Uma Louca Festa de Chá


Domingo, Agosto 31, 2003
CARA

Boa noite menina linda...




MUCAS VICTIM

Sempre fui uma ranhosa...




DESABAFO ZANGADO

Estou fodida com a chateação provocada por uma pessoa mesquinha!
Mas acho que finalmente atingiu o seu objectivo!

PARABÉNS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!




Sábado, Agosto 30, 2003
Soprei umas estrelas cheias de desejos bons para esta noite...




Apenas...




Última da tarde, pois ela espera-me para vermos as estrelas do jardim...




AS FASES DA ESCADARIA

Fase 2...




AS FASES DA ESCADARIA

Fase 1...




HOMENAGEM À INFÂNCIA

Não esperem mais...




AREIA DE SOL

Só se sente a limpidez por alguns magníficos minutos...




Inspirado

Estou feliz e quero partilhar convosco a minha felicidade em forma de assim:



Amores-perfeitos, por Fantin-Latour


ESPÍRITO DE SERRALHARIA

Houve um dia
em que me perdi
nos limites da perda.
Deslizei pela violência
das lixas e perdi a
sensibilidade da
palma das mãos.
As serras recomeçaram
repentinamente.




Os Sufis, esses místicos loucos

Imbuído do espírito hodierno desta Louquenda Festa de Chá e estando a ler uma prenda oferecida pela Catrapila "Contos do País dos Sufis" de Mojdeh Bayat e Mohammad Ali Jamnia apetece-me partilhar convosco esta parábola:

"Uma vez aconteceu que Abu Sa'id aceitou um discípulo recentemente iniciado, chamado Sankani, oriundo de uma família abastada. Era jovem e gostava de vestir trajos ricos e apresentar-se bem ataviado. Um dia Abu Sa'id recebeu um convite para um passeio e alguns discípulos, entre eles Sankani, acompanharam-no. Durante o passeio, Abu Sa'id, que caminhava na cauda do grupo, reparou que Sankani parecia preocupado com o seu trajo e boa apresentação. O xeque disse a Sankani para não caminhar à sua frente. Sankani passou para trás do xeque. Passados alguns minutos, Abu Sa'id disse-lhe: «Não te ponhas atrás de mim». O discípulo deslocou-se para a direita do xeque. Não tardou muito tempo para que se ouvisse de novo a sua voz: «Não andes à minha direita». Sankani mudou-se para a esquerda, apenas para saber que também não era aí o seu lugar. Perplexo e muito perturbado, perguntou ao xeque qual o lugar em que se deveria colocar. Abu Sa'id respondeu-lhe que ele tinha de esquecer o seu eu e caminhar em frente. Depois recitou este poema:

Enquanto o teu eu te acompanhar, nada saberás de Deus;
Pois o eu de cada um não é amigo do homem universal"

Eis o caminho para ser insan-kamil.




Gato Louco

Se não é a Maria a mandar o Coelho Branco avisar-me...ainda para aqui estavas a despejar o Met.... Tu és mesmo louco Gato! Da astrologia para o Met, do Met sabe-se lá para onde....andas sempre com esse sorriso largo no focinho e ora apareces ora desapareces...enfim, a Maria que te conhece bem é que sabe: O Chesh é mais que maluco, é adorável. Obrigado pelo David Friedrich...não confirmo nem desminto. Lembras-te que a primeira imagem desta Louca Festa de Chá foi ele que pintou?... Para te agradecer deixo-te um presente, que vai também em homenagem ao Piper e ao grande Diónisos, seu deus amigo.



Bacchante by the Sea, Jean-Baptiste-Camille Corot


I am the Cheshire Cat

and this is a Nymph and a Satyr carousing by Clodion

I so very much love you...




EU SOU A FONTE ETERNA

Fui ao tró-ló-ló buscar água...
E trouxe de lá litros dela...





CARA

És...




I am the Cheshire Cat

and these are Strawberries by Manet




A PLENITUDE DA AUTO-EXPRESSÃO




I am the Cheshire Cat

and this is The Storm by Pierre-Auguste Cot




Então disse-lhes:

Não entrem também em rota de colisão
com a minha auto-expressão!





Sobre a longuidão espacial...

O espaço ainda se lembra
do cheiro a quase morte.
O movimento foi a enterrar
mas o cheiro a quase lírios
ainda por lá paira.




Os ninhos besuntados de alcatrão onde existi...




Na pele fina
de sensibilidade em revelação
rima a dança cantada
dos ventos em alteamento.




I am the Cheshire Cat

and this is for my friend the Hatter:

Two Men Contemplating the Moon by Caspar David Friedrich

...some say that's Caspar and the Hatter. They are very good friends you know? The Hatter absolutely loves Mr. Friedrich.




I believe there's an escape...
Is there?





I am the Cheshire Cat

and this is Diana and Cupid by Batoni




Por António Maria Leal


SABEDORIA

O Amor é uma saudade escondida nos degraus da Felicidade
e mais que o Amor temos a Amada
como se fosse trágico existir
recordando sempre e exclusivamente o Ideal.

Ser Sábio é saber ser Nobre de Espírito.

Inventar em cada Madrugada
a cor do crepúsculo vindouro
é alcançar a pureza das emoções
e semelhante estado de Alma
só se encontra na simplicidade do Eterno Contemplar
o Retorno do Permanente.

A única Sabedoria que se consegue alcançar
é apenas a da abdicação pura
de todo e qualquer objectivo.

A Virtude Suprema reside no vazio da sensação em movimento.

O caminho que se percorreu avançando
foi o mesmo que se imaginou nunca trilhar?




I am the Cheshire Cat

and following an idea from the Hatter i took a trip to the Met.

Let us begin with Charity, by Guido Reni





Azul celeste de tensão calma...




Amizade

Eu sou do fim do dia
Das horas dormentes da areia
Das viagem pelo agir candente

Amamo-nos pelos abraços sonhados
Somos livres e ousados
Somos filhos da Lua
Somos crédulos mas sábios

Esquece, atiça o saber
Gera nas ondas do amanhã

Bebe-se como se quiser
Com o álcool que se puder

Ao contrário do universo
O peito aberto

Ao contrário do certo
A voz do futuro

Esquece o sofrimento
Esquece o esquecimento

O que estou eu a fazer aqui?
Aqui entre corpos conhecidos?
Entre vontades sonhadas altas?
Entre dores escondidas?
Entre objectos não necessários?

Porque estamos aqui?
Porque amamos neste momento.




Ups




CARA

Vejo que estás em forma.
Ainda não lhe perdeste o jeito.




São saborosas, estas paisagens vazias...




BLOOD

Was there once something so pure
That left me whole and precious?
But now, broken, wondering
Why this new ingredient?
Everything i crave i become
Everything i left forgotten
Everything i love i become
Cos that's what happens when you reach the bottom

Where does the blood go?
It runs away from broken lives
Where does the blood go?
It runs away from broken lives

There's an ugly crowd here beside me
They specialise in violations
Once they numbered only a handful
Grew out the ashes of what we had good
There'll be another awkward scene tonight
Quickly averting our eyes
When we see what there is left of

Where does the blood go?
It runs away from broken lives
Where does the blood go?
It runs away from broken lives

Our love hangs here beside us
From its feet, twitching, desperate
The juice that splash our white boots
Now they're matted and confused
There'll be another ugly scene tonight
As we refuse to accept the obvious
We panic and jump up and down
Trying to suck those last breaths

Where does the blood go?
It runs away from broken lives
Where does the blood go?
It runs away from broken lives

(Tindersticks; "Blood")




CARÊNCIA

Outrora, quando vertia amargas lágrimas, quando,
diluída na dor, a minha esperança se desfez e
eu me encontrava sozinho sobre o estéril montículo
que encerra em negro e estreito espaço a imagem da
minha vida - só, como jamais alguém esteve,
impelido por um medo indizível - inerme, tão somente
com um único pensamento ainda, o da carência.

(Novalis)




Dás-me o teu fim de tarde?




Inside believe




FENDAS DA FRAGILIDADE

Estou de silêncio
Fala-me um
vespeiro
Poderias seguir-me
no caminho espesso
que enrola a língua
Sentir na pele inacabada
dos braços
os ferrões solitários que
lentamente me ferem
em fragmentos
Como é fácil tropeçar
nas fendas da fragilidade
Despidas de carícias
no limiar dos países




Não quiseste os restos...




MEU IRMÃO, TU NADA SABES DA NOITE

Meu irmão, tu nada sabes da noite,
nada sabes deste tormento que inteiramente me prostou,
do mesmo modo que a poesia, que transportou a minha alma,
nada sabes destes mil crepúsculos, mil espelhos,
que me hão-de precipitar no abismo.
Meu irmão, tu nada sabes da noite,
que eu tive de vadear como um rio,
cujas almas foram há muito estranguladas pelos mares,
e nada sabes da fórmula de esconjuro
que a nossa Lua me abriu entre entre os ramos secos
como um fruto da Primavera.
Meu irmão, tu nada sabes da noite,
que me impeliu através das sepulturas do meu pai,
que me impeliu através das florestas maiores do que a Terra,
que me ensinou a ver nascer e pôr o Sol
nas trevas doentes do meu trabalho diário.
Meu irmão, tu nada sabes da noite,
do desassossego que atormentou a argamassa,
nada sabes de Shakespeare nem da caveira brilhante
que carregou, como pedra, cinza por milhões multiplicada,
que rolou para as costas brancas,
sobre a guerra e podridão em risada contínua.
Meu irmão, tu nada sabes da noite,
porque o teu sono passou por entre os troncos fatigados
deste Outono, através do vento, que lavou os teus pés como neve.

(Thomas Bernhard)




Boas razões...




Ah, essas festinhas de mãos a ferver...
Sinto-me desfigurada...





SOU VENENO!

Tenho dois tipos de veneno no sangue.
Aquele que eu produzo e aquele que
tu para aqui enfiaste. Como eles são
incompatíveis, deram origem a um
terceiro tipo de veneno, daqueles que
rebenta o corpo, reduzindo-o a podridão.
Sou veneno! Sou veneno! Sou veneno!




MUDANÇA DE DISCO

Vamos entrar numa fase menos lá-lá-lá,
mudar o disco e tocar outra coisa.
Viva a alternância!




Boa noite Estrela...




A protecção veio atrasada.
Estava a recuperar da
doença do fura-fura.




Sexta-feira, Agosto 29, 2003
Vês claramente a luz mas não lhe podes tocar...




Quantos pensos tens?!




O Mito da Não-Ilusão




Apenas...




Por António Maria Leal


MEMÓRIA

Sinto talvez a solidão de me saber Inverno
ou a saudade de ter sido criança num Domingo de Janeiro
quando a brincadeira estava esgotada
e o silêncio se insinuava no frio húmido de me sentir triste
como o cinzento das nuvens caindo docemente
embalando-me de melancolia nas horas apenas minhas
e no entanto nem a vida acabou
nem esta sensação de desconforto é apenas do Inverno
nem este Inverno é o fim da vida
nem o desconforto desta vida é a essência do Inverno
nem... nem... nem... nem... apenas só... no Inverno da vida
exactamente como um lobo numa noite de luar
nas montanhas onde neva o despertar da sensibilidade
para o rigor do desespero enjoado de perfume
... e a evocação do bronze num entardecer de melodias
num qualquer hemisfério de jóias e púrpura
talvez no Oriente do salmodiar profundo
daquela prática que me propõe um "Basta"
para o entardecer da rosa e da pedra
onde inscrevi o sentido exacto
brotando límpido como a nascente
em que mergulho os olhos claros como o luar do teu rosto
apenas teu e idealizado meu à procura do Amor Total
como se a noite trouxesse o fim do poema
ou o início dos ciclos de eternidade imediata.




BATE BATE BATE

As lágrimas de sal brasa
não formam rios
mas incêndios
que se prolongam
até à floresta que bate
bate bate bate
dor na mágoa do coração.




ALGUMAS EXPLICAÇÕES

Eu tou-te explicando
para te confundir
Eu tou-te confundindo
para te esclarecer
Eu tou iluminado
para poder cegar
Tou ficando cego
para poder guiar

(Tom Zé)




CARA

Vê lá se gostas...




Quis ser-me...




Quis-me de volta...




DEIXEI SANGRAR O PEITO

Deixei de seguir as ruas
Que se abriam nos meus quintais
Porque quis acompanhar as tuas
Mas esse caminho
Golpeia-me as mãos
E na tela branca as sombras
Movem-se de culpa e medo
Não sei falar o teu sangue
Mal atravesso as minhas pontes velhas
Não sei viver todos os dias de noite
Acordo em estilhaços
No meu sangue
Só conheço o escuro e o doce
Não sei afagar as tuas mãos
Sinto-me demasiado só
Nas distâncias amargas
Nas despedidas constantes
Não sei quem sou
E quem tu és
Deixei sangrar o peito...




Estamos todos aqui,
uns mais ali e outros mais acolá...
Quando se sonha as fronteiras esbatem-se
e nadamos todos juntos...
No mergulho das cores solares
unem-se os desejos em mãos dadas...
Acredito que as conchas escondem estes segredos
e nas manhãs cor-de-rosa abrem-se...




PEGADAS COSMIC GIRL




I am the Cheshire Cat

and...

Top of the wave to you all!!




Ao fim da noite

Ao fim da noite o dia revela-se
Por entre ondas de alfazema
Em corpos de desvelo e primor
Como águas e cavalos alados
Em bátegas de olhares candentes
Assim, oleados, surgidos, reciclados
Tudo se torna novo
Tudo se torna vivo
As cores redescobrem-se,
As magias apuram-se
Multiplicadas

Assim, de novo
É a forma de estranhar a palavra
Como um corvo deslumbrante
Ou uma princesa perdida

Eu
Tu
As vontades de amanhã

Amamo-nos pelos abraços apertados
Descobrimo-nos numa escuridão porosa
Onde a luz nasce como um sonho
Somos livres e sábios de sorrisos
Adeus,
Vivemos na proa do universo!




Vivemos na popa do universo
E ele navega-se à nossa frente...



TREPANDO ESTANTES

O regresso ergue-se
inclinando-se no alto
mais alto da rosa dos ventos
no lugar onde tudo está à vista.




ACERCA DOS "MUSOS"

A.R.M. (a pedido da mesma) questiona-nos:

Mas os homens inspiram alguma coisa?

Entretanto...

T.C. é apelidada de "Mulher dos Vermes"

S.L. questiona:

Achas que chamar verme a uma pessoa é um elogio?

S.S. diz exaltada:

Vocês querem levar-me à loucura!

M.A. finaliza:

Isto não me sai assim!




Voo com tudo pelo tudo adentro...




Pintar os fios que tecem os dias...


TÉCNICA MISTA

componho e a matéria circula
em meu redor, inundando o ar
de criações deambulantes
os meus dedos fazem emergir
cores salientes e disformes:
o papel sujo de laranjas que
caem dos montes de tarde
o amarelo puro que irradia das planícies
feito da rara luz de éter
e a tinta porosa dos morangos que
me adoça os lábios...
combino encontros em dias incertos
para não saber se irão cobrir-se
de magenta ou cobre amadurecido:
são várias as crostas que se desprendem
e flutuam até se desfazerem na água
tornando-a menos líquida e transparente
são labirínticos, os sulcos por onde
a pele se alimenta, onde se ferve
lava de todas as cores
enquanto linhas irregulares
serpenteiam-se na desordem
e estranhos sinais evaporam-se do molhado
pinceladas de fogo em escada
para subir alto
"onde vais?" pergunta a tela
"até ao fim"




Pegadas em GRANDE!




Cá venho eu!




Yes, sir!




CARA

Objectivo: Descentrar




Directamente do SOL: Booooommmm Diiiiiaaaaaaaaaaa!!!!




Celebração!

A Louca Festa de Chá, como se pode depreender por estes dias, está cheia de alegria e felicidade.

É tempo de celebrarmos as coisas boas da vida! Aqui, como aí Desse Lado do Espelho.




Quinta-feira, Agosto 28, 2003
I WANT TO BE YOUR CHRISTMAS TREE

You are the star tonight.
Your sun electric, outasight.
Your light eclipsed the moon tonight.
Electrolite.
You're outasight.

(R.E.M.; "Electrolite")




Mensagem de S.L. para a Madame Auto Estima:

"Ainda bem que voltaste aos níveis normais.
Aprochega-te, aprochega-te...
Vais ter tratamento de Rainha."




I'M SIMPLY THE BEST!




VOZ SOM LÍMPIDO

A tua voz de barcos longos
viajando entre as montanhas
em codornizes de destino canto
rompendo as cidades
de som límpido de retorno constante.




I'm the way, i'm the way...




ESSA FACE

Essa face de folhas abertas
recebendo a água de bocas
movidas a rios de clarões.

A terra rasga-se para
deixar passar as fontes.




Quarta-feira, Agosto 27, 2003
Pintei-a para ti: Boa Noite Colorida!




AMICI

Sinto-me cheia
Neste banquete
Em que brindo
Às montanhas abrigo




Depois dos mimos...




Ao ANTÓNIO MARIA




Vejo que chegou até ti
a simples mensagem
que te enviei...




MENINAS NA CONVERSA...




Para a S.L.

Quando as mãos têm de fazer o caminho dos pés...




CARA

Estou sem palavras...
Aqui vai uma imagem...




ÉS-ME

Tu és a suave meditação
cheia de promessas
de pássaros viajantes.
És canção de fôlego
que encanta
as fendas dos dias.
És-me!




CARA

E eu?




EM HOMENAGEM AO GIALLO

Por estares sempre aqui...




Sinto-me em ligação




I CAN HEAR MUSIC

I can hear music
I can hear music
The sound of the city
baby seems to disappear
I can hear music
Sweet sweet music

(Beach Boys, "I Can Hear Music")




Não tenho os olhos embaciados, vejo muito bem...




SOU GUIZOS




Recorrendo a uma memória
de umas férias há 5 anos atrás:


Há pessoas que são vespas
cheiram aqui, cheiram ali.
Roubam a carne dos hambúrgueres
e ainda dizem que a merecem.




Lá está o ouro...




Foi como ter encontrado uma passadeira
e a minha sombra ter-se enchido de ouro...





E eis que finalmente apanhei um dos comboios...




ESTRANHEZA

Como é que as bocas se partem
e ficam mudas de crenças?
Como é possível tantas
legiões de espuma de cristais
apodrecidas na pele fragmentada?




Voltaram a nascer...
Centenas delas...
Fora de estação...
Já não há estações...




Tenho selos com a tua canção...




PICCOLI AEROPLANI

Por Bertolucci


PER B...

I piccoli aeroplani di carta che tu
fai volano nel crepuscolo, si perdono
come farfalle notturne nell'aria
che s'oscura, non torneranno più.

Così i nostri giorni, ma un abisso
meno dolce li accoglie
di questa valle silente di foglie
morte e d'acque autunnali

dove posano le loro stanche ali
i tuoi fragili alianti.




EQUILÍBRIO YING-YANG

Fui ao tró-ló-ló.
Buscar água e não achei.
Achei uma piscina e por lá fiquei.
Fui buscar o meu colchão de água.
E toda a tarde aproveitei.
A comer algodão doce e pipocas salgadas.
O ying-yang agradeceu.




Os moradores têm vozes
que dão piruetas no ar...
Alimentam-se de musgo
e do pó no canto da sala...
São férteis em letras
enfiadas em gavetas...
Saem a meio da tarde
por debaixo das unhas...




A MENINA QUE DESEJAVA UM ALGODÃO DOCE

No Bairro Amarelo
entrou de unhas aguçadas
Rapidamente deu
com os torrões de açucar
A princípio pensou
que fosse veneno para ratos
Mas os ratos morreram
esturricados pelo sol
Foi de sombra em sombra
com os bolsos cheios de açucar
Até chegar ao Bairro do Algodão




Marte

Porque hoje o senhor da energia e da determinação vem acariciar estes nossos mundos...

...deixo-vos com ele e a sua amada, na visão desse alucinado Veronese.




CARA

Who's gonna ride your wild horses
Who's gonna drown in your blue sea
Who's gonna ride your wild horses
Who's gonna fall at the foot of thee
Oh, the deeper I spin
Oh, the hunter will sin for your ivory skin
Took a drive in the dirty rain
To a place where the wind calls your name
Under the trees the river laughing at you and me
Hallelujah, heavens white rose
The doors you open
I just can't close
Don't turn around, don't turn around again
Don't turn around, your gypsy heart
Don't turn around, don't turn around again
Don't turn around, and don't look back
Come on now love, don't you look back
Who's gonna ride your wild horses
Who's gonna drown in your blue sea
Who's gonna taste your salt water kisses
Who's gonna take the place of me

Who's gonna ride your wild horses
Who's gonna tame the heart of thee

(U2, "Who's Gonna Ride Your Wild Horses")




PARADISE ISN'T QUITE ENOUGH




Beleza do Outro Lado do Espelho

Inspirado pelas notícias que tive acerca do estado do tempo Desse Lado do Espelho decidi ir dar um passeio. Calcei as minhas botas de sete léguas, pedidas emprestadas ao Gato ele mesmo e, com o meu melhor chapéu, decidi ir rever velhos amigos. Como grande parte deles está aqui, foi para lá que me dirigi. ~
É tão bom reecontrar velhos amigos...

...como este Mulher com papagaio do meu amigo Gustave Coubert.



Sabiam que eu estava por trás dele, a beber um Porto?...


FRASE DO DIA:






Olha, calhou-me uma estrela Surpresa Longa (SL).
Ouvi dizer que o seu brilho encadeia
os olhos menos profundos...


She said, she said:

I'M THE QUEEN OF MY WORLD!




Uma escada em caracol...

Inserir: rapidez como a luz confusa
em rebentação (entre 4 a 6 metros).

Resultado: CAOS!





É que aqui mora MUITA GENTE!




EM CIMA DA ALTER-NÂNCIA

Os altos e baixos diários/semanais,
a alternância continuada e diabrete,
são frequentes em vários seres humanos.
Não estou a falar de tretazinhas softs.
Mas sim de: uma escada em caracol rápida
como a luz confusa em rebentação!
Tenho vários testemunhos.
Sinto-me mais aconchegada.




Sobre o Infinito...

É verdade que o Infinito é possível.
É tudo uma questão de vontade
ou obsessão doentia (doentia?).
Mas vai mudando as suas
características.




Lá está a ranhoca manipuladora...
Vou assoá-la!




O BICHO em acção...




Afinal quem é que manda?




I am the Cheshire Cat

and this is a window where i like to be...




Lá venho eu!




NAS TROMBAS

A Lavagem Cerebral é uma técnica vilã.
Especialmente quando realizada de forma subtil.
Estou farta de subtilezas!
Isto tem de ser tudo nas TROMBAS!
Para uma pessoa decidir se cospe a matéria
ou se a chupa até ao tutano.

(Já Lavagem de Cabelos...isso já eu precisava hoje...)




COMPROVAÇÃO

É necessária uma comprovação das nossas teorias
sobre o mundo. Caramba, eu até levo isto a sério!
Portanto, um conselho: experimentem e fodam lá
essas merdas das auto-ilusões.
Sentimo-nos mais inteligentes e tudo!

(Já vos agrada a crueza da linguagem,
mais próxima da minha oralidade?)





I am the Cheshire Cat

and I welcome you, dear rain



Isn't that a lovely hat, Hatter?


Terça-feira, Agosto 26, 2003
Mais um grande maluco

Estes putos, no meio da loucura que por lá reina, tiveram hoje a bondade de me fazer recordar um velho amigo, que bebeu da loucura q.b. (a loucura nunca se pode beber q.b.) e se determinou a partir para outras paragens. Pum! Bum!
Resolvi, por isso, surripiar-lhes a ideia, recuperar as palavras e o homem e trazê-lo aqui, de novo, à Louca Festa de Chá.
O bom Antero, lá da sua ilha há de querer um cházinho, ele que os tem lá tão bons....

Evolução

"Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
tronco ou ramo na incógnita floresta...
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiquíssimo inimigo...

Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
O, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso paul, glauco pascigo...

Hoje sou homem, e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, da imensidade...

Interrogo o infinito e às vezes choro...
Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade."


Antero de Quental




PROVOCADORA OU EM ABUNDÂNCIA

Anda por aqui uma gaja
a excitar-me pa' caramba!
Ainda por cima tem os
bolsos da saia abertos.
E ainda tem a lata de me
dizer que anda com os bolsos
abertos de propósito:
"a ver se entra qualquer coisa"
Foda-se!




Ao adormecer e ao acordar...

No cimo da montanha dos mistérios do mundo habita sozinha uma criança

Quando lá chegar hei-de olhá-la e rir-me muito com ela.

E morar aí para sempre.





MANUEL ANTÓNIO TAVARES

"Não entro lá [na Bela Vista]. Aquilo é uma desgraça, devia ir tudo
abaixo. Ultimamente até está melhor. Desde que a polícia matou
aquele preto
, eles amocharam. Devia era acontecer mais vezes."

- Paulo, taxista em Setúbal (Notícias Magazine, 10 Nov. 2002)


Preto morto pela polícia:

Manuel António Tavares, 24 anos, foi morto por um agente da PSP
com balas de borracha no bairro da Bela Vista, onde residia. O jovem
foi alvejado apenas porque pôs em causa a actuação da polícia, que
estava a intervir numA rixa entre moradores. Os agentes tinham
desarmado um indivíduo que estava estendido no chão e a vítima
mortal meteu-se entre ambos para acabar com a violência policial.
A curta distância dos disparos levou à sua morte. Manuel António
Tavares era muito querido no bairro e frequentava o Centro Cultural
Africano pois tinha interesse pela música e dança africanas. A
responsável do Centro considera que era "um jovem válido à sociedade
e não um delinquente".



Porque é que as pessoas (algumas)
andam tão previsíveis?
Está a começar a dar-me enjoos...
E tão limitadas.
Não se fartam?

(Peço desculpa pelo tom, mas francamente,
esforcem-se um bocadinho mais...)





PERVERSIS VERITAS

Pensei que a perversidade
fosse coisa outra
Mas eis que a descobri
na minha corte
Uma perversidade mascarada
de benignidade celestial
E eis que se revela
matadouro
Nadei de costas
e segurei a bagagem com os dentes
A metade que levei
chegou inteira
A restante
irei cantá-la




Quero mais!




Não te esqueças...




VENHA CRU

E agora...
Tcham, tcham...
Em reposta a um pedido muito especial...
Um pouco de CRU!

(A imagem é pequenina para não ferir susceptibilidades)




Folia, galhofa e alegreza!




CARA

Que contentamento!
Isto é exaltação demais para mim.
Estou numa de pasto.
Quando precisares de repousar vai lá ter...




Música Maestro!!!




Iupiiiiiiiiiiiiiiiiiiii




Agora estou aqui em cima!!!




Depois dos mergulhos revitalizantes,
uns metros de estilo livre...




Apenas...




You Rock Me Up!




MANHÃ ABERTA

a manhã vem acordar-me
com a sua luz indefinida
escova-me os emaranhados da noite
vem suave, traz a claridade molhada
estou inteira, rosto fechado ao vento
asas de um mineral puro
o sol a mordiscar-me a face
abre-se em mim, com o seu sabor dormente
o corpo está amansado
as palavras que bailam, leva-as o pólen
nos meus ouvidos entram flores em rebentação
estou imersa no odor forte da terra
enleada na calmia das fontes límpidas
posso falar-te da água que desliza por mim,
percorre os poros, se afunda nos vales,
escorre das montanhas, semeia a humidade
desce lentamente
e o céu observa sereno
aberto sob a plenitude adocicada




E quando a água entorna o copo?




EXALTADÍSSIMA

Outra imagem que transmite o meu entusiasmo matinal...




PIRILAMPO CORRE 100 METROS NAS VEIAS

Não consigo dormir mais.
Desde as 8 da manhã que ando
a rebolar na cama feita parva.
E porquê?
Porque estou exaltadíssima!
Tenho o sangue aos saltos!
Para baixo e para cima, em grande correria!
Sinto-me um pirilampo a tempo inteiro!

(Isto é tudo muito bonito, mas lá para as 16:00
devo estar a dormir em cima do computador...)





Segunda-feira, Agosto 25, 2003
E fica já para amanhã:

BOM DIA SERPENTINA!




Tem uma noite cheia de estrelas-archote...




NOITE

A noite sempre teve este efeito sobre mim,
a mente deambula pelas sombras e a escrita
vem pesada como as cortinas do céu-carvão.




CARA

À toi...




EM ISOLAMENTO

Be clear every day, every evening
It calls here aloud from above
Carefully watched for a reason
Mistaking devotion and love
Surrendered to self-preservation
From others who care for themselves
But life as it touches perfection
Appears just like anything else

Isolation, isolation, isolation.

Mother, I tried, please believe me
I'm doing the best that I can
I'm ashamed of the things
I've been put through
I'm ashamed of the person I am

Isolation, isolation, isolation.

But if you could just see the beauty
These things I could never describe
Pleasures and wayward distraction
Is this my wonderful prize?

Isolation, isolation, isolation, isolation, isolation.

(Joy Division, "Isolation")




UMA LIÇÃO DE PÓS-MODERNISMO

Para a T.C.

"Não estão frescas" é a versão pós-moderna
da expressão "Estão verdes".




Visões na escuridade...




Acredito que até a escuridade
mantém sempre uma luz acesa...




Nado na estrada interminável para algures
perseguida pela vontade de libertar-me das crostas
e ser uma corrente transatlântica veloz
nas planícies de lábios carnudos...




Moi

Sou a leveza das gotículas que despertam
as cores das plantas em devir...





És de agasalho vestido...




PUDESSE EU

Pudesse eu saber onde
habitas nas tuas horas mortas
e passaria a minha mão quente
nessa face que ainda treme
os sobressaltos de outrora
Pudesse eu saber os teus
lugares de encantamento
e levar-te-ia
de mãos dadas
até eles




Neste exacto momento centenas/milhares de pessoas
pelo mundo inteiro estão a ser torturadas e/ou executadas...
Ainda bem que não és uma delas.
Enjoy life!




TERCEIRA MEIA-NOITE

Por António Maria Lisboa:

Ontem à meia-noite três relógios distintos bateram:
primeiro um, depois outro e outro:
o eco do primeiro, o eco do segundo, eu sou o eco do terceiro

Eu sou a terceira meia-noite dos dias que começam




Intervalo publicitário

Um blog verdadeiramente original que eu adorei:


Há poeta sim senhora





Para a S.S.

Lembrei-me de ti...




EM L

Somente lagartas
que enxotam as pedras
atiradas de torres
mais altas
que as mãos que as construíram.
Mãos que desconhecem os abraços véus.
Sento-me entre elas
e os movimentos baralham-se devagar:
O corpo estica-se em lagarta dobradiça
gesticula os olhos grandes
de torrentes saltos estratosfera.
Nascem sardas verdes
no pescoço respiração veloz.
Fiz-me lagarta
e aqui de cima não vejo torres
apenas florestação.




Amiguinhas, aqui vai uma tentativa...




Para a S.L. da A.S.

A tua loucura chega à ponta dos teus dedos
e a partir daí faz o percurso inverso.
Por isso, ela nunca chega a sair!





CORPOS E MENTES EM AQUECIMENTO DISRUPTIVO

- S.S. afirmou:

A exaltação dos corpos não aquece as mentes.

- A.S. respondeu-lhe:

Aquece o suficiente para dar cabo delas!




I am the Cheshire Cat

and this is us




SOBRE A VIDA

Por João de Deus:


A vida é o dia de hoje,
a vida é ai que mal soa,
a vida é sombra que foge,
a vida é nuvem que voa;
a vida é sonho tão leve
que se desfaz como a neve
e como o fumo se esvai:
A vida dura um momento,
mais leve que o pensamento,
a vida leva-a o vento,
a vida é folha que cai!

A vida é flor na corrente,
a vida é sopro suave,
a vida é estrela cadente,
voa mais leve que a ave:
Nuvem que o vento nos ares,
onda que o vento nos mares
uma após outra lançou,
a vida - pena caída
da asa de ave ferida -
de vale em vale impelida,
a vida o vento a levou!

(Para pessoas com pouca visão: é óbvio que isto é gozo!)




Acabei de beber um punhado de flores.
O dia será perfumado e pleno de vitalidade.





CARA

Não te preocupes.
Deixa andar a carruagem...
Os cavalos não se vão cansar.




Apenas...




PROVÉRBIO DO DIA

Quem quer muitas pegadas, caminha muito...




Em nome da vida...




Qual de ti escolheste ser?




CARA

Há uma série de passos que temos de dar para atingirmos
o objectivo "LUNE". No entanto, não somos nós que definimos
os "tempos" dos passos. Temos de ter paciência e passar
por todos eles e não desesperar. Mas tudo isto já é do teu
conhecimento.. Porém, nunca é demais repeti-lo.
Boa sorte.
Contigo sempre.
Nos passos mais complicados, eu dou um empurrãozinho...




Boa noite quentinha...




Domingo, Agosto 24, 2003
CARA

Terra
Água
Ar
e Fogo Interior...




Algumas CORES que em mim vivem...




O Vazio da Ausência...


E quando o corpo está moribundo,
o amor está moribundo,
a alma está moribunda?

Alma adornada de trevas
sem força para levantar a mão caída
engole a noite por inteiro
Oh, como são pálidas as luzes
que iluminam a rua abandonada
Respiração congelada
Palavras sem fôlego
O som desfalece e
morre sem retorno




A Ausência...


O MEU MUNDO

O meu mundo são cinzas
cinzas de fogos grandes e ardentes
cinzas ainda quentes
do tempo em que acreditei
na infinitude
O meu mundo são sóis nascentes
que não chegam ao entardecer
pérolas incandescentes que
queimam as mãos
ervas dançando nas rajadas
de vento descontentes
Perco-me nos seus jardins de areia
e a noite vem de longe recolher-me
O meu mundo é a nudez
de um verão adormecido
O meu mundo são ausências




Desenhei-o tantas vezes.
Mas nunca o consegui apanhar.




PASSOS ANTIGOS

passos sulcados golpeiam
em corpo frágil de mãos
os temores secretos
acendem-se
pedras ferozes caem
e sem abrigo
apanho-as no corpo
as mãos apertam-me
desmedidas




CARA

Um ramo de mãos para ti.
Bom proveito.




ESPOJEI-ME NELA...




Fui ver, era mesmo HUMIDADE!




Um dos Bichos em Nós...




O caminho é um slide, que se ilumina repentinamente...




Há ondas gigantes
que se bebem
aos goles fartos...




Aqui no Mundo Fantástico,
andamos atarefados,
há colheitas todos os dias...




o
meu
coração
é
sumo
de
gomos
doces




Sobrevoei um laranjal e fui laranja de asas flor...




SIT ON MY SOUL

This secret desire
wasn't meant to be told
Please sit on my soul
I don't want to be vulgar
just want to be warmer
Please sit on my soul
I'm sure you won't mind
my heart feels so cold
Please sit on my soul
You're making me blue
i want to be red
Please sit on my soul
Your hands on your waist
please look at my face
and sit on my soul
I know it sounds weird
but be a dear
and sit on my soul
I'm sure you won't mind
my heart feels so cold
Please sit on my soul
I'm sure you won't mind
i'll never grow old
if you sit on my soul

(Letra e música: António Olaio; João Taborda
Vídeo na exposição "Arte dos Artistas"
na Culturgest - A não perder!)





REACORDAR

Transborda ainda das
chaminés os restos do
que ardeu no desassossego
Nem toda a gente se pode
reclinar nos poços fundos onde
as enxurradas têm lugar
A pressão evapora-se,
afunda-se na memória da lama
Escreve fertilidade
na madeira nova
Noutro lugar, rente à minha
cave, um outro motor
faz tremer outro corpo
Demasiados movimentos,
repletos de transparência, puros
descem e sobem os
lances de escada
Colecciono as suas imagens
desenho-as na areia que
o mar de seguida desgasta
Transborda ainda das chaminés
o alimento do amanhã
o acordar de regiões envoltas
em lençóis empoeirados
Há quanto tempo, e agora o
tempo do mundo
Nas suas mãos me deleito...




Quando me perdi
as pegadas
deixaram de marcar
a secura da terra.




VOOS MARÍTIMOS




Para a A.S.

PARTE TUDO!

DESTRÓI A ORDEM!

(O excesso de ordem das ditas cujas é para dar mais pica!!! Percebes gaja!?!?)




FORA DE SERVIÇO

Encontrei uma área "Fora de serviço".
Lá dentro trabalha-se muito.
Chegou o novo material.
A abertura está para breve...




UMA CHAVE

"Tem a solidão isto de comum com o silêncio e a escuridade: espanta;
e aturde quem nela cai; mas, logo que o ouvido, desadormentado dos
sons fortes, aprende a conversar com a mudez; tanto que os olhos,
desofuscados dos luzeiros intensos, se exercitam em caçar espectros
de raios, fosforescências indecisas, que são como que os infusórios
das trevas, descerrou-se o negrume em brilhantismo, a calada aviventou-se
de diálogos, a solidão, que parecia o nada, é o teatro com o seu drama, é
um mundo novo com um sistema completo de existências imprevistas e apropriadas."

(António Feliciano de Castilho, "A Chave do Enigma")




CORPOS VAZIOS E CHEIOS

Porque é que há momentos tão vazios e outros tão cheios?
Quando estão cheios o corpo enche-se de mundos coloridos,
mas, por causa dos primeiros, há sempre o receio que eles
terminem (bruscamente...). Sim, porque isso acontece, mais
facilmente do que se imagina: o esvaziamento quase total.




Troquei duas pegadas por duas manápulas massagistas...




Marte

para a duende

Tenho ouvido dizer que Marte se aproxima...
Ares, chamei-lhe um dia.
Perguntei-lhe se era sereno o Plutão. O Rico, cujo nome não podíamos pronunciar.
Respondeu-me que Hades e Pérséfone recebiam bem. Podia era não voltar.
Disse-lhe que tinha muitos chapéus e muitos mistérios.
Em mim mora um árvore imortal cujo nome é também indizível...
Bem sei, Chapeleiro, bem sei, respondeu-me.
Marte é o que se vê ao contrário do Senhor do Hades, do mesmo nome
Cujo mister é profundidade e cujo olhar é intensidade.

Esquece tudo isso, disse-me Marte
Os mistérios da vida tanto surgem na morte do dia
Como na criação da noite.
A regeneração é uma morte fugidia, uma morte moribunda
Havemos de matá-la juntos para vivermos então.

Nunca matei a morte, como dizia Marte. Sou um Chapeleiro pacífico
Mas percebi depois que o toque de Marte não é de morte
E a única violência a temer dele é a do sentimento.

Que ele desconhece mas nós sentimos.
Em ímpetos pelo corpo e desejos pela vontade.
Como um duende que nos habita por dentro

Aproxima-te pois Marte, exuberante.




Faróis

para o melro cantante

Aqui no País das Maravilhas que se saiba não há faróis (o mais certo é haver) porque não há mar, mesmo havendo muita escuridão. Mas aí fora, Desse lado do Espelho, os faróis são um dos mais belos mundos que o Vosso Mundo me pode desvelar. Não sei se pelos braços de luz estendendo-se por mar e terra, se pela sua solidão recolhida, promissora de histórias. Não sei se pela sua coragem em frente ao colosso oceano. Se por ser um local de amar.
A razão é esta: um dia, aí desse lado vi um rapaz uma noite inteira apaixonar-se por uma mulher que se perdeu na noite. Quando lhe gritou quem era, respondeu-lhe: sou a sobrinha do faroleiro. Desde esse dia ele sabe que encontrou o amor da sua vida e tem corrido todos os faróis do mundo em busca da sua....sobrinha do faroleiro.



O Farol de Alexandria, a mãe de todos os faróis


Bálsamo

para a Lebre dos Arrozáis


As palavras podem ser sangue novo
Sussuradas ao ouvido em amor
Transfusão serena de vida
A um corpo pedindo carinho
À porta da sensação
Um copo de caminho vário
De sentar a alma entretecida de desejo
Junto à existência desejada do outro
União sangrenta de vida e poesia
Um cosmos corpóreo, rosado, vivo
Inundando a visão do horizonte
De palavras, bálsamos em verbo
Uma cascata corrida de sonho
À foz do quotidiano suave
Rico das riquezas do mundo
E das multidões cá dentro
De músicas e sons conhecidos
Como nomes chamando
E vozes, imagens em filmes
As palavras revelam amor
Nas veias possuídas de textos
Ilusões lavadas de fresco
Só restam como futuro bom
À impressão verdadeira das palavras

Quero dizer-te que há um outro caminho
Ao abraço do outro, um Outro.
Um caminho dos corações palpitantes
E dos idealismos inconfessáveis
Onde facas e alguidares
Se choram lamechas de toadas antigas
De frescos amores

Quero dizer-te - é isto que te quero dizer!
Que às palavras do mundo
Podes ver o mundo de outra forma
E uns olhos despertarão sobre as tuas palavras
Como as tuas palavras te despertam viva
E te fazem viva tão bem

Quero dizer-te - escuta, vou terminar baixinho
Que as palavras te guardam as veias e o olhar
Para que sintas e vejas um novo amor
No horizonte sereno do mundo habitado
Morando onde morou sempre
No sabor das palavras que deixas ser teu alimento




Pela madrugada

Metido à noite, com o corpo quente e suado
Os músculos cansados de gestos
Muito chá bebido, muito mundo pensado
Muito caminho corrido.

Apetece-me apenas descansar um pouco. Para começar tudo de novo.
Em liberdade, os meus passos e os meus devaneios
Eu e todos comigo, companheiros.

Cansados que estejamos ao fim da noite,
Ébrios de vida e de sonho
Viajamos pelo sono até à estação do novo dia
Para renascermos assim em passos libertos
E sorridentes.

Carregando a vida no colo. Leve. E tão ternurenta...




"As colinas e os rios designaram-me
para que fale por eles.
Eles estão em mim e eu estou neles."




Sábado, Agosto 23, 2003
"A vida é uma nuvem errante"




TELHADO, TALENTO E MUDANÇA

"Eu quero mudar.
Quero mesmo mudar.
O meu coração arde pela mudança!"




Sexta-feira, Agosto 22, 2003
Lembranças loucas

São as memórias que matam o medo da morte
Só para isso elas servem. E nada mais

Queria retomar a pureza do encontro e do toque
Da inocência infante das primeiras estações

Vou para o próximo dia de peito aberto
E não temo a cor do futuro por me lembrar
Do cheiro das noites passadas e das tardes vividas

Às vezes há um odor que convoca adolescência
Que retoma imagens quentes e cândidas
Onde o tempo parecia mais simples
E o espaço contido num passo

As memórias são o pulmão da vida
Inpiramos e relembramos,
há uma inocência que é sempre quente, chamada nostalgia
Expiramos e libertamos,
há uma certeza sempre presente: vamos ao outro dia





Para um fim de tarde maluco...

Está errado?
Então vamos!
Vamos correr o nosso passo
Pelos caminhos maus
Vamos fazer esgares
E votos de raiva
Atentar contra a moral
E descarregar a fúria
Como uma onda imensa
Sobre uma praia tranquila
Como um choque brutal
Entre o camião e a menina





Não é que eu goste de ter razão.
Mas, de facto...
Enfim, depois as pessoas engolem
as palavras que disseram...
Ou (no caso das mais teimosas)
restam palavras perdidas,
que o vento,
habituado já a estas coisas,
leva...




FORMIGUEIRO

Senti um formigueiro na pele...
Rios de formigas responderam ao meu pedido.
Vieram assaltar os restos de angústia.
Obrigada amiguinhas.
Apareçam sempre...




O que é que este "prato" vos parece...




Na minha mente...




MAIS BORBOLETAS!

As borboletas são nossas amigas!




DE PAU FEITO NO 50

Contexto: Autocarro nº 50 rumo "Oriente", completamente cheio.

"Uma gaja enfia as nádegas proeminentes no 'enchumaço'. Assenta a parte curva
das nádegas no 'coiso'. O autocarro anda para a frente e para trás. Entre o empurra
e o aperta uma pessoa fica de 'pau feito' no autocarro. Depois disse-lhe 'Com licença'."

por L.N.




Uma das minhas melhores amigas:

Echinacea Purpurea




XIXI

Hoje sonhei que fazia parte do concurso:

"Quem faz o xixi maior e com mais acrobacias"

O outro concorrente era um rapazinho de 7 anos.
Adorei! Lembro-me que estive a fazer xixi acrobático,
de voos muiiiito altos, durante uma hora!
E não fiz xixi na cama!!!




Eu própria sinto-me muito borboleta...




"Ó subalimentados do mundo! a poesia é para comer..."

(Natália Correia)




MILHARES DE BORBOLETAS!

Há borboletas por todo o lado!!!
Dentro de mim, à minha volta,
em todas as partículas das aragens
frescas deste dia radioso!!!




[...]

De luz é o dia se o vivermos além
À frente da translucidez da íris
Afastados, pois, dos contornos certos das formas
Corpos, objectos, até ideias
Desvanecidos em miopia onírica
E erguidos, todos, em uma só luz
Pois só da luz se parte à escuridão
E só na escuridão serve a luz
A existência
Assim é certo o caminho
Da escuridão invisível do mundo atrás da nuca
À muita lucidez da visão sublime
Que olha já o futuro condensado
Mesmo na multiplicidade presente
Morando vária




Quinta-feira, Agosto 21, 2003
AQUECIMENTO FOLHAL

Ontem dormi mesmo na Floresta e ela foi muito
simpática, arranjou-me um lençol de folhas com
aquecimento. É que eu sou muito friorenta...




COMPANHEIROS DE BLOG

Vou contar-vos um pequeno segredo: nem sempre
escrevo sozinha aqui no blog, às vezes estou muito
bem acompanhada...




Baloiçando nos sons harmónicos da vida...




QUINTA-FEIRA

Tempo excelente!

Pegadas aos saltos...




I am the Cheshire Cat

and these are The Words of the Reconstruction


Be joyful! Let your breath take your breast and inspire the new days!

Look at the world without time or space, just will

Search and grab the little things that live in the shores of the hours

That make you question the future and hasten the present!

Build and dream, as brothers they are

And go through your thoughts like through a stream

Of clear water, a path of unknown yet certain happiness

Embrace your loved ones with words and wisdom

And with the touch of a hand, let your soul drive your body

And find the soul within the voices and the visions of the waking life

That that lies, horizon, as promisse that you have to fullfil

And always remember yourself like the one feeling and building

Like the one within the embrace of the others and the world

Peaceful reconstruction will come. As energy, deepness and infinity

And Serendipity. Live it!




To you...all


À mesa...aqui como Aí, Desse Lado

Deuses à volta da mesa do café, metido em conversas de adolescentes. Aí Eles são mais Verdade do que num templo qualquer. Deus aí é uma passagem, uma recolha e um esquecimento e as conversas são belas por isso, e eu amo-as. Sei-me perdido nisto e por isto. Contente por me poder esquecer de mim no caos criador das vozes que ouço, em significados que uno tão cabalisticamente que sou eu um profeta de um novo Mistério, sorrindo ao timbre de novas profecias reveladas. No lugar de culto escondido em café, venero as missas das dez e tal e idolatro eucaristias da mesa-altar que me ladeia, recebendo angústias, incertezas, banalidades como dogmas desta religião. Pentagrama afixado na discussão para alvo das ideias que passam: pederastas, magia em túnicas brancas, druidas na mata fingindo dança. Cai este ídolo ao fim do ritual como simples dia que cessa. Pentagrama que cai, rave que surge, sons e trips à mistura. O duro da vida aí se cura, corpos vibrando em loucura, misticismo delirante em lugar santo, onde expressão de fé é viagem e não o pranto. Estou exaurido por esta devoção, encanto espiritual que me esgotou, um religar novo em dispersão que não sabe se algum deus criou. Está nisso o sublime de não importar, aqui fé é só estar. Sem consciência disso, sem ser nem pensar.




SENTIMENTO-BOMBA

Deve-se ter muito cuidado com o sentimento-bomba.
A maior parte das vezes explode-nos na cara,
provocando estragos consideráveis.
Os seus estilhaços penetram por todo o corpo...




Pegada a pegada
vai-se enchendo
o caminho de pés...





RESQUÍCIOS

Não sinto verdadeiramente dor.
Sinto resquícios da dor passada.
O que provoca, de tempos a tempos,
alguma angústia latejante.




Acreditar

Há um caminho da terra e da luz, vago, abrindo os contornos do ombro a um olhar de pássaro. Estrada imensa, enevoada de fogo soturno, raivoso de sangue e de seara como uma criança chorando. No passo desse caminho começam a surgir as perguntas líquidas à língua seca de vertigens e fúrias. À míngua de paz, pergunta-se de fome e de frio o gume da saudade, o fio da vontade, a espora do sonho. Todas as perguntas da estrada que pulsa são eivadas de substância, de matéria. Apenas se buscam as vestes inumanas da mais perene alegria que como algas de pó se fixam aos poros e como estrelas nascendo sejam sempre tudo aquilo que nos acompanha e protege como enormes veias de linfa, sangue e vinho onde possa correr a existência sem derrames nem perdição. Mas nada disto o caminho nos diz ou mostra. O seu brilho fúlgido cega o futuro longínquo e só resta dele o sonho que em cliché se alimenta a custo, apascentado ao longo dos dias e das canções. Não há vozes aqui neste caminho de nudez, só um princípio de corpo que aprende, escuta e treme, flébil. Febril, no entanto, por dentro, como castelos a ruir de fogo, de deslumbre e de fome. A fome está sempre presente. Desde o vislumbre do ombro no princípio, ao fim que só os corais sabem e deixam brilhar. Baixemos ao peito, no percurso do caminho, vindos do ponto anterior do ombro, deserto terminal. Antecipemos rumores urbanos, de sol e de fadiga, ao chegar ao sopé dos seios, essa margem do desejo, essa fronteira do visível e do erótico. A ave que se transforma de adolescência e maternidade em pureza ardente e felina ¿ todos os seios são Fénix ¿ ou em insídia-serpente com alma de elfa dos rios. Há mais luz neste lugar supremo e a mão sente-se cometa. Apetece perguntar o que é o instinto senão o impulso do tacto. Agarro por trás o caminho e fecho as minhas mãos sobre os seios surpresos dos ombros. Há uma lembrança latejante do lugar onde começou a viagem e a minha face abre-se ao abocanhante desconhecido. Uma romã desenha-se na minha boca e todo vermelho me torno, de sumo e de sangue, de violência e de sexo. Esquece-se o caminho de mim e eu dele pois estamos um no outro e não há como esquecer o que mora em nós, por muito tempo. Não há como viajar no caminho carmim do líquido criador, pousado num relógio de cristal e assim se banhando a lua, em tempo, em compassos de tempo e minutos. Voo do peito e retorno ao passo do caminho escuro. A minha mão ficou na vulva observante e escanchada. Danço por ela. E no meu passo haverá sempre essa dança.



Já o disse e repito: beijem-se muito!


I am the Cheshire Cat

and this is my friend, The Night Cat




O meu melhor amigo e a minha melhor amiga,

Harley Quinn






Surpresa...

Em breve ele estará aqui.




Quarta-feira, Agosto 20, 2003
Boa noite estrelas...




Uma memória do passado, próximo ainda...




É verdadeiramente incrível o tormento que se sente.




CALDO

O caldo às vezes parece que vai entornar.
Houve alturas em que entornou "forte e feio".
Não foi bonito de se ver. Não foi não.
Então de limpar...
Cheira-me que ainda vai voltar a entornar.
O meu faro engana-se poucas vezes...




Este quadro chama-se Eternal Game...



"There is a voice inside of us that always knows what is right and what is wrong.
Sometimes we call it 'the voice of doubt', or 'the gut feeling', or our will... I see
it as a mythical bird Sirin - beautiful, wise and sad. Throughout our life we try to
fight it, ignore it, explain to ourselves rationally that it just cannot be right. And
we are playing this eternal game inside our minds till the end without victory."


PALAVRAS

canto as palavras dos campos:
zumbidos de navios
que atracam para repousar
em areais entornados nas águas
e logo partem sedentos de espaços de luz
palavras feitas de prados em crescimento,
de força madeira e textura solar
acompanhadas por um vento leve
que sopra os quadrantes das viagens
palavras com cheiro a especiarias exóticas
que apalpam a pele em gestação
ah, diz-me mais:
narra-me os sons, a cor, os segredos
da terra em convulsão
palavras que são flores dançarinas
abrindo-se para o mundo
em carícias de preciosos néctares
palavras de risos
que os campos cantam comigo




E ela desabrochou...




Estive a pintá-la de novo...




Ups, lá está ela...




Hoje durmo na Floresta...




CARA

Tenho uma coisa para te recordar...
Cinco anos e a bela expressão "Realmente!"
Era só isso. Cumprimentos.




"Poucos foram aqueles que souberam
conviver com o seu próprio inferno"

(Al Berto)


Aqui vai um belo quadro de Hieronymus Bosch
ligado à temática infernal:




RECEITA POSSÍVEL

Gostava que este mau-estar específico passasse mas concluo
que não há muito a fazer. É daquelas coisas que "faz parte".
Já sei como são estas coisas, não é...
Dar-lhes alguma liberdade, apenas alguma, e não deixá-las
tomarem o controlo. É a receita possível!




TIM

E quando já se sabe o que é que se vai
sentir, tim-tim por tim-tim...




QUARTA FEIRA

Manhã: o tempo está ensonado mas tem de acordar
porque há coisas a realizar...
Tarde: e não é que acordou muito bem disposto!




Deixei cair uma pegada e ela pisou-me...




A FERIDA

"Na origem da beleza está unicamente a ferida,
singular, diferente para cada qual, escondida
ou visível, que todos os homens guardam dentro de si..."

(Jean Genet)




BRILHO FERIDO

Tantas mudanças nas veias
Vêem-se à flor da pele
A pele tem uma cor estranha
Está prensada com demasiadas perguntas
Que assombram o espírito
Tenta-se uma reordenação das prioridades...
Vou olhando os outros
Numa busca sedenta
Conseguirei de volta
A partilha de ruas cheias?
Porque o corpo continua vazio
E apenas rondam rumores
Apenas rumores...
Como explicar-vos a tipografia da dor
Os seus escritos continuados:
As estações abandonadas
As esperas molhadas
A vida nas fronteiras...
Eu lembro-me e pouco me tranquiliza
Serem já apenas ruídos
Há zonas inacessíveis
E não consigo ter paz
Porque é necessária
A iluminação dos murais?
Aqui dentro o brilho continua ferido




Terça-feira, Agosto 19, 2003
Boa noite meninos e meninas...




CARA

Isto de ser tua co-pilota tem muito que se lhe diga.
Demasiados altos e baixos, cara!
Turbulência a dar com um pau!
Mas aguenta-se, que remédio...
Enfim, muita animação, muita animação!!!




Está na altura de dar uns quantos saltos!

Dêem à corda!!!




A dieta forçada vai no bom caminho.
Já plantei uma macieira no quarto...




Gota a gota, a bicharada dos rios interiores vai descongelando...




ROMÃ

Romã doirada pelo sol alto
Amadurecida pelo curso do tempo
Guardava segredos nos seus caroços em hibernação
Abre-se em pétalas rasgando o tecido
Sente-se o palpitar já fora dela
Transborda em feixes desenhados na terra




CHEIRO A LIBERDADE

Yes I am mother nature's son
and I'm the only one
I do what I want and I want what I see
huh, could only happen to me

I'm so free
I'm so free

Oh, please, Saint Germaine
I have come this way
Do you remember the shape I was in
I had horns that bent

I'm so free