Uma Louca Festa de Chá |
Domingo, Agosto 31, 2003
DESABAFO ZANGADO
Estou fodida com a chateação provocada por uma pessoa mesquinha! Mas acho que finalmente atingiu o seu objectivo! PARABÉNS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! ![]() Sábado, Agosto 30, 2003
Inspirado
Estou feliz e quero partilhar convosco a minha felicidade em forma de assim:
Amores-perfeitos, por Fantin-Latour
ESPÍRITO DE SERRALHARIA
Houve um dia em que me perdi nos limites da perda. Deslizei pela violência das lixas e perdi a sensibilidade da palma das mãos. As serras recomeçaram repentinamente. ![]()
Os Sufis, esses místicos loucos
Imbuído do espírito hodierno desta Louquenda Festa de Chá e estando a ler uma prenda oferecida pela Catrapila "Contos do País dos Sufis" de Mojdeh Bayat e Mohammad Ali Jamnia apetece-me partilhar convosco esta parábola: "Uma vez aconteceu que Abu Sa'id aceitou um discípulo recentemente iniciado, chamado Sankani, oriundo de uma família abastada. Era jovem e gostava de vestir trajos ricos e apresentar-se bem ataviado. Um dia Abu Sa'id recebeu um convite para um passeio e alguns discípulos, entre eles Sankani, acompanharam-no. Durante o passeio, Abu Sa'id, que caminhava na cauda do grupo, reparou que Sankani parecia preocupado com o seu trajo e boa apresentação. O xeque disse a Sankani para não caminhar à sua frente. Sankani passou para trás do xeque. Passados alguns minutos, Abu Sa'id disse-lhe: «Não te ponhas atrás de mim». O discípulo deslocou-se para a direita do xeque. Não tardou muito tempo para que se ouvisse de novo a sua voz: «Não andes à minha direita». Sankani mudou-se para a esquerda, apenas para saber que também não era aí o seu lugar. Perplexo e muito perturbado, perguntou ao xeque qual o lugar em que se deveria colocar. Abu Sa'id respondeu-lhe que ele tinha de esquecer o seu eu e caminhar em frente. Depois recitou este poema: Enquanto o teu eu te acompanhar, nada saberás de Deus; Pois o eu de cada um não é amigo do homem universal" Eis o caminho para ser insan-kamil. ![]()
Gato Louco
Se não é a Maria a mandar o Coelho Branco avisar-me...ainda para aqui estavas a despejar o Met.... Tu és mesmo louco Gato! Da astrologia para o Met, do Met sabe-se lá para onde....andas sempre com esse sorriso largo no focinho e ora apareces ora desapareces...enfim, a Maria que te conhece bem é que sabe: O Chesh é mais que maluco, é adorável. Obrigado pelo David Friedrich...não confirmo nem desminto. Lembras-te que a primeira imagem desta Louca Festa de Chá foi ele que pintou?... Para te agradecer deixo-te um presente, que vai também em homenagem ao Piper e ao grande Diónisos, seu deus amigo.
Bacchante by the Sea, Jean-Baptiste-Camille Corot
I am the Cheshire Cat
and this is a Nymph and a Satyr carousing by Clodion I so very much love you... ![]()
Sobre a longuidão espacial...
O espaço ainda se lembra do cheiro a quase morte. O movimento foi a enterrar mas o cheiro a quase lírios ainda por lá paira. ![]()
I am the Cheshire Cat
and this is for my friend the Hatter: Two Men Contemplating the Moon by Caspar David Friedrich ...some say that's Caspar and the Hatter. They are very good friends you know? The Hatter absolutely loves Mr. Friedrich. ![]()
Por António Maria Leal
SABEDORIA O Amor é uma saudade escondida nos degraus da Felicidade e mais que o Amor temos a Amada como se fosse trágico existir recordando sempre e exclusivamente o Ideal. Ser Sábio é saber ser Nobre de Espírito. Inventar em cada Madrugada a cor do crepúsculo vindouro é alcançar a pureza das emoções e semelhante estado de Alma só se encontra na simplicidade do Eterno Contemplar o Retorno do Permanente. A única Sabedoria que se consegue alcançar é apenas a da abdicação pura de todo e qualquer objectivo. A Virtude Suprema reside no vazio da sensação em movimento. O caminho que se percorreu avançando foi o mesmo que se imaginou nunca trilhar? ![]()
I am the Cheshire Cat
and following an idea from the Hatter i took a trip to the Met. Let us begin with Charity, by Guido Reni ![]()
Amizade
Eu sou do fim do dia Das horas dormentes da areia Das viagem pelo agir candente Amamo-nos pelos abraços sonhados Somos livres e ousados Somos filhos da Lua Somos crédulos mas sábios Esquece, atiça o saber Gera nas ondas do amanhã Bebe-se como se quiser Com o álcool que se puder Ao contrário do universo O peito aberto Ao contrário do certo A voz do futuro Esquece o sofrimento Esquece o esquecimento O que estou eu a fazer aqui? Aqui entre corpos conhecidos? Entre vontades sonhadas altas? Entre dores escondidas? Entre objectos não necessários? Porque estamos aqui? Porque amamos neste momento.
BLOOD
Was there once something so pure That left me whole and precious? But now, broken, wondering Why this new ingredient? Everything i crave i become Everything i left forgotten Everything i love i become Cos that's what happens when you reach the bottom Where does the blood go? It runs away from broken lives Where does the blood go? It runs away from broken lives There's an ugly crowd here beside me They specialise in violations Once they numbered only a handful Grew out the ashes of what we had good There'll be another awkward scene tonight Quickly averting our eyes When we see what there is left of Where does the blood go? It runs away from broken lives Where does the blood go? It runs away from broken lives Our love hangs here beside us From its feet, twitching, desperate The juice that splash our white boots Now they're matted and confused There'll be another ugly scene tonight As we refuse to accept the obvious We panic and jump up and down Trying to suck those last breaths Where does the blood go? It runs away from broken lives Where does the blood go? It runs away from broken lives (Tindersticks; "Blood") ![]()
CARÊNCIA
Outrora, quando vertia amargas lágrimas, quando, diluída na dor, a minha esperança se desfez e eu me encontrava sozinho sobre o estéril montículo que encerra em negro e estreito espaço a imagem da minha vida - só, como jamais alguém esteve, impelido por um medo indizível - inerme, tão somente com um único pensamento ainda, o da carência. (Novalis) ![]()
FENDAS DA FRAGILIDADE
Estou de silêncio Fala-me um vespeiro Poderias seguir-me no caminho espesso que enrola a língua Sentir na pele inacabada dos braços os ferrões solitários que lentamente me ferem em fragmentos Como é fácil tropeçar nas fendas da fragilidade Despidas de carícias no limiar dos países ![]()
MEU IRMÃO, TU NADA SABES DA NOITE
Meu irmão, tu nada sabes da noite, nada sabes deste tormento que inteiramente me prostou, do mesmo modo que a poesia, que transportou a minha alma, nada sabes destes mil crepúsculos, mil espelhos, que me hão-de precipitar no abismo. Meu irmão, tu nada sabes da noite, que eu tive de vadear como um rio, cujas almas foram há muito estranguladas pelos mares, e nada sabes da fórmula de esconjuro que a nossa Lua me abriu entre entre os ramos secos como um fruto da Primavera. Meu irmão, tu nada sabes da noite, que me impeliu através das sepulturas do meu pai, que me impeliu através das florestas maiores do que a Terra, que me ensinou a ver nascer e pôr o Sol nas trevas doentes do meu trabalho diário. Meu irmão, tu nada sabes da noite, do desassossego que atormentou a argamassa, nada sabes de Shakespeare nem da caveira brilhante que carregou, como pedra, cinza por milhões multiplicada, que rolou para as costas brancas, sobre a guerra e podridão em risada contínua. Meu irmão, tu nada sabes da noite, porque o teu sono passou por entre os troncos fatigados deste Outono, através do vento, que lavou os teus pés como neve. (Thomas Bernhard) ![]()
SOU VENENO!
Tenho dois tipos de veneno no sangue. Aquele que eu produzo e aquele que tu para aqui enfiaste. Como eles são incompatíveis, deram origem a um terceiro tipo de veneno, daqueles que rebenta o corpo, reduzindo-o a podridão. Sou veneno! Sou veneno! Sou veneno! ![]()
MUDANÇA DE DISCO
Vamos entrar numa fase menos lá-lá-lá, mudar o disco e tocar outra coisa. Viva a alternância! ![]() Sexta-feira, Agosto 29, 2003
Por António Maria Leal
MEMÓRIA Sinto talvez a solidão de me saber Inverno ou a saudade de ter sido criança num Domingo de Janeiro quando a brincadeira estava esgotada e o silêncio se insinuava no frio húmido de me sentir triste como o cinzento das nuvens caindo docemente embalando-me de melancolia nas horas apenas minhas e no entanto nem a vida acabou nem esta sensação de desconforto é apenas do Inverno nem este Inverno é o fim da vida nem o desconforto desta vida é a essência do Inverno nem... nem... nem... nem... apenas só... no Inverno da vida exactamente como um lobo numa noite de luar nas montanhas onde neva o despertar da sensibilidade para o rigor do desespero enjoado de perfume ... e a evocação do bronze num entardecer de melodias num qualquer hemisfério de jóias e púrpura talvez no Oriente do salmodiar profundo daquela prática que me propõe um "Basta" para o entardecer da rosa e da pedra onde inscrevi o sentido exacto brotando límpido como a nascente em que mergulho os olhos claros como o luar do teu rosto apenas teu e idealizado meu à procura do Amor Total como se a noite trouxesse o fim do poema ou o início dos ciclos de eternidade imediata. ![]()
BATE BATE BATE
As lágrimas de sal brasa não formam rios mas incêndios que se prolongam até à floresta que bate bate bate bate dor na mágoa do coração. ![]()
ALGUMAS EXPLICAÇÕES
Eu tou-te explicando para te confundir Eu tou-te confundindo para te esclarecer Eu tou iluminado para poder cegar Tou ficando cego para poder guiar (Tom Zé) ![]()
DEIXEI SANGRAR O PEITO
Deixei de seguir as ruas Que se abriam nos meus quintais Porque quis acompanhar as tuas Mas esse caminho Golpeia-me as mãos E na tela branca as sombras Movem-se de culpa e medo Não sei falar o teu sangue Mal atravesso as minhas pontes velhas Não sei viver todos os dias de noite Acordo em estilhaços No meu sangue Só conheço o escuro e o doce Não sei afagar as tuas mãos Sinto-me demasiado só Nas distâncias amargas Nas despedidas constantes Não sei quem sou E quem tu és Deixei sangrar o peito... ![]()
Estamos todos aqui,
uns mais ali e outros mais acolá... Quando se sonha as fronteiras esbatem-se e nadamos todos juntos... No mergulho das cores solares unem-se os desejos em mãos dadas... Acredito que as conchas escondem estes segredos e nas manhãs cor-de-rosa abrem-se... ![]()
Ao fim da noite
Ao fim da noite o dia revela-se Por entre ondas de alfazema Em corpos de desvelo e primor Como águas e cavalos alados Em bátegas de olhares candentes Assim, oleados, surgidos, reciclados Tudo se torna novo Tudo se torna vivo As cores redescobrem-se, As magias apuram-se Multiplicadas Assim, de novo É a forma de estranhar a palavra Como um corvo deslumbrante Ou uma princesa perdida Eu Tu As vontades de amanhã Amamo-nos pelos abraços apertados Descobrimo-nos numa escuridão porosa Onde a luz nasce como um sonho Somos livres e sábios de sorrisos Adeus, Vivemos na proa do universo! Vivemos na popa do universo E ele navega-se à nossa frente...
TREPANDO ESTANTES
O regresso ergue-se inclinando-se no alto mais alto da rosa dos ventos no lugar onde tudo está à vista. ![]()
ACERCA DOS "MUSOS"
A.R.M. (a pedido da mesma) questiona-nos: Mas os homens inspiram alguma coisa? Entretanto... T.C. é apelidada de "Mulher dos Vermes" S.L. questiona: Achas que chamar verme a uma pessoa é um elogio? S.S. diz exaltada: Vocês querem levar-me à loucura! M.A. finaliza: Isto não me sai assim! ![]()
Pintar os fios que tecem os dias...
TÉCNICA MISTA componho e a matéria circula em meu redor, inundando o ar de criações deambulantes os meus dedos fazem emergir cores salientes e disformes: o papel sujo de laranjas que caem dos montes de tarde o amarelo puro que irradia das planícies feito da rara luz de éter e a tinta porosa dos morangos que me adoça os lábios... combino encontros em dias incertos para não saber se irão cobrir-se de magenta ou cobre amadurecido: são várias as crostas que se desprendem e flutuam até se desfazerem na água tornando-a menos líquida e transparente são labirínticos, os sulcos por onde a pele se alimenta, onde se ferve lava de todas as cores enquanto linhas irregulares serpenteiam-se na desordem e estranhos sinais evaporam-se do molhado pinceladas de fogo em escada para subir alto "onde vais?" pergunta a tela "até ao fim" ![]()
Celebração!
A Louca Festa de Chá, como se pode depreender por estes dias, está cheia de alegria e felicidade. É tempo de celebrarmos as coisas boas da vida! Aqui, como aí Desse Lado do Espelho. ![]() Quinta-feira, Agosto 28, 2003
I WANT TO BE YOUR CHRISTMAS TREE
You are the star tonight. Your sun electric, outasight. Your light eclipsed the moon tonight. Electrolite. You're outasight. (R.E.M.; "Electrolite") ![]()
Mensagem de S.L. para a Madame Auto Estima:
"Ainda bem que voltaste aos níveis normais. Aprochega-te, aprochega-te... Vais ter tratamento de Rainha." ![]()
VOZ SOM LÍMPIDO
A tua voz de barcos longos viajando entre as montanhas em codornizes de destino canto rompendo as cidades de som límpido de retorno constante. ![]()
ESSA FACE
Essa face de folhas abertas recebendo a água de bocas movidas a rios de clarões. A terra rasga-se para deixar passar as fontes. ![]() Quarta-feira, Agosto 27, 2003
ÉS-ME
Tu és a suave meditação cheia de promessas de pássaros viajantes. És canção de fôlego que encanta as fendas dos dias. És-me! ![]()
I CAN HEAR MUSIC
I can hear music I can hear music The sound of the city baby seems to disappear I can hear music Sweet sweet music (Beach Boys, "I Can Hear Music") ![]()
Recorrendo a uma memória
de umas férias há 5 anos atrás: Há pessoas que são vespas cheiram aqui, cheiram ali. Roubam a carne dos hambúrgueres e ainda dizem que a merecem. ![]()
ESTRANHEZA
Como é que as bocas se partem e ficam mudas de crenças? Como é possível tantas legiões de espuma de cristais apodrecidas na pele fragmentada? ![]()
PICCOLI AEROPLANI
Por Bertolucci PER B... I piccoli aeroplani di carta che tu fai volano nel crepuscolo, si perdono come farfalle notturne nell'aria che s'oscura, non torneranno più. Così i nostri giorni, ma un abisso meno dolce li accoglie di questa valle silente di foglie morte e d'acque autunnali dove posano le loro stanche ali i tuoi fragili alianti. ![]()
EQUILÍBRIO YING-YANG
Fui ao tró-ló-ló. Buscar água e não achei. Achei uma piscina e por lá fiquei. Fui buscar o meu colchão de água. E toda a tarde aproveitei. A comer algodão doce e pipocas salgadas. O ying-yang agradeceu. ![]()
Os moradores têm vozes
que dão piruetas no ar... Alimentam-se de musgo e do pó no canto da sala... São férteis em letras enfiadas em gavetas... Saem a meio da tarde por debaixo das unhas... ![]()
A MENINA QUE DESEJAVA UM ALGODÃO DOCE
No Bairro Amarelo entrou de unhas aguçadas Rapidamente deu com os torrões de açucar A princípio pensou que fosse veneno para ratos Mas os ratos morreram esturricados pelo sol Foi de sombra em sombra com os bolsos cheios de açucar Até chegar ao Bairro do Algodão ![]()
Marte
Porque hoje o senhor da energia e da determinação vem acariciar estes nossos mundos... ...deixo-vos com ele e a sua amada, na visão desse alucinado Veronese. ![]()
CARA
Who's gonna ride your wild horses Who's gonna drown in your blue sea Who's gonna ride your wild horses Who's gonna fall at the foot of thee Oh, the deeper I spin Oh, the hunter will sin for your ivory skin Took a drive in the dirty rain To a place where the wind calls your name Under the trees the river laughing at you and me Hallelujah, heavens white rose The doors you open I just can't close Don't turn around, don't turn around again Don't turn around, your gypsy heart Don't turn around, don't turn around again Don't turn around, and don't look back Come on now love, don't you look back Who's gonna ride your wild horses Who's gonna drown in your blue sea Who's gonna taste your salt water kisses Who's gonna take the place of me Who's gonna ride your wild horses Who's gonna tame the heart of thee (U2, "Who's Gonna Ride Your Wild Horses") ![]()
Beleza do Outro Lado do Espelho
Inspirado pelas notícias que tive acerca do estado do tempo Desse Lado do Espelho decidi ir dar um passeio. Calcei as minhas botas de sete léguas, pedidas emprestadas ao Gato ele mesmo e, com o meu melhor chapéu, decidi ir rever velhos amigos. Como grande parte deles está aqui, foi para lá que me dirigi. ~ É tão bom reecontrar velhos amigos... ...como este Mulher com papagaio do meu amigo Gustave Coubert.
Sabiam que eu estava por trás dele, a beber um Porto?...
Olha, calhou-me uma estrela Surpresa Longa (SL). Ouvi dizer que o seu brilho encadeia os olhos menos profundos...
Uma escada em caracol...
Inserir: rapidez como a luz confusa em rebentação (entre 4 a 6 metros). Resultado: CAOS! ![]()
EM CIMA DA ALTER-NÂNCIA
Os altos e baixos diários/semanais, a alternância continuada e diabrete, são frequentes em vários seres humanos. Não estou a falar de tretazinhas softs. Mas sim de: uma escada em caracol rápida como a luz confusa em rebentação! Tenho vários testemunhos. Sinto-me mais aconchegada. ![]()
Sobre o Infinito...
É verdade que o Infinito é possível. É tudo uma questão de vontade ou obsessão doentia (doentia?). Mas vai mudando as suas características. ![]()
NAS TROMBAS
A Lavagem Cerebral é uma técnica vilã. Especialmente quando realizada de forma subtil. Estou farta de subtilezas! Isto tem de ser tudo nas TROMBAS! Para uma pessoa decidir se cospe a matéria ou se a chupa até ao tutano. (Já Lavagem de Cabelos...isso já eu precisava hoje...) ![]()
COMPROVAÇÃO
É necessária uma comprovação das nossas teorias sobre o mundo. Caramba, eu até levo isto a sério! Portanto, um conselho: experimentem e fodam lá essas merdas das auto-ilusões. Sentimo-nos mais inteligentes e tudo! (Já vos agrada a crueza da linguagem, mais próxima da minha oralidade?) ![]() Terça-feira, Agosto 26, 2003
Mais um grande maluco
Estes putos, no meio da loucura que por lá reina, tiveram hoje a bondade de me fazer recordar um velho amigo, que bebeu da loucura q.b. (a loucura nunca se pode beber q.b.) e se determinou a partir para outras paragens. Pum! Bum! Resolvi, por isso, surripiar-lhes a ideia, recuperar as palavras e o homem e trazê-lo aqui, de novo, à Louca Festa de Chá. O bom Antero, lá da sua ilha há de querer um cházinho, ele que os tem lá tão bons.... Evolução "Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo tronco ou ramo na incógnita floresta... Onda, espumei, quebrando-me na aresta Do granito, antiquíssimo inimigo... Rugi, fera talvez, buscando abrigo Na caverna que ensombra urze e giesta; O, monstro primitivo, ergui a testa No limoso paul, glauco pascigo... Hoje sou homem, e na sombra enorme Vejo, a meus pés, a escada multiforme, Que desce, em espirais, da imensidade... Interrogo o infinito e às vezes choro... Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro E aspiro unicamente à liberdade." Antero de Quental ![]()
PROVOCADORA OU EM ABUNDÂNCIA
Anda por aqui uma gaja a excitar-me pa' caramba! Ainda por cima tem os bolsos da saia abertos. E ainda tem a lata de me dizer que anda com os bolsos abertos de propósito: "a ver se entra qualquer coisa" Foda-se! ![]()
Ao adormecer e ao acordar...
No cimo da montanha dos mistérios do mundo habita sozinha uma criança Quando lá chegar hei-de olhá-la e rir-me muito com ela. E morar aí para sempre.
MANUEL ANTÓNIO TAVARES
"Não entro lá [na Bela Vista]. Aquilo é uma desgraça, devia ir tudo abaixo. Ultimamente até está melhor. Desde que a polícia matou aquele preto, eles amocharam. Devia era acontecer mais vezes." - Paulo, taxista em Setúbal (Notícias Magazine, 10 Nov. 2002) Preto morto pela polícia: Manuel António Tavares, 24 anos, foi morto por um agente da PSP com balas de borracha no bairro da Bela Vista, onde residia. O jovem foi alvejado apenas porque pôs em causa a actuação da polícia, que estava a intervir numA rixa entre moradores. Os agentes tinham desarmado um indivíduo que estava estendido no chão e a vítima mortal meteu-se entre ambos para acabar com a violência policial. A curta distância dos disparos levou à sua morte. Manuel António Tavares era muito querido no bairro e frequentava o Centro Cultural Africano pois tinha interesse pela música e dança africanas. A responsável do Centro considera que era "um jovem válido à sociedade e não um delinquente".
Porque é que as pessoas (algumas)
andam tão previsíveis? Está a começar a dar-me enjoos... E tão limitadas. Não se fartam? (Peço desculpa pelo tom, mas francamente, esforcem-se um bocadinho mais...) ![]()
PERVERSIS VERITAS
Pensei que a perversidade fosse coisa outra Mas eis que a descobri na minha corte Uma perversidade mascarada de benignidade celestial E eis que se revela matadouro Nadei de costas e segurei a bagagem com os dentes A metade que levei chegou inteira A restante irei cantá-la ![]()
VENHA CRU
E agora... Tcham, tcham... Em reposta a um pedido muito especial... Um pouco de CRU! (A imagem é pequenina para não ferir susceptibilidades) ![]()
CARA
Que contentamento! Isto é exaltação demais para mim. Estou numa de pasto. Quando precisares de repousar vai lá ter... ![]()
MANHÃ ABERTA
a manhã vem acordar-me com a sua luz indefinida escova-me os emaranhados da noite vem suave, traz a claridade molhada estou inteira, rosto fechado ao vento asas de um mineral puro o sol a mordiscar-me a face abre-se em mim, com o seu sabor dormente o corpo está amansado as palavras que bailam, leva-as o pólen nos meus ouvidos entram flores em rebentação estou imersa no odor forte da terra enleada na calmia das fontes límpidas posso falar-te da água que desliza por mim, percorre os poros, se afunda nos vales, escorre das montanhas, semeia a humidade desce lentamente e o céu observa sereno aberto sob a plenitude adocicada ![]()
PIRILAMPO CORRE 100 METROS NAS VEIAS
Não consigo dormir mais. Desde as 8 da manhã que ando a rebolar na cama feita parva. E porquê? Porque estou exaltadíssima! Tenho o sangue aos saltos! Para baixo e para cima, em grande correria! Sinto-me um pirilampo a tempo inteiro! (Isto é tudo muito bonito, mas lá para as 16:00 devo estar a dormir em cima do computador...) ![]() Segunda-feira, Agosto 25, 2003
NOITE
A noite sempre teve este efeito sobre mim, a mente deambula pelas sombras e a escrita vem pesada como as cortinas do céu-carvão. ![]()
EM ISOLAMENTO
Be clear every day, every evening It calls here aloud from above Carefully watched for a reason Mistaking devotion and love Surrendered to self-preservation From others who care for themselves But life as it touches perfection Appears just like anything else Isolation, isolation, isolation. Mother, I tried, please believe me I'm doing the best that I can I'm ashamed of the things I've been put through I'm ashamed of the person I am Isolation, isolation, isolation. But if you could just see the beauty These things I could never describe Pleasures and wayward distraction Is this my wonderful prize? Isolation, isolation, isolation, isolation, isolation. (Joy Division, "Isolation") ![]()
UMA LIÇÃO DE PÓS-MODERNISMO
Para a T.C. "Não estão frescas" é a versão pós-moderna da expressão "Estão verdes". ![]()
Nado na estrada interminável para algures
perseguida pela vontade de libertar-me das crostas e ser uma corrente transatlântica veloz nas planícies de lábios carnudos... ![]()
PUDESSE EU
Pudesse eu saber onde habitas nas tuas horas mortas e passaria a minha mão quente nessa face que ainda treme os sobressaltos de outrora Pudesse eu saber os teus lugares de encantamento e levar-te-ia de mãos dadas até eles ![]()
Neste exacto momento centenas/milhares de pessoas
pelo mundo inteiro estão a ser torturadas e/ou executadas... Ainda bem que não és uma delas. Enjoy life! ![]()
TERCEIRA MEIA-NOITE
Por António Maria Lisboa: Ontem à meia-noite três relógios distintos bateram: primeiro um, depois outro e outro: o eco do primeiro, o eco do segundo, eu sou o eco do terceiro Eu sou a terceira meia-noite dos dias que começam ![]()
EM L
Somente lagartas que enxotam as pedras atiradas de torres mais altas que as mãos que as construíram. Mãos que desconhecem os abraços véus. Sento-me entre elas e os movimentos baralham-se devagar: O corpo estica-se em lagarta dobradiça gesticula os olhos grandes de torrentes saltos estratosfera. Nascem sardas verdes no pescoço respiração veloz. Fiz-me lagarta e aqui de cima não vejo torres apenas florestação. ![]()
Para a S.L. da A.S.
A tua loucura chega à ponta dos teus dedos e a partir daí faz o percurso inverso. Por isso, ela nunca chega a sair! ![]()
CORPOS E MENTES EM AQUECIMENTO DISRUPTIVO
- S.S. afirmou: A exaltação dos corpos não aquece as mentes. - A.S. respondeu-lhe: Aquece o suficiente para dar cabo delas! ![]()
SOBRE A VIDA
Por João de Deus: A vida é o dia de hoje, a vida é ai que mal soa, a vida é sombra que foge, a vida é nuvem que voa; a vida é sonho tão leve que se desfaz como a neve e como o fumo se esvai: A vida dura um momento, mais leve que o pensamento, a vida leva-a o vento, a vida é folha que cai! A vida é flor na corrente, a vida é sopro suave, a vida é estrela cadente, voa mais leve que a ave: Nuvem que o vento nos ares, onda que o vento nos mares uma após outra lançou, a vida - pena caída da asa de ave ferida - de vale em vale impelida, a vida o vento a levou! (Para pessoas com pouca visão: é óbvio que isto é gozo!) ![]()
CARA
Há uma série de passos que temos de dar para atingirmos o objectivo "LUNE". No entanto, não somos nós que definimos os "tempos" dos passos. Temos de ter paciência e passar por todos eles e não desesperar. Mas tudo isto já é do teu conhecimento.. Porém, nunca é demais repeti-lo. Boa sorte. Contigo sempre. Nos passos mais complicados, eu dou um empurrãozinho... ![]() Domingo, Agosto 24, 2003
O Vazio da Ausência...
E quando o corpo está moribundo, o amor está moribundo, a alma está moribunda? Alma adornada de trevas sem força para levantar a mão caída engole a noite por inteiro Oh, como são pálidas as luzes que iluminam a rua abandonada Respiração congelada Palavras sem fôlego O som desfalece e morre sem retorno ![]()
A Ausência...
O MEU MUNDO O meu mundo são cinzas cinzas de fogos grandes e ardentes cinzas ainda quentes do tempo em que acreditei na infinitude O meu mundo são sóis nascentes que não chegam ao entardecer pérolas incandescentes que queimam as mãos ervas dançando nas rajadas de vento descontentes Perco-me nos seus jardins de areia e a noite vem de longe recolher-me O meu mundo é a nudez de um verão adormecido O meu mundo são ausências ![]()
PASSOS ANTIGOS
passos sulcados golpeiam em corpo frágil de mãos os temores secretos acendem-se pedras ferozes caem e sem abrigo apanho-as no corpo as mãos apertam-me desmedidas ![]()
SIT ON MY SOUL
This secret desire wasn't meant to be told Please sit on my soul I don't want to be vulgar just want to be warmer Please sit on my soul I'm sure you won't mind my heart feels so cold Please sit on my soul You're making me blue i want to be red Please sit on my soul Your hands on your waist please look at my face and sit on my soul I know it sounds weird but be a dear and sit on my soul I'm sure you won't mind my heart feels so cold Please sit on my soul I'm sure you won't mind i'll never grow old if you sit on my soul (Letra e música: António Olaio; João Taborda Vídeo na exposição "Arte dos Artistas" na Culturgest - A não perder!) ![]()
REACORDAR
Transborda ainda das chaminés os restos do que ardeu no desassossego Nem toda a gente se pode reclinar nos poços fundos onde as enxurradas têm lugar A pressão evapora-se, afunda-se na memória da lama Escreve fertilidade na madeira nova Noutro lugar, rente à minha cave, um outro motor faz tremer outro corpo Demasiados movimentos, repletos de transparência, puros descem e sobem os lances de escada Colecciono as suas imagens desenho-as na areia que o mar de seguida desgasta Transborda ainda das chaminés o alimento do amanhã o acordar de regiões envoltas em lençóis empoeirados Há quanto tempo, e agora o tempo do mundo Nas suas mãos me deleito... ![]()
Para a A.S.
PARTE TUDO! DESTRÓI A ORDEM! (O excesso de ordem das ditas cujas é para dar mais pica!!! Percebes gaja!?!?) ![]()
FORA DE SERVIÇO
Encontrei uma área "Fora de serviço". Lá dentro trabalha-se muito. Chegou o novo material. A abertura está para breve... ![]()
UMA CHAVE
"Tem a solidão isto de comum com o silêncio e a escuridade: espanta; e aturde quem nela cai; mas, logo que o ouvido, desadormentado dos sons fortes, aprende a conversar com a mudez; tanto que os olhos, desofuscados dos luzeiros intensos, se exercitam em caçar espectros de raios, fosforescências indecisas, que são como que os infusórios das trevas, descerrou-se o negrume em brilhantismo, a calada aviventou-se de diálogos, a solidão, que parecia o nada, é o teatro com o seu drama, é um mundo novo com um sistema completo de existências imprevistas e apropriadas." (António Feliciano de Castilho, "A Chave do Enigma") ![]()
CORPOS VAZIOS E CHEIOS
Porque é que há momentos tão vazios e outros tão cheios? Quando estão cheios o corpo enche-se de mundos coloridos, mas, por causa dos primeiros, há sempre o receio que eles terminem (bruscamente...). Sim, porque isso acontece, mais facilmente do que se imagina: o esvaziamento quase total. ![]()
Marte
para a duende Tenho ouvido dizer que Marte se aproxima... Ares, chamei-lhe um dia. Perguntei-lhe se era sereno o Plutão. O Rico, cujo nome não podíamos pronunciar. Respondeu-me que Hades e Pérséfone recebiam bem. Podia era não voltar. Disse-lhe que tinha muitos chapéus e muitos mistérios. Em mim mora um árvore imortal cujo nome é também indizível... Bem sei, Chapeleiro, bem sei, respondeu-me. Marte é o que se vê ao contrário do Senhor do Hades, do mesmo nome Cujo mister é profundidade e cujo olhar é intensidade. Esquece tudo isso, disse-me Marte Os mistérios da vida tanto surgem na morte do dia Como na criação da noite. A regeneração é uma morte fugidia, uma morte moribunda Havemos de matá-la juntos para vivermos então. Nunca matei a morte, como dizia Marte. Sou um Chapeleiro pacífico Mas percebi depois que o toque de Marte não é de morte E a única violência a temer dele é a do sentimento. Que ele desconhece mas nós sentimos. Em ímpetos pelo corpo e desejos pela vontade. Como um duende que nos habita por dentro Aproxima-te pois Marte, exuberante. ![]()
Faróis
para o melro cantante Aqui no País das Maravilhas que se saiba não há faróis (o mais certo é haver) porque não há mar, mesmo havendo muita escuridão. Mas aí fora, Desse lado do Espelho, os faróis são um dos mais belos mundos que o Vosso Mundo me pode desvelar. Não sei se pelos braços de luz estendendo-se por mar e terra, se pela sua solidão recolhida, promissora de histórias. Não sei se pela sua coragem em frente ao colosso oceano. Se por ser um local de amar. A razão é esta: um dia, aí desse lado vi um rapaz uma noite inteira apaixonar-se por uma mulher que se perdeu na noite. Quando lhe gritou quem era, respondeu-lhe: sou a sobrinha do faroleiro. Desde esse dia ele sabe que encontrou o amor da sua vida e tem corrido todos os faróis do mundo em busca da sua....sobrinha do faroleiro.
O Farol de Alexandria, a mãe de todos os faróis
Bálsamo
para a Lebre dos Arrozáis As palavras podem ser sangue novo Sussuradas ao ouvido em amor Transfusão serena de vida A um corpo pedindo carinho À porta da sensação Um copo de caminho vário De sentar a alma entretecida de desejo Junto à existência desejada do outro União sangrenta de vida e poesia Um cosmos corpóreo, rosado, vivo Inundando a visão do horizonte De palavras, bálsamos em verbo Uma cascata corrida de sonho À foz do quotidiano suave Rico das riquezas do mundo E das multidões cá dentro De músicas e sons conhecidos Como nomes chamando E vozes, imagens em filmes As palavras revelam amor Nas veias possuídas de textos Ilusões lavadas de fresco Só restam como futuro bom À impressão verdadeira das palavras Quero dizer-te que há um outro caminho Ao abraço do outro, um Outro. Um caminho dos corações palpitantes E dos idealismos inconfessáveis Onde facas e alguidares Se choram lamechas de toadas antigas De frescos amores Quero dizer-te - é isto que te quero dizer! Que às palavras do mundo Podes ver o mundo de outra forma E uns olhos despertarão sobre as tuas palavras Como as tuas palavras te despertam viva E te fazem viva tão bem Quero dizer-te - escuta, vou terminar baixinho Que as palavras te guardam as veias e o olhar Para que sintas e vejas um novo amor No horizonte sereno do mundo habitado Morando onde morou sempre No sabor das palavras que deixas ser teu alimento
Pela madrugada
Metido à noite, com o corpo quente e suado Os músculos cansados de gestos Muito chá bebido, muito mundo pensado Muito caminho corrido. Apetece-me apenas descansar um pouco. Para começar tudo de novo. Em liberdade, os meus passos e os meus devaneios Eu e todos comigo, companheiros. Cansados que estejamos ao fim da noite, Ébrios de vida e de sonho Viajamos pelo sono até à estação do novo dia Para renascermos assim em passos libertos E sorridentes. Carregando a vida no colo. Leve. E tão ternurenta... Sábado, Agosto 23, 2003
Sexta-feira, Agosto 22, 2003
Lembranças loucas
São as memórias que matam o medo da morte Só para isso elas servem. E nada mais Queria retomar a pureza do encontro e do toque Da inocência infante das primeiras estações Vou para o próximo dia de peito aberto E não temo a cor do futuro por me lembrar Do cheiro das noites passadas e das tardes vividas Às vezes há um odor que convoca adolescência Que retoma imagens quentes e cândidas Onde o tempo parecia mais simples E o espaço contido num passo As memórias são o pulmão da vida Inpiramos e relembramos, há uma inocência que é sempre quente, chamada nostalgia Expiramos e libertamos, há uma certeza sempre presente: vamos ao outro dia ![]()
Para um fim de tarde maluco...
Está errado? Então vamos! Vamos correr o nosso passo Pelos caminhos maus Vamos fazer esgares E votos de raiva Atentar contra a moral E descarregar a fúria Como uma onda imensa Sobre uma praia tranquila Como um choque brutal Entre o camião e a menina ![]()
Não é que eu goste de ter razão.
Mas, de facto... Enfim, depois as pessoas engolem as palavras que disseram... Ou (no caso das mais teimosas) restam palavras perdidas, que o vento, habituado já a estas coisas, leva... ![]()
FORMIGUEIRO
Senti um formigueiro na pele... Rios de formigas responderam ao meu pedido. Vieram assaltar os restos de angústia. Obrigada amiguinhas. Apareçam sempre... ![]()
DE PAU FEITO NO 50
Contexto: Autocarro nº 50 rumo "Oriente", completamente cheio. "Uma gaja enfia as nádegas proeminentes no 'enchumaço'. Assenta a parte curva das nádegas no 'coiso'. O autocarro anda para a frente e para trás. Entre o empurra e o aperta uma pessoa fica de 'pau feito' no autocarro. Depois disse-lhe 'Com licença'." por L.N. ![]()
XIXI
Hoje sonhei que fazia parte do concurso: "Quem faz o xixi maior e com mais acrobacias" O outro concorrente era um rapazinho de 7 anos. Adorei! Lembro-me que estive a fazer xixi acrobático, de voos muiiiito altos, durante uma hora! E não fiz xixi na cama!!! ![]()
MILHARES DE BORBOLETAS!
Há borboletas por todo o lado!!! Dentro de mim, à minha volta, em todas as partículas das aragens frescas deste dia radioso!!! ![]()
[...]
De luz é o dia se o vivermos além À frente da translucidez da íris Afastados, pois, dos contornos certos das formas Corpos, objectos, até ideias Desvanecidos em miopia onírica E erguidos, todos, em uma só luz Pois só da luz se parte à escuridão E só na escuridão serve a luz A existência Assim é certo o caminho Da escuridão invisível do mundo atrás da nuca À muita lucidez da visão sublime Que olha já o futuro condensado Mesmo na multiplicidade presente Morando vária Quinta-feira, Agosto 21, 2003
AQUECIMENTO FOLHAL
Ontem dormi mesmo na Floresta e ela foi muito simpática, arranjou-me um lençol de folhas com aquecimento. É que eu sou muito friorenta... ![]()
COMPANHEIROS DE BLOG
Vou contar-vos um pequeno segredo: nem sempre escrevo sozinha aqui no blog, às vezes estou muito bem acompanhada... ![]()
I am the Cheshire Cat
and these are The Words of the Reconstruction Be joyful! Let your breath take your breast and inspire the new days! Look at the world without time or space, just will Search and grab the little things that live in the shores of the hours That make you question the future and hasten the present! Build and dream, as brothers they are And go through your thoughts like through a stream Of clear water, a path of unknown yet certain happiness Embrace your loved ones with words and wisdom And with the touch of a hand, let your soul drive your body And find the soul within the voices and the visions of the waking life That that lies, horizon, as promisse that you have to fullfil And always remember yourself like the one feeling and building Like the one within the embrace of the others and the world Peaceful reconstruction will come. As energy, deepness and infinity And Serendipity. Live it! To you...all
À mesa...aqui como Aí, Desse Lado
Deuses à volta da mesa do café, metido em conversas de adolescentes. Aí Eles são mais Verdade do que num templo qualquer. Deus aí é uma passagem, uma recolha e um esquecimento e as conversas são belas por isso, e eu amo-as. Sei-me perdido nisto e por isto. Contente por me poder esquecer de mim no caos criador das vozes que ouço, em significados que uno tão cabalisticamente que sou eu um profeta de um novo Mistério, sorrindo ao timbre de novas profecias reveladas. No lugar de culto escondido em café, venero as missas das dez e tal e idolatro eucaristias da mesa-altar que me ladeia, recebendo angústias, incertezas, banalidades como dogmas desta religião. Pentagrama afixado na discussão para alvo das ideias que passam: pederastas, magia em túnicas brancas, druidas na mata fingindo dança. Cai este ídolo ao fim do ritual como simples dia que cessa. Pentagrama que cai, rave que surge, sons e trips à mistura. O duro da vida aí se cura, corpos vibrando em loucura, misticismo delirante em lugar santo, onde expressão de fé é viagem e não o pranto. Estou exaurido por esta devoção, encanto espiritual que me esgotou, um religar novo em dispersão que não sabe se algum deus criou. Está nisso o sublime de não importar, aqui fé é só estar. Sem consciência disso, sem ser nem pensar.
SENTIMENTO-BOMBA
Deve-se ter muito cuidado com o sentimento-bomba. A maior parte das vezes explode-nos na cara, provocando estragos consideráveis. Os seus estilhaços penetram por todo o corpo... ![]()
RESQUÍCIOS
Não sinto verdadeiramente dor. Sinto resquícios da dor passada. O que provoca, de tempos a tempos, alguma angústia latejante. ![]()
Acreditar
Há um caminho da terra e da luz, vago, abrindo os contornos do ombro a um olhar de pássaro. Estrada imensa, enevoada de fogo soturno, raivoso de sangue e de seara como uma criança chorando. No passo desse caminho começam a surgir as perguntas líquidas à língua seca de vertigens e fúrias. À míngua de paz, pergunta-se de fome e de frio o gume da saudade, o fio da vontade, a espora do sonho. Todas as perguntas da estrada que pulsa são eivadas de substância, de matéria. Apenas se buscam as vestes inumanas da mais perene alegria que como algas de pó se fixam aos poros e como estrelas nascendo sejam sempre tudo aquilo que nos acompanha e protege como enormes veias de linfa, sangue e vinho onde possa correr a existência sem derrames nem perdição. Mas nada disto o caminho nos diz ou mostra. O seu brilho fúlgido cega o futuro longínquo e só resta dele o sonho que em cliché se alimenta a custo, apascentado ao longo dos dias e das canções. Não há vozes aqui neste caminho de nudez, só um princípio de corpo que aprende, escuta e treme, flébil. Febril, no entanto, por dentro, como castelos a ruir de fogo, de deslumbre e de fome. A fome está sempre presente. Desde o vislumbre do ombro no princípio, ao fim que só os corais sabem e deixam brilhar. Baixemos ao peito, no percurso do caminho, vindos do ponto anterior do ombro, deserto terminal. Antecipemos rumores urbanos, de sol e de fadiga, ao chegar ao sopé dos seios, essa margem do desejo, essa fronteira do visível e do erótico. A ave que se transforma de adolescência e maternidade em pureza ardente e felina ¿ todos os seios são Fénix ¿ ou em insídia-serpente com alma de elfa dos rios. Há mais luz neste lugar supremo e a mão sente-se cometa. Apetece perguntar o que é o instinto senão o impulso do tacto. Agarro por trás o caminho e fecho as minhas mãos sobre os seios surpresos dos ombros. Há uma lembrança latejante do lugar onde começou a viagem e a minha face abre-se ao abocanhante desconhecido. Uma romã desenha-se na minha boca e todo vermelho me torno, de sumo e de sangue, de violência e de sexo. Esquece-se o caminho de mim e eu dele pois estamos um no outro e não há como esquecer o que mora em nós, por muito tempo. Não há como viajar no caminho carmim do líquido criador, pousado num relógio de cristal e assim se banhando a lua, em tempo, em compassos de tempo e minutos. Voo do peito e retorno ao passo do caminho escuro. A minha mão ficou na vulva observante e escanchada. Danço por ela. E no meu passo haverá sempre essa dança. Já o disse e repito: beijem-se muito! Quarta-feira, Agosto 20, 2003
CALDO
O caldo às vezes parece que vai entornar. Houve alturas em que entornou "forte e feio". Não foi bonito de se ver. Não foi não. Então de limpar... Cheira-me que ainda vai voltar a entornar. O meu faro engana-se poucas vezes... ![]()
Este quadro chama-se Eternal Game...
"There is a voice inside of us that always knows what is right and what is wrong. Sometimes we call it 'the voice of doubt', or 'the gut feeling', or our will... I see it as a mythical bird Sirin - beautiful, wise and sad. Throughout our life we try to fight it, ignore it, explain to ourselves rationally that it just cannot be right. And we are playing this eternal game inside our minds till the end without victory."
PALAVRAS
canto as palavras dos campos: zumbidos de navios que atracam para repousar em areais entornados nas águas e logo partem sedentos de espaços de luz palavras feitas de prados em crescimento, de força madeira e textura solar acompanhadas por um vento leve que sopra os quadrantes das viagens palavras com cheiro a especiarias exóticas que apalpam a pele em gestação ah, diz-me mais: narra-me os sons, a cor, os segredos da terra em convulsão palavras que são flores dançarinas abrindo-se para o mundo em carícias de preciosos néctares palavras de risos que os campos cantam comigo ![]()
CARA
Tenho uma coisa para te recordar... Cinco anos e a bela expressão "Realmente!" Era só isso. Cumprimentos. ![]()
"Poucos foram aqueles que souberam
conviver com o seu próprio inferno" (Al Berto) Aqui vai um belo quadro de Hieronymus Bosch ligado à temática infernal: ![]()
RECEITA POSSÍVEL
Gostava que este mau-estar específico passasse mas concluo que não há muito a fazer. É daquelas coisas que "faz parte". Já sei como são estas coisas, não é... Dar-lhes alguma liberdade, apenas alguma, e não deixá-las tomarem o controlo. É a receita possível! ![]()
QUARTA FEIRA
Manhã: o tempo está ensonado mas tem de acordar porque há coisas a realizar... Tarde: e não é que acordou muito bem disposto! ![]()
A FERIDA
"Na origem da beleza está unicamente a ferida, singular, diferente para cada qual, escondida ou visível, que todos os homens guardam dentro de si..." (Jean Genet) ![]()
BRILHO FERIDO
Tantas mudanças nas veias Vêem-se à flor da pele A pele tem uma cor estranha Está prensada com demasiadas perguntas Que assombram o espírito Tenta-se uma reordenação das prioridades... Vou olhando os outros Numa busca sedenta Conseguirei de volta A partilha de ruas cheias? Porque o corpo continua vazio E apenas rondam rumores Apenas rumores... Como explicar-vos a tipografia da dor Os seus escritos continuados: As estações abandonadas As esperas molhadas A vida nas fronteiras... Eu lembro-me e pouco me tranquiliza Serem já apenas ruídos Há zonas inacessíveis E não consigo ter paz Porque é necessária A iluminação dos murais? Aqui dentro o brilho continua ferido ![]() Terça-feira, Agosto 19, 2003
CARA
Isto de ser tua co-pilota tem muito que se lhe diga. Demasiados altos e baixos, cara! Turbulência a dar com um pau! Mas aguenta-se, que remédio... Enfim, muita animação, muita animação!!! ![]()
ROMÃ
Romã doirada pelo sol alto Amadurecida pelo curso do tempo Guardava segredos nos seus caroços em hibernação Abre-se em pétalas rasgando o tecido Sente-se o palpitar já fora dela Transborda em feixes desenhados na terra ![]() |