Uma Louca Festa de Chá


Domingo, Agosto 31, 2003
CARA

Boa noite menina linda...




MUCAS VICTIM

Sempre fui uma ranhosa...




DESABAFO ZANGADO

Estou fodida com a chateação provocada por uma pessoa mesquinha!
Mas acho que finalmente atingiu o seu objectivo!

PARABÉNS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!




Sábado, Agosto 30, 2003
Soprei umas estrelas cheias de desejos bons para esta noite...




Apenas...




Última da tarde, pois ela espera-me para vermos as estrelas do jardim...




AS FASES DA ESCADARIA

Fase 2...




AS FASES DA ESCADARIA

Fase 1...




HOMENAGEM À INFÂNCIA

Não esperem mais...




AREIA DE SOL

Só se sente a limpidez por alguns magníficos minutos...




Inspirado

Estou feliz e quero partilhar convosco a minha felicidade em forma de assim:



Amores-perfeitos, por Fantin-Latour


ESPÍRITO DE SERRALHARIA

Houve um dia
em que me perdi
nos limites da perda.
Deslizei pela violência
das lixas e perdi a
sensibilidade da
palma das mãos.
As serras recomeçaram
repentinamente.




Os Sufis, esses místicos loucos

Imbuído do espírito hodierno desta Louquenda Festa de Chá e estando a ler uma prenda oferecida pela Catrapila "Contos do País dos Sufis" de Mojdeh Bayat e Mohammad Ali Jamnia apetece-me partilhar convosco esta parábola:

"Uma vez aconteceu que Abu Sa'id aceitou um discípulo recentemente iniciado, chamado Sankani, oriundo de uma família abastada. Era jovem e gostava de vestir trajos ricos e apresentar-se bem ataviado. Um dia Abu Sa'id recebeu um convite para um passeio e alguns discípulos, entre eles Sankani, acompanharam-no. Durante o passeio, Abu Sa'id, que caminhava na cauda do grupo, reparou que Sankani parecia preocupado com o seu trajo e boa apresentação. O xeque disse a Sankani para não caminhar à sua frente. Sankani passou para trás do xeque. Passados alguns minutos, Abu Sa'id disse-lhe: «Não te ponhas atrás de mim». O discípulo deslocou-se para a direita do xeque. Não tardou muito tempo para que se ouvisse de novo a sua voz: «Não andes à minha direita». Sankani mudou-se para a esquerda, apenas para saber que também não era aí o seu lugar. Perplexo e muito perturbado, perguntou ao xeque qual o lugar em que se deveria colocar. Abu Sa'id respondeu-lhe que ele tinha de esquecer o seu eu e caminhar em frente. Depois recitou este poema:

Enquanto o teu eu te acompanhar, nada saberás de Deus;
Pois o eu de cada um não é amigo do homem universal"

Eis o caminho para ser insan-kamil.




Gato Louco

Se não é a Maria a mandar o Coelho Branco avisar-me...ainda para aqui estavas a despejar o Met.... Tu és mesmo louco Gato! Da astrologia para o Met, do Met sabe-se lá para onde....andas sempre com esse sorriso largo no focinho e ora apareces ora desapareces...enfim, a Maria que te conhece bem é que sabe: O Chesh é mais que maluco, é adorável. Obrigado pelo David Friedrich...não confirmo nem desminto. Lembras-te que a primeira imagem desta Louca Festa de Chá foi ele que pintou?... Para te agradecer deixo-te um presente, que vai também em homenagem ao Piper e ao grande Diónisos, seu deus amigo.



Bacchante by the Sea, Jean-Baptiste-Camille Corot


I am the Cheshire Cat

and this is a Nymph and a Satyr carousing by Clodion

I so very much love you...




EU SOU A FONTE ETERNA

Fui ao tró-ló-ló buscar água...
E trouxe de lá litros dela...





CARA

És...




I am the Cheshire Cat

and these are Strawberries by Manet




A PLENITUDE DA AUTO-EXPRESSÃO




I am the Cheshire Cat

and this is The Storm by Pierre-Auguste Cot




Então disse-lhes:

Não entrem também em rota de colisão
com a minha auto-expressão!





Sobre a longuidão espacial...

O espaço ainda se lembra
do cheiro a quase morte.
O movimento foi a enterrar
mas o cheiro a quase lírios
ainda por lá paira.




Os ninhos besuntados de alcatrão onde existi...




Na pele fina
de sensibilidade em revelação
rima a dança cantada
dos ventos em alteamento.




I am the Cheshire Cat

and this is for my friend the Hatter:

Two Men Contemplating the Moon by Caspar David Friedrich

...some say that's Caspar and the Hatter. They are very good friends you know? The Hatter absolutely loves Mr. Friedrich.




I believe there's an escape...
Is there?





I am the Cheshire Cat

and this is Diana and Cupid by Batoni




Por António Maria Leal


SABEDORIA

O Amor é uma saudade escondida nos degraus da Felicidade
e mais que o Amor temos a Amada
como se fosse trágico existir
recordando sempre e exclusivamente o Ideal.

Ser Sábio é saber ser Nobre de Espírito.

Inventar em cada Madrugada
a cor do crepúsculo vindouro
é alcançar a pureza das emoções
e semelhante estado de Alma
só se encontra na simplicidade do Eterno Contemplar
o Retorno do Permanente.

A única Sabedoria que se consegue alcançar
é apenas a da abdicação pura
de todo e qualquer objectivo.

A Virtude Suprema reside no vazio da sensação em movimento.

O caminho que se percorreu avançando
foi o mesmo que se imaginou nunca trilhar?




I am the Cheshire Cat

and following an idea from the Hatter i took a trip to the Met.

Let us begin with Charity, by Guido Reni





Azul celeste de tensão calma...




Amizade

Eu sou do fim do dia
Das horas dormentes da areia
Das viagem pelo agir candente

Amamo-nos pelos abraços sonhados
Somos livres e ousados
Somos filhos da Lua
Somos crédulos mas sábios

Esquece, atiça o saber
Gera nas ondas do amanhã

Bebe-se como se quiser
Com o álcool que se puder

Ao contrário do universo
O peito aberto

Ao contrário do certo
A voz do futuro

Esquece o sofrimento
Esquece o esquecimento

O que estou eu a fazer aqui?
Aqui entre corpos conhecidos?
Entre vontades sonhadas altas?
Entre dores escondidas?
Entre objectos não necessários?

Porque estamos aqui?
Porque amamos neste momento.




Ups




CARA

Vejo que estás em forma.
Ainda não lhe perdeste o jeito.




São saborosas, estas paisagens vazias...




BLOOD

Was there once something so pure
That left me whole and precious?
But now, broken, wondering
Why this new ingredient?
Everything i crave i become
Everything i left forgotten
Everything i love i become
Cos that's what happens when you reach the bottom

Where does the blood go?
It runs away from broken lives
Where does the blood go?
It runs away from broken lives

There's an ugly crowd here beside me
They specialise in violations
Once they numbered only a handful
Grew out the ashes of what we had good
There'll be another awkward scene tonight
Quickly averting our eyes
When we see what there is left of

Where does the blood go?
It runs away from broken lives
Where does the blood go?
It runs away from broken lives

Our love hangs here beside us
From its feet, twitching, desperate
The juice that splash our white boots
Now they're matted and confused
There'll be another ugly scene tonight
As we refuse to accept the obvious
We panic and jump up and down
Trying to suck those last breaths

Where does the blood go?
It runs away from broken lives
Where does the blood go?
It runs away from broken lives

(Tindersticks; "Blood")




CARÊNCIA

Outrora, quando vertia amargas lágrimas, quando,
diluída na dor, a minha esperança se desfez e
eu me encontrava sozinho sobre o estéril montículo
que encerra em negro e estreito espaço a imagem da
minha vida - só, como jamais alguém esteve,
impelido por um medo indizível - inerme, tão somente
com um único pensamento ainda, o da carência.

(Novalis)




Dás-me o teu fim de tarde?




Inside believe




FENDAS DA FRAGILIDADE

Estou de silêncio
Fala-me um
vespeiro
Poderias seguir-me
no caminho espesso
que enrola a língua
Sentir na pele inacabada
dos braços
os ferrões solitários que
lentamente me ferem
em fragmentos
Como é fácil tropeçar
nas fendas da fragilidade
Despidas de carícias
no limiar dos países




Não quiseste os restos...




MEU IRMÃO, TU NADA SABES DA NOITE

Meu irmão, tu nada sabes da noite,
nada sabes deste tormento que inteiramente me prostou,
do mesmo modo que a poesia, que transportou a minha alma,
nada sabes destes mil crepúsculos, mil espelhos,
que me hão-de precipitar no abismo.
Meu irmão, tu nada sabes da noite,
que eu tive de vadear como um rio,
cujas almas foram há muito estranguladas pelos mares,
e nada sabes da fórmula de esconjuro
que a nossa Lua me abriu entre entre os ramos secos
como um fruto da Primavera.
Meu irmão, tu nada sabes da noite,
que me impeliu através das sepulturas do meu pai,
que me impeliu através das florestas maiores do que a Terra,
que me ensinou a ver nascer e pôr o Sol
nas trevas doentes do meu trabalho diário.
Meu irmão, tu nada sabes da noite,
do desassossego que atormentou a argamassa,
nada sabes de Shakespeare nem da caveira brilhante
que carregou, como pedra, cinza por milhões multiplicada,
que rolou para as costas brancas,
sobre a guerra e podridão em risada contínua.
Meu irmão, tu nada sabes da noite,
porque o teu sono passou por entre os troncos fatigados
deste Outono, através do vento, que lavou os teus pés como neve.

(Thomas Bernhard)




Boas razões...




Ah, essas festinhas de mãos a ferver...
Sinto-me desfigurada...





SOU VENENO!

Tenho dois tipos de veneno no sangue.
Aquele que eu produzo e aquele que
tu para aqui enfiaste. Como eles são
incompatíveis, deram origem a um
terceiro tipo de veneno, daqueles que
rebenta o corpo, reduzindo-o a podridão.
Sou veneno! Sou veneno! Sou veneno!




MUDANÇA DE DISCO

Vamos entrar numa fase menos lá-lá-lá,
mudar o disco e tocar outra coisa.
Viva a alternância!




Boa noite Estrela...




A protecção veio atrasada.
Estava a recuperar da
doença do fura-fura.




Sexta-feira, Agosto 29, 2003
Vês claramente a luz mas não lhe podes tocar...




Quantos pensos tens?!




O Mito da Não-Ilusão




Apenas...




Por António Maria Leal


MEMÓRIA

Sinto talvez a solidão de me saber Inverno
ou a saudade de ter sido criança num Domingo de Janeiro
quando a brincadeira estava esgotada
e o silêncio se insinuava no frio húmido de me sentir triste
como o cinzento das nuvens caindo docemente
embalando-me de melancolia nas horas apenas minhas
e no entanto nem a vida acabou
nem esta sensação de desconforto é apenas do Inverno
nem este Inverno é o fim da vida
nem o desconforto desta vida é a essência do Inverno
nem... nem... nem... nem... apenas só... no Inverno da vida
exactamente como um lobo numa noite de luar
nas montanhas onde neva o despertar da sensibilidade
para o rigor do desespero enjoado de perfume
... e a evocação do bronze num entardecer de melodias
num qualquer hemisfério de jóias e púrpura
talvez no Oriente do salmodiar profundo
daquela prática que me propõe um "Basta"
para o entardecer da rosa e da pedra
onde inscrevi o sentido exacto
brotando límpido como a nascente
em que mergulho os olhos claros como o luar do teu rosto
apenas teu e idealizado meu à procura do Amor Total
como se a noite trouxesse o fim do poema
ou o início dos ciclos de eternidade imediata.




BATE BATE BATE

As lágrimas de sal brasa
não formam rios
mas incêndios
que se prolongam
até à floresta que bate
bate bate bate
dor na mágoa do coração.




ALGUMAS EXPLICAÇÕES

Eu tou-te explicando
para te confundir
Eu tou-te confundindo
para te esclarecer
Eu tou iluminado
para poder cegar
Tou ficando cego
para poder guiar

(Tom Zé)




CARA

Vê lá se gostas...




Quis ser-me...




Quis-me de volta...




DEIXEI SANGRAR O PEITO

Deixei de seguir as ruas
Que se abriam nos meus quintais
Porque quis acompanhar as tuas
Mas esse caminho
Golpeia-me as mãos
E na tela branca as sombras
Movem-se de culpa e medo
Não sei falar o teu sangue
Mal atravesso as minhas pontes velhas
Não sei viver todos os dias de noite
Acordo em estilhaços
No meu sangue
Só conheço o escuro e o doce
Não sei afagar as tuas mãos
Sinto-me demasiado só
Nas distâncias amargas
Nas despedidas constantes
Não sei quem sou
E quem tu és
Deixei sangrar o peito...




Estamos todos aqui,
uns mais ali e outros mais acolá...
Quando se sonha as fronteiras esbatem-se
e nadamos todos juntos...
No mergulho das cores solares
unem-se os desejos em mãos dadas...
Acredito que as conchas escondem estes segredos
e nas manhãs cor-de-rosa abrem-se...




PEGADAS COSMIC GIRL




I am the Cheshire Cat

and...

Top of the wave to you all!!




Ao fim da noite

Ao fim da noite o dia revela-se
Por entre ondas de alfazema
Em corpos de desvelo e primor
Como águas e cavalos alados
Em bátegas de olhares candentes
Assim, oleados, surgidos, reciclados
Tudo se torna novo
Tudo se torna vivo
As cores redescobrem-se,
As magias apuram-se
Multiplicadas

Assim, de novo
É a forma de estranhar a palavra
Como um corvo deslumbrante
Ou uma princesa perdida

Eu
Tu
As vontades de amanhã

Amamo-nos pelos abraços apertados
Descobrimo-nos numa escuridão porosa
Onde a luz nasce como um sonho
Somos livres e sábios de sorrisos
Adeus,
Vivemos na proa do universo!




Vivemos na popa do universo
E ele navega-se à nossa frente...



TREPANDO ESTANTES

O regresso ergue-se
inclinando-se no alto
mais alto da rosa dos ventos
no lugar onde tudo está à vista.




ACERCA DOS "MUSOS"

A.R.M. (a pedido da mesma) questiona-nos:

Mas os homens inspiram alguma coisa?

Entretanto...

T.C. é apelidada de "Mulher dos Vermes"

S.L. questiona:

Achas que chamar verme a uma pessoa é um elogio?

S.S. diz exaltada:

Vocês querem levar-me à loucura!

M.A. finaliza:

Isto não me sai assim!




Voo com tudo pelo tudo adentro...




Pintar os fios que tecem os dias...


TÉCNICA MISTA

componho e a matéria circula
em meu redor, inundando o ar
de criações deambulantes
os meus dedos fazem emergir
cores salientes e disformes:
o papel sujo de laranjas que
caem dos montes de tarde
o amarelo puro que irradia das planícies
feito da rara luz de éter
e a tinta porosa dos morangos que
me adoça os lábios...
combino encontros em dias incertos
para não saber se irão cobrir-se
de magenta ou cobre amadurecido:
são várias as crostas que se desprendem
e flutuam até se desfazerem na água
tornando-a menos líquida e transparente
são labirínticos, os sulcos por onde
a pele se alimenta, onde se ferve
lava de todas as cores
enquanto linhas irregulares
serpenteiam-se na desordem
e estranhos sinais evaporam-se do molhado
pinceladas de fogo em escada
para subir alto
"onde vais?" pergunta a tela
"até ao fim"




Pegadas em GRANDE!




Cá venho eu!




Yes, sir!




CARA

Objectivo: Descentrar




Directamente do SOL: Booooommmm Diiiiiaaaaaaaaaaa!!!!




Celebração!

A Louca Festa de Chá, como se pode depreender por estes dias, está cheia de alegria e felicidade.

É tempo de celebrarmos as coisas boas da vida! Aqui, como aí Desse Lado do Espelho.




Quinta-feira, Agosto 28, 2003
I WANT TO BE YOUR CHRISTMAS TREE

You are the star tonight.
Your sun electric, outasight.
Your light eclipsed the moon tonight.
Electrolite.
You're outasight.

(R.E.M.; "Electrolite")




Mensagem de S.L. para a Madame Auto Estima:

"Ainda bem que voltaste aos níveis normais.
Aprochega-te, aprochega-te...
Vais ter tratamento de Rainha."




I'M SIMPLY THE BEST!




VOZ SOM LÍMPIDO

A tua voz de barcos longos
viajando entre as montanhas
em codornizes de destino canto
rompendo as cidades
de som límpido de retorno constante.




I'm the way, i'm the way...




ESSA FACE

Essa face de folhas abertas
recebendo a água de bocas
movidas a rios de clarões.

A terra rasga-se para
deixar passar as fontes.




Quarta-feira, Agosto 27, 2003
Pintei-a para ti: Boa Noite Colorida!




AMICI

Sinto-me cheia
Neste banquete
Em que brindo
Às montanhas abrigo




Depois dos mimos...




Ao ANTÓNIO MARIA




Vejo que chegou até ti
a simples mensagem
que te enviei...




MENINAS NA CONVERSA...




Para a S.L.

Quando as mãos têm de fazer o caminho dos pés...




CARA

Estou sem palavras...
Aqui vai uma imagem...




ÉS-ME

Tu és a suave meditação
cheia de promessas
de pássaros viajantes.
És canção de fôlego
que encanta
as fendas dos dias.
És-me!




CARA

E eu?




EM HOMENAGEM AO GIALLO

Por estares sempre aqui...




Sinto-me em ligação




I CAN HEAR MUSIC

I can hear music
I can hear music
The sound of the city
baby seems to disappear
I can hear music
Sweet sweet music

(Beach Boys, "I Can Hear Music")




Não tenho os olhos embaciados, vejo muito bem...




SOU GUIZOS




Recorrendo a uma memória
de umas férias há 5 anos atrás:


Há pessoas que são vespas
cheiram aqui, cheiram ali.
Roubam a carne dos hambúrgueres
e ainda dizem que a merecem.




Lá está o ouro...




Foi como ter encontrado uma passadeira
e a minha sombra ter-se enchido de ouro...





E eis que finalmente apanhei um dos comboios...




ESTRANHEZA

Como é que as bocas se partem
e ficam mudas de crenças?
Como é possível tantas
legiões de espuma de cristais
apodrecidas na pele fragmentada?




Voltaram a nascer...
Centenas delas...
Fora de estação...
Já não há estações...




Tenho selos com a tua canção...




PICCOLI AEROPLANI

Por Bertolucci


PER B...

I piccoli aeroplani di carta che tu
fai volano nel crepuscolo, si perdono
come farfalle notturne nell'aria
che s'oscura, non torneranno più.

Così i nostri giorni, ma un abisso
meno dolce li accoglie
di questa valle silente di foglie
morte e d'acque autunnali

dove posano le loro stanche ali
i tuoi fragili alianti.




EQUILÍBRIO YING-YANG

Fui ao tró-ló-ló.
Buscar água e não achei.
Achei uma piscina e por lá fiquei.
Fui buscar o meu colchão de água.
E toda a tarde aproveitei.
A comer algodão doce e pipocas salgadas.
O ying-yang agradeceu.




Os moradores têm vozes
que dão piruetas no ar...
Alimentam-se de musgo
e do pó no canto da sala...
São férteis em letras
enfiadas em gavetas...
Saem a meio da tarde
por debaixo das unhas...




A MENINA QUE DESEJAVA UM ALGODÃO DOCE

No Bairro Amarelo
entrou de unhas aguçadas
Rapidamente deu
com os torrões de açucar
A princípio pensou
que fosse veneno para ratos
Mas os ratos morreram
esturricados pelo sol
Foi de sombra em sombra
com os bolsos cheios de açucar
Até chegar ao Bairro do Algodão




Marte

Porque hoje o senhor da energia e da determinação vem acariciar estes nossos mundos...

...deixo-vos com ele e a sua amada, na visão desse alucinado Veronese.




CARA

Who's gonna ride your wild horses
Who's gonna drown in your blue sea
Who's gonna ride your wild horses
Who's gonna fall at the foot of thee
Oh, the deeper I spin
Oh, the hunter will sin for your ivory skin
Took a drive in the dirty rain
To a place where the wind calls your name
Under the trees the river laughing at you and me
Hallelujah, heavens white rose
The doors you open
I just can't close
Don't turn around, don't turn around again
Don't turn around, your gypsy heart
Don't turn around, don't turn around again
Don't turn around, and don't look back
Come on now love, don't you look back
Who's gonna ride your wild horses
Who's gonna drown in your blue sea
Who's gonna taste your salt water kisses
Who's gonna take the place of me

Who's gonna ride your wild horses
Who's gonna tame the heart of thee

(U2, "Who's Gonna Ride Your Wild Horses")




PARADISE ISN'T QUITE ENOUGH




Beleza do Outro Lado do Espelho

Inspirado pelas notícias que tive acerca do estado do tempo Desse Lado do Espelho decidi ir dar um passeio. Calcei as minhas botas de sete léguas, pedidas emprestadas ao Gato ele mesmo e, com o meu melhor chapéu, decidi ir rever velhos amigos. Como grande parte deles está aqui, foi para lá que me dirigi. ~
É tão bom reecontrar velhos amigos...

...como este Mulher com papagaio do meu amigo Gustave Coubert.



Sabiam que eu estava por trás dele, a beber um Porto?...


FRASE DO DIA:






Olha, calhou-me uma estrela Surpresa Longa (SL).
Ouvi dizer que o seu brilho encadeia
os olhos menos profundos...


She said, she said:

I'M THE QUEEN OF MY WORLD!




Uma escada em caracol...

Inserir: rapidez como a luz confusa
em rebentação (entre 4 a 6 metros).

Resultado: CAOS!





É que aqui mora MUITA GENTE!




EM CIMA DA ALTER-NÂNCIA

Os altos e baixos diários/semanais,
a alternância continuada e diabrete,
são frequentes em vários seres humanos.
Não estou a falar de tretazinhas softs.
Mas sim de: uma escada em caracol rápida
como a luz confusa em rebentação!
Tenho vários testemunhos.
Sinto-me mais aconchegada.




Sobre o Infinito...

É verdade que o Infinito é possível.
É tudo uma questão de vontade
ou obsessão doentia (doentia?).
Mas vai mudando as suas
características.




Lá está a ranhoca manipuladora...
Vou assoá-la!




O BICHO em acção...




Afinal quem é que manda?




I am the Cheshire Cat

and this is a window where i like to be...




Lá venho eu!




NAS TROMBAS

A Lavagem Cerebral é uma técnica vilã.
Especialmente quando realizada de forma subtil.
Estou farta de subtilezas!
Isto tem de ser tudo nas TROMBAS!
Para uma pessoa decidir se cospe a matéria
ou se a chupa até ao tutano.

(Já Lavagem de Cabelos...isso já eu precisava hoje...)




COMPROVAÇÃO

É necessária uma comprovação das nossas teorias
sobre o mundo. Caramba, eu até levo isto a sério!
Portanto, um conselho: experimentem e fodam lá
essas merdas das auto-ilusões.
Sentimo-nos mais inteligentes e tudo!

(Já vos agrada a crueza da linguagem,
mais próxima da minha oralidade?)





I am the Cheshire Cat

and I welcome you, dear rain



Isn't that a lovely hat, Hatter?


Terça-feira, Agosto 26, 2003
Mais um grande maluco

Estes putos, no meio da loucura que por lá reina, tiveram hoje a bondade de me fazer recordar um velho amigo, que bebeu da loucura q.b. (a loucura nunca se pode beber q.b.) e se determinou a partir para outras paragens. Pum! Bum!
Resolvi, por isso, surripiar-lhes a ideia, recuperar as palavras e o homem e trazê-lo aqui, de novo, à Louca Festa de Chá.
O bom Antero, lá da sua ilha há de querer um cházinho, ele que os tem lá tão bons....

Evolução

"Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
tronco ou ramo na incógnita floresta...
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiquíssimo inimigo...

Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
O, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso paul, glauco pascigo...

Hoje sou homem, e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, da imensidade...

Interrogo o infinito e às vezes choro...
Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade."


Antero de Quental




PROVOCADORA OU EM ABUNDÂNCIA

Anda por aqui uma gaja
a excitar-me pa' caramba!
Ainda por cima tem os
bolsos da saia abertos.
E ainda tem a lata de me
dizer que anda com os bolsos
abertos de propósito:
"a ver se entra qualquer coisa"
Foda-se!




Ao adormecer e ao acordar...

No cimo da montanha dos mistérios do mundo habita sozinha uma criança

Quando lá chegar hei-de olhá-la e rir-me muito com ela.

E morar aí para sempre.





MANUEL ANTÓNIO TAVARES

"Não entro lá [na Bela Vista]. Aquilo é uma desgraça, devia ir tudo
abaixo. Ultimamente até está melhor. Desde que a polícia matou
aquele preto
, eles amocharam. Devia era acontecer mais vezes."

- Paulo, taxista em Setúbal (Notícias Magazine, 10 Nov. 2002)


Preto morto pela polícia:

Manuel António Tavares, 24 anos, foi morto por um agente da PSP
com balas de borracha no bairro da Bela Vista, onde residia. O jovem
foi alvejado apenas porque pôs em causa a actuação da polícia, que
estava a intervir numA rixa entre moradores. Os agentes tinham
desarmado um indivíduo que estava estendido no chão e a vítima
mortal meteu-se entre ambos para acabar com a violência policial.
A curta distância dos disparos levou à sua morte. Manuel António
Tavares era muito querido no bairro e frequentava o Centro Cultural
Africano pois tinha interesse pela música e dança africanas. A
responsável do Centro considera que era "um jovem válido à sociedade
e não um delinquente".



Porque é que as pessoas (algumas)
andam tão previsíveis?
Está a começar a dar-me enjoos...
E tão limitadas.
Não se fartam?

(Peço desculpa pelo tom, mas francamente,
esforcem-se um bocadinho mais...)





PERVERSIS VERITAS

Pensei que a perversidade
fosse coisa outra
Mas eis que a descobri
na minha corte
Uma perversidade mascarada
de benignidade celestial
E eis que se revela
matadouro
Nadei de costas
e segurei a bagagem com os dentes
A metade que levei
chegou inteira
A restante
irei cantá-la




Quero mais!




Não te esqueças...




VENHA CRU

E agora...
Tcham, tcham...
Em reposta a um pedido muito especial...
Um pouco de CRU!

(A imagem é pequenina para não ferir susceptibilidades)




Folia, galhofa e alegreza!




CARA

Que contentamento!
Isto é exaltação demais para mim.
Estou numa de pasto.
Quando precisares de repousar vai lá ter...




Música Maestro!!!




Iupiiiiiiiiiiiiiiiiiiii




Agora estou aqui em cima!!!




Depois dos mergulhos revitalizantes,
uns metros de estilo livre...




Apenas...




You Rock Me Up!




MANHÃ ABERTA

a manhã vem acordar-me
com a sua luz indefinida
escova-me os emaranhados da noite
vem suave, traz a claridade molhada
estou inteira, rosto fechado ao vento
asas de um mineral puro
o sol a mordiscar-me a face
abre-se em mim, com o seu sabor dormente
o corpo está amansado
as palavras que bailam, leva-as o pólen
nos meus ouvidos entram flores em rebentação
estou imersa no odor forte da terra
enleada na calmia das fontes límpidas
posso falar-te da água que desliza por mim,
percorre os poros, se afunda nos vales,
escorre das montanhas, semeia a humidade
desce lentamente
e o céu observa sereno
aberto sob a plenitude adocicada




E quando a água entorna o copo?




EXALTADÍSSIMA

Outra imagem que transmite o meu entusiasmo matinal...




PIRILAMPO CORRE 100 METROS NAS VEIAS

Não consigo dormir mais.
Desde as 8 da manhã que ando
a rebolar na cama feita parva.
E porquê?
Porque estou exaltadíssima!
Tenho o sangue aos saltos!
Para baixo e para cima, em grande correria!
Sinto-me um pirilampo a tempo inteiro!

(Isto é tudo muito bonito, mas lá para as 16:00
devo estar a dormir em cima do computador...)





Segunda-feira, Agosto 25, 2003
E fica já para amanhã:

BOM DIA SERPENTINA!




Tem uma noite cheia de estrelas-archote...




NOITE

A noite sempre teve este efeito sobre mim,
a mente deambula pelas sombras e a escrita
vem pesada como as cortinas do céu-carvão.




CARA

À toi...




EM ISOLAMENTO

Be clear every day, every evening
It calls here aloud from above
Carefully watched for a reason
Mistaking devotion and love
Surrendered to self-preservation
From others who care for themselves
But life as it touches perfection
Appears just like anything else

Isolation, isolation, isolation.

Mother, I tried, please believe me
I'm doing the best that I can
I'm ashamed of the things
I've been put through
I'm ashamed of the person I am

Isolation, isolation, isolation.

But if you could just see the beauty
These things I could never describe
Pleasures and wayward distraction
Is this my wonderful prize?

Isolation, isolation, isolation, isolation, isolation.

(Joy Division, "Isolation")




UMA LIÇÃO DE PÓS-MODERNISMO

Para a T.C.

"Não estão frescas" é a versão pós-moderna
da expressão "Estão verdes".




Visões na escuridade...




Acredito que até a escuridade
mantém sempre uma luz acesa...




Nado na estrada interminável para algures
perseguida pela vontade de libertar-me das crostas
e ser uma corrente transatlântica veloz
nas planícies de lábios carnudos...




Moi

Sou a leveza das gotículas que despertam
as cores das plantas em devir...





És de agasalho vestido...




PUDESSE EU

Pudesse eu saber onde
habitas nas tuas horas mortas
e passaria a minha mão quente
nessa face que ainda treme
os sobressaltos de outrora
Pudesse eu saber os teus
lugares de encantamento
e levar-te-ia
de mãos dadas
até eles




Neste exacto momento centenas/milhares de pessoas
pelo mundo inteiro estão a ser torturadas e/ou executadas...
Ainda bem que não és uma delas.
Enjoy life!




TERCEIRA MEIA-NOITE

Por António Maria Lisboa:

Ontem à meia-noite três relógios distintos bateram:
primeiro um, depois outro e outro:
o eco do primeiro, o eco do segundo, eu sou o eco do terceiro

Eu sou a terceira meia-noite dos dias que começam




Intervalo publicitário

Um blog verdadeiramente original que eu adorei:


Há poeta sim senhora





Para a S.S.

Lembrei-me de ti...




EM L

Somente lagartas
que enxotam as pedras
atiradas de torres
mais altas
que as mãos que as construíram.
Mãos que desconhecem os abraços véus.
Sento-me entre elas
e os movimentos baralham-se devagar:
O corpo estica-se em lagarta dobradiça
gesticula os olhos grandes
de torrentes saltos estratosfera.
Nascem sardas verdes
no pescoço respiração veloz.
Fiz-me lagarta
e aqui de cima não vejo torres
apenas florestação.




Amiguinhas, aqui vai uma tentativa...




Para a S.L. da A.S.

A tua loucura chega à ponta dos teus dedos
e a partir daí faz o percurso inverso.
Por isso, ela nunca chega a sair!





CORPOS E MENTES EM AQUECIMENTO DISRUPTIVO

- S.S. afirmou:

A exaltação dos corpos não aquece as mentes.

- A.S. respondeu-lhe:

Aquece o suficiente para dar cabo delas!




I am the Cheshire Cat

and this is us




SOBRE A VIDA

Por João de Deus:


A vida é o dia de hoje,
a vida é ai que mal soa,
a vida é sombra que foge,
a vida é nuvem que voa;
a vida é sonho tão leve
que se desfaz como a neve
e como o fumo se esvai:
A vida dura um momento,
mais leve que o pensamento,
a vida leva-a o vento,
a vida é folha que cai!

A vida é flor na corrente,
a vida é sopro suave,
a vida é estrela cadente,
voa mais leve que a ave:
Nuvem que o vento nos ares,
onda que o vento nos mares
uma após outra lançou,
a vida - pena caída
da asa de ave ferida -
de vale em vale impelida,
a vida o vento a levou!

(Para pessoas com pouca visão: é óbvio que isto é gozo!)




Acabei de beber um punhado de flores.
O dia será perfumado e pleno de vitalidade.





CARA

Não te preocupes.
Deixa andar a carruagem...
Os cavalos não se vão cansar.




Apenas...




PROVÉRBIO DO DIA

Quem quer muitas pegadas, caminha muito...




Em nome da vida...




Qual de ti escolheste ser?




CARA

Há uma série de passos que temos de dar para atingirmos
o objectivo "LUNE". No entanto, não somos nós que definimos
os "tempos" dos passos. Temos de ter paciência e passar
por todos eles e não desesperar. Mas tudo isto já é do teu
conhecimento.. Porém, nunca é demais repeti-lo.
Boa sorte.
Contigo sempre.
Nos passos mais complicados, eu dou um empurrãozinho...




Boa noite quentinha...




Domingo, Agosto 24, 2003
CARA

Terra
Água
Ar
e Fogo Interior...




Algumas CORES que em mim vivem...




O Vazio da Ausência...


E quando o corpo está moribundo,
o amor está moribundo,
a alma está moribunda?

Alma adornada de trevas
sem força para levantar a mão caída
engole a noite por inteiro
Oh, como são pálidas as luzes
que iluminam a rua abandonada
Respiração congelada
Palavras sem fôlego
O som desfalece e
morre sem retorno




A Ausência...


O MEU MUNDO

O meu mundo são cinzas
cinzas de fogos grandes e ardentes
cinzas ainda quentes
do tempo em que acreditei
na infinitude
O meu mundo são sóis nascentes
que não chegam ao entardecer
pérolas incandescentes que
queimam as mãos
ervas dançando nas rajadas
de vento descontentes
Perco-me nos seus jardins de areia
e a noite vem de longe recolher-me
O meu mundo é a nudez
de um verão adormecido
O meu mundo são ausências




Desenhei-o tantas vezes.
Mas nunca o consegui apanhar.




PASSOS ANTIGOS

passos sulcados golpeiam
em corpo frágil de mãos
os temores secretos
acendem-se
pedras ferozes caem
e sem abrigo
apanho-as no corpo
as mãos apertam-me
desmedidas




CARA

Um ramo de mãos para ti.
Bom proveito.




ESPOJEI-ME NELA...




Fui ver, era mesmo HUMIDADE!




Um dos Bichos em Nós...




O caminho é um slide, que se ilumina repentinamente...




Há ondas gigantes
que se bebem
aos goles fartos...




Aqui no Mundo Fantástico,
andamos atarefados,
há colheitas todos os dias...




o
meu
coração
é
sumo
de
gomos
doces




Sobrevoei um laranjal e fui laranja de asas flor...




SIT ON MY SOUL

This secret desire
wasn't meant to be told
Please sit on my soul
I don't want to be vulgar
just want to be warmer
Please sit on my soul
I'm sure you won't mind
my heart feels so cold
Please sit on my soul
You're making me blue
i want to be red
Please sit on my soul
Your hands on your waist
please look at my face
and sit on my soul
I know it sounds weird
but be a dear
and sit on my soul
I'm sure you won't mind
my heart feels so cold
Please sit on my soul
I'm sure you won't mind
i'll never grow old
if you sit on my soul

(Letra e música: António Olaio; João Taborda
Vídeo na exposição "Arte dos Artistas"
na Culturgest - A não perder!)





REACORDAR

Transborda ainda das
chaminés os restos do
que ardeu no desassossego
Nem toda a gente se pode
reclinar nos poços fundos onde
as enxurradas têm lugar
A pressão evapora-se,
afunda-se na memória da lama
Escreve fertilidade
na madeira nova
Noutro lugar, rente à minha
cave, um outro motor
faz tremer outro corpo
Demasiados movimentos,
repletos de transparência, puros
descem e sobem os
lances de escada
Colecciono as suas imagens
desenho-as na areia que
o mar de seguida desgasta
Transborda ainda das chaminés
o alimento do amanhã
o acordar de regiões envoltas
em lençóis empoeirados
Há quanto tempo, e agora o
tempo do mundo
Nas suas mãos me deleito...




Quando me perdi
as pegadas
deixaram de marcar
a secura da terra.




VOOS MARÍTIMOS




Para a A.S.

PARTE TUDO!

DESTRÓI A ORDEM!

(O excesso de ordem das ditas cujas é para dar mais pica!!! Percebes gaja!?!?)




FORA DE SERVIÇO

Encontrei uma área "Fora de serviço".
Lá dentro trabalha-se muito.
Chegou o novo material.
A abertura está para breve...




UMA CHAVE

"Tem a solidão isto de comum com o silêncio e a escuridade: espanta;
e aturde quem nela cai; mas, logo que o ouvido, desadormentado dos
sons fortes, aprende a conversar com a mudez; tanto que os olhos,
desofuscados dos luzeiros intensos, se exercitam em caçar espectros
de raios, fosforescências indecisas, que são como que os infusórios
das trevas, descerrou-se o negrume em brilhantismo, a calada aviventou-se
de diálogos, a solidão, que parecia o nada, é o teatro com o seu drama, é
um mundo novo com um sistema completo de existências imprevistas e apropriadas."

(António Feliciano de Castilho, "A Chave do Enigma")




CORPOS VAZIOS E CHEIOS

Porque é que há momentos tão vazios e outros tão cheios?
Quando estão cheios o corpo enche-se de mundos coloridos,
mas, por causa dos primeiros, há sempre o receio que eles
terminem (bruscamente...). Sim, porque isso acontece, mais
facilmente do que se imagina: o esvaziamento quase total.




Troquei duas pegadas por duas manápulas massagistas...




Marte

para a duende

Tenho ouvido dizer que Marte se aproxima...
Ares, chamei-lhe um dia.
Perguntei-lhe se era sereno o Plutão. O Rico, cujo nome não podíamos pronunciar.
Respondeu-me que Hades e Pérséfone recebiam bem. Podia era não voltar.
Disse-lhe que tinha muitos chapéus e muitos mistérios.
Em mim mora um árvore imortal cujo nome é também indizível...
Bem sei, Chapeleiro, bem sei, respondeu-me.
Marte é o que se vê ao contrário do Senhor do Hades, do mesmo nome
Cujo mister é profundidade e cujo olhar é intensidade.

Esquece tudo isso, disse-me Marte
Os mistérios da vida tanto surgem na morte do dia
Como na criação da noite.
A regeneração é uma morte fugidia, uma morte moribunda
Havemos de matá-la juntos para vivermos então.

Nunca matei a morte, como dizia Marte. Sou um Chapeleiro pacífico
Mas percebi depois que o toque de Marte não é de morte
E a única violência a temer dele é a do sentimento.

Que ele desconhece mas nós sentimos.
Em ímpetos pelo corpo e desejos pela vontade.
Como um duende que nos habita por dentro

Aproxima-te pois Marte, exuberante.




Faróis

para o melro cantante

Aqui no País das Maravilhas que se saiba não há faróis (o mais certo é haver) porque não há mar, mesmo havendo muita escuridão. Mas aí fora, Desse lado do Espelho, os faróis são um dos mais belos mundos que o Vosso Mundo me pode desvelar. Não sei se pelos braços de luz estendendo-se por mar e terra, se pela sua solidão recolhida, promissora de histórias. Não sei se pela sua coragem em frente ao colosso oceano. Se por ser um local de amar.
A razão é esta: um dia, aí desse lado vi um rapaz uma noite inteira apaixonar-se por uma mulher que se perdeu na noite. Quando lhe gritou quem era, respondeu-lhe: sou a sobrinha do faroleiro. Desde esse dia ele sabe que encontrou o amor da sua vida e tem corrido todos os faróis do mundo em busca da sua....sobrinha do faroleiro.



O Farol de Alexandria, a mãe de todos os faróis


Bálsamo

para a Lebre dos Arrozáis


As palavras podem ser sangue novo
Sussuradas ao ouvido em amor
Transfusão serena de vida
A um corpo pedindo carinho
À porta da sensação
Um copo de caminho vário
De sentar a alma entretecida de desejo
Junto à existência desejada do outro
União sangrenta de vida e poesia
Um cosmos corpóreo, rosado, vivo
Inundando a visão do horizonte
De palavras, bálsamos em verbo
Uma cascata corrida de sonho
À foz do quotidiano suave
Rico das riquezas do mundo
E das multidões cá dentro
De músicas e sons conhecidos
Como nomes chamando
E vozes, imagens em filmes
As palavras revelam amor
Nas veias possuídas de textos
Ilusões lavadas de fresco
Só restam como futuro bom
À impressão verdadeira das palavras

Quero dizer-te que há um outro caminho
Ao abraço do outro, um Outro.
Um caminho dos corações palpitantes
E dos idealismos inconfessáveis
Onde facas e alguidares
Se choram lamechas de toadas antigas
De frescos amores

Quero dizer-te - é isto que te quero dizer!
Que às palavras do mundo
Podes ver o mundo de outra forma
E uns olhos despertarão sobre as tuas palavras
Como as tuas palavras te despertam viva
E te fazem viva tão bem

Quero dizer-te - escuta, vou terminar baixinho
Que as palavras te guardam as veias e o olhar
Para que sintas e vejas um novo amor
No horizonte sereno do mundo habitado
Morando onde morou sempre
No sabor das palavras que deixas ser teu alimento




Pela madrugada

Metido à noite, com o corpo quente e suado
Os músculos cansados de gestos
Muito chá bebido, muito mundo pensado
Muito caminho corrido.

Apetece-me apenas descansar um pouco. Para começar tudo de novo.
Em liberdade, os meus passos e os meus devaneios
Eu e todos comigo, companheiros.

Cansados que estejamos ao fim da noite,
Ébrios de vida e de sonho
Viajamos pelo sono até à estação do novo dia
Para renascermos assim em passos libertos
E sorridentes.

Carregando a vida no colo. Leve. E tão ternurenta...




"As colinas e os rios designaram-me
para que fale por eles.
Eles estão em mim e eu estou neles."




Sábado, Agosto 23, 2003
"A vida é uma nuvem errante"




TELHADO, TALENTO E MUDANÇA

"Eu quero mudar.
Quero mesmo mudar.
O meu coração arde pela mudança!"




Sexta-feira, Agosto 22, 2003
Lembranças loucas

São as memórias que matam o medo da morte
Só para isso elas servem. E nada mais

Queria retomar a pureza do encontro e do toque
Da inocência infante das primeiras estações

Vou para o próximo dia de peito aberto
E não temo a cor do futuro por me lembrar
Do cheiro das noites passadas e das tardes vividas

Às vezes há um odor que convoca adolescência
Que retoma imagens quentes e cândidas
Onde o tempo parecia mais simples
E o espaço contido num passo

As memórias são o pulmão da vida
Inpiramos e relembramos,
há uma inocência que é sempre quente, chamada nostalgia
Expiramos e libertamos,
há uma certeza sempre presente: vamos ao outro dia





Para um fim de tarde maluco...

Está errado?
Então vamos!
Vamos correr o nosso passo
Pelos caminhos maus
Vamos fazer esgares
E votos de raiva
Atentar contra a moral
E descarregar a fúria
Como uma onda imensa
Sobre uma praia tranquila
Como um choque brutal
Entre o camião e a menina





Não é que eu goste de ter razão.
Mas, de facto...
Enfim, depois as pessoas engolem
as palavras que disseram...
Ou (no caso das mais teimosas)
restam palavras perdidas,
que o vento,
habituado já a estas coisas,
leva...




FORMIGUEIRO

Senti um formigueiro na pele...
Rios de formigas responderam ao meu pedido.
Vieram assaltar os restos de angústia.
Obrigada amiguinhas.
Apareçam sempre...




O que é que este "prato" vos parece...




Na minha mente...




MAIS BORBOLETAS!

As borboletas são nossas amigas!




DE PAU FEITO NO 50

Contexto: Autocarro nº 50 rumo "Oriente", completamente cheio.

"Uma gaja enfia as nádegas proeminentes no 'enchumaço'. Assenta a parte curva
das nádegas no 'coiso'. O autocarro anda para a frente e para trás. Entre o empurra
e o aperta uma pessoa fica de 'pau feito' no autocarro. Depois disse-lhe 'Com licença'."

por L.N.




Uma das minhas melhores amigas:

Echinacea Purpurea




XIXI

Hoje sonhei que fazia parte do concurso:

"Quem faz o xixi maior e com mais acrobacias"

O outro concorrente era um rapazinho de 7 anos.
Adorei! Lembro-me que estive a fazer xixi acrobático,
de voos muiiiito altos, durante uma hora!
E não fiz xixi na cama!!!




Eu própria sinto-me muito borboleta...




"Ó subalimentados do mundo! a poesia é para comer..."

(Natália Correia)




MILHARES DE BORBOLETAS!

Há borboletas por todo o lado!!!
Dentro de mim, à minha volta,
em todas as partículas das aragens
frescas deste dia radioso!!!




[...]

De luz é o dia se o vivermos além
À frente da translucidez da íris
Afastados, pois, dos contornos certos das formas
Corpos, objectos, até ideias
Desvanecidos em miopia onírica
E erguidos, todos, em uma só luz
Pois só da luz se parte à escuridão
E só na escuridão serve a luz
A existência
Assim é certo o caminho
Da escuridão invisível do mundo atrás da nuca
À muita lucidez da visão sublime
Que olha já o futuro condensado
Mesmo na multiplicidade presente
Morando vária




Quinta-feira, Agosto 21, 2003
AQUECIMENTO FOLHAL

Ontem dormi mesmo na Floresta e ela foi muito
simpática, arranjou-me um lençol de folhas com
aquecimento. É que eu sou muito friorenta...




COMPANHEIROS DE BLOG

Vou contar-vos um pequeno segredo: nem sempre
escrevo sozinha aqui no blog, às vezes estou muito
bem acompanhada...




Baloiçando nos sons harmónicos da vida...




QUINTA-FEIRA

Tempo excelente!

Pegadas aos saltos...




I am the Cheshire Cat

and these are The Words of the Reconstruction


Be joyful! Let your breath take your breast and inspire the new days!

Look at the world without time or space, just will

Search and grab the little things that live in the shores of the hours

That make you question the future and hasten the present!

Build and dream, as brothers they are

And go through your thoughts like through a stream

Of clear water, a path of unknown yet certain happiness

Embrace your loved ones with words and wisdom

And with the touch of a hand, let your soul drive your body

And find the soul within the voices and the visions of the waking life

That that lies, horizon, as promisse that you have to fullfil

And always remember yourself like the one feeling and building

Like the one within the embrace of the others and the world

Peaceful reconstruction will come. As energy, deepness and infinity

And Serendipity. Live it!




To you...all


À mesa...aqui como Aí, Desse Lado

Deuses à volta da mesa do café, metido em conversas de adolescentes. Aí Eles são mais Verdade do que num templo qualquer. Deus aí é uma passagem, uma recolha e um esquecimento e as conversas são belas por isso, e eu amo-as. Sei-me perdido nisto e por isto. Contente por me poder esquecer de mim no caos criador das vozes que ouço, em significados que uno tão cabalisticamente que sou eu um profeta de um novo Mistério, sorrindo ao timbre de novas profecias reveladas. No lugar de culto escondido em café, venero as missas das dez e tal e idolatro eucaristias da mesa-altar que me ladeia, recebendo angústias, incertezas, banalidades como dogmas desta religião. Pentagrama afixado na discussão para alvo das ideias que passam: pederastas, magia em túnicas brancas, druidas na mata fingindo dança. Cai este ídolo ao fim do ritual como simples dia que cessa. Pentagrama que cai, rave que surge, sons e trips à mistura. O duro da vida aí se cura, corpos vibrando em loucura, misticismo delirante em lugar santo, onde expressão de fé é viagem e não o pranto. Estou exaurido por esta devoção, encanto espiritual que me esgotou, um religar novo em dispersão que não sabe se algum deus criou. Está nisso o sublime de não importar, aqui fé é só estar. Sem consciência disso, sem ser nem pensar.




SENTIMENTO-BOMBA

Deve-se ter muito cuidado com o sentimento-bomba.
A maior parte das vezes explode-nos na cara,
provocando estragos consideráveis.
Os seus estilhaços penetram por todo o corpo...




Pegada a pegada
vai-se enchendo
o caminho de pés...





RESQUÍCIOS

Não sinto verdadeiramente dor.
Sinto resquícios da dor passada.
O que provoca, de tempos a tempos,
alguma angústia latejante.




Acreditar

Há um caminho da terra e da luz, vago, abrindo os contornos do ombro a um olhar de pássaro. Estrada imensa, enevoada de fogo soturno, raivoso de sangue e de seara como uma criança chorando. No passo desse caminho começam a surgir as perguntas líquidas à língua seca de vertigens e fúrias. À míngua de paz, pergunta-se de fome e de frio o gume da saudade, o fio da vontade, a espora do sonho. Todas as perguntas da estrada que pulsa são eivadas de substância, de matéria. Apenas se buscam as vestes inumanas da mais perene alegria que como algas de pó se fixam aos poros e como estrelas nascendo sejam sempre tudo aquilo que nos acompanha e protege como enormes veias de linfa, sangue e vinho onde possa correr a existência sem derrames nem perdição. Mas nada disto o caminho nos diz ou mostra. O seu brilho fúlgido cega o futuro longínquo e só resta dele o sonho que em cliché se alimenta a custo, apascentado ao longo dos dias e das canções. Não há vozes aqui neste caminho de nudez, só um princípio de corpo que aprende, escuta e treme, flébil. Febril, no entanto, por dentro, como castelos a ruir de fogo, de deslumbre e de fome. A fome está sempre presente. Desde o vislumbre do ombro no princípio, ao fim que só os corais sabem e deixam brilhar. Baixemos ao peito, no percurso do caminho, vindos do ponto anterior do ombro, deserto terminal. Antecipemos rumores urbanos, de sol e de fadiga, ao chegar ao sopé dos seios, essa margem do desejo, essa fronteira do visível e do erótico. A ave que se transforma de adolescência e maternidade em pureza ardente e felina ¿ todos os seios são Fénix ¿ ou em insídia-serpente com alma de elfa dos rios. Há mais luz neste lugar supremo e a mão sente-se cometa. Apetece perguntar o que é o instinto senão o impulso do tacto. Agarro por trás o caminho e fecho as minhas mãos sobre os seios surpresos dos ombros. Há uma lembrança latejante do lugar onde começou a viagem e a minha face abre-se ao abocanhante desconhecido. Uma romã desenha-se na minha boca e todo vermelho me torno, de sumo e de sangue, de violência e de sexo. Esquece-se o caminho de mim e eu dele pois estamos um no outro e não há como esquecer o que mora em nós, por muito tempo. Não há como viajar no caminho carmim do líquido criador, pousado num relógio de cristal e assim se banhando a lua, em tempo, em compassos de tempo e minutos. Voo do peito e retorno ao passo do caminho escuro. A minha mão ficou na vulva observante e escanchada. Danço por ela. E no meu passo haverá sempre essa dança.



Já o disse e repito: beijem-se muito!


I am the Cheshire Cat

and this is my friend, The Night Cat




O meu melhor amigo e a minha melhor amiga,

Harley Quinn






Surpresa...

Em breve ele estará aqui.




Quarta-feira, Agosto 20, 2003
Boa noite estrelas...




Uma memória do passado, próximo ainda...




É verdadeiramente incrível o tormento que se sente.




CALDO

O caldo às vezes parece que vai entornar.
Houve alturas em que entornou "forte e feio".
Não foi bonito de se ver. Não foi não.
Então de limpar...
Cheira-me que ainda vai voltar a entornar.
O meu faro engana-se poucas vezes...




Este quadro chama-se Eternal Game...



"There is a voice inside of us that always knows what is right and what is wrong.
Sometimes we call it 'the voice of doubt', or 'the gut feeling', or our will... I see
it as a mythical bird Sirin - beautiful, wise and sad. Throughout our life we try to
fight it, ignore it, explain to ourselves rationally that it just cannot be right. And
we are playing this eternal game inside our minds till the end without victory."


PALAVRAS

canto as palavras dos campos:
zumbidos de navios
que atracam para repousar
em areais entornados nas águas
e logo partem sedentos de espaços de luz
palavras feitas de prados em crescimento,
de força madeira e textura solar
acompanhadas por um vento leve
que sopra os quadrantes das viagens
palavras com cheiro a especiarias exóticas
que apalpam a pele em gestação
ah, diz-me mais:
narra-me os sons, a cor, os segredos
da terra em convulsão
palavras que são flores dançarinas
abrindo-se para o mundo
em carícias de preciosos néctares
palavras de risos
que os campos cantam comigo




E ela desabrochou...




Estive a pintá-la de novo...




Ups, lá está ela...




Hoje durmo na Floresta...




CARA

Tenho uma coisa para te recordar...
Cinco anos e a bela expressão "Realmente!"
Era só isso. Cumprimentos.




"Poucos foram aqueles que souberam
conviver com o seu próprio inferno"

(Al Berto)


Aqui vai um belo quadro de Hieronymus Bosch
ligado à temática infernal:




RECEITA POSSÍVEL

Gostava que este mau-estar específico passasse mas concluo
que não há muito a fazer. É daquelas coisas que "faz parte".
Já sei como são estas coisas, não é...
Dar-lhes alguma liberdade, apenas alguma, e não deixá-las
tomarem o controlo. É a receita possível!




TIM

E quando já se sabe o que é que se vai
sentir, tim-tim por tim-tim...




QUARTA FEIRA

Manhã: o tempo está ensonado mas tem de acordar
porque há coisas a realizar...
Tarde: e não é que acordou muito bem disposto!




Deixei cair uma pegada e ela pisou-me...




A FERIDA

"Na origem da beleza está unicamente a ferida,
singular, diferente para cada qual, escondida
ou visível, que todos os homens guardam dentro de si..."

(Jean Genet)




BRILHO FERIDO

Tantas mudanças nas veias
Vêem-se à flor da pele
A pele tem uma cor estranha
Está prensada com demasiadas perguntas
Que assombram o espírito
Tenta-se uma reordenação das prioridades...
Vou olhando os outros
Numa busca sedenta
Conseguirei de volta
A partilha de ruas cheias?
Porque o corpo continua vazio
E apenas rondam rumores
Apenas rumores...
Como explicar-vos a tipografia da dor
Os seus escritos continuados:
As estações abandonadas
As esperas molhadas
A vida nas fronteiras...
Eu lembro-me e pouco me tranquiliza
Serem já apenas ruídos
Há zonas inacessíveis
E não consigo ter paz
Porque é necessária
A iluminação dos murais?
Aqui dentro o brilho continua ferido




Terça-feira, Agosto 19, 2003
Boa noite meninos e meninas...




CARA

Isto de ser tua co-pilota tem muito que se lhe diga.
Demasiados altos e baixos, cara!
Turbulência a dar com um pau!
Mas aguenta-se, que remédio...
Enfim, muita animação, muita animação!!!




Está na altura de dar uns quantos saltos!

Dêem à corda!!!




A dieta forçada vai no bom caminho.
Já plantei uma macieira no quarto...




Gota a gota, a bicharada dos rios interiores vai descongelando...




ROMÃ

Romã doirada pelo sol alto
Amadurecida pelo curso do tempo
Guardava segredos nos seus caroços em hibernação
Abre-se em pétalas rasgando o tecido
Sente-se o palpitar já fora dela
Transborda em feixes desenhados na terra




CHEIRO A LIBERDADE

Yes I am mother nature's son
and I'm the only one
I do what I want and I want what I see
huh, could only happen to me

I'm so free
I'm so free

Oh, please, Saint Germaine
I have come this way
Do you remember the shape I was in
I had horns that bent

I'm so free
I'm so free

Do you remember the silver walks
you used to shiver and I used to talk
Then we went down to Times Square
and ever since I've been hanging around there

I'm so free
I'm so free

Yes I am mother nature's son
and I'm the only one
I do what I want and I want what I see
could only happen to me

I'm so free
I'm so free

Oh, oh, oh, I'm so free
oh, oh, oh, I'm so free
Oh, oh, oh, I'm so free
early in the morning, I'm so free
Late in the evening, I'm so free
yeah, yeah, yeah, I'm so free
When I feel good, I'm so free
when it's in the morning, I'm so free
When it's in the evening, I'm so free
I'm so free, I'm so free
I'm so free, I'm so free
feel so good, now, I'm so free
Oh, oh, oh, I'm so free
yeah, yeah, yeah, I'm so free
Oh, oh, oh, I'm so free
feel so good, now, I'm so free
Feel little nice, I'm so free
feel little down, now, I'm so free
You're so free, I'm so free
I'm so free, I'm so free
I'm so free, I'm so free
I'm so free, I'm so free

(Lou Reed, "I'm so free")




Estava a passear quatro pegadas.
Distraí-me por uns segundos e as tipas piraram-se...





A caminho de casa encontrei uns conhecidos meus...




Ditado: "O Lago das Gaivotas"

Sentada na gaivota nº 17 dou aos pedais enquanto observo os patos e
os seus rituais de acasalamento e alimentação. São simpáticos estes
patos, bem alimentados e sorridentes! A gaivota voa depressa sobre a
água, seguindo os movimentos encantados dos meus pés.
À minha frente montanhas vestidas de verde iluminam centenas de
penas que bóiam na água esverdeada do Lago das Gaivotas.

Fim




PROVÉRBIO DO DIA

Quem sobe 100 degraus, sobe 150...
Nem que seja de escadas rolantes...




Vem cá ter...

Olha Sérgio, tás connosco tás com.... connosco. E nós vamos cuidar de ti. Quanto ao resto, deixa, eu já contei tudo à Rainha de Copas e ela fará justiça.

Vá, vem cá ter e bebemos um chá para sempre

Abraço




In memoriam


TERÇA FEIRA

O tempo estará esplendoroso até ao final do dia!
Amanhã não faço a mínima ideia...
A tipa que costuma fazer umas previsões mais
acertadas está de férias...




Um projecto experimental

Hoje estou para confissões...deve ser da teína concentrada neste chá mate gelado. Ó Ratinho Campestre pisga-te a ir buscar mais água para embebedarmos este chá de temperança que se não ficamos com as barrigas às voltas....dizia eu, hoje estou para confissões...eis o que vos quero dizer:

O País das Maravilhas é um projecto experimental. Aqui quer transcender-se a pessoalidade, que é como quem diz a personalidade, que é como quem diz a mascaralidade. Máscara do quê, perguntarão. Eu, respondo, muito obrigado: da alma. A alma é chata para Duquesa mas depois de conhecida é um portento. Nem a Lagarta Catrapila nem Gaiteiros às Portas da Aurora se lhe comparam. A alma é uma espécie de vento, que é uma espécie de farol, que é uma espécie de voz de luz, que é uma espécie de plim. Isso mesmo, plim. Quando penso na alma vem-me muitas vezes o plim à cabeça. Melhor diria que quando a alma pensa em mim eu lembro-me de plimbar. A alma é um grande plim, um plim dirigido, um plim sereno. Para falar a verdade a alma é uma plim. A alma é femino. O eros veio depois. E ele, mesmo assim não é coisa nenhuma. De homens e mulheres, se é que me entendem. Sei que tu entendes Eros.

Por aqui estamos constantemente a tentar fugir à chatice da alma: ter corpo. Eu, por exemplo sou Chapeleiro há não sei quanto tempo que nem o tempo ideia faz e antes disso, sei-o de fontes seguras (Ah...um seio de frontes maduras...mas divago) sei de fontes seguras que antes era Papão, ou João Pestana, ou lá o que era. Sei que era de noite e agora sou de dia, para expiar a encarnação mal encarnada (e dormida).

Aqui, por isso, andamos sempre de corpos às mãos da alma, dessa plim invisível mas tudo vendo - muito mais que o corpo - e que se vai esgueirando do seu corpo a outros corpos e encontrando-se, pois a plim é muitas e uma só. É uma confusão de plim que nunca percebi. Voltemos a chamar-lhe alma, que eu não quero cá confianças.

A alma foi a única que até hoje disse saber a diferença entre um corvo e uma escrivaninha. E isso não é de somenos

Aqui no País das Maravilhas damos por isso um corpo mais livre à alma. Não temos cá regras senão as regras por quebrar e as regras de como chegar às regras por arranjar. Às vezes temos tantas regras sem querermos ter regras algumas que damos cabo das regras todas. E é por isso que por aqui há nenhumas regras. Por isso e porque a alma sabe de si. A alma é na verdade a única regra sendo que como não gosta de regras se esqueceu de si mesma. Pelo menos dessa parte.

Por isso dizemos que aqui somos todos loucos. Pois claro! Não há cá manias de sermos assim ou assados, de fazermos isto por aquilo ou aqueloutro. Aqui guia-nos a alma. Vemos mais longe, é verdade, mas não dizemos a ninguém. Perguntamos, só que perguntamos de outra forma. Mas entendemo-nos. Ainda me lembro que ontem, mesmo antes de lavar os dentes me virei para a Lebre e lhe perguntei: viste por aí o relógio de dar corda aos sapatos? amanhã tenho de ir a horas a rainha de copas... Ao que a Lebre me respondeu: no outro dia ocorreu-me que é infinitamente mais pequena a maior das verdades do que um sorriso a meio.
Exacto!




Plim!


Nunca!!! Ouviram bem?? Nunca!!!!




Eu e o Gato de Cheshire pintados de cima





Mas na verdade...

Não se chega ao País das Maravilhas. Ou se vive nele ou não.
Ver as coisas de uma certa forma é sinal de estarem ou não no País das Maravilhas. Ver as coisas assim, por exemplo:




Como chegar até nós...

Muitas vezes, quando andei aí por Esse Lado do Espelho, ouvi perguntar como poderiam chegar ao nosso País. Pedi sempre que falassem com esta menina:





É bonito não é?

Este é o meu chapéu. Gostava que o ficassem a conhecer melhor...




MAS TODA EU SOU LARANJA!

(T.C. abre os olhos!!!)




Ou tenho uma laranja nas mãos!

(Nova piscadela de olho à T.C.)




Até fiquei com as mãos laranja!

(Piscadela de olho à T.C.)




CARA

Exaltação e diversão!
Muito bem!




Comentário Global

"ISTO É UMA BOMBA RELÓGIO, PODE
REBENTAR A QUALQUER MOMENTO!!!"

Por A.S.S.S.




Comentário de S.S.

"Depois de Dezembro, depois de Dezembro..."

(Com entoação Álvaro Cunhal)




Comentário de S.L.

"Isto é que é material!
Isto é altamente sexual!
Isto é a puta da loucura!"




Comentário de A.S.

"Preferia que o calor fosse insuportável"




A EVIDÊNCIA

"Preferia de longe o programa adiado"

por ...




O NASCER DA SEXUALIDADE

"Espero que estejas viva com este calor
quase insuportável ou que por entre as
grutas esteja mais agradável."

por ...




UMA IDA AO OTORRINOetc.

"A minha vida não está desestruturada.
Está é estruturada de outra manera.
Está menos composta. Agora já respiro.
Respiro pelo nariz e pela boca.
Antes era só pela boca."

por A.S.




Mulher-Brisa:

Sereia do vento...




Homem-Areia:

Cavalgando as dunas...




À MATERNIDADE (2)




Começa por "A"...




PARANOIA

"Paranoia... Going to collapse into a black hole
Please don't do that
Paranoia Paranoia da de da da da"

(Bauhaus, "Paranoia")




A culpa foi da puta da ostra!
Há quem diga que foi da mania das grandezas!




Segunda-feira, Agosto 18, 2003
SUBSTÂNCIA!!!




Que a noite mansa te abrace...




CARA

Vai fazer castelos de areia...




Para alguns só há comida de mosca...
Ou ser a comida das moscas...




Ups




Cheira-me que isto não vai correr nada bem!
Mas tem de correr.
Porque as horas fazem dias e o tempo avança.
Já conheço o guião.
Há-de acontecer como previ.
Até a minha explosão!




A estranheza das viagens turbulentas...




Engoli uma pegada e senti passos por todo o corpo...




Saudade de tamanho ardente
de mãos e sóis
Um passo para onde?
Os restos das feridas consumidas
pela passagem lenta do tempo
Um passo para onde?
Há algo que não vejo debaixo do manto
que se constrói sólido
Um passo para onde?
Há passos que se fecham...
A meio das escadas
abre-se um mundo de degraus
Vou buscar a luz
no fundo escuro das pupilas
Frente a mim
degraus e degraus
e colinas no esquecimento




SOMBRAS E CORVOS

Isto é ridículo.
Mas tenho de te dar os parabéns.
Não percebo é qual é a utilidade disto.
Menos 5 de utilidade = Aborrecimento corrosivo.




CORPO EM CHAMAS




Essa mania que o ser humano tem,
que lhe está sempre a escapar algo...
Tretas!!!




Entornei uma pegada e floresceram logo duas ou três...




FURADORAS

É incrível o que umas palavrinhas, que actuam como o ditado
"água mole em pedra dura...", podem fazer. São as palavrinhas
que furam ou é a pedra que afinal é mole?
Estas questões e outras de igual importância serão debatidas
no décimo quarto minuto do terceiro sonho de hoje à noite,
entre as 5 e as 6 da manhã. Estejam atentos...




SEGUNDA FEIRA

Já no fim de semana se fazia sentir esta frente obsessiva
por todo o continente. Neste dia gelatinoso a frente continua
activa e não é possível prever quando irá para outras bandas.




Dánae...

...um dia ainda hei-de ser a tua chuva de ouro...quando me transmutar, por um espelho outro, em deus dos teus poros.





por agora, dorme, enquanto embalo os teus sonhos...em elipses serenas de loucura morna


CARA

Luminosidade!




EM TONS LARANJA

"Burning my bridges
And smashing my mirrors
Turning to see if you're cowardly
Burning the witches with mother religious
You'll strike the matches and shower me
In water games
Washing the rocks below
Taught and tamed
In time with tear flow"

(Echo & the Bunnymen, "Seven Seas")




CABEÇA DE VENTO

Hoje queria ser uma coisa destas.
Acho que ia bem com o meu estado de espírito.
Estou para aqui a ouvir o novo albúm de
Tindersticks e a fingir que trabalho.
Até estou a trabalhar um bocadinho...




CARA

Aqui vai uma pequena ajuda.
Cuidado com as vertigens.




Domingo, Agosto 17, 2003
Acho que preciso mesmo de ir dormir.
Aqui vai uma imagem simpática para
animar um pouco o ambiente...

O gato voador




Como diria o nosso amigo Jorge Palma:

"Sinto-me Frágil"




A CAIXA

Há uma caixa.
Estou dentro dela.
É uma espécie de castigo.
Porquê?
Vai-se lá saber.
Interessa?
Alguma vez vai existir uma resposta coerente?
Dá um certo jeito haver alguma coerêcia.
Digo eu...
Acabaram de me informar que há uma janela algures.
Já me tinha esquecido dessas coisas chamadas janelas...
Mas tenho uma questão:
"Não dará a janela para outra caixa?"




Tenho "isto" à minha frente e não faço a mínima ideia onde vai dar...
Eu sei que não somos supostos fazer, mas umas "luzinhas" davam
um certo jeito... Para iluminar um pouco "a coisa"...

Também estou cheia de sono e com dores de cabeça, portanto é normal
que me apeteça começar a atrofiar com este tipo de "atrofios"...
Faz parte...

(Enfim, pelo menos a fotografia é muito bonita...)




Tenho uma certa tendência para me perder...
Não no espaço mas na geografia emocionalomental .
Mapas?
Parecem-me desactualizados.
Será verdade?
E o faro?
Lá vai dizendo umas coisas...
Sabe-se lá!




Cara noite,

Procuram-se sonhos bons...





Venham daí

Hoje prepararei um maravilhoso chá mate gelado. Está óptimo e estão todos convidados. Atravessem o espelho e venham cá ter...



...é pena não se ver o chapéu todo, é bonito.


À RODA

Há pensamentos que são como peixes num aquário,
não evoluem, andam à roda, à roda, à roda...




Se fosse corpo era mãos
dar-te-ia toda a ternura
em sopros de respiração.




I've got a dog inside
It has been barking all night!




SONHOS DE LUZ

"I met myself in a dream
And I just wanna tell you - everything was alright
I'm beginning to see the light"

(Velvet Underground, "Beginning to See the Light")




Flor em caracol...




À MATERNIDADE




CARA

Anda por aí muito paraíso!
Olhos abertos!




Só mais uns litros...




Aos companheiros de viagem,

Cantem comigo uma bela canção:

Atirei o pau ao pato-to-to
e o pato-to-to voou bem alto-to-to!


(foi obviamente sem querer, era para acertar um pouco atrás,
mas foi um belo voo, lá isso foi!!!)




Mais piscina!
Mais água!
Isto é o que interessa!





A minha resposta é...




CARA

A irritação é veneno no sangue!
Passa à frente!




Mais uma lição de voo...
Isto está a correr bem!





FOGUEIRAS HUMANAS

Há pessoas, ainda bem que são poucas, que têm uma capacidade ilimitada de me
irritarem, sou capaz de jurar que o sangue ferve! São fogueiras acesas nas noites
mais quentes de Verão. Ainda tenho algumas queimaduras, umas antigas e outras
mais recentes! Porque é que não vão para o Pólo Norte e arredores, lá serão
decerto mais úteis...




Sábado, Agosto 16, 2003
Boas noites loucas!




Já não sou peixe, sou pássaro...




NÃO SEREI COMIDA!!!




UMA AMORA NA MÃO




AMORAR

Quase nada se compara a encharcarmo-nos de amoras silvestres
apanhadas por nós próprios. Vale cada arranhão e cada gota
de sangue derramada...




REGRESSAR

Quis-me de volta
Não podia perder-me a meio do voo
Ver as asas encerrarem-se lentamente na escuridão
Saí à rua à procura da flor da quietude
Saí à rua e pronunciei esse acto em voz clamorosa
Já não tinha os músculos incrustados
Desse tempo encardido
Que só fazia rombos na pele alva
Primeiro veio a perplexidade
De seguida os aguaceiros constantes
Que sufocaram a terra onde nasci
Os dias eram navalhas clandestinas
Que sangravam o corpo a noite inteira
Ó flor preciosa, vales mil dias de revolta insane!
Avançar, dizias...
Para caminho nenhum
Porque a pele estava cheia de infiltrações
E não se movia
Como acender as asas do vento e regressar até mim?
Tudo era inverso ao que sou
Não queria usar mais o vestido de noite interior
Queria ser torrada pelo sol
E levantar-me do tumulto do ser apenas só
No conteúdo dos dias
Quando o sonoro é oco
E só se comunica nas distantes linha telefónicas
A caligrafia retraí-se e vem desmaiada
O levantar...nunca foi fácil...
O recolher da revolta
As mãos que tomei de alguém que não tornei a ver
E avancei, um avançar incendiário...
Saí à rua em chamas
E quis encher-me de mundo!




Pegadas rumo a uma...dieta!




HISTÓRIAS HOSPITALARES

Um tipo bêbado aparece com a mão cortada nas urgências, tinha partido um copo na própria mão. Era um jovem emigrante francês de 2ª geração. Vinha acompanhado por outro, igualmente bêbado, que estava a ser extremamente malcriado com as enfermeiras e não estava a ajudar em nada no tratamento do primeiro. Ia dizendo em francês "merda de país". Talvez tivesse razão, num hospital de Paris, já teria levado um murro do segurança do hospital... (sem direito a tratamento)




UM DESABAFO

As Gastrenterites não são nossas amigas, especialmente quando nos lixam as
míseras mini-férias que temos!!!




Sexta-feira, Agosto 15, 2003
O Azul e o Amor

Uma cor para o amor? A do mar. E qual é a cor do mar? É a cor d'amar.

Assim se resolvem quaisquer dúvidas que pudessem ter sido levantadas entre mim e o meu estimado duende.
Bem diz o Louco do Franco Alexandre que estamos sempre em luta com o duende.... uma luta inspiradora e bondosa, por sinal...




Quarta-feira, Agosto 13, 2003
O Amor é o que está a azul




THE SOFT PARADE

"the soft parade has now begun
listen to the engines hum
people out to have some fun
a cobra on my left
leopard on my right, yeah"




Louco, mas com classe!

Devo dizer-vos minhas loucas amigas e meus loucos amigos que há mais maluquices que malucos. Mas a maluquice tem vários matizes ao contrário da normalidade que tende para a homogeneidade que tende para....bem, basicamente não tende para nada! AHHAHAHAAH. Como dizia a loucura, a irracionalidade, a insanidade, a maluquice, a demência são tudo vestes várias desse Outro caminho que trilhamos, umas vezes mais mapeados outras mais desabrigados. Um dia hei-de falar-vos destas mesclas de alteridade arrojada. Por agora, acreditem em mim, aquele de que vos vou falar é louco. O louco é um ser superior dentro do universo da irracionalidade. É verdade que é um pouco sério mas contém em si um humor negro que por muitos é apreciado. Enfim, não é definitivamente uma loucura leve. O louco é pesado e, por isso mesmo, tem de encontrar formas extensas para se explanar. Tudo isto porque Mr. Alfred Hitchcock (nada de piadas ordinárias) faz hoje 104 anos. Parabéns para ti, parabéns para ti, parabéns para ti, parabéns para ti...lá...lá...lá. Este louco, aparentemente contido, raiou por vezes a insanidade (mas aí há alguma perda de inteligência) mas nunca foi só um maluco, como eu. Grande Senhor, sim senhor...




Os frutos já maduros
aguardam a tua mão...




Ah....os Stranglers

Foi a Lebre que me trouxe a música...lembro-me de colocar o vynil na velha grafonola e perceber logo que só podia ser sobre mim...."he's mad he's mad" Ahahahah...
O mais interessante é que só nos vimos uma vez, aliás como eles mesmo explicam na canção com o meu nome, The Mad Hatter.

Eu tinha ido entregar um chapéu à Duquesa, lembras-te Chesh? e quando regressei eles estavam cá todos. Muito negros e punks, mas uns rapazes simpáticos. Eu, claro, entrei comigo mesmo e comecei a animar Esta Louca Festa de Chá. Parece que os rapazes gostaram e quando saiu o álbum Aural Sculpture, lá estava a nossa tarde retratada com o meu nome por título! Curiosamente eles já antes tinham conhecido a Duquesa...o que explica algum mau génio dos meninos...a qual também lhes inspirou uma música homónima.
Fiquei com saudades de ouvir os Stranglers....venham daí à Louca Festa de Chá, vou por Stranglers na grafonola!






Em caso de desepero lembre-se:

Por vezes há portas escondidas no horizonte...




Há sempre o próximo passo.
Apenas para quem tem pés...




O deserto somos nós...

Cada grão de areia reles, cada brisa infernal,
cada oásis fechado para obras...

(Lá passa um camelo de vez em quando...)




I am the Cheshire Cat

and do you remember this Hatter?

"He's mad he's mad
He's mad he's mad
You may have read the book
You might have seen the film
But I've seen it with my eyes
Was it tweedle-dum? Was it tweedle-dee?
But Isaw through his disguise
There was a Cheshire cat next to a water rat
And a JuJu awful wise
We were sat to eat now was it trick or treat?
We were in for a surprise
Here comes the Mad Hatter
Here comes the Mad Hatter
Here comes the Mad Hatter
He doesn't need a hat He's not crazy eves
And he rolls them round the group
He's got stories tall and a winning smile
As he then surveys his troups
Then he'll about a lot of things
In a song you've never heard
But it sounds so sweet He gets up on his feet
And he's looking for the word
Here comes the Mad Hatter
Here comes the Mad Hatter
Here comes the Mad Hatter
Mad as the Mad Hatter
Mad as the Mad Hatter
Mad as the Mad Hatter
It went on oh quite late as I went through the gate
And I began my journey back
I was glad to know that I'd seen the show
That I'd found a happy jack
Because they're getting rare, we never get our share
Seem to be a dying breed
But they're so much fun Laughter's on the run
As the Hatter plants the seed
Here comes the Mad Hatter
Here comes the Mad Hatter
Here comes the Mad Hatter
Mad as the Mad Hatter
Mad as the Mad Hatter
Mad as the Mad Hatter"




MONTANHAS DE COISAS

montanhas de coisas
em rodopio
ando em círculos, quadrados
em qualquer formato
em estradas sem alcatrão
deixo os meus passos flutuantes
subo cercas e arrombo celeiros
trigo, centeio, devoro alimentos
semeio mais passos
pelos quintais do mundo
sentes trepidar?
montanhas de coisas
em carrossel
puxam-me
cospem-me
em voos contínuos




UMA HISTÓRIA DE BEJECAS

O dia não estava a correr bem, estava muito calor, de maneira que resolvi
entrar num café de esquina e pedir algo ao tipo que estava a servir:
"Dê-me uma bejeca, por favor!"



Ao fim de umas quantas bejecas já não tinha muita vontade de me levantar
da confortável cadeira da esplanada. Mas faltava qualquer coisa...



Comecei a olhar em redor e vi um daqueles homens que não passam despercebidos...
Dei-lhe um bocado de conversa e lá se sentou a beber uma bejeca comigo.
Agora sim, o dia estava a correr bem!




PEGADAS NAS RUAS

Informa-se que na zona Sul do Bairro das Pegadas
as ruas que há alguns meses atrás se encontravam
bloqueadas estão novamente livres para a circulação
de bens e pessoas...




Há pessoas que passam pela nossa vida e dizem:
- "Estou só de passagem"
Há umas a quem pedimos:
- "Fica mais um pouco..."
E outras a quem dizemos:
- "Despacha-te!"
É importante identificá-las com rapidez para,
no caso das últimas, não puderem fazer muitos estragos...




À procura das cores do mundo...




Vou rir...
Até já...




CARA

E as danças também...




CARA

As canções esperam-te...




União



E eu confio no Escher, pois era um grande maluco. Chamou-lhe "Bond of Union...ainda vos falarei do Escher um dia...


Desaparecido em combate (outro tipo de combate)

O que é que falta aqui para eu vos poder contar uma história?
Temos um castelo, uma princesa, um dragão...



O que vocês não sabem é que a princesa sabe desenvencilhar-se muito bem sozinha e o cavaleiro andante está em casa a preparar um bacalhau que é um primor (modéstia à parte, fui eu que lhe ensinei - uma receita de verão: bacalhau com natas frescas e morangos...)

De qualquer modo se houver problemas o unicórnio resolve...


I am the Cheshire Cat

and sometimes we have to stop and smell the flowers...




Gostei muito desta imagem, chama-se...

BOOKWOMAN




A nossa canção


"Twinkle, twinkle, little bat!
How I wonder what you're at!"

"Up above the world you fly,
Like a tea-tray in the sky.
Twinkle, twinkle--"'





Assumo sem problemas:

Há alturas na minha vida em que sinto falta da chucha!





Dormouse

Hoje decidi trazer à mesa, mas com voz, o nosso amigo Ratinho sempre tão gozado pela Lebre (claro que a Lebre dirá que sou eu que me estou sempre a meter com ele mas a Lebre é completamente louca, por isso...). O Ratinho, coitado, está connosco há tanto tempo e eu raramente falo dele. Na verdade é bastante simpático e não fosse ser completamente teinómano seria um companheiro simpático. Foi o vício que deu cabo dele... tentámos ajudá-lo mas não há esperança: à vista de um cházinho lá vai ele. Aliás, a Louca Festa de Chá ainda hoje se mantém como forma de darmos algum conforto ao pobre do Ratinho, que sem as nossas chazadas não teria ninguém que o ajudasse. Ainda me lembro de um dia....lembras-te desta Lebre? em que o tivemos de salvar de se afogar no bule...acho que tenho para aqui a velha fotografia... Parece mesmo que o estamos a empurrar lá para dentro mas na verdade estávamos a tirá-lo! Ah...o bom do Ratinho....só neste País...




Ó Ratinho...canta aí a nossa canção...

"Here the Dormouse shook itself, and began singing in its sleep `Twinkle, twinkle, twinkle, twinkle--' and went on so long that they had to pinch it to make it stop"

deixa estar eu canto...




HÁ SEMPRE ALGUÉM QUE NOS DIZ:

"PÁRA UM POUCO!"




NO REINO DAS INUNDAÇÕES

Queres mesmo abrir a torneira?
Vê lá não te afogues!
Até eu tenho medo de a abrir
e ela está no meu lavatório...
É melhor chamar um especialista,
sei que há muito poucos
mas ninguém quer inundações
impossíveis de controlar, não é?!?




I am the Cheshire Cat

and...Yes, we do!





I am the Cheshire Cat

and this is not about astrology.... (grin)

It's about....





FLORIPILARITAS

Hoje nasceram-me
floripilaritas
nas mãos e nos pés.
É muito bom sinal.




Estações

as minhas preferidas são o Outono e a Primavera, depois o Inverno. Resta o Verão que cá vamos bebendo a chávenas de chá e muita bonomia!




Aurora

É para esta menina que o meu amigo Gaiteiro toca....

Na verdade, para esta e para todas...o meu amigo Gaiteiro, suspeito, sabe a diferença entre uma escrivaninha e um corvo...




LAGO DO AMOR




Novo serviço de chá

Resolvi fazer uma surpresa aos meus convivas aqui Deste Lado do Espelho e remodelei esta Louca Festa de Chá...

Desejo-a ainda mais refrescante! Apareçam...




Aproveitem o que resta da Lua Cheia e lambuzem-se de gelado





Beijem-se

Beijem-se muito




PROVÉRBIO DO DIA

Voo a voo
vai-se subindo as escadas




Na mão tinhas uma maçã, Ariadne...
Já saberias o que esperavas?
Foi Teseu que te deixou em Naxos
Mas não chores por ele, Ariadne
Foi o Deus que lhe pediu,
Outros são os teus fados.

Com essa maçã na mão, Ariadne
Só podes esperar o Deus
Cheio de púrpuras e perfumes
Cheio de uma vontade louca de ti
Trinca essa maçã, Ariadne
Perceberás

E eis que chega Diónisos
Aí estão suas panteras
Eis que chega o Deus louco
Para te enlaçar eternamente
E de heras e vinhas se habitarem
Em amor inebriante, Ariadne




HÁ FESTA NA FLORESTA!

Podem levantar o convite na toca nº 6.
É obrigatório levar pelo menos uma
peça de Alegria e Risos!
Por favor não arranquem as folhas das árvores.
As árvores são nossas amigas!
Podem dar de comer a todos os animais,
mas certifiquem-se que a comida não contém corantes.
Não excitem muito os pássaros,
senão de noite ninguém dorme.
Obrigada e divirtam-se muito!




CARA

Não te esqueças de levar
a boca adocicada...




O MUNDO É UM QUADRO GIGANTE
PARA EU PINTAR À MINHA VONTADE!

IUPI, IUPI, IUPI





DEAMBULAÇÕES NA BANHEIRA

A banheira espera-me
com a sua água purificadora
derrama em mim a água de ontem
presa à força nos canos
Ah, falta-lhe sal!






serei caçadora de vida
anunciarei os voos
de claridade dos pássaros
e a chegada de cada
ramo de luz




Vou deixar as minhas Pegadas
em lugares festivos
e trazer entre os dedos
terra húmida.




CARA

Desejo-te o melhor.
Como sempre.




Terça-feira, Agosto 12, 2003
Primmmmmmmmmmmmmmmmmm...

Sobrou um pato...

(Informação de última hora: tinha comido ao almoço um prato cheio de azeite
e o vinagre não conseguiu actuar com a eficácia normal. O pato foi atendido
nas urgências há cerca de uma hora e encontra-se bem de saúde, está apenas
um pouco cansado e com azia. Aguardam-se novos desenvolvimentos do caso)




PATO AU VINAGRE

Demonstração da ambiguidade contida nos provérbios:


- Não se caça moscas com vinagre mas patos sim!





PROVÉRBIO DO DIA

Em homenagem a essa grande história infantil cheia de lições de vida:

Quem semeia patinhos feios
Colhe cisnes




LIBERDADE




APENAS...




Tenho duas coisas a dizer:

1. Apenas...

2. Liberdade

As respectivas imagens seguem já de seguida.


TERÇA FEIRA

(perdoem o atraso, mas a previsão para hoje estava
com algumas complicações motivadas por uma
pequena indisposição fora de época)


De manhã neblina matinal e aguaceiros fracos. Uma chatice.
De tarde um pouco de paciência e lá vem o sol radioso!




Bombinhas de instantes
abertos à vontade
estalam nas mãos!




CARA

Deita a bicharada toda cá para fora!
Grita cada asa, cada pata, cada escama
que encontrares!




LÉVITATION (em francês é mais leve)

Não se trata de escapar a
mas sim de levitar sobre




Caros trabalhos não forçados,

Até daqui a uns dias...




Amigos comuns

Eu e o Syd.... sim, porque nas décadas que passei aí por fora, não conheci apenas o Ian...Eu e o Syd, no entanto, a nossa história é diferente: é que ambos temos um estranho amigo comum, O Gaiteiro.
Eu e o Syd conhecemo-nos do modo mais normal. Eu estava em Londres, tinha acabado de entregar um chápeu a um duende e estava com ele à conversa num velho recanto nosso conhecido onde o vinho era de confiança. Entra o Syd. A princípio achei estranho pois as curvas do caminho que levavam aquele recanto eram pouco conhecidas, alguma magia era preciso. Mas quando o olhámos nos olhos, Lúbricos, Sorridentes, Dançantes, percebemos como tinha descoberto o caminho. Achei-o parecido comigo (na altura tinha o cabelo comprido) e resolvi chamá-lo à nossa mesa. É engraçado, olhando para trás, reparar que quem lhe chamou a atenção foi o duende. O Syd fitou-o pasmado e depois desatou a sorrir sorrisos por todo o lado. Mais tarde descobriria com alegria esta história cantada no álbum The Piper at the Gates of Dawn, em The Gnome. Por falar do The Piper at Gates of Dawn (um dia hei-de escrever sobre o álbum ele mesmo, noutro sítio) foi ele que nos juntou e que originou o álbum com o mesmo nome. Estávamos à conversa, já em horas doces da madrugada, sem grande interesse até então, quando o Syd começa a trautear uma música que dizia estar a ouvir. Nós não ouvíamos nada... mas, depois, percebi: "Se calhar estás a ouvir o Gaiteiro, afinal, estamos quase às portas da Aurora". O Syd olhou para mim, esgazeado: "Também o ouves?" Se o ouço? Eu conheço-o". E pronto, the rest as they say is history. Dois dias depois apresentava-lhe o meu velho amigo Gaiteiro.
Ainda vi o Syd várias vezes depois disso, aí Desse Lado do Espelho e algumas vezes no meu País. Só me falava do Piper. Conversávamos horas e horas sobre ele e os amigos. A minha loucura fazia parte da família dionísiaca enquanto que o Syd claramente se revia no pânico. Todos sabíamos, por essa altura, porquê. A mesma razão por que tantas vezes o vi no meu País e no Sítio do Pica-pau Amarelo e noutros mundos que calcorreava. Ele também alucinava como quem estava são. Como nós aqui. Grande Syd!
Até que um dia, lembro-me como se fosse o chá das cinco, O Gaiteiro cruzou-se comigo num caminho qualquer da Europa mais funda (eu ia de regresso a casa) e disse-me: "Vem daí, vamos aurorar". E quando estávamos os dois num cabo do mundo, aparece o Syd, ele sorri e ficamos os três a ouvi-lo horas, anunciar um novo dia. Nunca vira nenhum ser humano transfigurar-se de tantas emoções como vi nesse dia o Syd sentir-se. Vi nele quase tudo o que de humano se pode ser, da alegria extática à mais melacólica tristeza, até aos olhares perdidos, eis como o vi nesse dia. Alguns meses depois chegava o resultado: o Gaiteiro tinha-se tornado um álbum da banda do Syd, uns tais de Pink Floyd.
Até hoje nos rimos, eu e o Gaiteiro, com aquele maluco. E muitas vezes estamos com ele, lá onde está.
Ainda ontem, ouvimos o Interstellar Overdrive a comer gelado de Earl Grey. E o Syd a rir como um miúdo e o Gaiteiro a tocar. E eu, louco de alegria.




E QUANDO...

E quando só resta metade do dia
Que começou com as cinzas do dia anterior
E quando os bancos dos jardins
Estão carregados de neve traiçoeira
Que arrefece os lábios de sombras
Inundando o ar de silêncio excessivo
Rumo à imobilidade glacial




PESCADORA

Serei pescadora dos sons-vento que emanam da terra morna

Serei pescadora da pele-transparência onde brilham as palavras




CARA

Aproveita bem o tempo para algumas
leituras-fortificantes-cerebrais.




AGASALHO

um gesto lento
que se estende e perdura
o diluir do silêncio
e o acalmar da fúria
- a proximidade da ternura




CARA

Contentamento!




ALGUMAS MEMÓRIAS: O EMBATE

O peso das memórias sobre o dia
Perturba a aparente pacificação das raízes
Ficou tanto por cantar
A deterioração, as cerimónias fúnebres
Hoje assisto a mais uma
Têm morrido muitos pássaros nos últimos anos
O azul tem ardido
Tem sido reduzido a pequenas dunas
E a meia dúzia de barcos
Queria falar-te das rochas e dos rios que vi
Das palavras velhas
Do tempo longo da intranquilidade
E dos seus passos bruscos
Queria dizer-te que parei a meio do caminho
Imaginei que as figueiras e os poços
Não seriam saudade nas manhãs seguintes
Tive de deixar as mãos em casa
Descer os quilómetros inacabados
Daquela rua íngreme que esteve sempre escondida
Das grandes avenidas
Quis vir depressa e desgastar a ausência
Quis desenhar a lápis de cor
A aventura que nos esperava
Mas a água deixou definitivamente de se movimentar
Depois o silêncio reinou
E as promessas já não eram caminhos seguros
Quantas vezes deixei fugir a casa
Cercada de feno e frutos de Verão
Para voltar a um cenário descampado
Feito de movimentos dolorosos
Deixei de distinguir o que eras tu
E o ritmo ensurdecedor dos ruídos
Só me lembro de ouvir algumas vozes vagas
Na confusão que se instalou entre a realidade
E a secura atroz
Lembro-me de muitos textos
De vozes acompanhando a minha
Nas canções de Desolação e Medo
Também vi destruição, assassínios
Era portadora de terríveis crimes
De gentes pálidas que me davam a mão
Essas mãos alcançaram a paciência necessária
Para devolver o corpo ao mundo




I'VE GOT THE NIGHT INSIDE

Houve uma altura em que a noite batia à minha porta
todos os dias. Não a deixava entrar mas ela não desistia
e tentava entrar pela fechadura. Ao fim de algumas horas
estava toda cá dentro!




Segunda-feira, Agosto 11, 2003
Que a noite não seja uma viagem ao mundo dos pesadelos...




CARA

Vejo que estás na fase da catarse.
Chama para o que precisares.




INSUPORTÁVEL

Era assim que eu passava os dias:

Imóvel, com dores malditas que turvavam
todos os minutos e uma vontade cada vez
maior de lhes pôr fim através de meios irreversíveis.
Nunca tinha pensado no suicídio de forma tão sentida.
Acordava a meio da noite aos berros porque queria acabar
com tudo, em especial com a terrível tortura da solidão.




CARA

Vejo que estás mais tu.
Fico contente por ti.




Porque a noite veio imensa,
sonhei dias a fio: na cor abstracta
fui pedaços de canções indecifráveis.




Os olhos estão quase sempre enublados.
Apenas sinto as lagartas comerem-me a pele.
O ruído que fazem aumenta o meu desejo de chorar.




APANHADA

Tenho uma aranha a viver dentro de mim e
bocados de vidro debaixo dos pés.
Quando me movo para apanhar insectos para
a amiga aranha, fico com os pés todos cortados.




Uma carta do Reino da Imaginação...




CARA

Comprei uns pensos e um bom desinfectante para ti.
A ver se é desta que curas a ferida da mão esquerda.




Rumo ao futuro...




GRAVURAS INFILTRADAS

há neste céu desejos ocultos
há neste caminho um rumo irrequieto
a luz encrespada é demasiada
fere os olhos salientes
procuro as paisagens lisas
de fundo sombra
lá visito os bichos escuros
que vivem nas ervas do deserto
"há penínsulas de flores
mais adiante", dizem-te
"poças de cores que pintam
os olhos e a vida"
quando se caminha na procura
nunca se perde tudo
há sempre areia nas palmas dos pés
nas extremidades dos dedos
nos cantos da pele
possuo uma parte de mim em fogo
que acalenta as paisagens
onde vivemos
irei buscar-te
irei ver-te
há sempre quintais de instantes
de estórias abertas
eu sou a flor de ouro
que renasce nas
primaveras imprevisíveis




JORRA LUZ

Um mergulho de luz

ou

Um mergulho na luz




Earl Grey à moda do Verão

No fim dos dias de fazer chapéus há que descansar e como quase todos estão de férias só me restam ideias muito certinhas quando estou sozinho (a loucura funciona melhor em companhia, é dialéctica por natureza...). Ideias como esta (para aproveitar acompanhado):

Receita para fazer gelado de Earl Grey

Meio litro de leite
Uma baunilha
8 saquetas de Earl Grey
Três chávenas de açucar
24 gemas de ovo
500g de natas


Raspar as sementes de baunilha para um tacho grande. Deitar o leite e uma chávena e meia de açucar e aquecer. Quando estiver bem quente deitar o Earl Grey e deixar repousar por 20 minutos.

À parte misturar as gemas com o restante açucar até que aquelas enrijeçam e adquiram um tom pálido.

Muito devagar misturar duas chávenas da mistura de leite e a baunilha que se tinha posto de lado. Cozinhar tudo em lume brando até engrossar. Depois passar por um filtro e deixar a arrefecer durante a noite, novamente com as saquetas de chá.

Congelar no dia seguinte e já está.

Divirtam-se!! Ahahaha. Primpompéum!




CARA

Sê bicho da seda.
E encharca-te de folhas de Amoreira.




Mostro os corpos
Pois o sentimento energia em torno
É invisível no mergulhar dos peitos e dos torsos.
Mas sente-se, quando existe, permanece e aí habita

Amor.




SEGUNDA-FEIRA

Céu completamente limpo
Mente completamente limpa
Ou melhor, algumas impurezas
passageiras na parte frontal...
Passageiras!




De Rui Chafes:

E já então eu sabia que vivemos porque outros vivem,
só por isso. Porque o que me mostram passa a ser meu:
é essa a crua generosidade desta vida desamparada.




Elucubrações - beta

Aqui Deste Lado regozijamo-nos com as pequenas coisas. Por vezes, a Lebre que o diga, quando ninguém nos está a ver, rimo-nos um dos outros. Rimo-nos sem dizer porquê e cada um está a pensar em algo prazenteiro e feliz. Às vezes, chorámos, mas isso foi um esvaimento da alma sem leito (guardamos as lágrimas na memória para nos navegarmos na sua magia, um dia), o mais das vezes, estamos embarcados em chá e companheiros. E em perguntas sem respostas mas cheias de risos. Uma tarde de chá, pois, ou de praia, areia e futeboladas (eu não, o Gato de Cheshire antes e às vezes o Gaiteiro). Outros tempos é a noite com a luz a refulgir rias ao sabor ensopado de enguias e saber de vinhos verdes por entre as risadas parvas dos convivas. Todos nós temos um mundo inteiro por trás mas queremo-lo tangente com os outros, os dos que amamos, essa forma de ser outro. Queremos, deixamos, permitimos-nos a tantos mundos quantos os que atraímos e nos atraem. E assim nos variamos em gestos ululantes e feixes de cor em volta de um pilar flexível de sonho.

À volta dos futuros das horas vamos construir sempre filigranas de risos, dádivas e abraços.
Vamos devolver ao Outro o tempo e a presença e esperar que o Outro nos devolva o tempo e a presença.





TO DIONYSOS

Concerning Dionysos the son of renowned Semele shall I sing; how once he appeared upon the shore of the sea unharvested, on a jutting headland, in form like a man in the bloom of youth, with his beautiful dark hair waving around him, and on his strong shoulders a purple robe. Anon came in sight certain men that were pirates; in a well-wrought ship sailing swiftly on the dark seas: Tyrsenians were they, and Ill Fate was their leader, for they beholding him nodded to each other, and swiftly leaped forth, and hastily seized him, and set him aboard their ship rejoicing in heart, for they deemed that he was the son of kings, the fosterlings of Zeus, and they were minded to bind him with grievous bonds. But him the fetters held not, and the withes fell far from his hands and feet. There sat he smiling with his dark eyes, but the steersman saw it, and spake aloud to his companions: "Fools, what God have ye taken and bound? A strong God is he, our trim ship may not contain him. Surely this is Zeus, or Apollo of the Silver Bow, or Poseidon; for he is nowise like mortal man, but like the Gods who have mansions in Olympus. Nay, come let us instantly release him upon the dark mainland, nor lay ye your hands upon him, lest, being wroth, he rouse against us masterful winds and rushing storm."
So spake he, but their captain rebuked him with a hateful word: "Fool, look thou to the wind, and haul up the sail, and grip to all the gear, but this fellow will be for men to meddle with. Methinks he will come to Egypt, or to Cyprus, or to the Hyperboreans, or further far; and at the last he will tell us who his friends are, and concerning his wealth, and his brethren, for the God has delivered him into our hands."

So spake he, and let raise the mast and hoist the mainsail, and the wind filled the sail, and they made taut the ropes all round. But anon strange matters appeared to them: first there flowed through all the swift black ship a sweet and fragrant wine, and the ambrosial fragrance arose, and fear fell upon all the mariners that beheld it. And straightaway a vine stretched hither and thither along the sail, hanging with many a cluster, and dark ivy twined round the mast blossoming with flowers, and gracious fruit and garlands grew on all the thole-pins; and they that saw it bade the steersman drive straight to land. Meanwhile within the ship the God changed into the shape of a lion at the bow; and loudly he roared, and in midship he made a shaggy bear: such marvels he showed forth: there stood it raging, and on the deck glared the lion terribly. Then the men fled in terror to the stern, and there stood in fear round the honest pilot. But suddenly sprang forth the lion and seized the captain, and the men all at once leaped overboard into the strong sea, shunning dread doom, and there were changed into dolphins. But the God took pity upon the steersman, and kept him, and gave him all good fortune, and spake, saying, "Be of good courage, Sir, dear art thou to me, and I am Dionysos of the noisy rites whom Cadmeian Semele bare to the love of Zeus." Hail, thou child of beautiful Semele, none that is mindless of thee can fashion sweet minstrelsy.

from The Homeric Hymns, trans. Andrew Lang (London, 1899)




LABAREDAS SOLARES

Fui ao deserto
matar a sede
voltei de lá
com a roupa
do próximo Outono
e fiz uma vénia ao sol




CARA

Tenho um recado para ti, de um nosso conhecido:

Eu acredito em si!
Já a tenho visto actuar!
Sei o que vale!





Elucubrações - alfa

As palavras, o mais das vezes, dançam-me num espaço algures do cérebro imaginado numa espera contínua pela imagens e alegorias que devem explicar. Tentando perceber por que não se sentam essas palavras à mesa do Cosmos, ou mesmo aqui, não encontro outra explicação que a pluralidade do Universo. Desse Lado do Espelho, como aqui, as formas únicas têm mil formas sonhadas e atribuídas pelas vontades e os passos diferentes. Mesmo ao tentar explicar-me perante vós a palavra foge já para a polissemia pois os meus pensamentos são na verdade vários: do que vos estou a tentar falar é da incomunicabilidade do mundo mas, felizmente, da sua desnecessidade, se confiarmos no sentimento.
Precisamos a todo o momento de assentar o pé. Para avançarmos, tão-só para passearmos. Para isso, às vezes, nem nos levantamos. Outras corremos, sem pensar nisso. As certezas que temos não são um mal. Mas a que fonte as fomos beber? Estou cada vez mais convicto (vamos lá ver amanhã...), o que é mais fácil - admito - aqui Deste Lado do Espelho, que só o sentimento, às vezes chamado loucura, ou a loucura, às vezes - muitas vezes... - vestida de sentimento, só ela oferece a serenidade profunda à melancolia transfigurada em deslumbre que é o universo plúrimo onde nos criamos. Uf...que grande frase.
O sol, ontem pensava nisso, é um sol em toda a parte e queimará em toda a parte (coisas diferentes, eis pluralidade) mas nem a ciência com as suas noções, nem religiões ou morais nos poderão dar a confiança do sol. Nem a loucura do sentimento. Mas a loucura pode levar-nos à tolerância do sol, ou melhor, dos sóis, pois se reconhemos em nós um sol, podemos admitir sóis para cada existência diversa.
Nada se resolve, se soluções desejam. Mas podemos ver melhor, o que não quer dizer ver mais certo. Podemos ver mais longe e mais fundo mas a variedade enlouquecedora que estas visões totais do mundo nos trazem podem confundir. Mas, têm a bondade de não nos deixar cair em trincheiras.

Sei que não estou a fazer sentido, sou um Chapeleiro Maluco, nada mais. Ontem, antes de me deitar, já sem o meu chapéu, escrevi:

Gosto de mergulhar no Outro dos Outros.

E na verdade acho que foi isso que sempre quis dizer quando um dia perguntei:

Em que são parecidos uma escrivaninha e um corvo?

Hei-de vos dizer mais coisas, se me quiserem ouvir. E estou a escutar-vos, num mergulho.




PASSEIO DE DOMINGO

Fantasio as minhas mãos
cheias de areia
clara como o horizonte
estendendo-se quente
no meu peito
Desconheço os segredos
íntimos do tempo
mas vi os peixes rirem-se
no passeio de Domingo




Eu vi...
Filme: A Viagem de Morvern Callar
E gostei muito!




LIVING FOR...


Versão Leonard Cohen ("Famous Blue Raincoat")

"I hear that you're building your little house
deep in the desert
You're living for nothing now, i hope you're
keeping some kind of record"


Versão Brian Wilson ("Baby let you hair grow long")

"There's gotta be somethin' you're livin' for
You've got to try a little more
I've been waitin' to see that change in you
You can do it just the way you used to do"





Domingo, Agosto 10, 2003
Que a noite ponha muitos ovos...




Um poema muito belo de José Alberto Oliveira:


VIAGEM

Quando se alcança
o ponto em que não há regresso,
o que se avizinha
é tão insondável
como o que se deixou
- um túnel
no coração da máquina,
um segredo que se descobre
banal, ou não se descobre,
entre a resignação e o remorso.




sorrisos deslumbrados
na folhagem solta:
infinidade de luz
murmurando
a melodia fresca
da água nascente




CARA

Sê onda brava!
Avança sem receio!




ELEVAÇÃO

Não quis as lágrimas e prantos
que invadiram a ternura de natureza morta
Disse coisas nenhumas
pois nelas não havia real desejo
Lembrei-me de muitas outras viagens remotas
longas e de sons vazias
Ascendi em bruto da mágoa
porque quis liberdade imensa
E inventei de novo os instantes
que produzem os orvalhos desconhecidos




Ahhh, os voos altos...




CARA

Vejo que seguiste os meus conselhos de relax.
Continua no bom caminho...




Eu vou, eu vou a caminho da Metamorphasis...




A claridade reaparece aos poucos...




Sábado, Agosto 09, 2003
Piscis Piscis Viator



"An illustration for The Encyclopedia of imaginary beings by J.L. Borges portrays one of its characters - a fish called Bahamut, a creature so immense that no human being can withstand the overwhelming sight of this beast. All the seas and the oceans put together amount to no more than a tear from its eye. According to an ancient legend, Bahamut was created to serve as a base on which our world was built. In the picture, the whole of humanity is set on an endless journey, contemplating everything passing by, heading in an unknown direction along with the magical Fish."


O Outro em Nós às vezes é bem pesado e temos de andar a carregá-lo horas a fio.
Mas como é um tipo muito educado no final diz "Estou-lhe muito agradecido!"




Somos todos peças de uma grande diversidade de jogos...

(Viva a diversidade!)




VIAGENS SEM MARCAÇÃO 3

As obras continuam.
Desconhece-se o prazo para a sua finalização.




NOS LABIRINTOS




NO ENCALÇO DO VERÃO

Já não há voos de mãos dadas.
Agora perco-me facilmente nos labirintos
e desconfio que a saída é apenas ilusão.
As folhagens já não entoam cânticos.
Agora apenas oiço as cigarras
invocarem o Verão.
E para que quero o Verão,
sem voos nem cânticos?




Às vezes sinto que anda por aí uma mão que me quer apanhar.
Uma mão habitada por larvas e noites longas. Será paranóia?




Que a noite ilumine os nossos caminhos...




Sexta-feira, Agosto 08, 2003
Os passos da harmonia interior...




Igualmente expressivo...




Este quadro de Doug Anderson chama-se There's No Cure Find A Place For It.

Eu própria não me teria expresso melhor...




PROVÉRBIO DO DIA

Se está escuro, veste claro...




E meter as fuças ao sol,
com um cobertor de areia por baixo!
Fosse o mundo uma praia e eu era
uma banhista feliz ad eternum.




Já dizia a minha avó:

"Não há prazer igual ao de meter os cornetos ao sol!"




VIAGENS SEM MARCAÇÃO 2

Estas viagens dão realmente muitas despesas.
Tive também de contratar um guindaste.
É necessário reconstruir uns quantos pilares...




CARA

Tenho a certeza que os banhos serão úteis no teu caso.
Já devias saber que o sol vem de longe clarear
os horizontes mais obscuros quando é necessário.
Não te esqueças de abrir as portadas e as cortinas...




ACROBATA DOS DIAS

Levanto-me sem direcção,
nas curvas faço desvios
para paredes com escadas
Penduradas no meu olhar
vão as linhas que cosem
as horas dos tempos mortos
Ressuscitam em mim
segundos de exaltação primária:
apenas um abrir de braços agudo
e uma sonoridade grave
aos berros pelos campos!




VIAGENS SEM MARCAÇÃO

Contratei um tractor para limpar os escombros
que deixei por aqui a última vez que cá estive.
Estas viagens sem marcação às vezes dão nisto...




quis ser um balão de ar quente
e levantar voo
mas a língua do vento
não estava de feição
e fui expulsa da boca da viagem
subitamente caí
e descobri que o meu guarda-fato
não estava preparado
para uma vivência prolongada
no solo adverso




Hoje encontrei o Outro em Nós
Perguntei-lhe apenas "Como vai?"
Respondeu apenas "Bem obrigada"
Devo dizer que fiquei satisfeita




como o mundo é belo!
voa por aí como
uma noite amena
persiste para além
da minha memória
provoca deslumbre nalguns
enquanto vou cuspindo os animais
que devo soltar hoje




De que são feitas as palavras nunca saberemos
São talvez fortes de fogo ou tormenta
Talvez
Ou de uma água profunda, rotunda,
Entorpecente
Mas saibamo-las ilusão sempre
Pois as palavras traduzem por sonhos o que é real
Músculo, gesto, dádiva, paciência
A carne e o futuro




SÃO JOVENS SENHOR, SÃO JOVENS

- Integração social
- Exclusão social
- Pobreza
- Discriminação social
- Racismo
- Insegurança
- Delinquência juvenil
- Sentimento de revolta
- Abandono precoce da escola
- Pais ausentes
- Desemprego
- Toxicodependência
- Alcoolismo
- Gravidez na adolescência
- Violência policial
- Etc, etc, etc.




Procuro uma caixa com bolas de Natal, borboletas e lápis.




CARA

E o vento passou
serra acima
Não quis acordar-te
Há um tempo para tudo
Há um tempo em que
o vento apenas passa
sem te acordar

(algures no início dos anos 90)




um navegar lento percorre
o caminho do chão raso
as manhãs fatigadas
mal iluminam o leme
no centro do país
habita um pulsar acesso
dádiva da terra de carne
no dorso a carga em turbilhão vacila
mas mantém-se na vertical
e espera pela sua vez




Vem daí
As ruas não têm de ter sentido
Se estás comigo e eu contigo
Os nossos passos bastam-se
Em abraços como copas de árvores
Que se amam pelo céu
Que se cantam em sussurros de vento
E se seivam de amor floral
Árvores-corpos aéreos e fulminantes.
Sobre as calçadas e as praças
Havemos de beber um do outro palavras
E deslumbre da visão da cidade
Das formas incomunicáveis do nosso ser
Havemos de fazer gestos e paisagens diferentes
Em pinturas, esculturas, poesia
E framboesas, mel e vinho
Havemos de ser o nosso alimento comum
Desejado e nascido de nós pelo espaço
Das ruas ao nosso quarto, qualquer quarto
Mas nosso!
Pois somos filhos da poesia que fumega nas casas
E dos poemas que dançam nos lagos
Tu és de mim um passo e uma palavra, uma veia
E eu sou de ti o mesmo, em caminho
História e sangue
Havemos de nos perpetuar pelas manhãs
Como animais animados de sonho
Ternura e vontade




SOU ARAGEM




CARA

A cinza azul que repousa na tua pele é apenas poeira.
Segue o odor do céu e sobe enrolada na seiva da aragem.




O pulso torneia-se como névoas
O torso contorce-se de gestos imaginados de mãos
Morena está a pele e o desejo de tanto sal
As mangas molhadas de suor e de gente
Assombra-se o corpo de multidão e sonhos um só
Voltar ao fim do dia, livre de passado
E de palavras já conhecidas, só sinais e indícios
De poder pôr a mão que dança no contorno do torso
E combinar a tez da pele e dissipar as névoas do pulso
Quando se abraçam dedos diferentes e principia o abraço infindo do querer





pesadas cortinas encerram
o alcance dos olhos
vigia as estradas dispersas
despede-te das jóias de orvalho
faz-te espaço:
no quarto recôndito
a aranha refaz a teia




Tíron

"À volta dos carvalhos, fiquei eu
Era na orla do mais cerrado
A vós deixei as faias
Os choupos, os montados
Para que pudessem correr pelas raias
Sou assim junto na viagem
Estou no destino alienado
Temos sempre a mesma imagem
É só outro o desejado

Por isso me embrenho eu
Por entre os bosques de magia
Levando comigo o narguilé
Convosco também me cria
Alguém cego que não vê

Foi por entre esses montados
Essa limpidez clara e simples
Que percebi chegados
Os meus dias seguintes

De novo volto às Terras
De mais saber agora senhor
E deixo-vos nestas serras
Com a magia do torpor

Sois livres, vivificados
Com o que tendes na memória
Teriam mil homens saudades

Eu parto, sou Outro
Vós tendes a magia do narguilê
E o espírito para a guiar
Mesmo sem Tíron de Dodona
Podeis sempre viajar!"




RODEADA DE AR

o ar ser caminho
projectado em ondas de som
distendidas no horizonte




linguagem condensada
num movimento fluído
do corpo abraço




Eu recordo-me

A convite desta embaixadora de Lesbos ontem atravessei o Espelho, uma outra vez, para recordar a obra-tia de um grande maluco (para o qual fiz alguns chapéus). Amarcord de Fellini em cópia nova é mais do que uma boa razão para ir até Esse Lado do Espelho. Por vezes, o génio consegue entrever o verdadeiro mundo por trás da ilusão a que chamam realidade. Este maluco Fellini não só o consegue fazer mas consegue recordar esse mundo. Inspirador. Houve momentos em que pensei estar de volta ao meu País.

Eu recordo-me. De tudo.




Novas do meu País

O Gato de Cheshire enlouqueceu (mais ainda, entenda-se), pensa que é astrólogo e passa o dia fechado em casa da Duquesa a fazer cartas astrais de todos os que por lá passam. Se quiserem a vossa carta astral interpretada pelo Gato de Cheshire não deixem de nos enviar um e-mail com os vossos dados (local, hora, dia e ano do nascimento) e receberão um presentinho louco na volta do correio.

Entretanto a Lebre tem sido a companheira de sempre e por aqui passará também.
Maria, gostava que continuasses a aparecer, se assim o desejares, mas obrigado pelo poemas enquanto estive fora.
A Alice também há-de aparecer por aqui. Fiquei com saudades dela nos últimos tempos e por isso pedi ao Coelho Branco para a convidar a aparecer.
Também há-de aparecer por aqui, vindo de um Outro Espelho, o Gaiteiro às Portas da Aurora. Esperemo-lo serenamente.
Por último, fiquem com as Pegadas. Ela levar-vos-á em viagens interessantes.

Eu....estou de volta.




o vento curva-se perante
o peso da hesitação
no ar coberto
de desejos apagados
as palavras são mudas
e o olhar dirige-se
rumo ao chão
no entanto, na presença
da fronteira o corpo
rebenta em passos ardentes




CARA

Caminha como as nuvens
dançando carícias
na face da terra quente
rumo à luz enchente
de todos os lugares.




Quinta-feira, Agosto 07, 2003
CARA

Esse sabor amargo a metal não irá corroer a
tua "boca de sal" todos os dias.
Podes continuar a engolir as ondas,
o corpo não irá enferrujar.




NÃO ESTOU EM PARTE INCERTA
ESTOU EM PARTE CERTA




A respiração devora a vontade de respirar,
faz crescer na boca uma saliva densa de gemidos calados.
O rosto fecha-se e senta-se junto ao cais.
Não espera nada, apenas aproveita a aragem...




Ser mede-se em batimentos cardíacos,
em relatórios ao fim do dia sobre os batimentos cardíacos.
Para amanhã, quantos batimentos cardíacos?




ESTE CALOR

Dias espessos
escorrem horas pastosas
e minutos encerrados na inércia.




METAL

no limiar dos tons
há fendas que roubam
os gestos das cores.
no olhar penetram
manchas densas de um
cinzento esquecido e trágico:
o cinzento metal




Depois da ausência do ser, há o passo seguinte:
um vidro espesso e a busca do olhar de há alguns
anos atrás quando havia alguma crença nos voos altos...




Nas estações solitárias as horas respiram distância e sons perdidos,
escurecidos pela ferrugem. Tudo é maior que o interior descarrilado...




CARA

Se pudesse amanhecer suavemente os teus olhos
de outono nostálgico e ser uma rampa de lançamento
para um percurso de asas abertas rompendo a vulnerabilidade...




PEGADAS

Frágeis e Sólidas

Sólidas e Frágeis




Claro...

Amo-te
gatilmente.




Adiante...

Amo-te.
Serenamente.




Eu nunca te vou deixar...

Tu és o meu farol e a minha casa.




Continuando...

Amo-te...
alegremente




Quarta-feira, Agosto 06, 2003
I am the Cheshire Cat

and I find the important long-term influences at astrodienst very accurate, precise and insightful. They express very well what's going on in the most deep areas of our lives, showing us guidelines and personal hangups that we might have not even been aware. Thus, it can be very helpful for it can set us on the right track.

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We can learn a lot from the stars....


Começo eu...


Amo-te...
loucamente.






Terça-feira, Agosto 05, 2003
ATENÇÃO, MUITA ATENÇÃO

Minhas malucas, meus malucos:

A Texuga Azul-Laranja, também conhecida como Texuga Tonta, também conhecida como Flor de Ouro, também conhecida como Menina Azul Riso, também conhecida como Floresta deixou recentemente a companhia desta Louca Festa de Chá. A verdade, no entanto, é que para lá dos insanos diferendos que possam opôr-se entre os vários convivas desta Festa - o que não deixa de ser normal, uma vez que aqui somos todos loucos - a Texuga Azul-Laranja está para a Louca Festa de Chá como a Aurora para o Dia: não se pode viver sem ela! Para mais a Flor de Ouro encontra nesta Louca Festa de Chá todo o espaço que precisa para dar largas à sua imaginação e criatividade não podendo por isso permitir-se que se percam oportunidades magníficas para usufruir do ilimitado universo da Menina Azul Riso. Nem permitir, por outro lado, que ela fique fechada sem oportunidade de se mostrar!
Por todas estas razões peço-vos que escrevam, em comentário ou por mail, para Este Lado do Espelho, pedindo, implorando o regresso da Floresta. Tenho a certeza que se ela se sentir desejada e rodeada do vosso calor humano não deixará de vos presentear não só com a sua presença mas com a sua vida inesgotável.


Amigos da Louca Festa de Chá, força nisso!




Indizível

Tu és o princípio indizível
Que tece a minha vida
És fome de agarrar
E querer o sangue e a carne
És a raíz do meu beijo mais puro
Do meu passo mais certo
Do meu único futuro.

És claridade e escuridão
Dentro dum sonho
E sonho todas as noites
O dia inteiro de ti.

És perpetuamente a vontade do meu corpo
E és a voz lembrando
A precisão do gesto que faz amor
Que mostra a ternura do abraço.

És a aurora e o crespúsculo
E és assim a matéria do meu braço
Que age, deseja e quer.

És a violência da dor
Que traz a ausência
Na mais recente lonjura
E és também leveza do tempo
Quando moro no teu olhar.

És a minha solidão, pois nela entraste
Levo-te a todo o lado
E não há força ou surpresa
A palpitar no meu peito
A desejar-se na minha mente
Que não te contenha.

Pois tu és o princípio indizível
Que me percorre e explica
Tu és o meu sangue em flor
És borbotões de cores
De corrida, de passos, de voos
As mil horas ainda que restam
Sobre mais mil e outras, até à morte.





És aquele princípio indizível
Que não explica a origem da vida
Ou a dança do átomos
Não explicas os buracos negros
Nem os fundos dos mares
És aquele princípio indizível
Que explica a minha vida
Que contém os seus segredos
Que permite a construção e a forma
Do trilho, da estrada
Do caminho ainda por vir

És aquele princípio indizível
Inominável
És nume de luz
Existência, energia e crença
Que é o núcleo das minhas células
A chave dos meus genes
És a linguagem do meu pensamento
Tu és a minha língua.

És o meu princípio indizível
Inexplicável
Pois não se explicam os matizes da criação
Não se sabe qual é o nome do amor.

És esse princípio indizível de mim
Assimilado pelo meu corpo
Deduzido em existência
E assim és o meu desejo de ser
Pois eu sou o desejo de ti.

És o princípio que levo comigo
Na aventura do total da vida
Quando apanhei o comboio grande
Por entre estradas e fronteiras
És os meus olhos outros
Para os povos e as vitórias
Só contigo percebo e quero
O que resta ainda de mim.



Tu és a minha viagem
És a ida, a bagagem
És os transtornos e os prazeres
És a força que explica
O próximo passo
O descanso, a insistência
O cansaço.

És indissociada de mim
Pois somos explicados um pelo outro
E partilhados um pelo outro
Em corpos que se bebem e contagiam
De emulsões e tremores
De liberdade e fervores.

Tu és o princípio indizível
De qualquer meu gesto
De qualquer meu fôlego
De qualquer certeza

És o nome dos meus filhos

Tu és aquela com quem dormirei sempre
No fim diário das horas
Até à morte final dos dias
Só contigo me quero deitar

Pois se és o princípio indizível de mim
E condensas em ti o universo
Só em ti há repouso e redenção
Só contigo abraço o tempo
Só contigo beijarei a morte.