadne ![]()
HÁ FESTA NA FLORESTA!
Podem levantar o convite na toca nº 6. É obrigatório levar pelo menos uma peça de Alegria e Risos! Por favor não arranquem as folhas das árvores. As árvores são nossas amigas! Podem dar de comer a todos os animais, mas certifiquem-se que a comida não contém corantes. Não excitem muito os pássaros, senão de noite ninguém dorme. Obrigada e divirtam-se muito! ![]()
DEAMBULAÇÕES NA BANHEIRA
A banheira espera-me com a sua água purificadora derrama em mim a água de ontem presa à força nos canos Ah, falta-lhe sal!
![]() Terça-feira, Agosto 12, 2003
Primmmmmmmmmmmmmmmmmm...
Sobrou um pato... (Informação de última hora: tinha comido ao almoço um prato cheio de azeite e o vinagre não conseguiu actuar com a eficácia normal. O pato foi atendido nas urgências há cerca de uma hora e encontra-se bem de saúde, está apenas um pouco cansado e com azia. Aguardam-se novos desenvolvimentos do caso) ![]()
PATO AU VINAGRE
Demonstração da ambiguidade contida nos provérbios: - Não se caça moscas com vinagre mas patos sim! ![]()
PROVÉRBIO DO DIA
Em homenagem a essa grande história infantil cheia de lições de vida: Quem semeia patinhos feios Colhe cisnes ![]()
TERÇA FEIRA
(perdoem o atraso, mas a previsão para hoje estava com algumas complicações motivadas por uma pequena indisposição fora de época) De manhã neblina matinal e aguaceiros fracos. Uma chatice. De tarde um pouco de paciência e lá vem o sol radioso! ![]()
Amigos comuns
Eu e o Syd.... sim, porque nas décadas que passei aí por fora, não conheci apenas o Ian...Eu e o Syd, no entanto, a nossa história é diferente: é que ambos temos um estranho amigo comum, O Gaiteiro. Eu e o Syd conhecemo-nos do modo mais normal. Eu estava em Londres, tinha acabado de entregar um chápeu a um duende e estava com ele à conversa num velho recanto nosso conhecido onde o vinho era de confiança. Entra o Syd. A princípio achei estranho pois as curvas do caminho que levavam aquele recanto eram pouco conhecidas, alguma magia era preciso. Mas quando o olhámos nos olhos, Lúbricos, Sorridentes, Dançantes, percebemos como tinha descoberto o caminho. Achei-o parecido comigo (na altura tinha o cabelo comprido) e resolvi chamá-lo à nossa mesa. É engraçado, olhando para trás, reparar que quem lhe chamou a atenção foi o duende. O Syd fitou-o pasmado e depois desatou a sorrir sorrisos por todo o lado. Mais tarde descobriria com alegria esta história cantada no álbum The Piper at the Gates of Dawn, em The Gnome. Por falar do The Piper at Gates of Dawn (um dia hei-de escrever sobre o álbum ele mesmo, noutro sítio) foi ele que nos juntou e que originou o álbum com o mesmo nome. Estávamos à conversa, já em horas doces da madrugada, sem grande interesse até então, quando o Syd começa a trautear uma música que dizia estar a ouvir. Nós não ouvíamos nada... mas, depois, percebi: "Se calhar estás a ouvir o Gaiteiro, afinal, estamos quase às portas da Aurora". O Syd olhou para mim, esgazeado: "Também o ouves?" Se o ouço? Eu conheço-o". E pronto, the rest as they say is history. Dois dias depois apresentava-lhe o meu velho amigo Gaiteiro. Ainda vi o Syd várias vezes depois disso, aí Desse Lado do Espelho e algumas vezes no meu País. Só me falava do Piper. Conversávamos horas e horas sobre ele e os amigos. A minha loucura fazia parte da família dionísiaca enquanto que o Syd claramente se revia no pânico. Todos sabíamos, por essa altura, porquê. A mesma razão por que tantas vezes o vi no meu País e no Sítio do Pica-pau Amarelo e noutros mundos que calcorreava. Ele também alucinava como quem estava são. Como nós aqui. Grande Syd! Até que um dia, lembro-me como se fosse o chá das cinco, O Gaiteiro cruzou-se comigo num caminho qualquer da Europa mais funda (eu ia de regresso a casa) e disse-me: "Vem daí, vamos aurorar". E quando estávamos os dois num cabo do mundo, aparece o Syd, ele sorri e ficamos os três a ouvi-lo horas, anunciar um novo dia. Nunca vira nenhum ser humano transfigurar-se de tantas emoções como vi nesse dia o Syd sentir-se. Vi nele quase tudo o que de humano se pode ser, da alegria extática à mais melacólica tristeza, até aos olhares perdidos, eis como o vi nesse dia. Alguns meses depois chegava o resultado: o Gaiteiro tinha-se tornado um álbum da banda do Syd, uns tais de Pink Floyd. Até hoje nos rimos, eu e o Gaiteiro, com aquele maluco. E muitas vezes estamos com ele, lá onde está. Ainda ontem, ouvimos o Interstellar Overdrive a comer gelado de Earl Grey. E o Syd a rir como um miúdo e o Gaiteiro a tocar. E eu, louco de alegria.
E QUANDO...
E quando só resta metade do dia Que começou com as cinzas do dia anterior E quando os bancos dos jardins Estão carregados de neve traiçoeira Que arrefece os lábios de sombras Inundando o ar de silêncio excessivo Rumo à imobilidade glacial ![]()
PESCADORA
Serei pescadora dos sons-vento que emanam da terra morna Serei pescadora da pele-transparência onde brilham as palavras ![]()
AGASALHO
um gesto lento que se estende e perdura o diluir do silêncio e o acalmar da fúria - a proximidade da ternura ![]()
ALGUMAS MEMÓRIAS: O EMBATE
O peso das memórias sobre o dia Perturba a aparente pacificação das raízes Ficou tanto por cantar A deterioração, as cerimónias fúnebres Hoje assisto a mais uma Têm morrido muitos pássaros nos últimos anos O azul tem ardido Tem sido reduzido a pequenas dunas E a meia dúzia de barcos Queria falar-te das rochas e dos rios que vi Das palavras velhas Do tempo longo da intranquilidade E dos seus passos bruscos Queria dizer-te que parei a meio do caminho Imaginei que as figueiras e os poços Não seriam saudade nas manhãs seguintes Tive de deixar as mãos em casa Descer os quilómetros inacabados Daquela rua íngreme que esteve sempre escondida Das grandes avenidas Quis vir depressa e desgastar a ausência Quis desenhar a lápis de cor A aventura que nos esperava Mas a água deixou definitivamente de se movimentar Depois o silêncio reinou E as promessas já não eram caminhos seguros Quantas vezes deixei fugir a casa Cercada de feno e frutos de Verão Para voltar a um cenário descampado Feito de movimentos dolorosos Deixei de distinguir o que eras tu E o ritmo ensurdecedor dos ruídos Só me lembro de ouvir algumas vozes vagas Na confusão que se instalou entre a realidade E a secura atroz Lembro-me de muitos textos De vozes acompanhando a minha Nas canções de Desolação e Medo Também vi destruição, assassínios Era portadora de terríveis crimes De gentes pálidas que me davam a mão Essas mãos alcançaram a paciência necessária Para devolver o corpo ao mundo ![]()
I'VE GOT THE NIGHT INSIDE
Houve uma altura em que a noite batia à minha porta todos os dias. Não a deixava entrar mas ela não desistia e tentava entrar pela fechadura. Ao fim de algumas horas estava toda cá dentro! ![]() Segunda-feira, Agosto 11, 2003
INSUPORTÁVEL
Era assim que eu passava os dias: Imóvel, com dores malditas que turvavam todos os minutos e uma vontade cada vez maior de lhes pôr fim através de meios irreversíveis. Nunca tinha pensado no suicídio de forma tão sentida. Acordava a meio da noite aos berros porque queria acabar com tudo, em especial com a terrível tortura da solidão. ![]()
Porque a noite veio imensa,
sonhei dias a fio: na cor abstracta fui pedaços de canções indecifráveis. ![]()
Os olhos estão quase sempre enublados.
Apenas sinto as lagartas comerem-me a pele. O ruído que fazem aumenta o meu desejo de chorar. ![]()
APANHADA
Tenho uma aranha a viver dentro de mim e bocados de vidro debaixo dos pés. Quando me movo para apanhar insectos para a amiga aranha, fico com os pés todos cortados. ![]()
CARA
Comprei uns pensos e um bom desinfectante para ti. A ver se é desta que curas a ferida da mão esquerda. ![]()
GRAVURAS INFILTRADAS
há neste céu desejos ocultos há neste caminho um rumo irrequieto a luz encrespada é demasiada fere os olhos salientes procuro as paisagens lisas de fundo sombra lá visito os bichos escuros que vivem nas ervas do deserto "há penínsulas de flores mais adiante", dizem-te "poças de cores que pintam os olhos e a vida" quando se caminha na procura nunca se perde tudo há sempre areia nas palmas dos pés nas extremidades dos dedos nos cantos da pele possuo uma parte de mim em fogo que acalenta as paisagens onde vivemos irei buscar-te irei ver-te há sempre quintais de instantes de estórias abertas eu sou a flor de ouro que renasce nas primaveras imprevisíveis ![]()
Earl Grey à moda do Verão
No fim dos dias de fazer chapéus há que descansar e como quase todos estão de férias só me restam ideias muito certinhas quando estou sozinho (a loucura funciona melhor em companhia, é dialéctica por natureza...). Ideias como esta (para aproveitar acompanhado): Receita para fazer gelado de Earl Grey Meio litro de leite Uma baunilha 8 saquetas de Earl Grey Três chávenas de açucar 24 gemas de ovo 500g de natas Raspar as sementes de baunilha para um tacho grande. Deitar o leite e uma chávena e meia de açucar e aquecer. Quando estiver bem quente deitar o Earl Grey e deixar repousar por 20 minutos. À parte misturar as gemas com o restante açucar até que aquelas enrijeçam e adquiram um tom pálido. Muito devagar misturar duas chávenas da mistura de leite e a baunilha que se tinha posto de lado. Cozinhar tudo em lume brando até engrossar. Depois passar por um filtro e deixar a arrefecer durante a noite, novamente com as saquetas de chá. Congelar no dia seguinte e já está. Divirtam-se!! Ahahaha. Primpompéum! ![]()
Mostro os corpos
Pois o sentimento energia em torno É invisível no mergulhar dos peitos e dos torsos. Mas sente-se, quando existe, permanece e aí habita Amor. ![]()
SEGUNDA-FEIRA
Céu completamente limpo Mente completamente limpa Ou melhor, algumas impurezas passageiras na parte frontal... Passageiras! ![]()
De Rui Chafes:
E já então eu sabia que vivemos porque outros vivem, só por isso. Porque o que me mostram passa a ser meu: é essa a crua generosidade desta vida desamparada. ![]()
Elucubrações - beta
Aqui Deste Lado regozijamo-nos com as pequenas coisas. Por vezes, a Lebre que o diga, quando ninguém nos está a ver, rimo-nos um dos outros. Rimo-nos sem dizer porquê e cada um está a pensar em algo prazenteiro e feliz. Às vezes, chorámos, mas isso foi um esvaimento da alma sem leito (guardamos as lágrimas na memória para nos navegarmos na sua magia, um dia), o mais das vezes, estamos embarcados em chá e companheiros. E em perguntas sem respostas mas cheias de risos. Uma tarde de chá, pois, ou de praia, areia e futeboladas (eu não, o Gato de Cheshire antes e às vezes o Gaiteiro). Outros tempos é a noite com a luz a refulgir rias ao sabor ensopado de enguias e saber de vinhos verdes por entre as risadas parvas dos convivas. Todos nós temos um mundo inteiro por trás mas queremo-lo tangente com os outros, os dos que amamos, essa forma de ser outro. Queremos, deixamos, permitimos-nos a tantos mundos quantos os que atraímos e nos atraem. E assim nos variamos em gestos ululantes e feixes de cor em volta de um pilar flexível de sonho. À volta dos futuros das horas vamos construir sempre filigranas de risos, dádivas e abraços. Vamos devolver ao Outro o tempo e a presença e esperar que o Outro nos devolva o tempo e a presença. ![]()
TO DIONYSOS
Concerning Dionysos the son of renowned Semele shall I sing; how once he appeared upon the shore of the sea unharvested, on a jutting headland, in form like a man in the bloom of youth, with his beautiful dark hair waving around him, and on his strong shoulders a purple robe. Anon came in sight certain men that were pirates; in a well-wrought ship sailing swiftly on the dark seas: Tyrsenians were they, and Ill Fate was their leader, for they beholding him nodded to each other, and swiftly leaped forth, and hastily seized him, and set him aboard their ship rejoicing in heart, for they deemed that he was the son of kings, the fosterlings of Zeus, and they were minded to bind him with grievous bonds. But him the fetters held not, and the withes fell far from his hands and feet. There sat he smiling with his dark eyes, but the steersman saw it, and spake aloud to his companions: "Fools, what God have ye taken and bound? A strong God is he, our trim ship may not contain him. Surely this is Zeus, or Apollo of the Silver Bow, or Poseidon; for he is nowise like mortal man, but like the Gods who have mansions in Olympus. Nay, come let us instantly release him upon the dark mainland, nor lay ye your hands upon him, lest, being wroth, he rouse against us masterful winds and rushing storm." So spake he, but their captain rebuked him with a hateful word: "Fool, look thou to the wind, and haul up the sail, and grip to all the gear, but this fellow will be for men to meddle with. Methinks he will come to Egypt, or to Cyprus, or to the Hyperboreans, or further far; and at the last he will tell us who his friends are, and concerning his wealth, and his brethren, for the God has delivered him into our hands." So spake he, and let raise the mast and hoist the mainsail, and the wind filled the sail, and they made taut the ropes all round. But anon strange matters appeared to them: first there flowed through all the swift black ship a sweet and fragrant wine, and the ambrosial fragrance arose, and fear fell upon all the mariners that beheld it. And straightaway a vine stretched hither and thither along the sail, hanging with many a cluster, and dark ivy twined round the mast blossoming with flowers, and gracious fruit and garlands grew on all the thole-pins; and they that saw it bade the steersman drive straight to land. Meanwhile within the ship the God changed into the shape of a lion at the bow; and loudly he roared, and in midship he made a shaggy bear: such marvels he showed forth: there stood it raging, and on the deck glared the lion terribly. Then the men fled in terror to the stern, and there stood in fear round the honest pilot. But suddenly sprang forth the lion and seized the captain, and the men all at once leaped overboard into the strong sea, shunning dread doom, and there were changed into dolphins. But the God took pity upon the steersman, and kept him, and gave him all good fortune, and spake, saying, "Be of good courage, Sir, dear art thou to me, and I am Dionysos of the noisy rites whom Cadmeian Semele bare to the love of Zeus." Hail, thou child of beautiful Semele, none that is mindless of thee can fashion sweet minstrelsy. from The Homeric Hymns, trans. Andrew Lang (London, 1899) ![]()
LABAREDAS SOLARES
Fui ao deserto matar a sede voltei de lá com a roupa do próximo Outono e fiz uma vénia ao sol ![]()
CARA
Tenho um recado para ti, de um nosso conhecido: Eu acredito em si! Já a tenho visto actuar! Sei o que vale! ![]()
Elucubrações - alfa
As palavras, o mais das vezes, dançam-me num espaço algures do cérebro imaginado numa espera contínua pela imagens e alegorias que devem explicar. Tentando perceber por que não se sentam essas palavras à mesa do Cosmos, ou mesmo aqui, não encontro outra explicação que a pluralidade do Universo. Desse Lado do Espelho, como aqui, as formas únicas têm mil formas sonhadas e atribuídas pelas vontades e os passos diferentes. Mesmo ao tentar explicar-me perante vós a palavra foge já para a polissemia pois os meus pensamentos são na verdade vários: do que vos estou a tentar falar é da incomunicabilidade do mundo mas, felizmente, da sua desnecessidade, se confiarmos no sentimento. Precisamos a todo o momento de assentar o pé. Para avançarmos, tão-só para passearmos. Para isso, às vezes, nem nos levantamos. Outras corremos, sem pensar nisso. As certezas que temos não são um mal. Mas a que fonte as fomos beber? Estou cada vez mais convicto (vamos lá ver amanhã...), o que é mais fácil - admito - aqui Deste Lado do Espelho, que só o sentimento, às vezes chamado loucura, ou a loucura, às vezes - muitas vezes... - vestida de sentimento, só ela oferece a serenidade profunda à melancolia transfigurada em deslumbre que é o universo plúrimo onde nos criamos. Uf...que grande frase. O sol, ontem pensava nisso, é um sol em toda a parte e queimará em toda a parte (coisas diferentes, eis pluralidade) mas nem a ciência com as suas noções, nem religiões ou morais nos poderão dar a confiança do sol. Nem a loucura do sentimento. Mas a loucura pode levar-nos à tolerância do sol, ou melhor, dos sóis, pois se reconhemos em nós um sol, podemos admitir sóis para cada existência diversa. Nada se resolve, se soluções desejam. Mas podemos ver melhor, o que não quer dizer ver mais certo. Podemos ver mais longe e mais fundo mas a variedade enlouquecedora que estas visões totais do mundo nos trazem podem confundir. Mas, têm a bondade de não nos deixar cair em trincheiras. Sei que não estou a fazer sentido, sou um Chapeleiro Maluco, nada mais. Ontem, antes de me deitar, já sem o meu chapéu, escrevi: Gosto de mergulhar no Outro dos Outros. E na verdade acho que foi isso que sempre quis dizer quando um dia perguntei: Em que são parecidos uma escrivaninha e um corvo? Hei-de vos dizer mais coisas, se me quiserem ouvir. E estou a escutar-vos, num mergulho. ![]()
PASSEIO DE DOMINGO
Fantasio as minhas mãos cheias de areia clara como o horizonte estendendo-se quente no meu peito Desconheço os segredos íntimos do tempo mas vi os peixes rirem-se no passeio de Domingo ![]()
LIVING FOR...
Versão Leonard Cohen ("Famous Blue Raincoat") "I hear that you're building your little house deep in the desert You're living for nothing now, i hope you're keeping some kind of record" Versão Brian Wilson ("Baby let you hair grow long") "There's gotta be somethin' you're livin' for You've got to try a little more I've been waitin' to see that change in you You can do it just the way you used to do" ![]() Domingo, Agosto 10, 2003
Um poema muito belo de José Alberto Oliveira:
VIAGEM Quando se alcança o ponto em que não há regresso, o que se avizinha é tão insondável como o que se deixou - um túnel no coração da máquina, um segredo que se descobre banal, ou não se descobre, entre a resignação e o remorso. ![]()
sorrisos deslumbrados
na folhagem solta: infinidade de luz murmurando a melodia fresca da água nascente ![]()
ELEVAÇÃO
Não quis as lágrimas e prantos que invadiram a ternura de natureza morta Disse coisas nenhumas pois nelas não havia real desejo Lembrei-me de muitas outras viagens remotas longas e de sons vazias Ascendi em bruto da mágoa porque quis liberdade imensa E inventei de novo os instantes que produzem os orvalhos desconhecidos ![]() Sábado, Agosto 09, 2003
Piscis Piscis Viator
"An illustration for The Encyclopedia of imaginary beings by J.L. Borges portrays one of its characters - a fish called Bahamut, a creature so immense that no human being can withstand the overwhelming sight of this beast. All the seas and the oceans put together amount to no more than a tear from its eye. According to an ancient legend, Bahamut was created to serve as a base on which our world was built. In the picture, the whole of humanity is set on an endless journey, contemplating everything passing by, heading in an unknown direction along with the magical Fish."
O Outro em Nós às vezes é bem pesado e temos de andar a carregá-lo horas a fio.
Mas como é um tipo muito educado no final diz "Estou-lhe muito agradecido!" ![]()
NO ENCALÇO DO VERÃO
Já não há voos de mãos dadas. Agora perco-me facilmente nos labirintos e desconfio que a saída é apenas ilusão. As folhagens já não entoam cânticos. Agora apenas oiço as cigarras invocarem o Verão. E para que quero o Verão, sem voos nem cânticos? ![]()
Às vezes sinto que anda por aí uma mão que me quer apanhar.
Uma mão habitada por larvas e noites longas. Será paranóia? ![]() Sexta-feira, Agosto 08, 2003
Este quadro de Doug Anderson chama-se There's No Cure Find A Place For It.
Eu própria não me teria expresso melhor... ![]()
E meter as fuças ao sol,
com um cobertor de areia por baixo! Fosse o mundo uma praia e eu era uma banhista feliz ad eternum. ![]()
VIAGENS SEM MARCAÇÃO 2
Estas viagens dão realmente muitas despesas. Tive também de contratar um guindaste. É necessário reconstruir uns quantos pilares... ![]()
CARA
Tenho a certeza que os banhos serão úteis no teu caso. Já devias saber que o sol vem de longe clarear os horizontes mais obscuros quando é necessário. Não te esqueças de abrir as portadas e as cortinas... ![]()
ACROBATA DOS DIAS
Levanto-me sem direcção, nas curvas faço desvios para paredes com escadas Penduradas no meu olhar vão as linhas que cosem as horas dos tempos mortos Ressuscitam em mim segundos de exaltação primária: apenas um abrir de braços agudo e uma sonoridade grave aos berros pelos campos! ![]()
VIAGENS SEM MARCAÇÃO
Contratei um tractor para limpar os escombros que deixei por aqui a última vez que cá estive. Estas viagens sem marcação às vezes dão nisto... ![]()
quis ser um balão de ar quente
e levantar voo mas a língua do vento não estava de feição e fui expulsa da boca da viagem subitamente caí e descobri que o meu guarda-fato não estava preparado para uma vivência prolongada no solo adverso ![]()
Hoje encontrei o Outro em Nós
Perguntei-lhe apenas "Como vai?" Respondeu apenas "Bem obrigada" Devo dizer que fiquei satisfeita ![]()
como o mundo é belo!
voa por aí como uma noite amena persiste para além da minha memória provoca deslumbre nalguns enquanto vou cuspindo os animais que devo soltar hoje ![]()
De que são feitas as palavras nunca saberemos
São talvez fortes de fogo ou tormenta Talvez Ou de uma água profunda, rotunda, Entorpecente Mas saibamo-las ilusão sempre Pois as palavras traduzem por sonhos o que é real Músculo, gesto, dádiva, paciência A carne e o futuro
SÃO JOVENS SENHOR, SÃO JOVENS
- Integração social - Exclusão social - Pobreza - Discriminação social - Racismo - Insegurança - Delinquência juvenil - Sentimento de revolta - Abandono precoce da escola - Pais ausentes - Desemprego - Toxicodependência - Alcoolismo - Gravidez na adolescência - Violência policial - Etc, etc, etc. ![]()
CARA
E o vento passou serra acima Não quis acordar-te Há um tempo para tudo Há um tempo em que o vento apenas passa sem te acordar (algures no início dos anos 90) ![]()
um navegar lento percorre
o caminho do chão raso as manhãs fatigadas mal iluminam o leme no centro do país habita um pulsar acesso dádiva da terra de carne no dorso a carga em turbilhão vacila mas mantém-se na vertical e espera pela sua vez ![]()
Vem daí
As ruas não têm de ter sentido Se estás comigo e eu contigo Os nossos passos bastam-se Em abraços como copas de árvores Que se amam pelo céu Que se cantam em sussurros de vento E se seivam de amor floral Árvores-corpos aéreos e fulminantes. Sobre as calçadas e as praças Havemos de beber um do outro palavras E deslumbre da visão da cidade Das formas incomunicáveis do nosso ser Havemos de fazer gestos e paisagens diferentes Em pinturas, esculturas, poesia E framboesas, mel e vinho Havemos de ser o nosso alimento comum Desejado e nascido de nós pelo espaço Das ruas ao nosso quarto, qualquer quarto Mas nosso! Pois somos filhos da poesia que fumega nas casas E dos poemas que dançam nos lagos Tu és de mim um passo e uma palavra, uma veia E eu sou de ti o mesmo, em caminho História e sangue Havemos de nos perpetuar pelas manhãs Como animais animados de sonho Ternura e vontade ![]()
CARA
A cinza azul que repousa na tua pele é apenas poeira. Segue o odor do céu e sobe enrolada na seiva da aragem. ![]()
O pulso torneia-se como névoas
O torso contorce-se de gestos imaginados de mãos Morena está a pele e o desejo de tanto sal As mangas molhadas de suor e de gente Assombra-se o corpo de multidão e sonhos um só Voltar ao fim do dia, livre de passado E de palavras já conhecidas, só sinais e indícios De poder pôr a mão que dança no contorno do torso E combinar a tez da pele e dissipar as névoas do pulso Quando se abraçam dedos diferentes e principia o abraço infindo do querer ![]()
pesadas cortinas encerram
o alcance dos olhos vigia as estradas dispersas despede-te das jóias de orvalho faz-te espaço: no quarto recôndito a aranha refaz a teia ![]()
Tíron
"À volta dos carvalhos, fiquei eu Era na orla do mais cerrado A vós deixei as faias Os choupos, os montados Para que pudessem correr pelas raias Sou assim junto na viagem Estou no destino alienado Temos sempre a mesma imagem É só outro o desejado Por isso me embrenho eu Por entre os bosques de magia Levando comigo o narguilé Convosco também me cria Alguém cego que não vê Foi por entre esses montados Essa limpidez clara e simples Que percebi chegados Os meus dias seguintes De novo volto às Terras De mais saber agora senhor E deixo-vos nestas serras Com a magia do torpor Sois livres, vivificados Com o que tendes na memória Teriam mil homens saudades Eu parto, sou Outro Vós tendes a magia do narguilê E o espírito para a guiar Mesmo sem Tíron de Dodona Podeis sempre viajar!" ![]()
Eu recordo-me
A convite desta embaixadora de Lesbos ontem atravessei o Espelho, uma outra vez, para recordar a obra-tia de um grande maluco (para o qual fiz alguns chapéus). Amarcord de Fellini em cópia nova é mais do que uma boa razão para ir até Esse Lado do Espelho. Por vezes, o génio consegue entrever o verdadeiro mundo por trás da ilusão a que chamam realidade. Este maluco Fellini não só o consegue fazer mas consegue recordar esse mundo. Inspirador. Houve momentos em que pensei estar de volta ao meu País. Eu recordo-me. De tudo. ![]()
Novas do meu País
O Gato de Cheshire enlouqueceu (mais ainda, entenda-se), pensa que é astrólogo e passa o dia fechado em casa da Duquesa a fazer cartas astrais de todos os que por lá passam. Se quiserem a vossa carta astral interpretada pelo Gato de Cheshire não deixem de nos enviar um e-mail com os vossos dados (local, hora, dia e ano do nascimento) e receberão um presentinho louco na volta do correio. Entretanto a Lebre tem sido a companheira de sempre e por aqui passará também. Maria, gostava que continuasses a aparecer, se assim o desejares, mas obrigado pelo poemas enquanto estive fora. A Alice também há-de aparecer por aqui. Fiquei com saudades dela nos últimos tempos e por isso pedi ao Coelho Branco para a convidar a aparecer. Também há-de aparecer por aqui, vindo de um Outro Espelho, o Gaiteiro às Portas da Aurora. Esperemo-lo serenamente. Por último, fiquem com as Pegadas. Ela levar-vos-á em viagens interessantes. Eu....estou de volta. ![]()
o vento curva-se perante
o peso da hesitação no ar coberto de desejos apagados as palavras são mudas e o olhar dirige-se rumo ao chão no entanto, na presença da fronteira o corpo rebenta em passos ardentes ![]()
CARA
Caminha como as nuvens dançando carícias na face da terra quente rumo à luz enchente de todos os lugares. ![]() Quinta-feira, Agosto 07, 2003
CARA
Esse sabor amargo a metal não irá corroer a tua "boca de sal" todos os dias. Podes continuar a engolir as ondas, o corpo não irá enferrujar. ![]()
A respiração devora a vontade de respirar,
faz crescer na boca uma saliva densa de gemidos calados. O rosto fecha-se e senta-se junto ao cais. Não espera nada, apenas aproveita a aragem... ![]()
Ser mede-se em batimentos cardíacos,
em relatórios ao fim do dia sobre os batimentos cardíacos. Para amanhã, quantos batimentos cardíacos? ![]()
METAL
no limiar dos tons há fendas que roubam os gestos das cores. no olhar penetram manchas densas de um cinzento esquecido e trágico: o cinzento metal ![]()
Depois da ausência do ser, há o passo seguinte:
um vidro espesso e a busca do olhar de há alguns anos atrás quando havia alguma crença nos voos altos... ![]()
Nas estações solitárias as horas respiram distância e sons perdidos,
escurecidos pela ferrugem. Tudo é maior que o interior descarrilado... ![]()
CARA
Se pudesse amanhecer suavemente os teus olhos de outono nostálgico e ser uma rampa de lançamento para um percurso de asas abertas rompendo a vulnerabilidade... ![]() Quarta-feira, Agosto 06, 2003
I am the Cheshire Cat
and I find the important long-term influences at astrodienst very accurate, precise and insightful. They express very well what's going on in the most deep areas of our lives, showing us guidelines and personal hangups that we might have not even been aware. Thus, it can be very helpful for it can set us on the right track. To access these long-term influences one must only create an account or an instant horoscope at astrodienst and then click on personal daily horoscopes. Since the long-term influences are only available at Thursdays until the end of August you can only access them 3 days a week. On Wednesdays on personal daily horoscope just click tomorrow (at the upper right corner) and look for the long-term influences down below. On Fridays the same thing except you must click on yesterday. On Thursdays you just have to click personal daily horoscope and look for the three long-term influences at the bottom of the screen. Do it. There are some very important influences right now...that may shed some light on your life. We can learn a lot from the stars.... Terça-feira, Agosto 05, 2003
ATENÇÃO, MUITA ATENÇÃO
Minhas malucas, meus malucos: A Texuga Azul-Laranja, também conhecida como Texuga Tonta, também conhecida como Flor de Ouro, também conhecida como Menina Azul Riso, também conhecida como Floresta deixou recentemente a companhia desta Louca Festa de Chá. A verdade, no entanto, é que para lá dos insanos diferendos que possam opôr-se entre os vários convivas desta Festa - o que não deixa de ser normal, uma vez que aqui somos todos loucos - a Texuga Azul-Laranja está para a Louca Festa de Chá como a Aurora para o Dia: não se pode viver sem ela! Para mais a Flor de Ouro encontra nesta Louca Festa de Chá todo o espaço que precisa para dar largas à sua imaginação e criatividade não podendo por isso permitir-se que se percam oportunidades magníficas para usufruir do ilimitado universo da Menina Azul Riso. Nem permitir, por outro lado, que ela fique fechada sem oportunidade de se mostrar! Por todas estas razões peço-vos que escrevam, em comentário ou por mail, para Este Lado do Espelho, pedindo, implorando o regresso da Floresta. Tenho a certeza que se ela se sentir desejada e rodeada do vosso calor humano não deixará de vos presentear não só com a sua presença mas com a sua vida inesgotável. Amigos da Louca Festa de Chá, força nisso! ![]()
Indizível
Tu és o princípio indizível Que tece a minha vida És fome de agarrar E querer o sangue e a carne És a raíz do meu beijo mais puro Do meu passo mais certo Do meu único futuro. És claridade e escuridão Dentro dum sonho E sonho todas as noites O dia inteiro de ti. És perpetuamente a vontade do meu corpo E és a voz lembrando A precisão do gesto que faz amor Que mostra a ternura do abraço. És a aurora e o crespúsculo E és assim a matéria do meu braço Que age, deseja e quer. És a violência da dor Que traz a ausência Na mais recente lonjura E és também leveza do tempo Quando moro no teu olhar. És a minha solidão, pois nela entraste Levo-te a todo o lado E não há força ou surpresa A palpitar no meu peito A desejar-se na minha mente Que não te contenha. Pois tu és o princípio indizível Que me percorre e explica Tu és o meu sangue em flor És borbotões de cores De corrida, de passos, de voos As mil horas ainda que restam Sobre mais mil e outras, até à morte. És aquele princípio indizível Que não explica a origem da vida Ou a dança do átomos Não explicas os buracos negros Nem os fundos dos mares És aquele princípio indizível Que explica a minha vida Que contém os seus segredos Que permite a construção e a forma Do trilho, da estrada Do caminho ainda por vir És aquele princípio indizível Inominável És nume de luz Existência, energia e crença Que é o núcleo das minhas células A chave dos meus genes És a linguagem do meu pensamento Tu és a minha língua. És o meu princípio indizível Inexplicável Pois não se explicam os matizes da criação Não se sabe qual é o nome do amor. És esse princípio indizível de mim Assimilado pelo meu corpo Deduzido em existência E assim és o meu desejo de ser Pois eu sou o desejo de ti. És o princípio que levo comigo Na aventura do total da vida Quando apanhei o comboio grande Por entre estradas e fronteiras És os meus olhos outros Para os povos e as vitórias Só contigo percebo e quero O que resta ainda de mim. Tu és a minha viagem És a ida, a bagagem És os transtornos e os prazeres És a força que explica O próximo passo O descanso, a insistência O cansaço. És indissociada de mim Pois somos explicados um pelo outro E partilhados um pelo outro Em corpos que se bebem e contagiam De emulsões e tremores De liberdade e fervores. Tu és o princípio indizível De qualquer meu gesto De qualquer meu fôlego De qualquer certeza És o nome dos meus filhos Tu és aquela com quem dormirei sempre No fim diário das horas Até à morte final dos dias Só contigo me quero deitar Pois se és o princípio indizível de mim E condensas em ti o universo Só em ti há repouso e redenção Só contigo abraço o tempo Só contigo beijarei a morte. |